7 de maio de 2014

O fim da democracia como a conhecemos

Bernd Hamm


Este artigo começa com o resumo dos maiores elementos teóricos na definição de uma classe dirigente global. Explica como os neoconservadores dos Estados Unidos tomaram o poder e utilizaram a mudança de regime para criar o caos noutras regiões. Uma estratégia de tensão é utilizada para pressionar a população a aceitar. Mas a verdadeira revolução é em que medida a política factual escapa a qualquer tentativa do controlo democrático. Três estudos de até onde já foi o Departamento de Estado. A Democracia está no limite da sobrevivência.

1. Teoria

Nos artigos anteriores (Hamm, B. 2010) sugeriu um enquadramento analítico para o estudo do poder em relação ao futuro da sociedade global. Este estudo apresenta especificamente quatro temas: 1 Como está estruturada internamente a classe dirigente global? 2. É teoricamente correto utilizar o termo classe para a elite dirigente? 3. Quais são os principais instrumentos do poder? 4. Qual o impacto destas ideias analíticas no futuro provável da sociedade humana?

Assente no trabalho seminal de C. Wright Mills Elite no Poder, uma pesquisa recente da estrutura do poder sugere um modelo de tipo ideal de quatro círculos concêntricos. No círculo interno encontramos o poder global do dinheiro, os indivíduos mais ricos, famílias ou clãs, todos com fortunas superiores a 2 bilhões de euros. Os CEOs de grandes corporações transnacionais e os maiores jogadores financeiros internacionais constituem o segundo círculo. Estão essencialmente interessados no aumento da riqueza do círculo interno, e da deles próprios. Políticos internacionais de topo, alguns ativos nos governos e instituições internacionais, outros mais em fundo como conselheiros, militares de topo, compõem o terceiro círculo. Essa classe política tem compromissos, organiza a distribuição do produto social de modo a transferir o máximo que o poder atual permitir para os bolsos do primeiro e segundo círculos, e garantir a legitimidade de governos organizando o circo político de uma estrutura alegadamente pluralista. O quarto círculo será composto por acadêmicos de renome, advogados, e por vezes autores proeminentes, artistas de cinema e música, representantes de ONG’s, alguns líderes religiosos, alguns criminosos importantes e outros para decoração dos círculos internos. Têm o privilégio de acesso direto ao poder, serão pagos e tudo farão para não perder esses benefícios (Hamm, B., 2010:1008-9, veja-se também Philips, P., Osborne, B. 2013).

Parece que o grau de internacionalização dos poderosos está de acordo com o seu estatuto na hierarquia do círculo. Os dois círculos interiores foram sempre internacionais. O terceiro e o quarto, porém, estão mais chegados à nacionalidade (por pertença, por eleições) do que o primeiro e o segundo. O círculo interno não é estático mas é relativamente sólido. Assenta no capital financeiro e social frequentemente acumulado por gerações anteriores, o aço, bancos, armas, ou barões do petróleo. A maior fonte de poder é ter nascido numa família do círculo interno. Os Rockfeller, os Rothschild, os Morgan, os DuPont, os Vanderbilt, os Agnelli, os Thyssenou, os Krupp são exemplos ilustrativos (veja-se Holbrook, 1953; ou mais recentemente Landes, 2006; Marshall, A.G. 2013).

Há também os novos ricos. Nomes como George Soros, William Gates, Zuckerberg, Sheldon Adelson, ou os irmãos Koch por exemplo (Smith, Y. 2013); oligarcas russos ou europeus de Leste como Alisher Usmanov, Mikhail Chodorkowski, Boris Berezowski, Mikhail Fridman, Rinat Alumetov, Leonid Mikhelson, Viktor Vekselberg, Andrej Melnichenko, Roman Abramovitch, Carlos Slim Helu, Lakshmi Mitall, Mukesh Ambani, Jorge Paulo Lemann, Íris Fontbona ou Aliko Dangote dos chamados países menos desenvolvidos. Estes que aparecem tendem a ser politicamente mais ativos, pelo menos à boca do palco, do que as famílias mais ricas. George Soros com a sua Fundação da Sociedade Aberta, os seus avisos permanentes dos males do capitalismo selvagem é o mais conhecido pelas suas tendências liberais, enquanto os irmãos Koch, Sheldon Adelson ou Robert Murdoch são da direita agressiva. (Heath, T. 2014, Snyder, M. 2013; Webster, S.C. 2013). Os oligarcas do antigo bloco soviético quase todos fizeram fortuna durante a presidência de Boris Yeltsin que, sempre em estado etílico, deu lugar a privatizações em grande escala de corporações do Estado, de matérias-primas, após o colapso do regime socialista. Terapia de choque foi utilizada por indicação de conselheiros ocidentais, especialmente o programa de privatização de Harvard com Jeffrey Sachs como figura de proa, assim como o Fundo Monetário Internacional. Jegor Gajdar, Anatoli Tchubais, um oligarca, e Alfred Koch [1] eram os seus executivos locais na Rússia, Vaclav Klaus na Checoslováquia. Leszek Balcerowicz na Polónia. O método de criar oligarcas e polarização social é fácil de entender, e tem sido praticado até hoje de vez em quando pelo FMI como parte da sua política de ajuste estrutural (depois chamada cinicamente estratégia de redução da pobreza); acaba com todo o controle de prêmios e subvenções públicas, empregados públicos em lay-off, limita os salários, desvaloriza a moeda, e privatiza corporações públicas e infra-estruturas no consenso de Washington. A pobreza alargada é o resultado imediato e a outra face da moeda da riqueza extremamente concentrada nas mãos de poucos.

Constitui esta oligarquia global uma classe social no sentido teórico do termo? Em caso afirmativo deveria 1. Controlar os meios de produção. 2. Estar unida no espírito de classe e na mentalidade de grupo. 3. Fazer parte de uma luta de classe global sobre a distribuição do produto social. O segundo critério foi discutido nos anos de 2010, e respondido positivamente: “Os GRC tendem a ver-se como reis feudais, de superioridade divina colocando-se acima de todos os outros seres humanos. Semelhante o fascismo é um pilar básico para esta ideologia, e a guerra será justamente um dos meios de aumentar o seu poder e seus lucros” (Hamm, 2010:1010; veja-se também Turley, J. 2014; Dolan, E.W. 2013). Como a elite financeira geralmente tende a focar os seus contatos sociais entre si, o pensamento grupal sai permanentemente reforçado. Isso é essencialmente verdadeiro mesmo que não seja homogêneo (Lofgren, M. 2013).

No primeiro caso temos de sublinhar até onde o setor financeiro tem o controle das indústrias produtoras. Aqui, é decisiva a enorme quantidade de dólares acabados de imprimir injetada na economia global desde a abolição do padrão de ouro em 1971. O Banco da Reserva Federal sob sucessivas administrações norte-americanas tem seguido até hoje esta política. A quantidade de dinheiro que rola em investimentos positivos não é suportada pela produção de serviços mas sim pela impressão de moeda. Permite à indústria financeira comprar negócios reais por quotas e os seus respectivos derivativos dentro e fora dos Estrados Unidos. Assim, a indústria financeira na realidade adquiriu o controle de grandes partes da economia real incluindo, via cadeias de produção, negócios de grande e médio volume, terras férteis e matérias-primas. É largamente influente na ciência e tecnologia e, através dos seus lobbies e campanhas de donativos, na tomada de decisões. Na realidade, como os criadores de leis norte-americanos pertencem ao terceiro círculo do nosso modelo de poder, também tendem a identificar-se com os interesses dos círculos internos (Escolha de Moeda 2013). Assim, é correto concluir que a indústria financeira controla os meios de produção.

Frequentemente os escritores entendem a luta de classes como uma ação tomada por trabalhadores para defender os interesses da classe trabalhadora, ignorando a igualmente significativa luta de classes organizada e dirigida pela classe dominante via Estado: “Toda a panóplia das políticas neoliberais, das chamadas 'medidas de austeridade' ao despedimento em massa de empregados públicos e privados a transferências massivas de riqueza para credores, destinam-se a fortalecer o poder, riqueza e primazia de diversos setores de capital à custa do trabalho... Luta de classes a partir de cima destina-se a aumentar a concentração de riqueza na classe dominante, aumentando as taxas regressivas sobre os trabalhadores e reduzindo as taxas sobre corporações, reforçando seletivamente regras que facilitam a especulação financeira e baixando despesas sociais para pensões, saúde e educação para as famílias dos trabalhadores.” A luta de classes a partir de cima procura maximizar o poder coletivo do capital via leis restritivas sobre as organizações trabalhistas, movimentos sociais e direitos adquiridos dos trabalhadores. Os orçamentos através de fianças são espaços de luta de classes; bancos são espaços de luta de classes entre os hipotecários e as casas, credores e devedores. “Trilhões de dólares são transferidos do Tesouro Público para banqueiros salvadores. Centenas de bilhões em cortes sociais são impostos aos trabalhadores, cerceando todos os setores da economia” (Petras, J. 2013). Os governos são instrumentos de extração de dinheiro às populações via impostos e transferências para os ricos através do sistema bancário. O que estão a fazer com a ajuda do FMI à Grécia, Portugal, Irlanda ou Chipre, ou Espanha e o que esperam fazer à Ucrânia, Egito, Tailândia, Venezuela ou Líbia fizeram anteriormente a países em vias de desenvolvimento com a mesma receita. “Eles querem tudo. Lucro e poder. O nosso mundo está a ser dominado e reformado por uma pequena elite global financeira, corporativa, política e intelectual. E todos devem sofrer para que possam ter o que qualquer um na sua posição quereria ter: mais, eles querem tudo. E querem que nos calemos e os deixemos levar tudo. Se tiverem problemas com isso, é para isso que existem motins, prisões, e fascismo”. (Marshall, A.G. 2013; Drum, K. 2013).

Encontramos também um poder hierárquico global entre os estados-nação. Parafraseando o que foi dito das atitudes de membros da classe dominante: as nações mais poderosas tendem a ver-se com uma superioridade divina que as coloca muito acima das outras nações. O fascismo é um pilar dessa ideologia, e a guerra será um dos meios para aumentar o seu poder e lucros. “De acordo com esta doutrina farisaica (principalmente americana), a América é o país indispensável. O que isto significa é que os Estados Unidos foram escolhidos pela história para estabelecer a hegemonia do 'capitalismo democrático' secular sobre o mundo. A primazia deste objetivo coloca o governo dos Estados Unidos acima da moral tradicional e acima de qualquer lei, tanto nacional como internacional” (Roberts, P.C., 2013)

O papel de hegemonia do mundo tem um preço alto. (Nader, R., 2014). A polarização socioeconômica aumentou muito. Centenas de milhares de famílias foram expulsas das suas casas por execução de hipotecas. Cerca de 20% de todas casas vivem de senhas de alimentação. Um número cada vez maior de pessoas já não pode pagar a renda, nem cuidar da reforma; milhares vivem em cidades de barracas e tendas. Alguns governos de câmaras já começaram a afastar os pobres para a periferia para que estes se tornem cada vez mais invisíveis [2]. Embora a tendência seja geral, mulheres, crianças e não brancos são os mais afetados. As consequências em forma de cuidados de saúde reduzidos e taxas de mortalidade crescentes já começam a ser apresentadas [3]. Uma criança nascida hoje nos Estados Unidos ao respirar pela primeira vez já deve 50.000 dólares (Ventura, J. 2013). A indústria prisional lucra com uma política de encarceramento com sentenças perpétuas a que nem as crianças escapam.

A existência do dólar norte-americano como moeda de reserva constituiu o pilar econômico dos Estados Unidos como o único superpoder permanente. Quando os Estados Unidos conseguirem exportar todo o dinheiro acabado de imprimir, poderão comprar os produtos de outras sociedades pelo simples preço da impressão e obrigar outros países a pagar pelo luxo e pelo poder militar fantástico e pela indústria da guerra. Adicione-se a isso a política de ajustamento exercida pelo Banco Mundial controlado pelos norte-americanos e o Fundo Monetário Internacional, mais as ações secretas da CIA no mundo inteiro. Assim é analiticamente correto dizer que os Estados Unidos se tornaram o adversário na luta de classe global. Portanto o núcleo da classe dominante global reside nos Estados Unidos. Como na teoria estrutural do imperialismo de Galtung (Galtung, J. 1980), a hegemonia está em vassalos em nações subordinadas sob a forma de governos aliados. Elites em nações subordinadas existem para garantir o papel inatacável da hegemonia global, para permitir o acesso permanente aos recursos locais e direitos de controle garantindo a imunidade aos seus representantes. Assim, podemos tentar colocar a classe dominante global na elite do poder dos Estados Unidos.

O maior teste de poder tanto a nível individual como coletivo é baseado em dois critérios: a possibilidade de evitar perseguição por crimes cometidos, ou impunidade, e até onde poderemos apropriar-nos da riqueza dos outros. Um exemplo importante é dado pelos ataques de 9/11. Os que conseguiram impedir uma nova investigação detalhada sobre a narrativa oficial (entre muitos Rupert, M. 2004) estão obviamente numa posição de força. Também os que iniciaram a guerra e são responsáveis por centenas de milhares de mortos sem responderem por isso em tribunal. Ninguém no governo dos Estados Unidos foi responsabilizado por tortura, mísseis e vítimas de drones, crimes proibidos por lei nos Estados Unidos e na Convenção de Genebra, ou por violação de direitos constitucionais — espionagem autorizada, buscas ilegais, violações de habeas corpus, execução de cidadãos sem o devido processo, negação de representantes legais, sentenças com provas secretas. Quem será responsável pelos efeitos a longo prazo dos bombardeamentos nucleares de Hiroxima e Nagasaki? Ou pelo lançamento do agente laranja no Vietname? Ou pela utilização do urânio empobrecido no Iraque? Os criminosos de guerra podiam ser identificados — mas quem os julgará? Não só os Estados Unidos mataram um milhão e meio de pessoas, principalmente iraquianos e alguns americanos, como arruinaram o país e infligiram custos de quase três trilhões de dólares ao pagador de impostos, mas acenderam também um conflito sunita-shiita (Stone, O., Kuznick, P., 2013:521-34). “O departamento de justiça de Obama, em especial o Chefe da Divisão Criminal [...] nem sequer tentou contar os criminosos de alto nível. O que os oficiais de Justiça de Obama realizaram foi apenas o que foi feito na área de crimes de alto nível de tortura e escutas ilegais: principalmente protegeram as facções mais poderosas na sociedade perante provas inegáveis de criminalidade grave. (Greenwald, G. 2013). Quem levará a julgamento os banqueiros que afundaram a classe média? (Witney, M. 2014; Cantu, A. 2014)

2. Quem governava o mundo — ontem e como?

2.1 O aparecimento dos neocons

Os americanos estão convencidos de que é apenas a autoridade global dos Estados Unidos que escora o grau de segurança e prosperidade que existe no mundo. Sem isso seria o caos crescente, a estagnação econômica e guerras internacionais ainda mais frequentes. Os proponentes desta concepção sublinham a dependência da ordem mundial das capacidades norte-americanas, em termos militares, econômicos e ideológicos (Falk, R. 2014). Falk menciona Michael Mandelbaum como o defensor mais veemente desta posição nos seus livros [4]. Recentemente Mandelbaum reiterou este argumento num pequeno estudo (2014): “Este governo mundial, embora administrado do seu quartel-general em Washington é, de acordo com os seus promotores, meta-político e não egoísta. Devia ser apreciado por todas as pessoas de boa vontade como um contributo para o melhoramento da humanidade.”

A “ofensiva neoconservadora” (Hamm, B., 2005, 1-18) começou em agosto 1971 com o Manifesto Powell (Nace, T., 2003 [5]) e teve o seu primeiro grande êxito quando Ronald Reagan chegou ao poder e trouxe com ele muitos dos falcões neoconservadores. Eles já haviam estado antes no poder e aguardavam a sua vez. O fim veio provavelmente com as revelações de Edward Snowden em junho de 2013 quando pessoas, corporações e governos em todo o mundo acordaram para o fato de que todas as suas comunicações eletrônicas eram espionadas pela NSA. Ronald Reagan foi o presidente mais mal informado, um velho que dormitava nas reuniões do Conselho Nacional de Segurança e que olhava o mundo através das lentes dos filmes de Hollywood: “homem de cultura limitada mas de profunda fé religiosa e profundas convicções conservadoras, pouco ligava à política e não se interessava por pormenores... O estilo desinteressado de Reagan e a falta de experiência em política externa abriu a porta a intrigas palacianas entre os seus subordinados, que queriam preencher o vazio” (Stone, O. Kuznich, P. 2012:421-4).

Em meados de 1970 o então secretário da Defesa norte-americana Donald Rumsfeld começou a afirmar que o governo soviético andava a ignorar tratados bilaterais e a fabricar secretamente armas com a intenção de atacar os Estados Unidos. Com Paul Wolfowitz, queria criar uma visão muito mais dura da União Soviética, das suas intenções, e ideias sobre como levar a cabo e ganhar uma guerra nuclear. Quando George H. W. Bush se tornou Diretor da CIA em 1976 criou um grupo de dezesseis especialistas externos que deviam estudar atentamente dados altamente secretos utilizados pela comunidade de inteligência acerca das forças estratégicas conhecidos por Team B. As suas alegações provaram estar erradas. O diretor da CIA concluiu que a investigação do Team B “iniciou um processo passível de manipulação de pessoas altamente colocadas no governo na administração de George W. Bush e formou as suas políticas militares e exteriores.”

O Team B foi parcialmente recrutado do Comitê do Perigo Presente que se reuniu em 1950. Era um lobbie direto do governo e procurou influenciar a opinião pública através de uma campanha de publicidade. Esta interação do CPD foi dissolvida em 1953 quando os seus líderes receberam cargos na administração de Dwight Eisenhower. Reapareceu um pouco em março de 1976 e forneceu 33 funcionários à administração de Ronald Reagan, incluindo o dirctor da CIA William Casey, Conselheiro da Segurança Nacional Richard V. Allen, o embaixador dos Estados Unidos Jeane Kirkpatrick, o Secretário da Marinha John Lehman, o secretário de estado George Schultz e o subsecretario da Defesa Richard Perle. Em junho de 2004 surgiu a terceira fase do CPD para dirigir a Guerra ao Terrorismo, que continua ativa. “Hoje o CPD inclui mais de 100 antigos funcionários da Casa Branca, embaixadores, secretários de gabinete, acadêmicos, escritores, e outros especialistas de política externa. O seu co-presidente é o honorável George Schultz, secretário de estado de Ronald Reagan e R. James Woolsey, diretor da CIA do presidente Clinton, os senadores Joe Lieberman e Jon Kyl servem como co-presidentes honoráveis. [6]

Em 1997, um grupo surgiu sob o nome de “projeto para um novo século americano” (PNAC) um grupo de estudo em Washington, D.C. fundado por William Kristol e Robert Kagan. O principal alvo do PNAC é “promover a liderança global da América”. Era fundamental para o PNAC a certeza de que a liderança da “América é boa para a América e para o mundo” e suporte para “uma política de Reagan de força militar e clareza moral.”. Com os seus membros em posições-chave na administração o PNAC exerceu influência em altos funcionários na administração de George W. Bush e formatou o seu desenvolvimento de políticas militares e externas.

O primeiro teste militar após o colapso do império soviético foi levar o presidente do Iraque Sadam Hussein para a armadilha do Kuwait em 1990. A “coligação dos homens de boa vontade” de 28 nações foi criada e a guerra trazida para o Iraque, a guerra que primeiro utilizou armas perigosas e depois sanções e ainda não acabou. A mais ridícula de todas as aventuras a que o PNAC forçou as forças militares mais poderosas do mundo foi a invasão de Granada (1983) “a instauração das intervenções imperiais dos Estados Unidos sem que o Congresso ou o público se manifestassem foi gradual no período de 1973-1990. Começou a acelerar em 1990 e depois avançou em força após o 11 de Setembro de 2001” (Petras, J., 2013)

O alvo da mudança de regime no Iraque continuou a ser a constante do PNAC. Em 16 de janeiro de 1998, membros do PNAC, incluindo Donald Rumsfeld, Paul Wolfowitz e Robert Zoellick enviaram uma carta aberta ao presidente Bill Clinton instando-o a para afastar Saddam Hussein do poder. Afirmaram que Saddam Hussein era uma ameaça para os Estados Unidos, os seus aliados do Oriente Médio, e o petróleo na região se ele continuasse a manter o que eles afirmavam ser uma pilha de armas de destruição maciça. O PNAC também apoiava o Ato de Libertação do Iraque de 1998. Alguns viam a carta de 1998 como prova de que a invasão do Iraque em 2003 era uma conclusão prévia (Mackay, N. 2004).

Não devemos esquecer que também a guerra contra o Afeganistão já havia sido planejada bem antes dos ataques do 11 de Setembro. Oficiais dos Estados Unidos já haviam estado em negociações com os talibãs para erguer um oleoduto do mar Cáspio a Carachi, via Afeganistão, para não ter de atravessar o Irã. Em julho de 2001, um diplomata alemão afirmou que as negociações terminaram com uma declaração dos Estados Unidos: “Ou os cobrimos com um tapete de ouro (se concordarem) ou os cobrimos com um tapete de bombas”. Até a data do início dos bombardeamentos foi anunciada para 7 de outubro de 2001. Isso nada teve a ver com os ataques de 11 de Setembro, nem com Osama bin Laden.

Recriar as Defesas da América, o documento mais famoso do grupo PNAC, foi escrito por Rumsfeld, Cheney, Wolfowitz e Scooter Libby, envolvendo assuntos como “manter o poderio dos Estados Unidos, destruir poderes rivais e delinear o sistema de segurança global de acordo com os interesses dos Estados Unidos”. A Secção V, intitulada “Criação da Força Dominante de Amanhã”, inclui a frase: “Prosseguir com o processo de transformação, mesmo que este traga mudanças revolucionárias, e que será longo, mesmo com algo catalisador e catastrófico como Pearl Harbour”. Embora não implicasse necessariamente membros da administração Bush nestes ataques, afirma-se que os membros do PNAC utilizaram os acontecimentos do 11 de Setembro como o “Pearl Harbour” que necessitavam de capitalizar para conseguir realizar os seu planos há muito sonhados.

No fim de 2006, o PNAC estava reduzido a um voice mail e um website fantasma, “com um empregado para vista”. Em 2006, Gary Smith, antigo diretor executivo do PNAC, um erudito no Instituto Americano de Empresas e diretor do programa Estudos Estratégicos Avançados, declarou que o PNAC tinha “terminado” [8] Porém, o incansável falcão neocon Robert Kagan substitui-o pela Iniciativa de Politica Externa.

2.2 Mudança de Regime

A estratégia seguida pelo PNAC e a administração Bush filho foi formulada pelo anterior Conselheiro da Segurança Nacional Zbigniew Brzezinski: “O consumo de energia mundial vai ser cada vez maior nas próximas duas ou três décadas. Estimativas do Departamento de Energia dos Estados Unidos antecipam que a demanda mundial vai subir mais de 50% entre 1993 e 2015, com o maior aumento no Extremo Oriente. O momento do desenvolvimento da economia da Ásia começa já a gerar pressões enormes para a exploração de novas fontes de energia, e a região da Ásia Central e da bacia do Mar Cáspio têm reservas de gás natural e petróleo que ultrapassam as do Kuwait, do golfo do México, ou do Mar do Norte.” (Brzezinksi, Z., 1997: 125). “Além do mais elas (as repúblicas da Ásia Central) são importantes do ponto de vista da segurança e das ambições históricas em relação a pelo menos três dos seus vizinhos mais próximos e poderosos, Rússia, Turquia e Irã, com a China a demonstrar também um interesse político cada vez maior na região (ibid., 124).

A partir de 1991, os Estados Unidos prosseguiram a estratégia de cercar a Rússia, como têm feito com outros inimigos declarados como a China e o Irã. Trouxeram 12 países na Europa central, todos anteriormente aliados a Moscou, para dentro da NATO. O poder militar dos Estados Unidos está agora às portas da Rússia. A atual crise da Ucrânia é em parte resultado de um cálculo zero que forma a política norte-americana para com Moscou desde a Guerra-Fria: qualquer dano à Rússia é uma vitória americana, e tudo o que for positivo para a Rússia é mau para os Estados Unidos. Por mais que esta teoria seja contestada pelos retóricos ocidentais e atacada pela mídia ocidental, é perfeitamente entendida pela Rússia, China ou Irã.

Lentamente, sob a presidência de Gerald Ford e principalmente de Jimmy Carter, surgiu uma ressurreição imperial na forma de apoio clandestino aos rebeldes na África do Sul e ditaduras militares neoliberais na América Latina. As primeiras intervenções imperiais em larga escala envolveram apoio maciço aos islâmicos contra o governo secular do Afeganistão e uma invasão jihadista mercenária nos estados membros do sul da União Soviética, apoiada pela Arábia Saudita, Paquistão e Estados Unidos (1979). Desde 11 de Setembro de 2001, as forças das Operações Especiais dos Estados Unidos cresceram sem parar. Nos dias tristes da presidência de Bush, as Operações Especiais seguiram para 60 países do mundo. Em 2013, a elite das forças norte-americanas espalharam-se por 134 países. Isso aumentou 123% durante os anos de Obama e demonstra como os Estados Unidos estão envolvidos numa forma crescente de projeção de poder além-fronteiras. Majoritariamente conduzida na sombra pelas tropas de elite da América, a grande maioria dessas missões realiza-se longe dos olhares, do escrutínio da mídia, ou qualquer outra supervisão, aumentando as oportunidades de ataques imprevistos de consequências catastróficas. A SOCOM procura encontrar 72.000 pessoas em 2014, cerca de 33.000 em 2001. Os fundos aumentaram de um orçamento base de 2.3 bilhões em 2001, para 6,9 bilhões em 2013 ($10,4 bilhões se acrescentarmos fundos suplementares) (Turse, N. 2014).

De modo a instalar governos obedientes aos interesses e desejos dos Estados Unidos, os governos americanos têm estado envolvidos e têm apoiado a queda de muitos governos estrangeiros sem a utilização aberta das forças militares norte-americanas. Frequentemente, essas operações pertencem à Agência Central de Inteligência (CIA) ou, melhor ainda, ao Núcleo Nacional para a Democracia (NED), (Lopez, A. 2014). Mudanças de regime têm sido tentadas através do envolvimento de operações dos Estados Unidos, fundos e treinamento de grupos insurrectos nesses países, campanhas de propaganda anti-regime, golpes de estado e outras atividades [9].

A arte da mudança de regime, suave ou dura, tem sido uma parte importante e bem desenvolvida da política externa dos Estados Unidos desde o golpe do Irã nos princípios de 1950. A começar com a Sérvia em 2000, “revoluções coloridas” espalharam-se por muitos dos antigos aliados da União Soviética (com o insucesso de Belarus), a Myanmar 2007 (insucesso) e Norte de África. A propaganda é sempre a mesma, centrada em palavras como democracia, direitos humanos, prosperidade, justiça e liberdade quando são realmente, desregulamentação, privatização, recursos naturais, prosperidade, bases militares e venda de armamento, e contenção de rivais potenciais. (Moglia, J. 2014). A mídia, principalmente anúncios de TV, opinião pública, juntamente com células revolucionárias e dinheiro sem fim, principalmente de fontes públicas ou privadas norte-americanas ou oligarcas exilados russos ajudam a orquestrar o processo de transição. O Fundo de Sociedade Aberta de Soros com numerosas subsidiárias e a sua Universidade da Europa Central são exemplos ilustrativos.

Concebida para a campanha cívica OK98 na Eslováquia, a estratégia tem sido progressivamente aperfeiçoada e adaptada a outros contextos. Na Sérvia deu origem à chamada “Revolução Buldózer” e levou ao fim do regime de Milosevic. Progrediu para outros contextos, auxiliando protestos e mudanças de regime na Geórgia, Ucrânia e até no Quirguizistão. O percurso dessa estratégia é perfeitamente visível, com todos os acontecimentos numa sequência clara: regime impopular, falsificação de eleições, protestos de rua e a morte política do atual presidente. Em virtude do seu componente altamente não violento, parecem-se mais com um partido maciço do que com uma confrontação direta com as autoridades. Enquanto os regimes em países como Belarus e Uzbequistão apertaram o controle de fundos internacionais e ONGs, a Geórgia e a Ucrânia continuaram parcialmente liberais a esse respeito. Os dois países ficaram abertos à influência ocidental embora continuassem a manter relações decentes com Moscou. A Universidade da Europa Central seleciona o que se tornou a elite desses países. Programas de assistência a estudantes ucranianos e georgianos estão estabelecidos nos Estados e in loco. Poderíamos interpretar essas “revoluções coloridas” como braço de ferro entre Moscou e Washington, com os Estados Unidos a tentarem timidamente ter uma voz? (Polese, A. 2011).

As ações dos governos dos Estados Unidos para a mudança de regimes significam muitos milhares de pessoas mortas (Blum, W., 2004). A Operação Gladio, supervisionada pela NATO e ordenada por Washington, tem o único propósito de impedir partidos de esquerda na Europa de serem democraticamente eleitos (Ganser, D., 2005), a Operação Condor (Calloni 2010) usou regimes de terror e esquadrões da morte na América Latina para garantir governos subservientes, por mais cruéis que fossem (Davies, N.J.S. 2014). No momento em que escrevo podemos observar operações de mudanças de regime no Egito, Tailândia, Venezuela, Síria, Ucrânia. Estão todas a ser preparadas e acompanhadas por campanhas de propaganda cuidadosamente planejadas. Em nenhuma dessas e em muitas outras anteriores nunca foram discutidas estas interferências por governos democráticos. Bem pelo contrário, o resultado é normalmente uma espécie de junta corrupta que toma o poder cujo único benefício é enriquecer uma pequena parcela de criminosos locais e os seus cúmplices norte-americanos. Pobreza acrescida, polarização social e conflitos são as consequências normais. (Mitchell, G. 2014; Goszola, K. 2014; Vance, L.M. 2014). A política externa do PNAC tem falhado em toda a parte, sem exceção. Em vez de regimes favoráveis aos Estados Unidos e obedientes às suas leis, criam o caos, medo e hostilidade. O PNAC preparou o caixão em que o poder global dos Estados Unidos vai ser enterrado.

A sua maior obra foi até onde chegaram com a sua ideologia neoconservadora e a tornaram filosofia política no Ocidente, e mais ainda, nos países em transição da Europa oriental. O seu maior erro de impacto verdadeiramente global foi a diligente recusa às propostas de paz e desarmamento pelo presidente russo Mikhail Gorbatchev desde 1986. Nem sequer verificaram a seriedade das suas propostas. Desejosos de dar um golpe mortal no seu rival global, ajudaram a expulsar o seu líder carismático e a substitui-lo por um alcoólico patológico, Boris Yeltsin. Os principais responsáveis foram Richard Perle, Paul Wolfowitz e Dick Cheney, depois vice-presidente. O mesmo se pode dizer a respeito das propostas do presidente Putin para uma cooperação mais intensa e uma maior confiança que foram rejeitadas pela administração Obama.

“Porque escolhe a administração Obama este tipo de política externa? A principal razão é que os países acima referidos saíram da orbita de controle dos Estados Unidos, e só os grupos de extrema-direita estão interessados em levar os seus países de volta à órbita dos Estados Unidos. Finalmente, os capitalistas americanos têm montanhas de lucro quando um país está dependente de empréstimos norte-americanos, armas americanas, produtos americanos, alimentos, etc. É por isso que o 'establishment' norte-americano — representado agora pela administração Obama — não pode deixar a América Latina, o Oriente Médio, ou a Europa oriental serem independentes ou caírem na órbita de um poder regional competitivo como a Rússia. Há demasiados lucros em jogo. A paz não é uma opção” (Cookie, S., 2014)

2.3 A estratégia de tensão

Como se tornou isto aceitável para o povo americano? A estratégia de tensão é uma tática que procura dividir, manipular e controlar a opinião pública utilizando medo, propaganda, desinformação, guerra psicológica, agentes provocadores e ações terroristas de bandeira falsa. [10] A estratégia desempenhou um papel especial dentro dos Estados Unidos. Os Americanos que cresceram nos anos 50 tiveram vidas de terror constante — medo que os comunistas estivessem por todo o lado, medo que o comunismo fosse uma doença contagiosa da mente que se espalharia por toda a América e pelo resto do mundo, e medo de que a União Soviética fosse iniciar um ataque nuclear aos Estados Unidos. O medo passou a ser moeda do império para segurança nacional. Coexistência pacífica com a União Soviética era a última coisa que os Estados Unidos queriam. Não justificaria o poder militar permanente, um império externo de bases militares, operações secretas da CIA, NAS, espionagem, intervencionismo externo, golpes, assassinatos, tortura, inspeções, e apoio a ditaduras estrangeiras (Hornberger, J.G. 2013).

Em 2013, o presidente Obama, quase um eco do infame Senador Joseph McCarthy, trouxe o inimigo ainda para mais perto, num discurso na Universidade de Defesa Nacional “enfrentamos aqui uma ameaça real de indivíduos radicalizados nos Estados Unidos” — indivíduos radicalizados que são “loucos ou alienados — muitos deles cidadãos americanos ou residentes legais”. O subtexto seria: se queremos apanhá-los, temos de os procurar cá dentro. O pretexto para o estado de inspeção foi assim estabelecido: “demonstrando desconfiança, invadindo a privacidade, retirando os nossos direitos, sujeitando-nos a leis arbitrárias e irracionais, e lembrando-nos constantemente que isto é a única coisa entre nós e a morte às mãos de terroristas, o TSA e semelhantes semeiam o medo. E ao fazê-lo, colocam-se diretamente nas mãos dos terroristas”. Um perfeito exemplo deste medo absurdo aconteceu no caso da bomba da Maratona de Boston a 15 de abril de 2013, em que o departamento de Polícia de Boston impôs efetivamente a lei marcial e invadiu as casas. As bombas foram terríveis (morreram três pessoas e mais de 260 ficaram feridas), mas dois dias mais tarde aconteceu outra coisa terrível: uma enorme explosão numa fábrica de fertilizantes no Texas matou pelo menos 14 pessoas e feriu mais de 160. Teriam sido terroristas? Saddam Hussein desenvolveu alegadamente WDS — e Condoleeza Rice já avisara sobre um “cogumelo gigante sobre a América”. Mas enquanto os americanos gastam mais de bilhões de dólares por ano no TSA, o teatro de segurança nacional em que 58.000 funcionários do TSA asseguram de que não se leve demasiada pasta de dentes ou shampoo nos aviões, o orçamento da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional tem menos de $600 milhões por ano (Ludlow, P. 2014).

O termo “nação” é um gatilho frequente para criar a reação desvairada da multidão. A atuação de George W. Bush no 9/11 é um exemplo de como ele reuniu o apoio popular para as suas políticas. Repetidamente, as suas palavras afirmaram que o terrorismo desse dia era um ataque a todos os americanos. Começou com “Amigos, a nossa maneira de viver, a nossa liberdade foi atacada”. Continuou a modelar as reações psicológicas que podiam alimentar as suas políticas: “... encheu-nos de descrença, de uma terrível tristeza, de uma ira imensa e irresistível”. Nessa altura invocou a nação: “Estes atos de morte indiscriminada foram efetuados para assustar a nossa nação e nos atirar para o caos e o retrocesso. Mas falharam. O nosso país é forte. Um grande povo se levanta para defender uma grande nação”. Vou dirigir todos os recursos da nossa inteligência e das leis para descobrir os responsáveis e levá-los à justiça (Rozeff, M.S. 2014). Ironicamente ninguém foi levado à justiça por causa dos ataques do 11 de Setembro O patriotismo é um meio seguro para garantir uma obediência cega aos atos do governo (Sullivan, C. sem data; Kimberley, M. 2014).

A estratégia de tensão funciona melhor num meio onde a educação geral é pobre (The War on Kids 2014; America 'Dead Last' In Education, 2013) e onde a mídia está mais ou menos domesticados. Há mais de 1.400 jornais diários nos Estados Unidos. Mas não há um único jornal, nem uma rede de TV, que se oponha inequivocamente às guerras americanas contra a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, Iugoslávia, Panamá, Granada e Vietnà (Blum, W. 2014; Lobe, J. 2014; Lynbaek, A. 2014). A mídia nunca esteve tão consolidada; seis gigantes da mídia controlam quase 90% do que os cidadãos norte-americanos leem, vêem ou ouvem. Alguns cooperam direta ou indiretamente com as agências de espionagem (Solomon, W. 2014).

3. O Estado Profundo

Na realidade, o mundo é cada vez mais governado pelo Estado Profundo (também chamado o Governo Secreto, Moyers, B. 1987), não controlado por mecanismos democráticos, de vez em quando discutido por alguns “teóricos da conspiração”, com uma evidência total só recentemente revelada pela Wikileaks e Edward Snowden. Embora o presidente Obama não consiga realizar as suas políticas domésticas e orçamentos devido à muralha incessante dos Republicanos, pode liquidar chamados terroristas sem os devidos processos, deter prisioneiros indefinidamente sem culpa formada, fazer espionagem sem autorização judicial e iniciar infindáveis caças às bruxas nos funcionários federais (o chamado “programa de ameaça interna”). Dentro dos Estados Unidos, este poder é caracterizado por demonstrações de força intimidatória, pelo reforço de leis militarizadas locais, estaduais, federais. No exterior, pode começar guerras à vontade e iniciar qualquer outra atividade. Em 2011 quando a guerra politica sobre a dívida começava a paralisar Washington, o governo conseguiu reunir forças para derrubar o regime de Muhamar Kadhafi na Líbia e dar assistência aberta e secreta à intervenção francesa no Mali. Na altura do feroz debate sobre a continuação das inspeções da carne e do controle aéreo de civis por causa da crise orçamental, o governo conseguiu 115 milhões de dólares para continuar uma guerra civil na Síria e pagar pelo menos 100 milhões de libras às Comunicações do Reino Unido para comprar influências e entrar no sistema de inteligência desse país. Desde 2007, duas pontes com rodovias interestaduais caíram devido a manutenção inadequada de infra-estruturas, uma matando 13 pessoas. Durante o mesmo período de tempo, o governo gastou 1,7 bilhões a construir um edifício no Utah do tamanho de 17 campos de futebol. Esta estrutura monumental servirá para a Agencia de Segurança Nacional guardar um yottabyte de informação, o maior designador numérico que os cientistas de informática inventaram. Um yottabyte é igual a 500 quintilhões de páginas de texto. Precisam de todo esse espaço para arquivar cada traço da nossa vida eletrônica (Lofgren, M., 2014).

“Sim há outro governo escondido atrás daquele que é visível de cada lado da Av. Pensilvânia, uma entidade híbrida de instituições públicas e privadas que dominam o país de acordo com dados permanentes e contínuos, ligados, mas só intermitentemente controlados, pelo estado visível cujos lideres nós escolhemos”. O estado profundo é o híbrido da Segurança Nacional e das agências de reforço da lei. Inclui também o Departamento do Tesouro, o Departamento de Estado, o Departamento de Segurança Interna, a Agencia Nacional de Segurança e o Departamento de Justiça. Também inclui o Departamento do Tesouro por causa da sua jurisdição sobre os fluxos financeiros, o seu reforço de sanções internacionais e a sua simbiose orgânica com Wall Street. Todas essas agências são coordenadas pelo departamento executivo do presidente visa Conselho de Segurança Nacional. Algumas áreas chave do judiciário pertencem ao departamento de Estado, tais como a supervisão dos negócios estrangeiros, cujas ações são um mistério mesmo para a maioria do Congresso. “Há agora 854.000 pessoas contratadas com vistos top-secret — um número maior do que os funcionários civis top secret do governo. Desde o 11 de Setembro, foram construídas ou estão em construção 33 edifícios nos subúrbios de Washington. Em conjunto, ocupam o piso térreo de quase três Pentágonos — cerca de 17 milhões de metros quadrados. Setenta por cento do orçamento da comunidade de inteligência gasta-se a pagar contratos. E a interação entre o governo e a indústria é altamente permeável: O diretor da Inteligência Nacional James R. Clapper é um executivo que veio da Booz Allen Hamilton, um dos maiores contratadores de inteligência [o primeiro patrão de Edward Snowden, pertençente ao Grupo Carlyle]. O seu predecessor como diretor, o Almirante Mike McConnell, é o atual vice-presidente da mesma companhia; Booz Allen está 99 por cento dependente de negócios governamentais. Estes contratadores dão agora o mote político e social em Washington, e gerem cada vez mais a direção do país, mas fazem-no em silêncio, nada se sabe nos Registos Federais, e raramente são sujeitos a audições no Congresso.” Os executivos dos gigantes financeiros têm até mesmo imunidade criminal. A 6 de março de 2013, testemunhando perante o Comitê Judicial do Senado, o advogado General Eric Holder afirmou: “Preocupa-me que o tamanho de algumas destas instituições se torne tão grande que nos seja difícil processá-los quando for necessário, quando houver problemas criminais com eles, haverá um impacto negativo na economia nacional, talvez mesmo na economia mundial”. Estão profundamente diluídos nas sombras da classe dominante, uma ideologia que não é nem especificamente democrata nem republicana. Dentro do país, quase todos acreditam no “Consenso de Washington”: financiamento, terceirização, privatização, desregulamentação e mercantilização do trabalho. Internacionalmente, advogam o “excepcionalismo americano”, o direito e o dever dos Estados Unidos de entrar em qualquer região do mundo com diplomacia e botas coercivas e ignorar totalmente as normas internacionais de comportamento civilizado. Através de formas há longo tempo estabelecidas apesar de formas intensas de cooperação, o Estado Profundo ultrapassa largamente as fronteiras dos Estados Unidos. (Lofgren, M., 2014).

Quando o Congresso votou não interferir na espionagem dos telefones pela NAS descobriu-se que os 217 que votaram “não” receberam o dobro na campanha de financiamento da industria de defesa e inteligência do que os 205 que votaram “sim”. A investigação mostrou que o orçamento da defesa revelava melhor o voto dos membros do que a filiação nos partidos. Os membros da casa que votaram pela continuação permanente do programa de espionagem recebiam em média mais dinheiro dos contratadores da defesa do que os que votaram pelo seu desmantelamento. Comitês de ação política e empregados de firmas de defesa e inteligência como a Lockheed Martin, a Boeing, United Technologies, Honeywell International, e outros apresentaram 12.97 milhões em donativos para dois anos a terminar em 31 de dezembro de 2012. Os legisladores que votaram para continuar o programa de espionagem da NAS receberam cerca de 41,635$, enquanto os membros do Congresso que votaram pela negativa receberam cerca de 18.765$ (Boehm, E. 2014).

As elites da segurança nacional da América agem na ideia de que qualquer recanto no mundo é de grande significado estratégico e que há ameaças aos interesses dos Estados Unidos em todo o lado. Claro que vivem num permanente estado de terror. Tem de haver uma política de domínio global para tornar o mundo seguro para a América. Um rápido olhar ao mapa mostra que esta percepção está profundamente errada. A classe dominante está a criar os inimigos que tenta combater. O estado de segurança nacional é muito desequilibrado e inseguro. Recentemente, essa estrutura de agências de espionagem labirínticas adormecidas em preparativos antiguerra, as forças armadas norte-americanas (com os seus segredos próprios, as forças de operações especiais, que vivem no seu interior), e o Departamento de Segurança Interna, uma conglomerações monstruosa de agencias que é um verdadeiro “departamento de defesa”, assim como um vasto contingente de fabricantes de armamento, contratadores, e aproveitadores apoiados por um exércitos de lobistas, nunca parou de crescer (Kravets, D., 2013, London, E. 2014).

“Obama é apenas um mero executivo. Do ponto de vista da classe dominante ele é a figura perfeita devido ao mero fato de a sua aparência confundir e desarmar tanta gente. Parece ter passado a vida a tentar ser escolhido para representar Judas. Ponto final” (M. 2014; veja-se também Ford, G. 2014ª; Ford, G. 2014b; Chomsky, N. 2014).

Um novo relatório espantoso apresenta provas extensas de como algumas das maiores corporações mundiais pactuaram com firmas privadas e agências do governo para espiar ativistas e grupos sem lucro. Ativismo ambiental é um alvo importante e não exclusivo dessas atividades. Um dos grupos que tem sido mais visado e por corporações de vários níveis é o Greenpeace. Nos anos 90, o Greenpeace foi seguido pela segurança privada Beckett Brown International (BBI) para o maior fabricante de cloro, a Dow Chemical, devido à campanha da organização ambiental contra a utilização do cloro para fabricar papel e plásticos. Outros escritórios da Greenpeace na França e na Europa foram espionados e tiveram escutas feitas por firmas francesas privadas e por ordem da Électricité de France, o maior operador do mundo de fábricas nucleares, 85% dos quais pertence ao governo francês. As companhias petrolíferas Shell e BP também contrataram a Hackluyt, uma firma de espionagem privada, com “fortes ligações” ao MI6, para se infiltrarem no Greenpeace. Muitas das maiores corporações mundiais e os seus associados — incluindo a Câmara de Comércio americana, a Dow Chemical, Kraft, Coca-Cola, Chevron, Burger King, McDonald, Shell, BP, BAE, Sasol, Brown & Williamson and EON — estiveram ligadas à espionagem ou tentaram a espionagem contra organizações não lucrativas, ativistas e  “agitadores” (Ruskin, G. 2013).

O Estado Profundo é construído sobre as vantagens estruturais que o executivo tem sobre o legislativo e o judiciário [11]. É o executivo o primeiro alvo para lobbies e donativos; tem acesso direto ao reforço da lei, agências repressivas e de espionagem; participa em negociações internacionais; trata da mídia e discute com os gigantes econômicos. Enquanto em teoria a democracia assenta em sistemas de controle mútuo, o executivo tem sempre uma tendência para minar o controle democrático. O resultado perturbador desse desequilíbrio é a soma inacreditável de dinheiro entregue aos militares (Orçamento Negro 2013). A maior parte do alarido oficial sobre a espionagem da NSA é profundamente hipócrita: claro que os serviços de inteligência espionavam não só noutros países como em grupos dissidentes, e na indústria. Já tinha acontecido isso com a Echelon. Enquanto os ramos executivos se situam nas redes de um mundo competitivo isso não vai mudar. Os mecanismos de controle democrático são demasiado débeis para serem efetivos. Frequentemente os governos nada sabem das suas próprias agências de espionagem como a NSA (Greenwald, G. 2014; Contra-Inteligência: O Estado Profundo).

Operações secretas são normalmente atividades criminosas efetuadas por instituições estatais ou quase estatais. Frequentemente são quase terrorismo de estado (tortura, rendições, falsa bandeira, mudança de regime, negociações de guerra, espionagem agressiva). Há também comportamento criminoso nas corporações. [12]. Lobbies, juntamente com políticos subornados, criam leis para proteger e facilitar comportamento sem lei e resguardado das leis. As leis são feitas a favor delas [13]. A lavagem de dinheiro ajuda a limpar o dinheiro de origem criminosa e a investi-lo em negócios legais. As fronteiras entre o comportamento legal e ilegal são incrivelmente difusas. As indústrias financeiras são as mais visadas. A Gladio usou assassinos da Máfia para impedir gente de esquerda de ser democraticamente eleita para o governo, a alemã BND utiliza a extrema-direita e criminosos para se infiltrarem em partidos neonazistas. A teoria do “inimigo interno” é utilizada para justificar a repressão interna que, há décadas, serve para controlar a oposição e os dissidentes. O vice-presidente Dick Cheney parece ter comandado o seu próprio esquadrão da morte e aprovou pessoalmente a tortura, como Obama faz (Harris-Gershon, D. 2013; Zenko, M. 2013).

A ideologia neoconservadora tem ajudado a desmantelar as regras do estado e a transferir riqueza ao um por cento. Agora, estão em posição de influenciar grande parte da legislação do estado em seu favor. Eles e as suas fortunas estão protegidos por hostes de legisladores, gerentes, firmas de contabilidade, advogados, consultores de impostos, fazedores de opinião, estações de rádio, estúdios de filmagem, escritores, medias, investigadores, escritores-sombra, lobistas, guarda-costas e outros lacaios a seu serviço. Como a propriedade privada é o bezerro de ouro do capitalismo, e o capitalismo selvagem se tornou a bíblia da classe dominante, podem até mobilizar forças policiais e até o exército a seu favor. Aqui, o estado-nação e o seu governo continuam a ser agências importantes. Nações-estado podem facilmente ser jogadas umas contra as outras, por exemplo com evasão de impostos. Os ricos conseguem ser admirados em público como os verdadeiros heróis da sociedade, as estrelas de sucesso, e a personificação do que já foi chamado o Sonho Americano (Polk, S. 2014).

Isto é o fim da democracia tal como a conhecemos, e a vitória definitiva da plutocracia.

2.6 Estudos de Casos

9/11 — O Crime Encoberto

O Conjunto de Princípios para Proteção e Promoção dos Direitos Humanos Através da Ação para Combater a Impunidade, apresentada à X Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas a 8 de fevereiro de 2005, define a impunidade como: “a impossibilidade, de jure e de fato, de levar os perpetradores de violações — a tribunais civis, administrativos ou disciplinares — porque não estão sujeitos a qualquer inquérito que possa levá-los a serem acusados, presos, julgados, se achados culpados, sentenciados a penas apropriadas, e a indenizações às suas vitimas” [15].

Há sérias dúvidas a respeito do Relatório da Comissão do 9/11: membros da Comissão do 9/11, assim como o diretor executivo Phillip Zelikow, têm conflitos de interesses. Zelikow tem maiores ligações à Casa Branca do que declara publicamente e tentou influenciar o relatório final de tal maneira que os outros membros frequentemente se aperceberam, na tentativa de diminuir a responsabilidade da administração Bush e promover a sua agenda contra o Iraque. Zelikow teve pelo menos quatro encontros privados com o anterior diretor político da Casa Branca Karl Rove, e parece ter mantido muitas conversas telefônicas com pessoas da Casa Branca. Os advogados da Casa Branca tentaram impedir a criação da comissão e paralisar o seu trabalho desde o início (Shenon, P. 2013).

Os dois presidentes da Comissão, Thomas H. Kean e Lee H. Hamilton, acham que o governo estabeleceu a comissão de maneira a garantir o seu fiasco. No seu livro Sem Precedente: A História por Dentro da Comissão do 9/11 (Kean, T. H. Hamilton, L. H. 2006) Hamilton, que descreve a sua experiência, apresenta uma série de razões para chegar a esta conclusão, como: a criação tardia da Comissão e o prazo muito curto, imposto ao seu trabalho; os fundos insuficientes, inicialmente apresentados para executar uma investigação tão difícil (mais tarde a Comissão pediu fundos adicionais mas recebeu apenas uma fração dos fundos requisitados e os presidentes continuavam a sentir-se amarrados); os muitos políticos que se opuseram à criação da Comissão; a resistência contínua e oposição ao trabalho da Comissão por muitos políticos, principalmente os que não queriam ser acusados do que aconteceu; o engano da Comissão com várias agências cruciais do governo, incluindo o Departamento da Defesa, a NORAD e a FAA; e a negação de acesso de várias agências a documentos e testemunhas. “Portanto há todas as razões para pensarmos que estávamos destinados ao fracasso”.

Perturbados com o fato de que tantos fatos relacionados com o 11 de Setembro permanecem por investigar em 2013 perguntei a vários amigos e colegas da academia americana: “Podes ajudar-me a perceber porque ninguém leva os perpetradores a tribunal com todas as provas que já temos?” Apenas recebi uma reação séria que passo a referir mantendo o anonimato:

“Primeiro, não posso dizer que acredito na verdade oficial porque não há um estudo científico do acontecimento por fontes oficiais. Os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 ficam portanto abertos a teorias alternativas. Todas as teorias sobre este assunto, incluindo a oficial, são por definição teorias da conspiração, ou seja explicações para acontecimentos criminosos a respeito de uma conspiração concebida por duas ou mais pessoas em segredo. Para acreditar numa teoria sobre conspiração (ou algo no gênero) sem uma revisão cuidada de todas as provas seria irresponsável. Continuo descrente.

Segundo, não acredito que o governo dos Estados Unidos fizesse um estudo científico verdadeiro sobre o assunto. Nem no que sabemos até hoje. Se a versão oficial parecer falsa a alguns olhares, isso pode deslegitimar a guerra contra o terror. Como análise racional do imperialismo e terrorismo doméstico, a guerra contra o terror é demasiado importante para ser perdida nestes tempos de crise. Mesmo a percepção de que as coisas não aconteceram da maneira que o governo diz pode significar problemas. O Relatório da Comissão é definitivo. Não haverá investigação criminal.

Terceiro, quem nos Estados Unidos tenha uma teoria alternativa, principalmente na academia, é ridicularizado e marginalizado. As pessoas conhecidas, que acham alguns aspectos da narrativa oficial esquisitos, reconhecem com certeza que reclamar não terá qualquer efeito, os custos pessoais de desafiar a teoria do governo serão maiores do que os benefícios públicos. Os Estados Unidos são agora uma sociedade fechada e punitiva. As pessoas estão amedrontadas. Para quê arriscar a carreira? Nenhuma teoria alternativa ganhará apoio.

Quarto, mesmo que aceitemos a narrativa oficial do governo, o conhecimento dos fatos prova a negligência criminosa da administração Bush. Isto não teria acontecido se o governo se dedicasse a impedi-lo. Mas, por razões já referidas, esses fatos darão em nada. Bush e o seu pessoal nunca serão responsabilizados pela maior falha de segurança na história dos Estados Unidos. Obama continua — e até alarga e endurece — as politicas neoconservadoras do seu antecessor. Não tem interesse em prosseguir numa investigação de crime por negligência criminosa.

Assim, verdadeiramente, o problema de se aconteceu ou não como o governo diz já está ultrapassado. Aconteceu desse modo porque assim tem de ser. Seja como for, serviu para devastar a sociedade.”

A verdade é que ninguém quer saber o que aconteceu, e quem é o responsável. O importante é saber quem está a impedir uma nova investigação com todas as dúvidas em cima da mesa.

Os ataques do 11 de Setembro são utilizados para justificar uma revolução institucional para completar um processo de integração e coordenação de todas as capacidades do poder nacional dos Estados Unidos através de uma campanha de comunicações estratégicas (SC) desenvolvida a nível global. A Guerra Global ao Terror (GWOT) estimula uma narrativa de crise associada a este esforço improcedente de educação pública. De modo a vender a sua ideia, o governo dos Estados Unidos assenta numa rede de especialistas: veteranos militares, oficiais de alta patente como almirantes e jornalistas profissionais e acadêmicos que contribuem para forjar um consenso, ou, como diria Michel Foucault, um “regime de verdade” que obriga a ser verdade uma certa interpretação, enquanto ignora ou desacredita criticas e narrativas “contrárias”. (Gygax, J., Snow, N. 2013). Muitas das histórias oficiais do 11 de Setembro foram baseadas nas confissões de Khaled Sheikh Mohammad que, no entanto, lhe foram arrancadas sob tortura não só dele mas também do filho, na sua presença.

Ucrânia — mudança de regime

Durante anos, o acordo de associação entre os Estados Unidos e a Ucrânia foi de importância menor. Muitos políticos americanos, principalmente o chanceler alemão, demonstraram um perfeito desinteresse pela Ucrânia. Quando, em novembro de 2013, a Rússia pediu acesso à mesa de negociação, os Estados Unidos recusaram.

Enquanto Bruxelas jogava com o tempo, os Estados Unidos estavam a preparar a queda do governo. Desde o fim da guerra-fria os Estados Unidos têm estado a cercar a Rússia, criando uma base atrás da outra, sempre à procura de outras, incluindo na Ucrânia. O desenvolvimento de novos sistemas de armamento na Europa oriental obedece a um plano de antagonismo contra Moscou que foi proposto no Washington Post pelo pai ideológico da administração Obama, Zbigniew Brzezinski, logo depois de um autoproclamado grupo de lideres de Maidan ter afastado o governo eleito. Trai todos os que suspeitam que ele pode ter mudado a sua posição nas suas publicações recentes: “O Ocidente deveria reconhecer já o atual governo da Ucrânia como legitimo. A incerteza quanto ao seu estatuto legal poderia tentar Putin a repetir a sua charada da Crimeia... Entretanto, forças da NATO, de acordo com o plano de contingência da organização deveriam estar de prontidão. Unidades de aviação dos Estados Unidos devem estar prontas a partir a qualquer instante. Se o Ocidente quer evitar um conflito, não deverá haver ambiguidade no Kremlin, no que pode precipitar um maior uso aventureiro de força no meio da Europa” (Brzezinski, Z. 2014).

Os Estados Unidos tentaram, mas falharam em tomar a Ucrânia em 2004 com a “Revolução Laranja” financiada por Washington. De acordo com a assistente do Secretário de Estado (e mulher do pai da PNAC Robert Kagan), Victoria Nuland, desde este fracasso Washington investiu 5 bilhões de dólares na Ucrânia para fomentar a agitação para a entrada da Ucrânia na Europa [16]. Os membros da Europa abriram a Ucrânia ao saque pelos banqueiros europeus e corporações, mas o principal alvo de Washington é estabelecer bases de mísseis norte-americanos nas fronteiras da Rússia com a Ucrânia e retirar à Rússia a base naval no Mar Negro e as industrias militares no leste da Ucrânia. Para a Ucrânia tornar-se membro da Europa significa tornar-se membro da NATO (Roberts, P.C. 2014).

Quando o presidente Yanukovitch declarou a 21 de novembro que não ia assinar o acordo de associação com a Europa surgiram os confrontos nas ruas de Kiev. Centenas de milhares foram para as ruas e para a praça Maidan nos fins de semana de dezembro. Foi o ponto crítico de uma campanha levada a cabo pelos três partidos de oposição, Pátria (Yuljia Tymochenko, Arsenji Yatsenyuk), Bang (a Fundação Konrad Adenauer alemã apoiou o campeão Vitali Klitschko) e Liberdade (Svoboda, cujo líder Oleh Tjahnybok é muito ligado à rede dos partidos fascistas europeus). O seu alvo comum era expulsar o presidente Viktor Yanukovych cujo partido das Regiões ganhou nas eleições de 2012. A entrada de Kiev para a Europa não estava longe; após o que o país gozaria as delícias do neoconservadorismo, recebendo os benefícios do pacote privatização-desregulação-austeridade e unir-se-ia a Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha como um órfão empobrecido da família. A primeira ministra deputada da Crimeia, Olga Kovitidi, descreveu como predatórios os termos de um acordo que Kiev estava pronto a assinar com o Fundo Monetário Internacional (Voz da Rússia, 2014).

Since the 2004 revolt, fascist militias had been built up and payed for who would now ignite the actual uprisings and prevent compromise (Svoboda, Right Sector). They call for violence, and occupy provincial governments in the mostly agricultural and right-wing West of the country. In the Western regions of Lwow, Ternopol, Rovno, Luzk and Iwano-Frankowsk and others, they stormed office buildings and pressed governors to sign their resignations. While thousands of people took part in anti-government protests in Kiev, a small group of radical fighters were at the core of the violent clashes. Judging by their looks and actions, they are armed, trained and prepared for war. Apart from individual gear, the rioters know urban guerrilla tactics. The protesters were also well-prepared for offensive. They had a wide assortment of melee weapons.

The National Endowment for Democracy website [17] lists 65 projects that it has supported financially in recent years in Ukraine. Their programs impart the basic philosophy that people are best served under a system of free enterprise, minimal government intervention in the economy, and opposition to socialism in any shape or form. A free-market economy is equated with democracy, reform, and growth; and the merits of foreign investment in their economy are emphasized. The NED would do somewhat overtly what the CIA had been doing covertly for decades, and thus eliminate the stigma associated with CIA covert activities. NED receives virtually all its financing from the US government. Why were Washington officials grooming a replacement for President Yanukovych, legally and democratically elected in 2010, who, in the face of protests, moved elections up so he could have been voted out of office – not thrown out by a mob? Yanukovych made repeated important concessions, including amnesty for those arrested and offering, on January 25, to make two of his adversaries prime minister and deputy prime minister; all to no avail. Key elements of the protestors, and those behind them, wanted their putsch. Ukraine’s junta prime minister announced March 7 that he has invited the NATO Council to hold a meeting in Kiev over the recent developments in the country. “I invited the North Atlantic Council to visit Kiev and hold a meeting there,” Arseny Yatsenyuk said during a visit to Brussels, where he met with NATO Secretary General Anders Fogh Rasmussen and EU officials. “We believe that it will strengthen our cooperation” (Blum, W. 2014).

In addition to NED, the foreign donors included the U.S. State Department and USAID along with the National Democratic Institute for International Affairs, the International Republican Institute, the NGOFreedom House and George Soros's Open Society Institute (Ames, M. 2014). They all have supported non-governmental democracy-building efforts in Eastern Europe since 1988. Each of these social movements included extensive work by student activists. The most famous of these was Otpor, the youth movement that helped bring inVojislav Koštunica. In Georgia the movement was called Kmara. In Ukraine the movement has worked under the succinct slogan “Pora“ (“It's Time”). Pora was built up in Ukraine in 2004 in order to assist in regime change. “We trained them in how to set up an organization, how to open a local chapter, how to develop a brand with logo, symbols, and key messages”, said an Otpor activist in the US-funded Radio Free Europe/Radio Liberty. “We trained them in how to detect societies‘ weaknesses and what the most burning problems of the population are.” Srdja Popovic, Otpor’s founder and director, was found to have close working relationships with US intelligence firm Stratfor. He boasted to be a revolutionary for hire (Gibson, C., Horn, S. 2013; Traynor, I. 2004).

Already in 1992-95, the IMF imposed structural adjustment program had reduced Ukraine’s GDP by sixty per cent. Now, condionalities for new credits include doubling gas prizes, increase fees for public services, cut social services and funds for education, limit wages and pensions, lay-offs in the public sector, investment guarantees for foreign private corporations, and devalue the currency, thus raising the prices of imports which include Russian gas, and open Ukrainian assets to takeover by Western corporations. Ukraine’s agriculture lands will pass into the hands of American agribusiness. It was all too clear for President Yanukovych and his partisans that the elections of 2015 could not be won on this basis. Permission to set up a missile shield, also included in the IMF package, was a pure provocation to Russia. Also, the 11 billion euros that the EU is offering Kiev is not aid, it is a loan. It comes with many strings, including Kiev’s acceptance of the IMF austerity plan.

The Obama administration’s rationale for supporting the fascist-led coup in Ukraine collapsed on March 7 when a hacked phone call between EU foreign affairs chief Catherine Ashton and Estonian foreign minister Urmas Paet revealed that the snipers who fired on protestors in Maidan Square in Kiev on February 20, 2014, were not aligned with President Yanukovych, but with the protest leaders themselves. Estonian foreign ministry has confirmed the recording of his conversation with EU foreign policy chief is authentic. Urmas Paet said that snipers who shot at protesters and police in Kiev were hired by Maidan leaders.

With pro-Russian candidates off the ballot, Svoboda leader Oleh Tyahnybok is a dominant political power in Ukraine. He certainly is a bigger votegetter than Yatsenyuk, whose main responsibility is to negotiate with the West over financial aid and the EU package, and Vitali Klitschko who announced he will be running for mayor of Kiev. In recognition of Tyahnbyok’s clout, Svoboda members got the posts of Deputy Prime Minister, Minister of Agriculture, Minister of Ecology, and acting prosecutor general. A founder of the Social Nationalist party was made secretary of the Ukraine National Security and Defense Council. Several hundred members and supporters of the militant nationalist Right Sector swarmed Ukraine's parliament building for the second day in a row on March 28 to demand the resignation of Interior Minister Arsen Avakov and an investigation into the suspicious death earlier in the week of one of its leaders [17]. This new though illegal government composed according to US wishes and flattered by Western heads of state, has announced to sign the EU association agreement successively. It has asked the US for far-reaching military assistance. And it has brought the country’s gold reserves into US custody (Chossudovsky, M. 2014).

They did not wait until a legitimate government were elected on May 25 but were eager to create faits accomplis.

“The conflicts in Ukraine, Venezuela, and Syria have one thing in common: In all three cases there are leading groups steering the “opposition” that want absolutely nothing to do with democracy — these groups are as far-right as politics gets: European-style fascism in Ukraine, Islamic extremism in Syria, and in Venezuela the elite-favored tradition of military dictatorships. But there has been a virtual U.S. media blackout as to the leadership of the movements in Ukraine, Syria, and Venezuela, and for good reason; if these groups come to power, the country will be far worse off than it is now. The American public would give zero support to these groups if they knew the truth, which is why the level of U.S. media misinformation about these groups is as Orwellian as the workings of Obama's NSA. (Cooke, S. 2014). A State Department official was quoted saying that the US would “affirm our support for the sovereignty and territorial integrity of both countries and for all post-Soviet states” (Brunnstorm, D. 2014).

In strange uniformity the Western media have adopted an interpretation of events which ignores Western provocative actions as well as selfish interests of the West, and demonize President Putin and Russia (Smith, P. 2014). Interestingly enough, this goes to a large extent against public opinion as revealed in opinion polls. It is mostly the Western media which foment Cold War sentiments and thus play into the hands of neocon politicians.

TIPP/TTIP

In 1995 the World Trade Organization (WTO) grew out of the General Agreement on Tariffs and Trade (GATT). Its first and most important project was the Multilateral Agreement on Investments (MAI) planned to concede to transnational corporations far-reaching rights against member states. After first draft texts were leaked and developing countries opposed the thrust of the negotiations, the negotiation process was transferred to the OECD, the organization of highly industrialized countries in order to “avoid undue politization”. When draft texts were passed over to NGOs, a broad public campaign began to oppose the agreement which finally led first to a moratorium, then to an end of the negotiations. However, some of the intended contents became included in numerous bilateral agreements. Now new efforts are being made to once again establish agreements friendly to TNC wishes: the Trans-Pacific Partnership (TPP), and the Trans-Atlantic Trade and Investment Partnership (TTIP). While both processes are kept behind closed doors in almost total secrecy, it happens, once again, that NGOs could get hold of individual sections of drafts under negotiation.

“Today, 13 November 2013, WikiLeaks released the secret negotiated draft text for the entire TPP (Trans-Pacific Partnership) Intellectual Property Rights Chapter. The TPP is the largest-ever economic treaty, encompassing nations representing more than 40 per cent of the world’s GDP. The chapter published by WikiLeaks is perhaps the most controversial chapter of the TPP due to its wide-ranging effects on medicines, publishers, internet services, civil liberties and biological patents.” The TPP is the forerunner to the equally secret US-EU pact TTIP, for which President Obama initiated US-EU negotiations in January 2013. Together, the TPP and TTIP will cover more than sixty per cent of global GDP. Both pacts exclude China. Since the beginning of the TPP negotiations, the process of drafting and negotiating the treaty’s chapters has been shrouded in an unprecedented level of secrecy. Access to drafts of the TPP chapters is shielded from the general public. It has been previously revealed that only three individuals in each TPP nation have access to the full text of the agreement, while 600 ’trade advisers’ – lobbyists guarding the interests of large US corporations such as Chevron, Halliburton, Monsanto and Walmart – are granted privileged access to crucial sections of the treaty text. The Obama administration is preparing to fast-track the TPP treaty in a manner that will prevent the US Congress from discussing or amending any parts of the treaty. The longest section of the Chapter – ’Enforcement’ – is devoted to detailing new policing measures, with far-reaching implications for individual rights, civil liberties, publishers, internet service providers and internet privacy, as well as for the creative, intellectual, biological and environmental commons. Particular measures proposed include supranational litigation tribunals to which sovereign national courts are expected to defer, but which have no human rights safeguards. The draft states that these courts can conduct hearings with secret evidence [19].

On April 30, 2007, a Framework Agreement was signed between the EU and the US. With it, the Trans-Atlantic Economic Council was set up to prepare negotiations which then started formally by mid-2013. AHigh-Level Working Group on Jobs and Growth chaired by US Trade Representative Ron Kirk and EU Trade Commissioner Karel de Gucht was entrusted with bringing the negotiations forward. Its membership was not publicly disclosed until the Corporate Europe Observatory revealed their background in Business Europe and the Bertelsmann Foundation, both with strong neoliberal inclinations. None of them had a democratic mandate.

Primarily, TTIP is about the abolishment of non-tariff trade barriers, rules and standards. This includes, e.g., the clear declaration of genetically manipulated organisms in food which is mandatory in the EU but not in the US. Corporations like Monsanto have since long been critical of such regulations and lobby their being abolished, so they can sell their seeds and products on the European market. Hydraulic Fracturing is common in the US but forbidden in the EU, including the import of shield gas. Another issue on the agenda is the withdrawel of controls and restrictions, introduced after the financial crisis of 2008, for the financial sector, with City of London lobbies on the forefront.

TTIP is heavily criticized by NGOs for being negotiated without any democratic participation. The effects on economic growth and employment put in favour of it by its proponents are expected to be only marginal while being more than offset in a race to the bottom by undermining environmental, health and work standards in the sole interests of corporate profits. A major critical issue is the planned Investor-State Dispute Settlement which gives corporations a one-way right to sue governments in case they see their profits endangered by public regulation, while states would not have similar rights. This mechanism would exclude any resort to the judiciary. Once signed, the convention could not be altered without unanimous consensus among all member parties.

As is the case with TPP, TTIP negotiations exclude not only the public but also members of national or European parliaments, even members of national governments from insight into the documents. Parallel to attempts to fast-track ratification in the US, it is under debate in the EU whether or not the European Commission shall be the only responsible to sign the final legally binding contract.

The hurry which the US government is imposing on the negotiations is easily understandable: With European Parliament elections on May 25, and Obama’s term of office expiring, with Russia’s gas deal with China and its efforts to get rid of its US-dollar reserves, the agreements are on high risk, indeed. They might not survive public scrutiny once the texts are fully exposed.

4. Conclusão

“Illegitimate authority is on the rise and democracy is gradually succumbing to the disease of neoliberal ideology so that more and more functions of legitimate government are being assumed by illegitimate, unelected, opaque agents and organisations. This is the case at all levels, national, regional and international.... It is not exactly news that governments have always governed on behalf of certain class interests but this is different from allowing those interests to actually write the legislation and to make policy directly, including budgetary, financial, labour, social and environmental policy in the place of elected legislators and civil servants. It is different from allowing private corporations deliberately to disseminate deception and lies and undermine the public’s right to know. It’s not just their size, their enormous wealth and assets that make the TNCs dangerous to democracy. It’s also their concentration, their capacity to influence, and often infiltrate, governments and their ability to act as a genuine international social class in order to defend their commercial interests against the common good” (George, S. 2014). Susan George accurately describes the paths our Western societies are following, the US most advanced, others lagging somewhat behind. It seems to be a one-way process without any escape towards democracy.

The global ruling class feeling that US world hegemony is approaching its end and uncertain about its own fate seems to be obsessed by paranoia, and running amok with only one goal left: to fill as much as possible into its own coffers. It even abstains from the impression of following the rule of law. Belligerent behavior towards other countries goes hand in hand with sharply increasing social tensions and conflict within.

US exceptionalism, by its very definition, is the deep conviction of one’s general superiority over others. Thus, it is a fundamentally intolerant and pre-enlightenment attitude. At the same time, it tends to turn a blind eye against own shortcomings and deficits. From it follows the self-attributed right to teach others, to impose on others one’s role model of morale and of social organization, to exert power on others, to maintain the role of world policeman. Contempt of international law follows from the idea that law is as we do. Little wonder that others in the course of political, economic, and cultural emancipation, decreasingly accept this master-and-serf model of power distribution. There is revolt in other parts of the world, and sometimes violently critical of “the West”. The world will de-Americanize, as one Chinese diplomat put it. But real and lasting change must come from within US society.

Notas e Referências

Todas as fontes da internet foram verificadas no final de março 2014.

Notas

[1] Born 28.2.1961 in Syrjanowsk, East Kasachstan, has nothing to do with Fred C. Koch, the father of the Koch brothers, owners of Koch industries, born 23.9.1900 in Texas.
[2] National Coalition for the Homeless.
[3] Among the sources used here are: Homeless line up for food, Los Angeles weighs restrictions, New York Times, 26 November 2013; Homeless in Detroit allege they are being driven out of downtown; Buchheit, P. (2013a), 3 Shocking Ways Inequality Keeps Getting Worse in America; Poverty in America Is Mainstream; America's Food Stamp Cut Stories You Probably Haven't Heard About; A Record Number of Americans Can't Afford Their Rent; Thousands of Homeless People Live in Shantytowns at the Epicenter of High-Tech, Super-Rich Silicon Valley; 30 Percent Of Americans Skip Out On Medical Care Because It's Too Expensive; Zeese, K., Flowers, M., America Is the Most Inhumane Developed Country on the Planet. Are We Going to Let It Stay That Way?; Buchheit, P., (2013b), Retirement Theft in 4 Despicable Steps; The war on women: The newly invisible and undeserving poor in America; Black Women Are 40 Percent More Likely To Die From Breast Cancer Than White Women; Covert, B., (2013), Forty Percent Of Workers Made Less Than $20,000 Last Year.
[4] The Case for Goliath: how America acts as the world’s government in the twenty-first century (2005); Democracy’s Good Name: the rise and risks of the world’s most popular form of government (2007); Frugal Superpower: America’s global leadership in a cash-strapped era (2010).
[5] Landay, J.M., (2002), The Powell Manifesto: How a Prominent Lawyer’s Attack Memo Changed America, mediatransparency.org, August 20, cited in Nace, T., 2003:137.
[6] See Committee on the Present Danger homepage.
[7] See, among other sources, Galtung, J., (2007), The State of the World, Journal of Futures Studies, 12, August, 1: 145 – 160.
[8] Project for the New American Century.
[9] Covert United States foreign regime change actions.
[10] Strategy of tension.
[11] One of the few who have intensively written about the Deep State is Peter Dale Scott (see, for a fist intro, Peter Dale Scott, “The American Deep State, Deep Events, and Off-the-Books Financing,” The Asia-Pacific Journal, Vol. 12, Issue 14, No. 3, April 6, 2014; and his website with large amounts of material: Peter Dale Scott's Politics Web Page).
[12] Corporate Crime Reporter, see their archives.
[13] 26 top American corporations paid no federal income tax from '08 to '12.
[14] The examples are too many to be cited; a few recent headlines must suffice: Nader, R., (), Medical Price Gouging Skyrocketing; Parramore, L.S., (), The Ayn Rand-Worshipping Sears CEO That Blew Up His Multibillion Dollar Empire; Buchheit, P., (), 5 Ways Our Lives Are Being Violated by Corporate Greed; Reich, R., (), The Year of the Great Redistribution; Hudson, M. (), The “Iron-fisted Kleptocratic Financial Oligarchy”. 95% Income Growth Goes to the 1%. Video.
[20] Eskow, R., (2014a), Now We Know. JPMorgan Chase is Worse Than Enron; Eskow, R., (2014b), Crime Doesn't Pay? JPMorgan Chase Begs to Differ; JPMorgan gives CEO Jamie Dimon a raise despite shelling out $20 bln in fines; £2m: average pay award for JP Morgan's top staff in 2012 revealed; JPMorgan Chase Nears a $2 Billion Deal in a Case Tied to Madoff; Bank pays bribe to avoid jail; New Revelation : AG Eric Holder Is Protecting JPMorgan Chase NYC From Criminal Investigation.
[15] Impunity.
[16] Марионетки Майдана.
[17] National Endowment for Democracy (NED).
[18] Christopher J. Miller, "Right Sector pickets parliament, demands Avakov’s resignation", Kyiv Post, March 28.
[19] Secret Trans-Pacific Partnership Agreement (TPP) - IP Chapter.

Referências

America 'Dead Last' In Education (2013), Video
Ames, M. (2014), “Pierre Omidyar Co-funded Ukraine Revolution Groups With US Government, Documents Show”, Pando, February 28
Avery, J.S. (2014), “Are we Being Driven like Cattle?” Transcend Media Service, January 6
Balko, R. (2013), The Rise of the Warrior Cop, Public Affairs, New York
Black Budget (2013), “US govt clueless about missing Pentagon $trillions”, Video
Blum, W. (2014), “Bias By Omission, In the Entire American Mainstream Media
Blum, W. (2014), The Anti-Empire Report #126, March 7th
Blum, W.,(2004), Killing Hope, Common Courage, Monroe
Boehm, E. (2014), “Defense contractors spend millions lobbying Congress, get billions in new budget
Brunnstorm, D. (2014), “U.S. to stress support for Central Asia after Crimea”, Reuters, March 28
Brzezinski, Z. (1997), The Grand Chessboard, Basic Books, New York
Brzezinski, Z. (2014), “What is to be done? Putin’s aggression in Ukraine needs a response”, Washington Post, March 3
Buchheit, P. (2013), “7 Rip-Offs Corporations and the Wealthy Don't Want You to Know About
Calloni, S. (2006), Operacion Condor pacto criminal, Sciencias sociales, La Habana
Cantu, A. (2014), “Fortune 100 Companies Have Received a Whopping $1.2 Trillion in
Chomsky, N. (2014), “Security For Whom? Government Security is a Public in the Dark
Chossudovsky, M. (1997), The Globalization of Poverty, Third World Network, Penang
Chossudovsky, M. (2009)
Chossudovsky, M. (2014), “The Spoils of War and Regime Change. Ukraine's Gold Reserves Secretly Flown Out and Confiscated?
Cooke, S. (2014), “Obama's Far Right Foreign Policy”.
Cantú, A. (2014), “New Report: Fortune 100 Companies Have Received a Whopping $1.2 Trillion in Corporate Welfare Recently
Counter Intelligence: The Deep State, Video
Damon, A., Grey, B. (2014), “The Global Plutocracy”, World Socialist Website, January 21
Davies, D. (2005), “Torture Inc. Americas brutal prisons”, Video
Davies, N.J.S. (2014), “35 countries where the U.S. has supported fascists, drug lords and terrorists”, Salon, March 8
Dolan, E.W. (2013), “Study Finds Wealth Gives Rise to a Sense of Entitlement and Narcissistic Behaviors
Drum, K. (2013), “How the Rich Got Richer, Global Comparisons”, Mother Jones, May 28
Falk, R., (2014), “Is The USA The World's De Facto Government?
Ford, G. (2014a), “American State of the Union: A Festival of Lies”, Black Agenda Report, January 29
Ford, G. (2014b), “Obama's War Against Civilization”, Black Agenda Report, March 2
Fuentes-Nieva, R., Galasso, N. (2014), Working for the Few, Oxfam, Boston Mass.
Galtung, J. (1980), Peace and World Structure, Essays in Peace Research vol. iv, Ejlers, Copenhagen
Ganser, D. (2005), NATO’s secret armies, Routledge, Abingdon
George, S. (2014), State of Corporations – The rise of illegitimate power and the threat to democracy, Transnational Institute, Amsterdam
Gibson, C., Horn, S. (2013), “Exposed: Globally Renowned Activist Collaborated With Intelligence Firm Stratfor
Gosztola, K. (2014), “Eleven Years After US Invaded Iraq. Bloodshed, Rape, Torture & Executions in the Country Are Ignored
Greenwald, G. (2013), “The Untouchables: How the Obama Administration Protected Wall Street from Prosecutions”, The Guardian, January 24
Greenwald, G. (2014), Foreign Officials in the Dark about Their Own Spy Agencies’ Cooperation with NSA, The Intercept, March 17
Gygax, J., Snow, N. (2013), “9/11 and the Advent of Total Diplomacy: Strategic Communication as a Primary Weapon of War”, Journal of 9/11 Studies, August 27
Hamm, B. (2010), “The Study of Futures, and the Analysis of Power”, Futures, 42, 1007-18
Hamm, B., ed. (2005), Devastating Society, Pluto, London
Harris-Gershon, D. (2013), “Obama Suppressing 6,000-Page Report on CIA Torture Adopted by Senate Intelligence Committee
Heath, T. (2014), “The ‘Billionaire’s Primary’: Meet America’s New Political Bosses
Hedges, C. (2014), The Pathology of the Rich, Video
Hedges, C., Sacco, J., (), Days of Destruction, Days of Revolt
Holbrook, S. (1953), The Age of the Moguls, Doubleday, New York
Hornberger, J.G. (2013), “The Sordid Roots of the National-Security State
Kean, T.H., Hamilton, L.H. (2006), Without Precedent. The Inside Story of the 9/11 Commission, New York, Vintage
Kimberley, M. (2014), “Reality Vs U.S. Propaganda
Kravets, D. (2013), “Lawmakers Who Upheld NSA Phone Spying Received Double the Defense Industry Cash
Landes, David (2006), Dynasties. Viking, New York
Lobe, J. (2014), “Major Parts of World Ignored by US TV News in 2013
Lofgren, M. (2013), “Revolt of the Rich
Lofgren, M. (2014), Invisible Government. Anatomy of the Deep State, Video
London, E. (2014), “The CIA Spying Scandal, Watergate And The Decay of American Democracy
Lopez, A. (2014), “USAID caught using tweets to try and overthrow a government!
Ludlow, P. (2014), “Fifty States of Fear: The ‘illusion of security’”, New York Times, January 21
Lyngbaek, A. (2014), “Born to Buy?
Mackay, N. (2004), “Former Bush Aide: US Plotted Iraq Invasion Long Before 9/11”, The Sunday Herald, January 11
Madar, C. (2013), “The Over-Policing of America. Police Overkill Has Entered the DNA of Social Policy
Mandelbaum, M. (2014), “Can America Keep Its Global Role?” Current History, January
Marshall, A.G. (2013), “Global Power Project, Part 3: The Influence of Individuals and Family Dynasties”, TRANSCEND Media Service, July 1
Marshall, A.G. (2013), “The Debtor’s War: A Modern Greek Tragedy
Mitchell, G. (2014), “The Horrific Legacy of the Invasion of Iraq
Moglia, J. (2014), “Color Revolutions, a Shakespearean Interpretation
Money Choice (2013), “How Rich is Congress?” July 30, (updated annually)
Moyers, B. (1987), The Secret Government: The Constitution in Crisis, Video
Nace, T. (2003), Gangs of America, Berrett-Koehler, San Francisco
Nader, R. (2014), “Invest in People, Not War”, http://www.informationclearinghouse.info/article37169.htm
Petras, J. (2013a), “The Two Faces of Class Struggle: The Motor Force for Historical Regression or Advance
Petras, J., (2013b), “The Changing Contours of US Imperial Intervention in World Conflicts
Phillips, P., Osborne, B. (2013), “The Financial Core of the Transnational Capitalist Class
Polese, A. (2011), “Russia, the US, ‘the Others’ and the 101 Things to Do to Win a (Colour) Revolution”: Reflections on Georgia and Ukraine, Debatte: Journal of Contemporary Central and Eastern Europe
Polk, S. (2014), “For the Love of Money. The superrich are our cultural gods”, New York Times, January 19
Roberts, P.C. (2013), “Washington Drives the World toward War”, Transcend Media Service
Roberts, P.C. (2013): “More Misleading Official Employment Statistics
Roberts, P.C. (2014), “Washington’s Arrogance, Hubris, and Evil Have Set the Stage for War
Roberts, P.C.(2012), “More Phony Employment Numbers
Roberts, P.C., (2010), “A Greater Threat Than 'Terrorism': Outsourcing the American Economy
Roberts, P.C., (2014), “How Junk Economists Help The Rich Impoverish The Working Class”.
Rozeff, M.S. (2014), “The ‘Nation’ as a Device To Create a Psychological Crowd
Ruppert, M. (2004), Crossing the Rubicon, New Society, Gabriola Island
Ruskin, G. (2013), “Spooky Business: Corporate Espionage Against Nonprofit Organizations
Scott,P.D. (2014), “The American Deep State, Deep Events, and Off-the-Books Financing,” The Asia-Pacific Journal, Vol. 12, Issue 14, No. 3, April 6
Shenon, P. (2013), The Commission: The Uncensored History of the 9/11 Investigation, New York, Barnes&Noble
Smith, P. (2014), “Propaganda, Lies And The New York Times: Everything You Really Need To Know About Ukraine”, Salon, March 15
Smith, Y. (2013), “Why Does No One Speak of America's Oligarchs?
Snyder, M. (2013), “Who Runs The World? Proof That A Core Group Of Wealthy Elitists Is Pulling The Strings
Solomon, W. (2014), “Why the Washington Post's New Ties to the CIA Are So Ominous
Stone, O., Kuznick, P. (2012), The Untold History of the United States, Simon&Schuster, New York
Stone, O., Kuznick, P. (2013), Title? USA Today, 16 December
Sullivan, C. (no date), “Interpretation and the Allegory of the Cave”; The War on Kids (2014), Video
Traynor, I. (2004), “US campaign behind the turmoil in Kiev”, The Guardian, November 26
Turley, J. (2014), “Big Money Behind War: the Military-industrial Complex
Turse, N. (2014), “The Special Ops Surge. America’s Secret War in 134 Countries
Vance, L.M. (2014), “We Brought Freedom to Afghanistan?
Ventura, J. (2013), “Every baby born in US already $50,000 in debt
Voice of Russia (2014), “Crimean leaders blame Kiev for selling Ukraine off for IMF loans
Wallerstein, I. (2013), “The Consequences of US Decline
Webster, S.C. (2013), “The Supreme Court May Turn America into an Oligarchy: Sen. Bernie Sanders”, Video
Whitehead, J. (2013), A Government of Wolves: The Emerging American Police State, Select Books, New York
Whitney, M. (2014), “Obama the Willing Executioner”, Counterpunch, 03/14
Whitney, M. (2014), “Puppetmaster Brzezinski Directing War Strategies from the Shadows
Whitney, M. (2014), “The Greatest Propaganda Coup of Our Time?” Counterpunch, February 28
Zenko, M. (2013), “Tracking U.S. Targeted Killings Murders
Ziabari, K. (2014), “Who Appointed The U.S. to Be The World’s Policeman?” Tehran Times, January 24

Nenhum comentário:

Postar um comentário