21 de junho de 2014

O redesenho do mapa do Oriente Médio começa com a destruição do Iraque

Larry Chin

Center for Research on Globalization

O Iraque está sendo subitamente invadido por ondas de “terroristas”? Ou o Iraque está sendo deliberadamente sabotado, sacrificado e destruído?

A mídia corporativa retrata-a como “insurgência terrorista” de sunitas  “extremistas” que, aparentemente, doa dia para noite, tomaram o país. O governo Obama é criticado por ter sido apanhado “com a guarda baixa”. Se o Iraque for perdido, segundo essa narrativa, todos os “ganhos” dos EUA serão “desperdiçados”.

DNa verdade, o que está engolindo a região é uma enorme operação da CIA, um longo plano geoestratégico em construção: fazer naufragar a região numa guerra sectária, um gigantesco banho de sangue, com múltiplas desestabilizações e deliberado show de violência sectária cruzando várias fronteiras, para redesenhar o mapa do Oriente Médio e da Ásia Central, e mais além.

Os EUA estão jogando dos dois lados desse conflito explosivo, com vistas aos objetivos mais amplos de EUA/OTAN.

A força invasora, Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), é criação da CIA-EUA e dos seus aliados Arábia Saudita, Kuwait e Qatar ricos em petróleo. É uma frente da Al-Qaeda. A Al-Qaeda tem sido o braço da inteligência militar da CIA-EUA desde a Guerra Fria. O EIIL é o exército da inteligência militar do império em sua guerra contra a Síria.

Evidencias apontam fortemente para uma deliberada retirada das forças de EUA e Iraque, que permitiram que o EIIL tomasse Mosul, Tikrit, Fallujah e, sobretudo, tomasse armas e equipamentos americanos que foram “magicamente” esquecidos em grande quantidade. O EIIL tomou o controle da refinaria de petróleo de Beiji ao norte de Bagdá,ando-lhes uma fonte de combustível e uma promissora fonte de lucros. Os sunitas, incluindo os partidários de Saddam Hussein, estão de volta.

Em um processo horrível (e surrel), o espetáculo militar que está em preparação pode levara as forças militares dos EUA a usar drones e ataques aéreos em defesa do regime xiita de Maliki e contra as próprias forças sunitas do EIIL da CIA que usa armas e equipamento dos EUA. Destruição e mentiras vão deixar milhões de iraquianos mortos e devastar o país.

Tudo isso, para quê?

O Iraque está sendo invadido e destruído, para ser transformado em algo bem próximo do plano original de Bush/Cheney, que queriam o país dividido por linhas sectárias, que deixariam a produção crucial e petróleo e gás no sul, em mãos de empresas aliadas do “ocidente”. Jamais algum desses cogitou de um Iraque estável. O plano sempre foi obter um Iraque maleável. Simples etapa em direção a coisa maior.

Tendo fracassado na tentativa de golpe para derrubar Damasco com uma insurgência de “combatentes da liberdade”, a CIA redireciona e realoca seus “procuradores” que agem à distância. O ISIS/ISIL está agora mais forte e mais bem armado. Tem a vantagem estratégica de ter bases tanto na Síria como as recém capturadas em território iraquiano. Está em posição para cercar e pressionar tanto a Síria quanto o Irã.

Desestabilização regional

O objetivo é desencadear a violência sectária na região em tal escala que seja difícil de conter e impossível de ignorar. Encene essas atrocidades horríveis à porta das nações-alvo, e os governos são empurrados para tais agitações e conflitos que não podem evitar. Assim esses governos são enfraquecidos e “caem”. O modelo é bem conhecida e tem sido usado em praticamente toda a conquista imperial nas últimas décadas, desde os Bálcãs até o Oriente Médio e a África. E na Ucrânia. The goal is to set off violence (sectarian, racial, between political factions, etc.) on such a scale that it will be difficult to contain, impossible to ignore; drawn into quagmires that they cannot hope to avoid.

O padrão é sempre o mesmo: na sequência, virá a “restauração da ordem” nos novos territórios, seja militarmente seja sob o disfarce de ajuda humanitária. E instalam-se regimes fantoches. Chegam as empresas, para “reconstruir” e para “investir”, assumindo o controle, sempre, para começar, do petróleo e do gás, e da geografia, pelas bases que se constroem – e das quais se lançam as operações militares/de inteligência.

Os eventos no Iraque podem marcar o início de um apocalipse mais amplo. Segundo Michel Chossudovsky, a agenda de longo prazo dos EUA é “esculpir” ambos, Iraque e Síria, em três territórios separados: um Califato Islamista Sunita, uma República Árabe Xiita e uma República do Curdistão. O Iraque deixará de existir completamente. Toda a região está sob ameaça.

Mentiras e ambiguidades

Dentro das fronteiras dos EUA, reina a morte cerebral mais desinteressada de tudo. A vasta maioria dos norte-americanos de nada sabe, de nada quer saber e não se importa. O cidadão médio reage a questões sociais, como igualdade de direitos para casar ou o racismo em jogos de futebol (que são questões sem importância alguma aos olhos das grandes potências), e absolutamente não dá nenhuma atenção às grandes ameaças que pesam sobre a humanidade – dentre as quais a maior é a guerra que continua a consumir vidas de norte-americanos, que norte-americanos usam como bucha de canhão.

As massas norte-americanas não acordaram, não importa o quanto tantos fatos tenham sido amplamente expostos. A narrativa de propaganda, falsa, do 11/9, está firmemente implantada, talvez para sempre: os EUA estão em guerra contra “os terroristas que nos atacaram dia 11/9” e “temos de defender a liberdade”.

A esquerda política (em larga medida cooptada por atividades de tipo ‘'programas de contrainteligência'’) caça o próprio rabo, aceitando as narrativas produzidas em Washington, vez ou outra embarcando tolamente em visões limitadas como “o revide”, sempre disposta a crer na “inocência atrapalhada” de Washington... e engolindo praticamente todas as mentiras que ouça.

Na Washington capital da corrupção, a cena está além de qualquer cenário orwelliano. Reinam a propaganda e todos os tipos de mentiras. O círculo mais interno do poder sabe do que se passa e transpira, mas a arrogância e a disputa do poder entre dois “partidos” persiste. A imprensa-empresa recusa-se a noticiar fatos e vive de repetir a mais desgastada propaganda, como é mandada repetir. A “guerra ao terror” vai muito bem, obrigada.

A senadora Dianne Feinstein está alertando contra “consequências devastadoras” das “forças sunitas em marcha” – e não diz que os EUA estão por trás das tais “consequências” e das tais “forças”. E conclama “os dois lados” (Democratas e Republicanos) a se “unirem”.

Não por coincidência, John McCain, senador que abertamente apoia os terroristas da Al-Qaeda e as atrocidades clandestinas, está outra vez no centro do palco, na primeira linha. Vive a cuspir desaforos contra a “fraqueza” e a “estupidez” do governo, que não reinvade o Iraque: "Todos nessa equipe de segurança nacional, inclusive o Comandante do Estado-Maior têm de ser substituídos. É um colossal fracasso."

McCain exige que os EUA ataquem militarmente já (e provavelmente apoia cada um dos passos de Obama). É o mesmo McCain sempre diretamente envolvido em fornecer armas aos terroristas da Al-Qaeda na Líbia e na Síria. Não há dúvida possível de que McCain, sempre pronto a apoiar e armar e enriquecer “combatentes da liberdade” da Al-Qaeda da CIA, está ao lado, também, dos terroristas do ISIS/ISIL.

O bom amigo de McCain e inventador de guerras como ele, senador Lindsey Graham (R-SC), também “exige” ataques aéreos imediatos e só faz promover a ideia de que “o próximo 11/9 está sendo preparado”.

Obama está “falhando”?

E Obama? Agora que é presidente “pato-manco”, sem ter de preocupar-se com política e imagem falsificadas para a re-eleição, Obama e o seu aparelho de segurança nacional parecem mover-se em duas frentes: uma real; a outra, propaganda.

O governo Obama está promovendo a agressão contra Ucrânia/Síria/Iraque a novos níveis, em busca desenfreada por alcançar rapidamente objetivos pelos quais anseia há muito tempo (a realpolitik), ao mesmo tempo em que se vai autossacrificando politicamente (na narrativa que a propaganda lhe cobra).

Politicamente, Obama estará “tombando sobre a espada”? Aparentemente, como todos os presidentes antes dele, Obama está sendo dispensado do cargo como completo fracasso de política externa nos anos finais do mandato – o que abre o caminho para o sucessor, que fará novamente e sempre a mesma coisa. É sempre assim.

Se, de agora em diante, Obama não conseguir “restaurar a ordem”, sairá como o presidente que “perdeu o Iraque”, “abandonou o Iraque antes da hora”, não conseguiu deter os terroristas, não conseguiu livrar-se de Assad, não pôs fim ao Irã, etc., etc..

Agora, Obama está sendo culpado pela “paralisia política” do governo Maliki. O governo, e a provável candidata Democrata à presidência, a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, já se viram envolvidos em escândalo gigantesco, como “a equipe que perdeu Benghazi” e encobriu tudo.

Somada ao fato de que Obama ampliou muito a geoestratégia assassina dos anglo-norte-americanos iniciada por Bush/Cheney (Obama ampliou exponencialmente as agressões, ao mesmo tempo em que manteve máscara de político democrático), os EUA devem esperar uma forte guinada à direita – outra vez, de volta à linha Bush/Cheney: o mesmo tipo de fascismo de direita “movido a ódio” que está tomando conta da Europa e que se vê claramente exemplificado na Ucrânia neonazista.

Para o próximo estágio da guerra mundial, e para controlar também os seus próprios dissidentes em território nacional, os EUA precisarão de presidente aberta e declaradamente brutal, na Casa Branca. Talvez alguém como Jeb Bush, com gabinete formado dos criminosos de guerra da equipe Republicana de Bush/Cheney, todos arrancados das respectivas tumbas para infernizar outra vez os vivos.

Ameaça ao futuro da humanidade

O império norte-americano continua a trabalhar a favor da guerra total, usando todos os meios necessários para alcançar o controle do subcontinente eurasiano, diretamente contra Rússia e China.

Esse holocausto tem escala e objetivos além da compreensão dos homens e mulheres de bem. Eventos no Iraque, Síria e Irã andam lado a lado com eventos na Ucrânia, todos inscritos numa única e desesperada agenda global. Só se busca o controle do que resta de petróleo e gás no planeta, dos oleodutos, dos gasodutos, das rotas de transmissão de energia, enquanto essas fontes de energia vão sendo exauridas e estarão esgotadas em poucas décadas.

O mundo está se precipitando para um holocausto nuclear.

Os eventos que se desenrolam no Iraque não são resultados de “fracassos da inteligência”, mas, como o 11/9 e outras atrocidades, são operação planejada pela inteligência; mais uma operação, numa sempre a mesma repetida horrorosa sequência.

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