2 de março de 2014

Como as elites financeiras internacionais trocam governos para implementar austeridade

Guerra global contra os 99%

Ismael Hossein-Zadeh

counterpunch: Tells the Facts and Names the Names

Muitos países do mundo estão enfrentando todos os tipos de rebelião armada, sanções econômicas, guerras civis, golpes “democráticos” e/ou guerras de “troca de regime”. Eles incluem a Ucrânia, Venezuela, Síria, Tailândia, Irã, Afeganistão, Iraque, Egito, Iêmen, Somália e Líbano. Mesmo nos países do capitalismo central a imensa maioria dos cidadãos está sujeita a uma guerra brutal em nome da austeridade econômica.

Embora não sejam novas, as convulsões sociais parecem ter se tornado numerosas em anos recentes, especialmente desde os misteriosos ataques de 11 de setembro contra o World Trade Center em 2001 e o colapso financeiro dos Estados Unidos em 2008 — que em seguida levou à implosão econômica e crises similares na Europa e além.

Apesar de muitas diferenças, essas turbulências sociais tem alguns elementos em comum. O primeiro é que elas são induzidas, alimentadas e orquestradas de fora, ou seja, pelos Estados Unidos e seus aliados — naturalmente, em colaboração com seus aliados internos. O segundo elemento comum é que, ao contrário do antigo padrão histórico das revoluções sociais, quando as massas desesperadas e destituídas se rebelavam contra as elites dirigentes, na maior parte das disputas recentes são as elites que instigam insurgência e guerras civis contra as massas. Os dois elementos estão integralmente ligados: refletem essencialmente os interesses compartilhados e os esquemas colaborativos das plutocracias internacionais contra os 99%.

Lutando para tornar a economia da austeridade universal

A razão oficial (oferecida pelos Estados Unidos e seus aliados), de que o objetivo de apoiar forças anti-governamentais em lugares como a Síria, Ucrânia e Venezuela é espalhar a democracia, não tem mais validade; pode facilmente ser descartada como mero pretexto para exportar o neoliberalismo e espalhar a economia da austeridade. Provas abundantes e irrefutáveis demonstram que onde a maioria dos cidadãos votou e elegeu governos que não são do gosto dos poderes ocidentais, estes poderes mobilizaram seus aliados locais e contrataram todos os tipos de forças mercenárias para derrubar governos legitimamente eleitos, com isso esmagando a escolha eleitoral da maioria.

Tais intervenções descaradas para derrotar o voto incluíram a promoção da Revolução Laranja na Ucrânia (2004 e 2014), a Revolução Rosa na Geórgia (2003), a Revolução do Cedro no Líbano (2005), a Revolução Tulipa no Quirguistão (2005) e a Revolução Verde no Irã (2009). Também incluíram agitação contra governos eleitos de forma legítima como os do falecido Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro na Venezuela, assim como a rejeição (com anulamento) do governo eleito do Hamas na Palestina.

Assim, as verdadeiras forças por trás das guerras de troca de regime não precisam ser buscadas longe; especificamente, servem ao imperativo da expansão da acumulação do capital em escala global. Líderes socialistas, sociais democratas, populistas ou nacionalistas que não abraçam as políticas neoliberais, e que se preocupam em não abrir totalmente seus mercados para o capital internacional, são alvo de substituição por líderes confiáveis, de estados-clientes. Isso não é uma explicação nova para o imperialismo econômico; é tão antiga quanto a internacionalização do comércio e do investimento. O que é relativamente novo, e parece ser a principal força por trás das recentes guerras de troca de regime, é que os Estados Unidos e outros poderes capitalistas que ultimamente embarcaram em políticas de austeridade econômica em casa também esperam — na verdade exigem — que outros países os sigam. Em outras palavras, não é apenas necessário que um país abra seu mercado para o investimento e o comércio com os poderes econômicos do Ocidente. Parece igualmente importante que o país desmantele seus programas de bem estar social e implemente as medidas de austeridade do neoliberalismo.

Por exemplo, depois de resistir a pressões imperialistas por anos, o líder líbio Muammar al-Gaddafi eventualmente cedeu em 1993, e deu às companhias de petróleo e outras corporações transnacionais dos poderes ocidentais contratos de investimento e negócios lucrativos. Sob pressão, ele até mesmo desmantelou a tecnologia nuclear de seu país na esperança de que, assim, seria deixado de lado. Nenhuma das concessões, no entanto, foi satisfatória para os Estados Unidos e seus aliados e o regime foi violentamente derrubado em 2011. Gaddafi foi literalmente massacrado por gangues de bandidos treinados e armados pelos poderes ocidentais.

Por que? Porque os Estados Unidos e seus aliados esperavam mais; queriam que ele seguisse os ditames econômicos de “especialistas” das finanças globais, ou seja, dos “assessores” econômicos dos Estados Unidos e da Europa, do Fundo Monetário Internacional e da Organização Mundial do Comércio — em outras palavras, queriam que Gaddafi desmantelasse os programas robustos de bem estar e reestruturasse a economia líbia no modelo do neoliberalismo.

O tratamento criminoso de Gaddafi pode ajudar a explicar porque os poderes imperialistas estão trabalhando para derrubar os regimes populistas/socialistas de Hugo Chávez e seu sucessor na Venezuela, dos irmãos Castro em Cuba, de Rafael Correa Delgado no Equador, de Bashar Al-Assad na Síria e de Evo Morales na Bolívia. Também ajuda a explicar a derrubada de governos nacionalistas popularmente eleitos, como os de Mohammad Mossadeq no Irã, Jacobo Arbenz na Guatemala, Kusno Sukarno na Indonésia, Salvador Allende no Chile, dos sandinistas na Nicarágua, de Jean-Bertrand Aristide no Haiti e de Manuel Zelaya em Honduras.

A agenda imperialista de derrubar Gaddafi e outros proponentes “insubordinados” de programas estatais de bem estar é essencialmente parte da mesma agenda diabólica de desmantelar tais programas em casa. Embora a forma, o contexto e os meios de destruição sejam variáveis, o impulso dos ataques incessantes contra as condições de vida dos líbios, iranianos, venezuelanos e cubanos é essencialmente o mesmo dos ataques brutais contra as condições de vida dos pobres e dos trabalhadores dos Estados Unidos, Reino Unido, França e outros países capitalistas degenerados.

De forma sutil são todos parte de uma guerra de classes unilateral em escala global. Sejam levados adiante por meios militares e bombardeios ou por meios aparentemente “não violentos”, jurídicos e parlamentares, não faz diferença substancial quanto ao impacto que tem nas vidas das pessoas envolvidas.

O poderoso establishment plutocrático dos países centrais do capitalismo não parece se sentir confortável em desmantelar a política econômica do New Deal, as reformas social democratas e os programas de bem estar estatais em seus países enquanto o povo de países menos desenvolvidos, como a Líbia, a Venezuela ou Cuba tiram proveito de redes de proteção promovidas pelo Estado. A intolerância da plutocracia com economias “regimentadas” nasce do medo de que os programas de proteção social promovidos pelo Estado em outros lugares possa servir de “mau” modelo, exigido pelos cidadãos dos países do capitalismo central.

Em um momento de honestidade, o ex-presidente dos Estados Unidos Harry Truman disse (em 1947) que a missão não oficial dos Estados Unidos era globalizar seu sistema econômico: “Todo o mundo deveria adotar o sistema norte-americano. O sistema norte-americano só pode sobreviver nos Estados Unidos se ele se tornar um sistema mundial” [1].

De forma similar, o lorde Cecil Rhodes, que conquistou boa parte da África para o império britânico, sugeriu durante os dias gloriosos do império que a forma mais simples de conquistar a paz era a Inglaterra converter e adicionar o resto do mundo (exceto os Estados Unidos, a Alemanha e alguns outros poderes do Ocidente) a suas colonias.

O equivalente da Máfia ao que disseram Truman e Rhodes é algo assim: “Faça como fazemos ou quebramos sua perna”.

A ideia por trás da declaração dura de Truman de que o resto do mundo “deveria adotar o sistema norte-americano” tem na verdade servido como missão sagrada, que guia a política externa dos Estados Unidos desde que eles suplantaram a autoridade britânica como o grande poder mundial. Explica, por exemplo, a razão real e principal por trás das hostilidades da Guerra Fria entre os Estados Unidos e seus aliados, de um lado, e a União Soviética e seus aliados, de outro. Embora a “ameaça do comunismo” tenha sido usada como razão oficial para o início e a escalada das hostilidades, existem provas convincentes de que Joseph Stalin e seus sucessores na União Soviética não só não tinham planos de guerra contra os Estados Unidos e seus aliados como, na verdade, jogaram um papel de contenção contra movimentos revolucionários mundiais. “É esquecido”, diz Sidney Lens, “que por alguns anos depois da guerra, ele [Stalin] assumiu uma postura excessivamente moderada... Seu país tinha perdido 25 milhões de pessoas na guerra, estava desesperadamente precisando de ajuda para a reconstrução e continuou por muito tempo apostando na coexistência. Longe de ser revolucionário, Stalin naqueles anos colocou a tampa nas revoluções sempre que pode” [2]. Para acomodar os Estados Unidos e outros poderes ocidentais na esperança de coexistência pacífica, Stalin em geral aconselhava e algumas vezes ordenava que os partidos esquerdistas/comunistas pró-Moscou da Europa e de outros partes do mundo se abstivessem de políticas revolucionárias que pudessem ameaçar as chances de coexistência.

O objetivo ou missão de converter outras economias em capitalismo no estilo dos Estados Unidos também ajuda a explicar porque Washington se engajou em tantas operações militares ou organizou tantos golpes e mudanças de regime em todo o mundo. A Federação de Cientistas Norte-Americanos fez uma lista dos engajamentos militares estrangeiros dos Estados Unidos que mostra que na primeira década depois da queda do muro de Berlim (1989-99) os Estados Unidos se engajaram em 134 operações do tipo, a maioria desconhecidas do público norte-americano [3].

As elites financeiras globais mudam regimes “que não se acomodam” não apenas em países menos desenvolvidos mas também em países centrais do capitalismo. Fazem isso nem sempre por meios militares, mas através de dois poderes mais sutis: (a) eleições dirigidas pelo dinheiro, vendidas como “democracia em ação”; (b) poderosas instituições financeiras e think thanks como o Fundo Monetário Internacional, os bancos centrais e as agências de crédito como Moody’s, Standard & Poor e Fitch. Um relatório negativo de uma das agências sobre o status do crédito de um país pode criar confusão para a posição econômica e financeira nos mercados mundiais, provocando assim o colapso e a troca de governo. É assim que durante a turbulência financeira de anos recentes um número de governos foi trocado em lugares como a Grécia e a Itália — sem necessidade da tradicional mudança de regime em estilo militar, mas através de “golpes suaves”, financeiros, com engenharia do FMI e das agências de crédito que servem mais eficazmente aos mesmos objetivos.

Guerra de classes em escala global

Como notado, todos os esquemas e guerras de mudança de regime, sejam pelos meios militares tradicionais ou pelo poder “suave” do monstro destruidor, representam essencialmente a mesma coisa: uma forma disfarçada de guerra de classes em escala global, uma guerra econômica insistente da oligarquia do 1% contra o resto da população do mundo.

A guerra de classes em uma sociedade de classes não é coisa nova. O que é recentemente novo na guerra do 1% contra os 99% é seu ritmo acelerado, sua escala ampla e seu caráter global orquestrado. Enquanto o ataque da austeridade neoliberal contra as condições de vida do público nos países do coração capitalista começou (formalmente) com a política econômica do presidente Ronald Reagan e da primeira ministra Margaret Thatcher mais de três décadas atrás, a brutalidade de tais ataques se tornou muito mais severa no contexto da atual crise econômica e financeira, que começou com o crash de 2008 nos Estados Unidos.

Tirando vantagem do crash (como enfatizado por Naomi Klein, com a terapia do choque), a oligarquia financeira e seus representantes nos governos dos países capitalistas centrais tem conduzido um golpe econômico sistemático contra o povo que inclui o seguinte:


  • Transferência de dezenas de trilhões de dólares do público para a oligarquia financeira através de programas de austeridade;
  • Extensiva privatização de bens e serviços públicos, inclusive de monumentos históricos insubstituíveis, de referências culturais que não tem preço, de serviços essenciais como saúde, educação e fornecimento de água;
  • Substituição de políticas de bem estar públicas por políticas que servem a corporações e bancos;
  • Alocação da parte do leão dos gastos de governo (e da criação de crédito em geral) para o investimento especulativo, em vez de investimento real;
  • Ataque sistemático contra a aposentadoria de milhões de trabalhadores e servidores públicos;
  • Controle ainda mais aberto das políticas econômica e financeira por representantes da oligarquia financeira.


Combinadas, estas políticas agravaram ainda mais a distribuição injusta de renda e riqueza nestes países. Os cortes maciços em gastos sociais resultaram em uma enorme transferência de renda de baixo para cima. A transferência, aliás, representa mais que todas as perdas dos especuladores financeiros desde 2008. Nos Estados Unidos, por exemplo, o 1% mais rico agora controla 40% da riqueza do país; enquanto os 80% de baixo controlam apenas 7%. Agora, o 1% mais rico leva para casa anualmente 24% da renda total do país, comparados com apenas 9% quatro décadas atrás [4].

Isso demonstra que, como apontamos anteriormente, enquanto os ataques neoliberais sobre os 99% nos países do capitalismo central podem não parecer tão violentos quanto os que se dão na Venezuela, Síria ou Ucrânia, o impacto financeiro de tais ataques nas condições de vida dos 99% não é menos devastador.

Plutocratas do mundo estão unidos

As políticas de mudança de regime normalmente são desenvolvidas e levadas adiante em esquemas colaborativos entre as plutocracias que atravessam fronteiras, ou seja, da oligarquia financeira dos países imperialistas em parceria com seus colegas nativos em países menos desenvolvidos.

Além do constante desenvolvimento de estratégia nos bastidores, os representantes do capital transnacional e seus agentes nos governos capitalistas também se reúnem em conferências internacionais para sincronizar suas políticas financeira e de negócios — um foco importante em anos recentes é o de implementar medidas de austeridade e políticas neoliberais globais. Estes encontros incluem o Forum Econômico Mundial em Davos, na Suiça, os encontros do Banco Mundial e do FMI, os encontros periódicos do G20, o Festival de Ideias do Instituto Aspen, o forum anual de geopolítica do Bilderberg Group e o encontro anual de magnatas da mídia de Herb Allen no Sun Valley — para nomear apenas um punhado de tais encontros políticos internacionais.

Através das estratégias e operações globais, o capital transnacional escapou dos controles e compromissos nacionais e domésticos e foi bem sucedido em alterar a correlação de forças e as alianças sociais no mundo. Hoje as elites do capitalismo global “estão se tornando uma comunidade transnacional de colegas que tem mais em comum entre si do que com seus compatriotas em casa”, escreve Chrystia Freeland, editoral global da Reuters, que viaja com as elites em várias partes do mundo. “Se mantém suas residências primárias em Nova York ou Hong Kong, Moscou ou Mumbai, os super-ricos de hoje crescentemente formam sua própria nação”, ela acrescenta. [5]

Implicações da globalização para os de baixo

Quais as conclusões que os 99% podem tirar disso? O que os trabalhadores e outros podem fazer para proteger seus empregos, suas fontes de vida, suas comunidades e seu meio ambiente? O que as comunidades de gente comum podem fazer para solapar as estratégias do 1% que bloqueiam as reformas econômicas e sociais progressistas?

Da mesma forma que, em sua luta contra os trabalhadores, as elites da classe capitalista internacional não respeitam a territorialidade e as fronteiras nacionais, a classe trabalhadora precisa coordenar sua resposta internacionalmente.

Um passo lógico para deter a estratégia do capital internacional de chantagear os trabalhadores através de ameaças de destruir ou exportar empregos seria remover os incentivos que induzem à transferência de plantas, fuga de capitais ou outsourcing. Tornar os custos de trabalho comparáveis em escala internacional seria um passo crucial para obter isso. Assim, é necessário dar passos para o estabelecimento de salários e benefícios internacionais, ou seja, custo paritário de trabalho dentro da mesma empresa ou mesmo ramo, sujeito ao (a) custo de vida e (b) produtividade de cada país.

Uma estratégia desse tipo substituiria a competição entre trabalhadores de vários países com a barganha coordenada e políticas conjuntas em defesa de interesses mútuos em escala global. Embora isso possa parecer radical, não é mais radical que o que o 1% transnacional está fazendo: coordenando sua estratégia contra os 99% em escala global. Se num estágio anterior do desenvolvimento do capitalismo “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos” parecia um sonho do campeão do trabalho, Karl Marx, a internacionalização do capital, a abundância de recursos materiais e o desenvolvimento de tecnologia, que facilitaram a organização e a coordenação de ações além-fronteira dos 99%, tornaram este sonho uma necessidade urgente.

Como o capital e o trabalho são a base da produção capitalista, suas respectivas organizações e instituições se desenvolvem mais ou menos lado a lado, no tempo e no espaço. Assim, quando a produção era local, o trabalho também era: carpinteiros, sapateiros, pedreiros e outros trabalhadores se organizavam em suas comunidades locais. Quando a produção se tornou nacional, os sindicatos também se tornaram. Agora a produção se tornou global e as organizações do trabalho precisam se tornar globais para proteger os direitos de suas comunidades contra os desejos de lucro incessante do capital transnacional sem limites.

Muitos argumentam que os tempos de hoje não são propícios para falar em alternativas radicais ao capitalismo. O estado presente do cenário sociopolítico de nossas sociedades parece dar apoio a tais sentimentos de pessimismo. As altas taxas de desemprego na maior parte do mundo e a resultante rivalidade do trabalho internacional, combinada com a ofensiva da austeridade neoliberal em escala global jogaram a classe trabalhadora na defensiva. A lenta mudança dos partidos socialistas, sociais democratas e trabalhistas europeus em direção à adoção da economia de livre mercado dos Estados Unidos e a erosão de seu poder, prestígio e ideologia tradicionais levaram os trabalhadores à confusão. O colapso da União Soviética, embora muitos socialistas tenham se distanciado daquele sistema, assombra o espectro do socialismo e vai ser assim por um bom tempo. Estes acontecimentos causaram confusão e desorientação entre os trabalhadores e outras organizações de base.

Nada disso, no entanto, significa que não há saída fora do status quo. O capitalismo não é apenas “destrutivo”, também é “regenerativo”, como colocou Karl Marx. Enquanto captura mercados mundiais, universaliza o reino do capital e destrói as condições de vida de muitos, simultaneamente planta as sementes de sua própria transformação. De um lado, cria problemas comuns e problemas compartilhados para a maioria da população do mundo; de outro, cria as condições materiais e a tecnologia que facilitam a comunicação e a cooperação entre a maioria dos cidadãos do mundo para ações conjuntas e soluções alternativas.

Quando a maior parte da população do mundo, os 99% globais, se darão conta disso? Quando vão se apropriar da tecnologia e dos recursos materiais existentes para gerenciar e organizar melhor a economia mundial, ninguém sabe dizer. Mas o potencial e a trajetória de longo prazo do desenvolvimento socioeconômico apontam naquela direção. A distância entre o agora e o futuro, entre nossas frustrações imediatas e a civilização superior de nossos desejos, só pode ser vencida se dermos os passos necessários para alcançá-la. [6]

Referências

[1] Como citado em Jan Nederveen Pieterse, Globalization or Empire. New York and London: Routledge 2004, p. 131.

[2] The Military-Industrial Complex, Kansas City, MO: Pilgrim Press and the National Catholic Reporter 1970, p. 19.

[3] Ver Ismael Hossein-zadeh, The Political Economy of U.S. Militarism, Palgrave-Macmillan 2006, p. 88.

[4] Henry Blodget, “America Today: 3 Million Overlords and 300 Million Serfs,” Business Insider, 10 de abril de 2013, disponível em: .

[5] “The Rise of the New Global Elite,” The Atlantic, janeiro–fevereiro, 2011, disponível em: .

[6] Para uma discussão detalhada sobre essa questão ver Ismael Hossein-Zadeh, Beyond Mainstream Explanations of the Financial Crisis, Routledge (próximo, 29 de abril de 2014), Capítulo 8.

Sobre o autor

Ismael Hossein-Zadeh é professor emérito de economia da Universidade Drake, nos Estados Unidos. Ele é autor de The Political Economy of U.S. Militarism (Palgrave/Macmillan, 2007); Soviet Non-capitalist Development: The Case of Nasser’s Egypt (Praeger Publishers, 1989), e mais recentemente, Beyond Mainstream Explanations of the Financial Crisis (próximo de Routledge, 29 de abril de 2014). Ele contribuiu para Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press, 2012).

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