31 de julho de 2014

Líderes israelenses, esperam-vos em Haia!

Michel Warschawski


Tradução / O estado israelense e os chefes do seu exército acabarão por ser considerados como responsáveis pelo massacre de massas premeditado em Gaza. Responsáveis perante o mundo, os tribunais de justiça e a história. Não haverá circunstâncias atenuantes.

Netanyahu, Bennet, Lieberman, Ya´alon y Gantz: esperam-vos em Haia!

Inteirámos-nos pela imprensa de que o governo israelense decidiu chamar às fileiras outros 16.000 soldados da reserva, de tal forma que terá 86.000 soldados a participar na campanha contra Gaza. Supondo que em Gaza vivem 1,7 milhões de pessoas, depois da dedução de uns 5.000 combatentes do Hamas e de outras organizações (estimativa exagerada), esse número significa que haverá um soldado por cada dez civis na região mais densamente povoada do mundo. Sobre a questão da densidade, vou escrever mais tarde, mas continuemos com os números. 86.000 soldados equipados com o melhor das armas modernas, com uma artilharia e uma aviação, contra 5.000 militantes, isto é, 17 soldados por cada militante. A campanha dura já há três semanas e dir-se-ia que está longe de ter terminado.

Não é necessário ser um grande perito para compreender que a incapacidade das forças militares massivas de Israel para derrotar cerca de 5.000 combatentes ilustra que é uma resistência que vale-se de um apoio popular em massa, e todos os “comentaristas” e “peritos” das rádios e televisões estão num erro incrível, ou estão a tentar enganar intencionalmente a opinião pública israelense quando explicam que o Hamas governa pela força sobre a população de Gaza. Se durante os dois últimos anos, as críticas da população de Gaza à sua direção cresceu, nesta guerra o Hamas ganhou uma popularidade reencontrada de forma honrada e valente. E não só uma popularidade na faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia e em todo o mundo árabe.

Quaisquer que sejam os acordos de cessar-fogo, o Hamas ganhou bastante claramente.

E o estado de Israel? Deve preparar-se para um reforço do seu isolamento internacional, e para que os seus dirigentes tomem o caminho do Tribunal Penal Internacional. Pois isto não é uma guerra, é um massacre planejado. Neste contexto, não tenho nada a acrescentar ao que escreveu o jornalista B. Michael (Ha’aretz, 30 de julho de 2014): “... e quando o menino número 100, a idosa de 80 anos, e os 300 'não implicados' são assassinados num bombardeamento de precisão e com bombas lançadas a um alvo, a desculpa da pressa não basta. Isto é já intencional, produto de uma decisão, o fruto podre de um comando consciente, voluntário, que sabe com certeza que as crianças, as mulheres, as pessoas idosas, o indefeso e o inocente, serão assassinados. O 'não foi minha intenção' já não funciona... Tendo em conta o resultado, é uma consequência das ordens. E a partir daí, será difícil ser purificado”.

Efetivamente, e quanto antes melhor, os dirigentes do Estado e do exército, com os seus pilotos e os seus artilheiros, deverão prestar contas pelo massacre de massas premeditado: contas perante o mundo, os tribunais de justiça e, certamente, perante a história. Não haverá circunstâncias atenuantes.

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