29 de agosto de 2014

A "derrota catastrófica" de Obama na Ucrânia

“Pivô” de Washington atinge um muro de pedra

Mike Whitney

CounterPunch: Tells the Facts and Names the Names

Estamos assistindo um evento histórico e épico. O exército ucraniano regular e os batalhões punitivos estão sofrendo uma derrota catastrófica no sul de Donetsk. (...) Ainda não se sabe com clareza como a Junta planeja evitar a derrota total por aqui. (...) Ao desperdiçar as brigadas mais capazes, em termos de capacidades de combate, em operações sistemáticas de ofensiva, a Junta sofreu perdas enormes e, ao mesmo tempo, sofreu uma derrota puramente militar acachapante. O front sul entrou em colapso. 
The Southern Front Catastrophe – 27 de agosto de 2014, Colonel Cassad, Military Briefing, Novorossiya, Ucrânia

As notícias que chegam da Novorússia são incríveis (...) fontes noticiam que as forças da Novorússia já contornaram Mariupol vindas do norte e entraram na região de Zaporozhie! 
News from the Front, The Vineyard of the Saker

Barack Obama empurrou a Ucrânia para a beira de um colapso político, econômico e social. Agora quer culpar a Rússia pelo dano que causou. É absurdo. Moscou não é de modo algum responsável por a Ucrânia estar no rumo da anarquia. É Washington. Washington já fez o mesmo no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e agora faz na Síria, sempre Washington. Quem queira o culpado, culpe Obama.

O problema da Ucrânia começou quando o Departamento de Estado dos EUA derrubou o presidente eleito em fevereiro e o substituiu-o por um idiota servil, que obedece o que Washington manda. O novo governo da “junta” imediatamente iniciou uma  guerra total contra os ucranianos de língua russa no leste, o que dividiu a população civil e levou o país à ruína. O plano para “pacificar” o leste do país foi concebido em Washington, não em Kiev, não, com certeza, em Moscou.

Moscou pediu repetidas vezes o fim da violência e o reinício de negociações, mas cada pedido foi descartado pelo fantoche de Obama em Kiev, o que levou, sempre, a novas rodadas de hostilidades. Washington não quer a paz. Washington quer a mesma solução que impôs no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, quer dizer: um estado caótico falido, no qual animosidades étnicas e sectárias são mantidas em ponto de ebulição, de modo que seja possível fazer avançar sem resistência a implantação de bases americanas operacionais, para que os países possam sem sangrados, seus recursos extraídos à vontade, e mais uma nação formalmente independente possa ser reduzida a “estado permanente de dependência colonial” (Chomsky). Esse é o plano de jogo básico, onde quer que Washington ponha a mão. Vale também para a Ucrânia. A única opção que resta às pessoas é se armarem e resistir. Foi o que fizeram.

Donetsk e Lugansk formaram milícias e devolveram a guerra aos inimigos. Enfrentaram o exército-por-procuração de Obama em combate e fizeram dele picadinho. Por isso Obama mandou seus propagandistas inventarem uma “invasão russa”. O governo precisa distrair as massas, porque as forças da Novorússia (também chamadas “separatistas pró-Rússia”) estão aplicando uma surra enorme nas legiões obamistas. Eis por que Washington e Kiev estão em modo de pânico total, porque não era para acontecer o que está acontecendo. Obama imaginou que o exército esmagaria a insurreição, atropelaria a resistência e o levaria um passo mais perto de conseguir implantar bases da OTAN e mísseis de defesa no flanco ocidental da Rússia.

Pois e não é que... Adivinhem! Nada está acontecendo desse modo e provavelmente nunca acontecerá desse modo. Os combatentes pró Novorússia são pessoas duras demais, espertas demais, motivadas demais para deixarem-se assustar pelos soldados frouxos de Obama (Assistam a esse vídeo de 15 minutos para conhecer o comando da Novorrússia. Vocês verão por que os rebeldes estão vencendo).

Vladimir Putin não mandou tanques nem artilharia para a Ucrânia. Não precisa mandar. As milícias são constituídas de veteranos que sabem combater e combatem muito bem. Perguntem a Poroshenko, cujo exército já entendeu, ao longo das semanas recentes. Leiam o que Itar Tass relatou quinta-feira:

Entre 16 e 23 de agosto, os insurgentes capturaram 14 T-64s (carros), 25 VCI (Veículos de Combate de Infantaria), 18 VTT (Veículos de Transporte de Tropas), um sistema “Uragan” de lançamento simultâneo de foguetes, 2C1 “Gvozdika”, 14 howitzers D-30, 4 morteiros de 82-mm, um sistema de defesa aérea 23-mm ZU-23-2 e 33 veículos. (East Ukraine militias seize large amount of Ukrainian armor, Itar Tass)

Estão vendo o quadro? O exército ucraniano está sendo batido como massa de bolo, o que implica dizer que a gloriosa “estratégia de pivô” de Obama atingiu diretamente um muro de pedra.

Resumo da história: a Rússia não invadiu a Ucrânia. Os propagandistas na imprensa só estão tentando ocultar o fato de que as Forças Armadas da Novorússia (FAN), que os “jornalistas” insistem em chamar de “separatistas pró-Rússia”, estão chutando traseiros, por lá, a valer. Isso é o que está realmente acontecendo. Por isso Obama e sua gangue de neoconservadores estão em fúria. Porque não sabem o que fazer na sequência; então, voltaram à posição-padrão em todos os casos: mentir até que consigam inventar algum plano.

Naturalmente, vão culpar Putin pela confusão em que se meteram. O que mais poderiam fazer? They’re getting their heads handed to them by a superior army.. Como é que explicam “lá em casa”? Observem o que escreve Michael Gordon, escritor de ficção do The New York Times (que, não surpreendentemente, assinou colunas ditas “jornalísticas” com a infame Judy Miller, que empurraram os EUA para a guerra do Iraque):

Determinada a proteger a revolta pró-Rússia no leste da Ucrânia, a Rússia ampliou o que funcionários ocidentais e ucranianos descreveram como invasão invisível na quarta-feira (27 de agosto de 2014), enviando tropas blindadas através da fronteira, expandindo o conflito para uma nova seção do território ucraniano. 
A mais recente incursão, que segundo militares ucranianos incluía cinco veículos blindados para transporte de pessoa, foi, no mínimo, o terceiro movimento de tropas e de armas da Rússia que cruzaram a parte sudeste da fronteira essa semana, comprometendo assim os ganhos que as forças ucranianas vinham obtendo na ação de enfraquecer os insurgentes em seus redutos de Donetsk e Lugansk bem mais ao norte. Evidência de que está acontecendo alguma coisa ali foi a retirada em pânico de soldados ucranianos na terça-feira (26 de agosto de 2014), ante um exército que, segundo eles, avançava da fronteira russa. (Ukraine Reports Russian Invasion on a New Front, The New York Times)

“Invasão invisível”? Em outras palavras, Gordon já inventou um substituto para as Armas de Destruição em Massa. Que surpresa.

E não é nem mesmo boa ficção: está mais para Contos de Fadas de Grimm. E onde estão as imagens? Se há imagens, publique, Gordon, queremos ver. Mas, por favor, cuide para fazer melhor do que da outra vez, com as fotos falsificadas que você publicou, de soldados russos que estariam “operando” na Ucrânia. Essa foi outra mentira, não foi? (Ver: Another NYT-Michael Gordon Special?, Robert Parry, Consortium News).

Ou, então, como o caso do avião malaio. Lembram como Kerry correu para parecer em cinco programas de TV logo no dia seguinte, para fazer as mais espúrias acusações sobre mísseis terra-ar e comboios fantasmas russos, sem nenhuma prova? E depois, logo no dia seguinte, especialistas militares russos sérios, falando com calma e precisão, mostraram várias provas concretas, de dados de radar e satélites, que esclareciam que, sim, um jato de combate ucraniano foi fotografado bem próximo ao MH17, momentos antes de o avião ser derrubado. (E a BBC entrevistou testemunhas oculares que viram o jato ucraniano SU 25 ao lado do avião de passageiros.)

Então, em quem você acredita: em Kerry ou nos fatos? E, dessa vez, vai acreditar em quem? Em Gordie do New York Times ou no monitor Andrey Kelin da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que disse ontem:

Temos dito que nenhum envolvimento russo foi avistado, não há soldados ou equipamentos presente. 
Acusações sobre comboios de carros blindados de transporte de tropas foram ouvidas na semana passada e na semana anterior. Todas essas acusações comprovaram-se falsas naquele momento e novamente se comprovaram falsas agora. (RT)

Repitam: nenhum envolvimento russo”. “Todas essas acusações comprovaram-se falsas”. “Falsas” significa falsas, falsificadas, mentirosas, inventadas, propaganda, conversa fiada, mentira, o que, aliás, parece ser a área de especialização de Gordon no New York Times.

Qualquer pessoa que esteja acompanhando o conflito sabe que a Junta apoiada por Washington em Kiev travou uma guerra contra o próprio povo no leste; e que bombardearam hospitais, escolas, bibliotecas, residências, prédios públicos, bairros residenciais, etc., tudo isso para arrastar Putin para uma guerra que sabotaria a integração econômica entre a União Europeia e Moscou e promoveria os “interesses” dos EUA na área. É tudo geopolítica. Lembram-se do pivô para a Ásia? Em tempo real, significa bombardeio contra civis na Ucrânia. Um monte de cadáveres, para que os rapazes do Big Money em Washington consigam continuar com as garras fincadas no poder global por mais um, dois séculos.

Bem, podem abandonar o delírio, principalmente porque um grupo de ex-militares escolados no leste da Ucrânia organizaram eles mesmos suas milícias efetivas e letais, que em pouco tempo puseram em fuga os golpistas. Se você acompanha os eventos em blogs que veiculam informação real, dia a dia, você sabe que o que aqui escrevo é a mais pura verdade. As gangues desorganizadas e desmoralizadas que alguns ainda chamam de Exército Ucraniano foram postas em fuga, em praticamente todos os encontros que tiveram com as milícias novorussas. Eis o que escreveu o blogueiro de Moon of Alabama, na quinta-feira:

A moral deles está péssima, o equipamento é velho, a munição é pouca e todo o objetivo da campanha deles é duvidoso. Agora, qualquer ameaça de resistência e contra-ataque já os põe em correria.

Poderia acrescentar à litania o fato de que são governados pelo mais perfeito idiota que algum dia foi presidente de alguma coisa, Petro Poroshenko, bufão rechonchudo que pensa que é um Heinz Guderian distribuindo suas divisões Panzers pelas florestas de Ardennes rumo a Paris. Que piada!

O New York Times até admite que o exército ucraniano está muito desmoralizado. Dê uma olhada nisso:

Alguns soldados ucranianos parecem desinteressados da luta. O comandante dessa unidade, parte da 9ª Brigada de Vinnytsia, no oeste da Ucrânia, ordenou o mais que pôde para os seus soldados, sem conseguir que ninguém se movesse. “Certo”, disse ele. “Os que se recusam a lutar sentem-se desse lado, separados dos demais”. 11 homens mudaram de lugar, e os demais voltaram à cidade. 
Há soldados em plena debandada: um ônibus urbano lotado deles foi visto na estrada em direção oeste, com cortinas vermelhas baixadas sobre as janelas com vidros quebrados por tiros. (New York Times).

Alguém algum dia ouviu falar de UM comandante que pergunta quem quer combater e quem não quer? É ridículo. Esse é UM exército derrotado, e qualquer um vê. Não é difícil compreender o estado de espírito do recrutado mediano. A maioria dos rapazes recrutados não tem nem vontade nem estômago para matar seus próprios conterrâneos. Só quer que a guerra acabe, para poder voltar para casa. Por isso são tão facilmente derrotados: porque o coração deles não está nessa luta. Por sua vez, os agricultores, donos de lojas e os mineiros que constituem as milícias de defesa do Donbass, esses, sim, estão altamente motivados. Para eles, a coisa não é só geopolítica. Muitos desses homens viveram toda a vida nessas cidades. E agora veem vizinhos assassinados nas ruas ou retiram cadáveres de amigos, conhecidos e parentes, dos escombros de prédios bombardeados. Para eles, a guerra é real. E é pessoal. Estão defendendo a cidade deles, a família deles, o modo como sempre viveram ali. Dessa matéria prima se faz a coragem e a decisão de não ceder. Aqui está mais do New York Times:

“The United States has photographs that show the Russian artillery moved into Ukraine, American officials say. One photo dated last Thursday, shown to a New York Times reporter, shows Russian military units moving self-propelled artillery into Ukraine. Another photo, dated Saturday, shows the artillery in firing positions in Ukraine. 
Advanced air defenses, including systems not known to be in the Ukrainian arsenal, have also been used to blunt the Ukrainian military’s air power, American officials say. In addition, they said, the Russian military routinely flies drones over Ukraine and shares the intelligence with the separatists.” (Ukraine Reports Russian Invasion on a New Front, New York Times)

Photos? What photos? Gordon doesn’t have any photos. Ah, but he has heard about a New York Times reporter who saw a photo.

This is ridiculous, but, then again, isn’t that what you’d expect from a journalist who helped craft the pretext for invading Iraq?

Eis como o ministro Sergei Lavrov, das Relações Exteriores da Rússia, respondeu aos boatos de que teria havido “invasão russa”:

Não é a primeira vez que ouvimos palpites desenfreados, e, até agora, não se viu jamais fato algum, ninguém apresentou qualquer fato, qualquer prova de alguma coisa  (...). 
Houve quem falasse de imagens de satélite que mostrariam movimentação de tropas russas. Foi-se ver, eram imagens de videogames. Novas acusações que apareceram foram desse mesmo tipo, dessa qualidade. 
Reagiremos, persistindo em nosso esforço para reduzir o derramamento de sangue e apoiar negociações sobre o futuro da Ucrânia, com a participação de todas as regiões e todas as forças políticas da Ucrânia, termos que já haviam ficado acertados em abril, em Genebra, mas que estão agora sendo deliberadamente desrespeitados por nossos parceiros ocidentais. (RT)

Aí está, portanto; não há qualquer invasão russa, assim como não havia Armas de Destruição em Massa, nem laboratórios móveis no Iraque, nem “tubos de alumínio”, nem gás Sarin na Síria, etc., etc., etc. É tudo mentira, distribuída por uma mídia servil que só faz promover a agenda de um establishment político belicista que quer escalar a conflagração no leste da Ucrânia a qualquer custo. Mesmo que leve a uma terceira guerra mundial.

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