11 de setembro de 2014

Discurso de Obama: uma nova baixa moral

A guerra ao terror é um (previsível) fiasco

Jan Oberg

CounterPunch: Tells the Facts and Names the Names

Tradução / O discurso do presidente Barack Obama foi um recorde de baixeza em termos morais e de análise intelectual – tudo poderia ter sido resumido em “matar cada um dos integrantes do EILL em qualquer lugar do mundo”, pessoas que ele compara com células cancerígenas.

A guerra ao terror sempre foi sobre matar terroristas, mas você não pode matar um “ismo” – terrorismo. Para fazer algo sobre as causas que compelem as pessoas a se tornarem terroristas, seria algo muito mais eficiente.

O presidente disse repetidamente que a solução final é política, não militar. O discurso, no entanto, é exclusivamente militarista – nenhuma palavra sobre política, psicologia ou outros tópicos: Nós matamos pessoas porque achamos que é errado matar pessoas...

O discurso pode ser visto como uma prova da quão terrivelmente desorientada é a resposta dos EUA para o 11 de setembro de 2001 – se tivesse sido mais inteligente e menos vingativa, não teria ocorrido a devastadora guerra no Iraque, nem a criação do EIIL.

É difícil ser o número 1 em um ranking, pois você só ensina para baixo. Se você fosse o número 20, haveria outros 19 na frente para se aprender alguma coisa. Parece que os Estados Unidos, fechados dentro de sua caixa de “excepcionalismo”, são incapazes de aprender lições.

A “estratégia” de Obama para a guerra ao terror irá, quase que com toda certeza, levar a mais terrorismo e ódio ao Ocidente. Afinal, o que os sunitas frustrados no Iraque pensarão de Obama? Ou a sociedade civil da Síria que não pega em armas? O discurso não teve nenhuma palavra sobre lei internacional, presumivelmente porque bombardear outros países é agressão – quando não existe uma ameaça e os “Estados Unidos estão mais seguros hoje do que no passado”.

Há uma frase notável, onde o presidente diz que em duas semanas ele mesmo presidirá a reunião do Conselho de Segurança da ONU. O quê? Algum chefe de Estado pode fazer isso?

Além disso, nenhuma palavra sobre a visão de longo prazo dos Estados Unidos para um Oriente Médio melhor – um indicativo de que não existe qualquer visão a respeito disso.

Os últimos dois minutos são, provavelmente, os mais interessantes: uma combinação de inigualável autoelogio, uma ligeira megalomania e autonegação quanto à mudança do papel dos Estados Unidos em um mundo em mudança.

Se essa é a liderança dos EUA em seu melhor – e é nisso que o presidente acredita – o mundo como conhecemos pode em breve desmoronar.

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