29 de abril de 2014

Eleições europeias: à procura do presidente ninguém

Patrick L. Young


Créditos: Francois Lenoir / Reuters.

O Parlamento Europeu está no período mais produtivo do seu ciclo de quatro anos. Ao invés de continuar a acrescentar mais regras opressivas, muitos políticos agora estão em campo à procura da reeleição para o ridículo comboio da alegria entre Bruxelas e Estrasburgo.

Assim, durante pelo menos dois meses a cada quatro anos, os europeus são poupados à indignidade de mais regulamentações meticulosas e inúteis que destroem o emprego e a economia.

Milhares de candidatos nos 28 países estão a caçar uma oportunidade rica em recursos (isto é, sobrecarregada com despesas) para administrar meticulosamente a indigência da Europa. A apatia da UE continua a acelerar-se: desde a introdução de eleições diretas, em 1979, o comparecimento de eleitores tem estado em declínio contínuo.

As eleições pan-europeias do fim de Maio verão um vasto panorama de apatia de leste a oeste, apesar de desesperadas tentativas federalistas para despertar interesse. Num estratagema oco para criar impulso eleitoral, os três principais grupos políticos nomearam candidatos para um dos postos designado como "presidente" dentro da estarrecedora burocracia irresponsável de Bruxelas (os outros grupos parlamentares sensatamente ridicularizaram a ideia).

Pelo menos uma forma de euro-harmonização já foi alcançada. Todos os três iludidos candidatos "presidenciais" são basicamente impossíveis de distinguir entre si. Como demonstram numerosos vídeos online, a maior parte dos europeus não consegue reconhecer qualquer deles.

Serão o mesmo homem?

Portanto uma forma de falsa eleição presidencial está a ser combatida por três pessoas que, francamente (nunca os tendo visto juntos na mesma sala), suspeito serem o mesmo homem. Estes tediosos e insípidos candidatos fazem uma cara alegre ao fato de ninguém alguma vez ter ouvido deles falar. São tão semelhantes que a diferença entre si é da espessura de um papel de cigarro. (N.B. A sentença anterior está em clara violação das ordenações da UE pois poderia ser interpretada como promoção do tabaco e também, horrendamente, o endosso a uma mensuração alternativa ao sistema métrico). Quanto a políticos clássicos das terras baixas Europa, seja qual for a sua posição numa escala esquerda-direita, são incluídos na categoria comum da Eurofilia (são todos corporativos: acrescentam um "grande" a qualquer coisa. Bem, exceto "crescimento" ).

Credo totalitário

E, sobretudo, todos eles subscrevem um credo totalitário abrangente: seja qual for a questão em causa, a única solução é mais Europa.

Uma vez que esta eurofilia cada vez mais demente proporcionou duas décadas de desempenho europeu inferior ao da Ásia ou da América do Norte, aqueles a quem resta um pouco de sanidade econômica só podem encarar a necessidade de uma mudança de plano. Contudo, apesar disso, a única solução gravada firmemente nas células cerebrais dos eurófilos é: mais Europa. A resistência é fútil.

Ou talvez não.

De modo não surpreendente, muitos eleitores, atolados no imobilismo da UE do norte ou na depressão do Euro no sul, consideram que a Europa não está a funcionar.

Deste trio de candidatos à presidência o principal é Martin Schulz, um desvairado eurófilo de centro-esquerda da velha escola das tradições socialistas, o qual, como o comprovadamente liberal ainda mais fundamentalista Guy Verhofstadt, está continuamente a combater uma guerra que só ele percebe contra a intolerância nacionalista. A parte complicada é quão intolerantes são quando se deparam com qualquer das muitas críticas justificáveis contra a fétida e corrupta máquina do Euro. Se isso soa semelhante a uma descida a memoráveis dogmas totalitários, então longe de mim discordar.

Ao longo do Sarre alemão temos o (quase obrigatório) alinhamento dos antigos primeiros-ministros belga e luxemburguês: Guy Verhofstadt e Jean-Claude Juncker respectivamente. Cada um deles está no centro de uma charada/presunção eleitoral: a ziguezaguear pela Europa em campanha por uma presidência que será finalmente decidida num daqueles opulentos jantares em que líderes nacionais tradicionalmente suspendem a democracia e é instalado o sistema Buggins'turn de representação proporcional a fim de distribuir os postos chave.

A meritocracia é muitíssimo secundária para a eurofilia de Bruxelas, como se verifica através de Cathy Ashdown da Grã-Bretanha, cuja ocupação da pasta das relações exteriores foi uma piada. Ignorando o voto "popular", espera-se que os vários presidentes sejam escolhidos por trás das habituais portas fechadas, como a sra. Merkel já sugeriu claramente.

Os leitores perspicazes poderão perguntar-se como o crescente euroceticismo influenciará o novo parlamento. Numa pancada direta contra a democracia, aplicar-se-ão as regras habituais da UE: ignorar o problema, ridicularizar as queixas e pressionar por mais Europa! Uma vez que a resposta é sempre "Mais Europa!", os três partidos principais suspenderão diferenças ideológicas esquerda-direita para concentrarem-se no seu estado único de ilusão.

Uma vez que o Parlamento Europeu poderia ser 25%, ou mesmo 30%, explicitamente crítico – se não absolutamente cético – dos enormes fracassos da UE, os leitores podem perguntar como é que a UE afirma ter alguma ligação remota com a democracia que pretende impingir aos outros quando o seu próprio processo tornou-se uma falsidade.

Enquanto isso a Europa continua a desbaratar dinheiro dos contribuintes na busca do Presidente Ninguém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário