4 de novembro de 2014

Uma breve história das relações EUA-Israel

Como sionistas manipularam e substituíram especialistas do Departamento de Estado

Andrew I. Killgore

CounterPunch: Tells the Facts and Names the Names

Alison Weir escreve no início de seu livro Against Our Better Judgment: The Hidden History of How the U.S. Was Used to Create Israel que por mais que muitos sejam levados a crer que o apoio dos EUA a Israel seria comandado pelo establishment americano e a favor dos interesses nacionais dos EUA, não há qualquer fato histórico que comprove essa crença. A realidade é que, durante décadas, praticamente todos os especialistas americanos sempre se opuseram à criação daquele estado; mas foram derrotados e, na sequência, foram substituídos por sionistas nas várias instituições em que trabalhavam, o que prossegue até hoje.

O sionismo político começou no final dos anos 1800, como um movimento internacional para criar um estado judeu em algum lugar do mundo. Em 1897, o movimento era dirigido pelo jornalista austríaco Theodor Herzl, que organizou o 1º Congresso Mundial Sionista em Basel, Suíça, naquele ano. O sionismo americano começou nos anos 1880. A Comissão de Delegados dos Israelenses americanos foi organizada em 1861. Na Guerra Civil americana, o grupo já tinha força suficiente para impedir esforço que a União estava empreendendo, para declarar os EUA como uma nação cristã.

Em 1887, o presidente Grover Cleveland indicou um judeu para o posto de embaixador dos EUA à Turquia, criando o precedente de sempre nomear judeus para aquele posto, ao longo dos 30 anos seguintes. É um sinal claro do crescente poder do movimento sionista. Mas em 1912, quando a Sociedade Literária Sionista pediu que o presidente William Taft se manifestasse a favor do sionismo, o Secretário de Estado, Philander Knox, conseguiu fazer abortar o movimento. Knox argumentou que o sionismo “só tinha a ver com interesses de outros países, não com interesses dos EUA”.

Mas depois de Knox, simplesmente todos os funcionários e representantes do governo dos EUA passaram a se opor a quaisquer esforços para envolver os EUA nos esforços da propaganda sionista, e sempre sob o mesmo argumento: eram esforços que operavam contra os interesses dos EUA. Os sionistas sabiam e até hoje sabem disso; então recorreram, a partir de então, sempre, ao máximo de clandestinidade possível para mascarar seus reais objetivos.

Em 1912, o conhecido advogado americano Louis Brandeis assumiu a presidência da Central Sionista, que se mudou de Berlim, Alemanha, um pouco antes. Brandeis é mais conhecido como juiz da Suprema Corte, mas teve um papel sinistro nos altos negócios sionistas. Recrutou jovens advogados, sobretudo de Harvard, para trabalhar a favor da causa sionista. Foi o líder de uma sociedade secreta chamada “Parushim” para trabalhar a favor do sionismo, sob uma fachada de irmandade civil. Todos os membros faziam um juramento que, na prática, era como um juramento de sangue, de servir clandestinamente à causa do sionismo.

Quando Brandeis foi nomeado para a Suprema Corte pelo presidente Woodrow Wilson, oficialmente renunciou a todos os seus clubes e irmandades. Mas foi só encenação. Weir cita o historiador/ jornalista Donald Neff: “Mediante seus lugares-tenentes, ele continuava como o poder por trás do trono. Um daqueles lugares-tenentes foi o altamente respeitado juiz da Suprema Corte Felix Frankfurter, cujas atividades sionistas passaram praticamente sem nunca serem jamais descobertas.”

Weir, muito inteligentemente, analisa com brilho a I Guerra Mundial e a Declaração de Balfour (a Grã-Bretanha comprometendo-se a apoiar um “lar nacional” para judeus na Palestina). A Declaração foi crítica para o sucesso do sionismo, ocultando, simultaneamente, a promessa de que os sionistas trabalhariam para pressionar os EUA a entrarem na guerra ao lado da Grã-Bretanha. A autora de Against Our Better Judgment escreve que, embora o papel dos sionistas para conseguir empurrar os EUA para a guerra tenha sido muito importante, como dizem os sionistas e os britânicos acreditaram, não se sabe exatamente o que os sionistas fizeram.

Em uma das referências que se encontram no livro de Weir, Chaim Weizmann, que posteriormente seria o primeiro presidente de Israel, reclama, em sua biografia, do mito criado por britânicos e sionistas, de que ele teria inventado a dinamite, em troca de cuja fórmula teria sido assinada a Declaração de Balfour. Diz ali que não inventou o explosivo. A origem do mito da invenção da dinamite foi uma tentativa óbvia para encobrir a real razão pela qual aquela Declaração foi assinada, e que claramente só tinha a ver com os EUA serem empurrados para a guerra ao lado dos britânicos, porque, sem essa ajuda, os britânicos perderiam a guerra.

A autora de Against Our Better Judgment também cobre, com excelente cuidado, a Conferência de Paz em Paris, em 1919. A Conferência fervilhava de sionistas trabalhando a favor da criação do estado judeu. O mais importante americano que se opôs a eles naquela ocasião foi o Dr. Howard Bliss, presidente do Colégio Protestante Sírio, que mais para frente se converteria na Universidade Americana de Beirute. O presidente Wilson tinha enviado sua Comissão King-Crane, para estudar o que o pessoal do Oriente Médio desejava. Os dois enviados logo descobriram que os árabes estavam monoliticamente na oposição a qualquer ideia de “lar nacional” para os judeus. Já era evidente que os representantes judeus queriam total expulsão dos palestinos, com o saque de terras palestinas, e que mobilizariam as forças armadas necessárias para fazer acontecer esse projeto e respectivos planos.

No livro, Alison Weir documenta claramente a total falta de ética e moralidade, como geralmente entendida, por parte dos sionistas. Por exemplo, inventaram histórias de terríveis ataques antissemitas na Polônia, para angariar simpatias. Quando o embaixador dos EUA na Polônia relatou que eram histórias falsas, Brandeis e Frankfurter declararam que o embaixador estaria boicotando a missão deles. Frankfurter ameaçou que iria tentar bloquear a sua posse no Senado.

Os sionistas fizeram uma enorme campanha de relações públicas visando todos os setores da sociedade americana, com especial atenção aos cristãos, que pouco conheciam da natureza e dos verdadeiros objetivos do sionismo. Assim os sionistas encenaram a tragédia do “suplício trágico de refugiados tentando fugir dos que os perseguiam, e sem ter casa para onde ir”. Como diz em suas memórias do rabino antissionista Elmer Berger, houve uma “campanha de propaganda onipresente atingindo praticamente todos os pontos de influência política da vida dos americanos.”

É importante enfatizar que essencialmente todo o funcionalismo e autoridades do governo dos EUA opunham-se aos sionistas. Evan Wilson, do Serviço Diplomático e cônsul geral dos EUA em Jerusalém opunha-se aos sionistas sob o argumento de que os EUA tinham de pensar, primeiro, nos interesses do povo dos EUA. Loy Henderson, diretor do Gabinete de Assuntos do Oriente Próximo e África, escreveu que apoiar a partição da Palestina “teria efeito fortemente adverso para os interesses dos EUA em todo o Oriente Próximo e Médio”. Quando Henderson insistiu em continuar a expor publicamente suas ideias, os sionistas atacaram-no viciosamente, chamando-o de “antissemita”, exigindo que pedisse demissão e ameaçando a família de Henderson. O presidente Harry Truman transferiu Henderson para o posto de embaixador dos EUA no Nepal/Índia. É um exemplo da realidade do que acontece a funcionários do serviço diplomático que critiquem Israel, até hoje.

Outro que disse palavras de alerta a propósito do sionismo e o efeito danoso que tinha sobre os interesses nacionais dos EUA foi George F. Kennan, quando era diretor de Planejamento de Políticas do Departamento de Estado. Em 1947, escreveu que o plano da partição da Palestina já causara enorme dano aos EUA. O subsecretário de Estado, depois secretário, Dean Acheson, disse que transformar a Palestina em estado judeu poria em risco não só os interesses dos EUA, mas todos os interesses ocidentais no Oriente Médio.

Judgment é prodigiosamente documentado, com uma bibliografia de mais de 200 livros e documentos citados. Weir cita duas fontes, uma delas um judeu iraquiano, que escreveu que os sionistas chantageavam-aterrorizavam judeus iraquianos para que pusessem bombas em sinagogas em Bagdá, para conseguir que mais judeus decidissem fugir para Israel, cuja população não estava aumentando. Judeus até mataram judeus para forçar a imigração para Israel.

Em 1948, houve uma batalha entre o Secretário de Estado (general) George Marshall e Clark Clifford, conselheiro político do presidente Harry Truman, em torno do apoio de Truman ao sionismo/Israel. Marshall argumentava a favor dos interesses dos EUA, Clifford pensava na política eleitoral. Marshall deixou de discutir essas diferenças, com Clifford.

Em abril de 1948, pouco antes de o estado de Israel ser criado, terroristas judeus atacaram a vila palestina de Deir Yassin, onde massacraram 175 homens, mulheres e crianças. Os fatos espalharam-se rapidamente pela Palestina, e 750 mil palestinos abandonaram as próprias casas, tornando-se refugiados. Os sionistas haviam previsto esse efeito, que deixou lugar para mais judeus nas cidades vazias com casas e sítios abandonados.

A crueldade dos sionistas aparece bem clara no destino de Dorothy Thompson, “uma das mais famosas jornalistas do século 20”, segundo a Enciclopaedia Britannica. Tinha colunas em jornais em todo o país e um programa de rádio com audiência de milhões. Ela tinha sido casada com um dos mais famosos romancistas (Babbitt), Sinclair Lewis.

Thompson, no início, tinha apoiado o sionismo. Mas mudou de posição depois de ver refugiados palestinos. Passou então a ser atacada como antissemita, as colunas foram excluídas dos jornais, o programa de rádio foi cancelado e acabaram os convites para palestras pelo país. Como diz Weir hoje, “já está praticamente apagada da história”.

Agora que Israel já existe há mais de 60 anos, com tantas virtudes cantadas pela imprensa americana, é muito fácil esquecer, ou jamais, em toda a vida, ouvir dizer, que o país é um entrave grave aos interesses nacionais americanos, e as políticas israelenses têm efeito destrutivo e perigoso para o bem-estar dos EUA. Também por isso, é preciso elogiar entusiasticamente o trabalho de Alison Weir, que lança luz tão brilhantemente iluminadora sobre o relacionamento entre os EUA e Israel. Espero que este livro maravilhoso receba toda a atenção que merece.

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