11 de dezembro de 2014

UE demanda que Rússia resgate UE e Ucrânia

Eric Zuesse

Countercurrents

Tradução / O FMI diz que a Ucrânia estará em bancarrota “dentro de semanas” e precisa de mais US$15 bilhões para a guerra contra o leste do país; a UE ameaça a Rússia com mais sanções, se a Rússia deixar falir a Ucrânia; a UE perderá bilhões na Ucrânia, se a Rússia não “resgatar” o país.

Os detalhes estão aqui e aqui.

E aqui a história por trás do palco que levou a isso tudo:

Mark Adomanis da revista Forbes é o analista mais honesto e mais claro no ocidente sobre a situação financeira da Ucrânia, embora faça incansável propaganda contra a Rússia, como todos os demais “jornalistas” pagos pela aristocracia ocidental (e têm de continuar a fazer, para não perderem o emprego). Em 14 de abril de 2014, Adomanis escreveu que “quando comprou US$ 3 bilhões em bônus [do governo da Ucrânia] no final de 2013, a Rússia inseriu uma cláusula no contrato de compra que estipula que o volume total da dívida garantida pelo estado ucraniano não pode exceder 60% do respectivo PIB anual. Se esse limite for ultrapassado, a Rússia pode, legalmente, exigir recompra dos bônus, em curto prazo. Dados o estado miserável da economia ucraniana e suas finanças extremamente frágeis, essa cláusula significa que, se a dívida da Ucrânia exceder 60% do respectivo PIB, a Rússia pode legalmente forçar o país a declarar calote/falência.”

A dívida externa da Ucrânia ultrapassou o limite dos US$ 60 bilhões e outros por causa de uma exigência que o que o FMI impôs para fazer seu repasse de US$ 17 bilhões em 1º maio de 2014, a saber: que a Ucrânia eliminasse ou esmagasse, fosse como fosse o povo na área da Ucrânia onde 90% dos eleitores elegeram o presidente ucraniano pró-Rússia que Obama derrubou em 22 de fevereiro de 2014. A manchete da rede CNBC para o “evento”, dia 1º de maio de 2014, um dia antes de que os bandidos pró-governo massacrassem os resistentes, e assim iniciassem o programa para exterminar os residentes daquela região, foi: “IMF Warns Ucrânia on Bailout if It Loses East”. O significado desse “alerta” é que sem os campos de gás e outros ativos vendáveis do leste, o governo da Ucrânia estará sem patrimônio suficiente para liquidar - “privatizar” como dizem os “especialistas” - e não terá como reunir o dinheiro suficiente para pagar o empréstimo feito pelo FMI, de US$ 17 bilhões, à Ucrânia. Nesse caso, os contribuintes de EUA e Europa teriam de absorver o prejuízo; “portanto”, o governo ucraniano tem “obrigação” de prosseguir e exterminar qualquer oposição ativa no leste, se quiser continuar a receber a “ajuda” do FMI. Os aristocratas querem controlar sua terra, e não as pessoas sobre ela. Os moradores são apenas uma obstrução. Esse dinheiro foi emprestado pelo FMI, a fim de permitir que as corporações ocidentais (sobretudo para o Big Petróleo, Big Agronegócio e Big Militar) controlassem a Ucrânia. Por exemplo: os residentes nas áreas hoje sob bombardeio do ocidente estavam organizados e ativos contra o fracking e contra a instalação de uma base de mísseis da OTAN.

Além disso, a própria União Europeia emprestou mais meio bilhão de euros ao governo da Ucrânia, dia 10/12, a juros de 1,375%, muito abaixo dos juros de mercado, por 15 anos. É dinheiro dos contribuintes europeus, que está sendo posto no lixo (a taxa de juro nem faz qualquer diferença porque nada, nem o principal nem os juros do “empréstimo” será algum dia pago). EUA e Europa estão investindo pesadamente nessa campanha de extermínio, mas quem paga são os cidadãos contribuintes; a aristocracia, beneficiária direta do “processo” nada investe e, portanto, não precisa preocupar-se com perder dinheiro, porque não está perdendo dinheiro seu. Disso, precisamente, é que trata a campanha para demonizar o presidente Putin da Rússia: é esforço para jogar sobre Putin a culpa pelo assalto ao dinheiro público dos cidadãos europeus e norte-americanos que seus respectivos governos supostos “democráticos” estão jogando na fornalha sem fim da Ucrânia, para matar ucranianos. A aristocracia ocidental quer destruir a Ucrânia e quer que a culpa de tudo, naquele amontoado de escombros a que a Ucrânia está sendo reduzida recaia sobre a Rússia.

Agora, então, tudo é culpa da Rússia. A Rússia está sendo culpada não só por apoiar as populações ucranianas que o “ocidente” deseja exterminar: os propagandistas pró-aristocracias ocidentais já começam a culpar a Rússia também por não “salvar” os contribuintes ocidentais! Aqueles contribuintes ocidentais que terão de arcar com os prejuízos em todos os casos, ainda que alguns especuladores (chamados “empresários”) consigam ganhar algum, em ataques especulativos contra a Ucrânia.

Poucos são suficientemente idiotas a ponto de supor que a Rússia resgataria o ocidente depois de o ocidente ter atacado a própria Rússia e os russos étnicos na Ucrânia. Mas a campanha de propaganda para culpar a Rússia pelo agora iminente colapso econômico da Ucrânia já está em andamento.

A mídia Ocidental não perdem audiência nem quando seus “âncoras”, “comentaristas”, “analistas”, “jornalistas” e “repórteres” dedicam-se incansavelmente a “noticiar” que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é culpado pelas centenas de milhares de ucranianos que estão fugindo para a Rússia, tentando escapar do massacre para limpeza “étnica” contra eles patrocinado pelo ocidente “democrático”. Em 9 de dezembro de 2014, por exemplo, o The New York Times estampava a seguinte manchete “Ucranianos empurrados para os braços de Putin”. E a matéria “informava”:

“Um recente relatório da ONU informa que cerca de meio milhão de ucranianos deixaram o país desde abril de 2014. 
O fato de famílias terem de fugir de zona de guerra é terrível, mas não surpreende. O que realmente surpreende e perturba são os detalhes: de cerca de 454 mil pessoas que fugiram da Ucrânia até o final de outubro de 2014, mais de 387 mil foram para a Rússia. 
A maioria dos que fugiram eram falantes de russo que viviam no leste, mas mesmo assim ainda há muito a explicar: se a guerra se trava entre Ucrânia e Rússia, por que tantos ucranianos escolheriam o lado inimigo, quando precisam de ajuda?”

O “repórter” demonstra o quanto ele seria “independente” de Washington: nega uma declaração que o “repórter” diz que Washington teria feito, mas é coisa que NEMWashington disse, pelo menos até agora:

“O Sr. Putin e a mídia russa dizem que ucranianos pró-ocidente, como o governo de Mr. Poroshenko, são neonazistas. O Ocidente nega e afirma que não há elementos neonazistas no governo de Kiev. [Mas, mesmo Victoria Nuland não nega que alguns “neonazistas” ajudaram a levar ao poder o novo governo ucraniano, e nenhum “repórter” perguntou a ela quais são os neonazistas incluídos no governo; o “repórter” está mentindo.] Ambos estão errados. O governo de Kiev e os exércitos que lutam no leste da Ucrânia contêm uma pequena minoria de ultranacionalistas neonazistas. 
Para os ucranianos orientais, no entanto, mesmo um é demais.”

A verdade é que o governo de Kiev é controlado por nazistas; e as populações residentes no sudeste da Ucrânia estão fugindo para a Rússia (ou “para os braços de Putin”), na tentativa de escapar dos nazistas protegidos pelo ocidente.

Por que há gente que ainda paga para ler esses “noticiários” distribuídos por empresas-imprensa? Todos esses “veículos” são como máquinas de repetição automática de mentiras que nunca mudam: só mentiras sobre as “armas de destruição em massa de Saddam”, o “apoio de Saddam à al-Qaeda”

Quando é que o boicote de consumidores contra as mentiras da mídia começa? Ou o povo americano ainda confia nela - e, em caso afirmativo, por que, e quanto tempo será que a confiança vai continuar?

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