1 de maio de 2014

Protesto e desestabilização na Venezuela

Oscar Rotundo


Tradução / Desde que eclodiu a violência na República Bolivariana da Venezuela no início do ano de 2014, a argumentação política para o desenvolvimento das atividades de protesto contra o governo levou a uma estratégia de desestabilização executada com diferentes variantes que, nas últimas semanas, ficou marcada, fundamentalmente, pela utilização de ações terroristas de baixa intensidade.

Parece que as chamas vão se apagando e que o céu se limpa da fumaça das guarimbas, mas isso não significa que o perigo tenha passado e que a oposição e, especialmente, o imperialismo tenham se resignado a conviver com um processo de transformação que afeta suas intenções e seus interesses na região.

A trama desestabilizadora, ou melhor, contrarrevolucionária, tem um só objetivo e diferentes maneiras de implantação para conquistar o objetivo tão ansiado: arrasar a revolução.

Todos nós temos motivos e direitos para protestar. O protesto, a demanda, a reivindicação numa sociedade que vive uma transição é lógica e necessária, agiliza, adéqua, transforma e no confronto, na discussão, no debate, equilibra, repara e transforma.

Sentimo-nos sintonizados com este processo histórico de mudança e inclusão. Apoiamos a experiência que encabeçara o comandante Chávez e que continua o presidente Nicolás Maduro. Não somos ovelhas obedientes dispostas ao sim fácil e irresponsável ante as ações do governo, do partido ou do Polo Patriótico.

Quem pensa isso não está inserido no seio do povo. Uma das contribuições mais importantes deste processo da revolução é ter dotado o povo de informação e formação, para que tudo seja debatido constantemente. O povo Chavista não é indiferente e acabou com o preconceito imposto pelas classes dominantes durante séculos, contra os que não possuem escolaridade, os que são pobres, “Não sabem e, portanto, não têm a capacidade de emitir uma opinião válida”.

Nosso povo protesta, porém não guarimbea. Temos duas visões, duas realidades, temos interesses históricos que nos separam diametralmente e que, em última instância, nos coloca em caminhos opostos, como no “caracazo”. Isso explica o porquê das provocações criminosas da direita não terem se materializado nas periferias de Caracas ou no interior do país.

A tolerância que habita a consciência e o coração do povo venezuelano está escorada pelo significado que tem e teve o fato de terem sido incluídos numa sociedade e numa realidade política, econômica, cultural e educativa que tinha sido negada desde sempre.

Nessa realidade, este povo deixou de ser objeto para converter-se em sujeito, e como sujeito ser o elemento estratégico fundamental para a Venezuela do futuro.

A demagogia “quarto republicana” não entende isso e se dirige ao povo com sua cara lavada, como se o povo fosse um recém chegado para quem conta a história que ele mesmo viveu.

Falam de anistia como se se tratasse de um trâmite administrativo, falam de escassez e desabastecimento como se eles não tivessem nada com isso. Incluíram em sua reivindicação de anistia os empresários e comerciantes que os apoiam e que estão presos por crimes econômicos ou só os franco-atiradores, mercenários, paramilitares e psicopatas que degolaram transeuntes?

Até 28 de abril, os fatos violentos nos quais derivaram alguns dos protestos tinha um saldo de 41 mortos, 710 feridos e 2.626 detidos, dos quais 180 continuam presos, segundo a Procuradoria Geral da Nação, fizeram do tema da libertação e impunidade para os participantes da aventura golpista e desestabilizadora, um ponto de honra para o prosseguimento do diálogo proposto pelo governo. Isso significa voltar a pisotear a mesa para seguir, como em 2002, quando houve anistia e mesa de diálogo, tramando a continuidade dos planos para a derrota do governo.

A direita toma todos os caminhos possíveis: vive articulando estratégias para desgastar, sabotar e gerar consenso contra o governo, disfarça seu discurso, mente descaradamente, o que é fascismo ou neoliberalismo chama de democracia social ou capitalismo popular, pois não pode ir ao povo e dizer quais são seus planos e suas concepções de país.

Numa entrevista, a Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia, apresentou algo muito interessante, que constitui a essência desta realidade que se pretende desestabilizar. “Segundo os meios de comunicação europeus, o resultado de nossos processos é o populismo total, um vômito frente à adversidade. Porém, é evidente que algo mudou aqui. O que existia e era imutável no mundo inteiro, os mercados financeiros, a dívida, a privatização e a contração do Estado de Bem Estar, hoje se apresenta como passível de mudança na América Latina”.

Esta transformação do imutável em mutável, como diz Linera, é uma transformação estratégica e antagônica. Isso o imperialismo e os centros do poder sabem, como também sabe a oposição radical e fascista venezuelana que encabeça, como braço executor, os planos imperialistas para consolidar um avanço que possibilite decapitar a revolução na Venezuela e no resto da América Latina.

“O presidente Maduro, cedo ou tarde, terminará perseguido e todas as camadas do regime pagando o que fizeram… Disso eu estou certo”, afirma Miguel Henrique Otero, diretor do jornal venezuelano El Nacional, expressão escrita dos setores mais reacionários do país e aliado incondicional da política norte-americana, numa reportagem concedida ao El Tiempo de Colombia, e acrescenta ante a pergunta Qual a possibilidade do povo venezuelano deter o regime?

“Existe a mesma possibilidade que tiveram os povos que se levantaram contra os regimes autoritários. Assim aconteceu na Ucrânia, no Egito, na Líbia, na Tunísia; na própria Venezuela quando governava Pérez Jiménez. O povo se levanta”.

Claro, nessa mescla paisagística do mapa desestabilizador, Miguel Otero mistura alhos com bugalhos como se fosse a mesma coisa, sem atentar para a diferença existente entre o movimento cívico militar que derrotou Pérez Jiménez em 1958 e o cenário gerado na Líbia e em outros países afetados pela mal denominada “Primavera Árabe”, gestada pelo imperialismo para materializar seus objetivos hegemônicos.

Aqui como na Líbia já se entro una fase do terrorismo e o assassinato do vereador Eliecer Otaiza, homem leal ao comandante Chávez e à revolução, respondería por suas características o tipo de assassinato seletivo que denunciou o jornalista José Vicente Rangel em outubro do ano de 2013, advertindo sobre um informe da Força Armada Nacional Bolivariana: “segundo o informe realizado por um componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), a oposição propõe aplicar a agenda terrorista que contempla: “assassinatos seletivos de altos funcionários, ministros, comandantes militares, atentados em cinemas, sistema de metrô, mercados, empresas de limpeza urbana, Corpoelec, PDVSA, no abastecimento de água, além de protestos localizados e greves nacionais”.

Para esse momento, não constam as guarimbas, mas conforme a receita, como é possível observar, contém ingredientes que já foram utilizados na tentativa golpista.

Não vale de muito analisar caso a caso e, de maneira unilateral, todos os episódios que temos vivido desde a ascensão do presidente Nicolás Maduro, que é fundamental analisar e compreender, é que a direita e o imperialismo tomaram seriamente a decisão de acabar com o governo do Camarada Nicolás e com a revolução bolivariana, seja da forma que for.

Entendo que os debates e as reflexões dos revolucionários devem girar em torno destes problemas, pois ante esta ofensiva do inimigo, devemos dar a resposta de maneira consciente e organizada para poder derrotá-los em todos os terrenos. Nesse sentido, não existe nada mais apropriado que recordar as palavras do comandante Chávez “Unidade. Luta. Batalha e Vitória”.

Unidade ante os inimigos da revolução. Luta para desmontar o aparato ideológico do capitalismo. Batalha em todos os terrenos para impedir que a contrarrevolução continue desestabilizando a revolução e Vitória categórica para que nunca mais o imperialismo submeta os povos de Nossa América.

Nenhum comentário:

Postar um comentário