9 de dezembro de 2014

Relatório diz que psicólogos idealizaram interrogatório da era Bush

Matt Spetalnick

Reuters

Tradução / A CIA pagou 80 milhões de dólares a uma firma dirigida por dois psicólogos da Força Aérea sem experiência em interrogatórios ou na luta antiterrorista, que recomendaram técnicas como o “submarino”, bofetadas no rosto e enterros simulados para prisioneiros suspeitos de terrorismo, segundo um informe do Senado dos Estados Unidos.

Os dois psicólogos são mencionados no relatório com os pseudônimos de “Dunbar” e “Swigert", porém foram identificados por fontes da inteligência estadunidense como James Mitchell e Bruce Jessen.

A CIA subcontratou mais de 80% de seu programa de interrogatórios à empresa Mitchell Jessen & Associates de Spokane, Washington, por seu trabalho desde 2005 até o término do acordo em 2009.

A CIA também pagou à companhia 1 milhão de dólares para protegê-la e a seus empregados de responsabilidades legais.

O relatório do Senado questiona a capacitação dos psicólogos e os acusa de violarem a ética profissional ao projetarem um sistema que Dianne Feinstein, presidenta da Comissão de Inteligência do Senado, disse que levou à tortura de alguns detidos da CIA.

“Nenhum dos psicólogos tinha experiência como interrogador nem tinha conhecimento especializado do Al Qaeda, antecedentes na luta contra o terrorismo ou qualquer experiência cultural ou linguística relevante”, segundo o informe.

No incidente em uma prisão secreta no ano de 2003, Abd al-Rahim al-Nashiri, capturado em 2002 e suspeito de ser o autor intelectual do ataque contra o USS Cole, em Adén, em 2000, foi submetido várias vezes ao “submarino”, teve de permanecer com as mãos na cabeça por várias horas e foi ameaçado com os olhos vendados, com o zumbido de um furadeira elétrica próximo a sua cabeça.

Alguns membros da CIA que participaram do interrogatório concluíram que Nashiri não estava retendo informação significativa sobre planos terroristas.

Inclusive depois disso, um psicólogo presente requereu que Nashiri fosse submetido a métodos mais agressivos para induzir ao “nível desejado de impotência”, segundo o relatório publicado na terça-feira. O informe não diz se o psicólogo que fez a recomendação foi Mitchell ou Jessen.

O chefe de interrogatórios da CIA se mostrou tão consternado quando recebeu o plano proposto pela firma que enviou um e-mail a seus colegas dizendo que o programa era um “choque de trens” a ponto de ocorrer, e que já não queria ser associado com ele, disse o relatório.

“Por que não me deixam em paz?”, disse Mitchell, que vive aposentado no estado da Flórida, a um jornalista da Reuters ao ser contatado por telefone na terça-feira. “Nem sequer posso confirmar ou negar se estive envolvido. Fale com a CIA”.

Mitchell disse em abril, segundo citações reproduzidas pelo jornal britânico The Guardian, que não tinha nada pelo desculpar-se, e que “fez o melhor que pode”. Seu ex-colega, Jessen, não pôde ser encontrado para comentar o assunto.

Marcas intensas

The two psychologists were allowed to evaluate their own work, to which they gave high marks, the report said.

"The contractors provided the official evaluation of whether the detainees' psychological state allowed for the continued use of the enhanced techniques even for some detainees they themselves were interrogating," Feinstein said.

In her preamble to the report, Feinstein wrote that her "personal conclusion" was that some of the CIA detainees had been tortured. On the Senate floor, she said the arrangement under which the psychologists appraised their own interrogation work was a "clear conflict of interest and a violation of professional guidelines."

Brought in by the CIA to help squeeze information from suspects after the Sept. 11, 2001 attacks, Mitchell and Jessen drew upon their experience in a Cold-War era program that taught U.S. airmen to cope with harsh interrogation if captured.

Starting in 2002, the two devised an approach that essentially "reverse engineered" the Air Force’s Survival Evasion Resistance Escape (SERE) program.

"I'm just a guy who got asked to do something for his country by people at the highest level of government, and I did the best that I could," Mitchell told the Guardian in the April interview.

"I don't care what Feinstein thinks about me," he said. "I'm retired ... I served my country and now I'm done. I did what I did for whoever I did it for, and now I'm done with that stuff."

In October 2004, 21 months after Nashiri was last subjected to enhanced interrogation techniques, an assessment by one of the psychologists and another CIA interrogator concluded that he had provided “essentially no actionable information,” the report says.

It is a result that mirrors the report's overall conclusions that interrogations at secret CIA prisons were ineffective.

Over a period of years, Nashiri, who has been held at the U.S. military prison in Guantanamo Bay, Cuba, after spending time at a series of secret CIA jails, has accused U.S. personnel of drugging or poisoning him and has also gone on hunger strike, the report said.

(Relatório adicional de Mark Hosenball em Washington e David Adams em Miami. Editado em espanhol por Carlos Aliaga).

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