14 de dezembro de 2014

Os parceiros da OTAN ampliada

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / É tempo de aniversário na OTAN. O 20º aniversário do "Diálogo Mediterrâneo" celebrou-se em Aman (Jordânia), nos dias 9 e 10 de dezembro de 2014. Foi atendido pelo Secretário-Geral da OTAN Jens Stoltenberg e 28 representantes do Conselho do Atlântico Norte, além dos embaixadores de sete países parceiros: Argélia, Egito, Jordânia, Israel, Marrocos, Mauritânia e Tunísia.

Há três anos, Stoltenberg recordou: "durante a nossa operação, liderada pela OTAN, para proteger o povo da Líbia, Jordânia e Marrocos fizeram importantes contribuições militares." Com efeito, o "Diálogo Mediterrâneo" prevê a formação de oficiais dos países parceiros em academias militares da OTAN, incluindo o "Colégio de Defesa" em Roma e, também, das Forças Especiais, pelas "Equipes de Treinamento Móvel" expedidas pela OTAN ao local. Essas atividades são complementadas por aqueles incluídos em "Programas de cooperação individual" da OTAN com cada um dos sete parceiros.

O mais importante é aquele com Israel, ratificado pela OTAN em dezembro de 2008, três semanas antes de Israel lançar a operação "Chumbo Fundido" contra Gaza. Ele estabeleceu a conexão com o sistema eletrônico de Israel, para o aumento dos exercícios militares conjuntos e o desenvolvimento dos sistemas de armas, e até mesmo a expansão da sua "cooperação contra a proliferação nuclear" (ignorando que Israel, a única potência nuclear na região, não dará ouvido à assinatura do Tratado de Não-Proliferação e já rejeitou a proposta de conferência da ONU sobre a desnuclearização do "Oriente Médio").

"Com a ascensão do EIIL e a propagação da violência e do ódio em todo o norte de África e do Oriente Médio - sublinhou Stoltenberg - essa sinergia entre nós é mais necessária do que nunca." E, com referência à Jordânia, ele a definiu como "uma ilha de estabilidade em um mar de turbulência", elogiando "as contribuições que a Jordânia está dando tanto para a estabilidade na região como também para a parceria com todos os aliados da OTAN". Um merecido louvor: a Jordânia ajudou a criar o "mar turbulento" primeiro ao participar na guerra da OTAN que extinguiu o Estado líbio e em seguida, sub-repticiamente, na guerra na Síria conduzida pela OTAN.

A Jordânia, como a Turquia, constitui-se na base para a frente dessa operação, realizada em sinergia com Israel, com o objetivo não de destruir o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) (instrumental para essa estratégia), mas o Estado da Síria. Em virtude de seus méritos, disse Stoltenberg, as forças armadas Jordânianas agora serão parte da "Força de Reação da OTAN."

Depois de celebrar o vigésimo aniversário do "Diálogo Mediterrâneo", o secretário-geral da OTAN e os 28 representantes do Conselho do Atlântico Norte foram para Doha (Qatar) para celebrar, em 11 de dezembro de 2014, o décimo aniversário da "Iniciativa de Cooperação Istambul", a parceria entre a OTAN e as quatro monarquias do Golfo: Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar. Stoltenberg citou a "campanha da Líbia como um exemplo de como os parceiros da OTAN e do Golfo podem trabalhar juntos." Na guerra contra a Líbia, Qatar desempenhou um papel distinto, tal como reconhecido pelo próprio Comandante Chefe ("The Guar­dian", 26 de outu­bro de 2011), por infiltrar na Líbia milhares de soldados sob as ordens do Pentágono. 

É esta mesma Qatar que, de acordo com uma investigação pelo Financial Times, atualmente está gastando bilhões de dólares para financiar e armar os grupos islâmicos que estão lutando na Síria, incluindo o EILL, que também é patrocinado pelo Kuwait e pela Arábia Saudita.

Será que é uma mera coincidência que, em Doha, o Secretário-Geral da NATO nunca mencionou o EIIL?

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