25 de julho de 2014

A "solução" do Likud para Gaza

Gaza sob ataque

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / O secretário geral da ONU Ban Ki-moon, À sombra do secretário de Estado John Kerry, altamente grato ante o "compromisso dinâmico" do chefe da diplomacia americana, está buscando em Jerusalém uma maneira de "pôr fim à crise de Gaza".

Mas Ban Ki-moon parece ignorar que existe alguém que já encontrou essa solução. O vice-presidente do parlamento de Israel, Moshe Feiglin, apresentou, efetivamente, um plano para "uma solução em Gaza".

Esse plano compõe-se de 7 fases:

  1. O ultimato, imposto à "população inimiga" intimada a abandonar as áreas onde se encontram os combatentes do Hamas "se transladando para o Sinai, não longe de Gaza".
  2. O ataque, desencadeado pelas forças armadas de Israel "em toda Gaza com o máximo de força (e não com uma parte minúscula dessa força)" contra todos os objetivos militares e a infraestrutura "sem consideração alguma pelos escudos humanos e danos ao meio".
  3. O assédio, simultâneo com o ataque, para que "nada possa entrar nem sair de Gaza".
  4. A defesa, para "atingir com plena força e sem consideração pelos escudos humanos" qualquer local de onde parta um ataque contra Israel ou contra suas forças armadas.
  5. A conquista, as forças armadas israelenses "irá conquistar toda a Faixa de Gaza, usando todos os meios necessários para minimizar qualquer dano aos nossos soldados.
  6. A eliminação, que "acabará com todos os inimigos armados em Gaza" e "tratará conforme o direito internacional a população inimiga que não cometer crimes e que se tenha separado dos terroristas armados [população], que será autorizada a abandonar Gaza".
  7. A soberania, sobre Gaza, "que se converterá para sempre em parte de Israel e será povoada por judeus".

Aos habitantes árabes, quem "segundo as sondagens em sua maioria querem abandonar Gaza", ser-lhes-á oferecida "uma generosa ajuda para a emigração internacional", ajuda que no entanto se concederá somente "àqueles que não estiverem envolvidos em atividades anti-israelenses".

Os árabes que optarem por ficar em Gaza receberão uma permissão para ficar em Israel e, após um período de tempo, "os que aceitarem a dominação, as regras e o modo de vida do Estado judaico em sua própria terra" poderão ser convertidos em cidadãos israelenses.

Esse plano não ideia de um simples fanático, mas sim de um político que está obtendo um crescente consenso em Israel. Moshe Feiglin é o chefe de Manhigut Yehudit (em português, "Liderança judaica"), a fação maior no seio do Comitê Central do Likud, ou seja o partido no poder. Em 2012, durante a eleição da direção do Likud, Moshe Feiglin fez campanha contra Benyamin Netanyahu e obteve 23% dos votos.

Desde então, sua ascensão continuou, tanto que em julho de 2014 agregou a seu cargo de vice-presidente do parlamento israelense o de membro da influente Comissão de Negócios Estrangeiros e de Defesa.

Se analisarmos o plano que Feiglin está promovendo ativamente, tanto em Israel como no exterior (principalmente nos Estados Unidos e Canadá), pode ser comprovado que a atual operação contra a Faixa de Gaza inclui quase integralmente as 4 primeiras das 7 fases previstas.

Visto dessa perspetiva, percebe-se que o verdadeiro objetivo da retirada dos colonos israelenses da região de Gaza "em 2005" não era outro que deixar o campo livre às forças armadas de Israel para a posterior realização da operação "Chumbo fundido" em 2008/2009.

Também se percebe que a atual operação "Margem Protetora" não é uma simples resposta a uma ação anterior mas, tal como as operações anteriores, uma parte de um plano preciso, apoiado ao menos por uma parte consistente do Likud para ocupar de maneira permanente a Faixa de Gaza e colonizá-la, expulsando dali a população palestina. 

E Feiglin seguramente já tem pronto também o plano para "uma solução para a Cisjordânia".

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