16 de setembro de 2014

11 de setembro de 2001: A conexão saudita

O encobrimento de Bush começa a ser desvendado

James Ridgeway

CounterPunch: Tells the Facts and Names the Names

Tradução / Em seu artigo do New Yorker, publicado no site da revista na semana passada, Lawrence Wright conta sobre como a administração Bush deletou 28 páginas do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os ataques de 11 de setembro de 2001, provavelmente pelo fato de que descreviam em detalhe as conexões dos sauditas com o ataque da Al Qaeda e com o financiamento de suas operações nos EUA a partir de pessoas que conheciam os sequestradores dos aviões e podem ter servido como ligação para o dinheiro saudita. Uma parte do dinheiro pode ter sido transferido pela família real através de caridade.

Ao remover as 28 páginas, Bush declarou que a publicação de tal conteúdo prejudicaria operações de inteligência americanas. Os sauditas negam tudo.

Na verdade, ninguém estaria falando sobre isso hoje se as famílias das vítimas e as seguradoras não estivessem processando os sauditas.

Wright relata:

“Não há nada a ver com segurança nacional,” é o que diz Walter Jones, deputado da Carolina do Norte que leu as 28 páginas. “Elas são sobre o governo Bush e sua relação com os sauditas.” Stephen Lynch, um democrata de Massachusetts, me contou que os documentos são “chocantes por sua clareza,” e que oferecem evidência direta da cumplicidade por parte de alguns indivíduos e entidade sauditas quanto ao ataque da Al Qaeda nos EUA. “Estas 28 páginas contam a história que foi completamente removida dos relatórios sobre o 11 de setembro,” sustenta Lynch. Outro deputado que leu o documento declarou que as evidências do apoio do governo saudita ao ataque são “assustadoras,” e que “a verdadeira questão é se tudo isso foi sancionado pela família real ou em um nível mais baixo, e se as orientações foram ou não seguidas.” Agora, em um raro exemplo de aliança bipartidária, Jones e Lynch copatrocinam uma resolução requisitando que a administração Obama desclassifique estas páginas.

Mas há outras questões aqui, e elas envolvem a história de como a administração Bush suprimiu as provas que revelariam o quanto ela sabia dos planos de ataque — e não fez coisa alguma para impedi-los.

Um breve resumo da história:

Dois dos sequestradores do vôo 77 — Khalid al-Midhhar, um saudita que lutou com a Al Qaeda na Bósnia e na Chechênia, e Nawaf al Hazmi, outro saudita com experiências militares na Bósnia, Chechênia e Afeganistão, se encontraram em uma reunião estratégica da Al-Qaeda em Kuala Lumpur em janeiro de 2000. A CIA pediu ao serviço de inteligência malaio que monitorasse a reunião, sem sucesso. Os dois deixaram a reunião em direção ao aeroporto e tomaram um vôo para Bankok dia 8 de janeiro, e depois tomaram um vôo da United Airlines de Bankok para Los Angeles, aterrisando sem problemas e passando pelo serviço de imigração americano.

Nesta época, de acordo com a Comissão de Inquérito, “a CIA e a NSA tinham informações suficientes disponíveis sobre os futuros sequestradores al-Midhar e al-Hamzi para conectá-los a Osama Bin Laden, ao ataque à embaixada na África e ao ataque do USS Cole... e eles deveriam ter sido colocados dentro da lista de suspeitos do Departamento de Estado e da INS.”

Em julho de 2001, analistas que trabalhavam por conta própria confirmaram que os dois haviam aterrissado nos EUA e avisaram o FBI. O FBI alertou seus oficiais em Nova York, mas não em Los Angeles e em San Diego. E não pensaram em avisar a FAA, a INS ou outros serviços de inteligência para proibirem estes homens de entrar em aviões.

Uma vez nos EUA, os dois sequestradores passaram desapercebidos sob os narizes da CIA e do FBI, Eles foram de Los Angeles a San Diego, onde alugaram um apartamento, arrumaram um cartão de seguridade social, carteiras de motorista, cartões de crédito e um carro. E logo começaram treinamentos de voo.

Os dois possuíam contatos com um iemenita radical, que o FBI estava vigiando e com o líder de uma comunidade saudita local, que era suspeito de ser um dos financiadores dos sequestradores.

Eles tiveram contato com um informante do FBI que vivia na casa do iemenita. Este homem fora incumbido pelo FBI de vigiar a comunidade saudita local. “Ele estava na casa de uma de nossas fontes”, foi o que um oficial do FBI contou a James Bamford, autor do livro “Um Pretexto para a Guerra”. “Se tivéssemos tomado conhecimento disso teríamos seguido os dois e dito, ‘estes caras estão frequentando aulas de aviação'.”

A comissão de inquérito concluiu que os contatos dos informantes com os sequestradores, se tivessem sido investigados, teriam dado oportunidade ao FBI de San Diego para desvendar o plano. As tentativas da Comissão de Inquérito de entrevistar os informantes foram frustradas pelo FBI e pelo Departamento de Justiça. De acordo com o ex-senador Bob Graham, em seu livro “A inteligência Importa”, quando a Comissão pediu ao FBI todos seus arquivos sobre os informantes, o acesso foi negado e quando foram intimados a fazê-lo, o FBI não se mexeu. Graham organizou uma reunião com o diretor da CIA, George Tenet, o diretor do FBI, Robert Mueller e o procurador geral John Ashcroft. Eles sugeriram que Graham interrogasse o informante por escrito e o informante havia conseguido um advogado de ponta, antigo funcionário do Departamento de Justiça. O advogado demandou imunidade para o informante antes que este testemunhasse. Graham escreveu em seu livro, “era estranho que um indivíduo que declarava não ter feito nada errado e que o FBI insistia que era uma fonte valiosa requisitasse imunidade.”

O comitê recusou o pedido.

Graham escreveu que o FBI “insistia que não se poderia de maneira alguma contar ao povo americano que um informante do FBI tivera se relacionado com dois dos sequestradores.” O FBI se opôs a qualquer audiência pública, deletou do relatório da Comissão de Inquérito todas as referências à situação . Apenas um ano depois o FBI permitiu que uma versão da história se tornasse pública.

Em seu livro, Graham descreveu uma carta de um membro do FBI explicando que a entidade não tinha cooperado por causa de ordens vindas do governo. “Nós pretendíamos escrever sobre o que suspeitamos. A Casa Branca dirigiu o encobrimento da situação.”

“Mais tarde, quando a comissão sobre 11 de setembro conduziu sua própria investigação, tanto Bush quanto Cheney fizeram uma reunião com ela, privada, sem registros.”

Esta história e o novo artigo de Wright sugerem que o presidente, o vice-presidente e o comandante do FBI se envolveram com obstrução da justiça. Se isto aconteceu de fato, seria necessário um júri federal para julgar o caso. O Departamento de justiça, que gere o FBI, faria isso? Provavelmente não.

Restou que as famílias que estão processando os sauditas descubram e publiquem a verdade.

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