18 de março de 2015

Grande vitória de Netanyahu e da direita

Michel Warschawski


Tradução / As eleições de terça-feira representaram uma grande vitória de Benjamin Netanyahu e da direita em Israel. O que vemos dos resultados das eleições para a 20ª Knesset de Israel:

1. Povo de Israel predominantemente de direita: O processo de deslocação à direita que testemunhamos desde os anos 1980 continua; o campo de extrema-direita mais uma vez ampliou a sua força parlamentar.

Likud + Yisrael Beitenu + Casa Judaica + dissidentes do Likud que fundaram o Kulanu (Todos Nós) passaram de 43 para 53 mandatos.

2. Netanyahu deu a volta: Depois de ser enterrado politicamente, Netanyahu conseguiu nas duas últimas semanas não só deter a sua queda, como também melhorar substancialmente a sua posição no seio da direita que também se fortaleceu. O Likud subiu de 18 para 29 mandatos, apesar do sucesso dos dissidentes do Kulanu, que conquistaram dez mandatos. Esta conquista foi obtida à custa dos seus parceiros naturais: Yisrael Beitenu caiu de 13 para seis mandatos e a Casa Judaica de 12 para oito. O primeiro-ministro beneficiou-se da disposição dos seus competidores de extrema-direita de se manter ao seu lado, de forma a que o Likud recebesse mais votos que os Trabalhistas, e assim estivesse em boa posição para formar o próximo governo.

Não há dúvida de que Netanyahu será o próximo primeiro-ministro de um governo claramente de direita que vai continuar as suas políticas das últimas duas décadas, à custa do povo palestiniano, mas também ao preço de aprofundar o isolamento internacional do Estado dos judeus.

3. O centro-esquerda susteve a queda: O partido Trabalhista também deteve o seu declínio e passou de 21 para 24 mandatos à custa do Meretz, que ultrapassou por pouco o limiar eleitoral (entre 4 e 6 mandatos), e o Yesh Atid do entertainer Yair Lapid. No seu conjunto, o campo do centro-esquerda manteve a sua força em 27-28 mandatos.

4. O Yair Lapid regressou às suas naturais dimensões: O partido Yesh Atid de Yair Lapid, que foi uma surpresa nas eleições anteriores quando obteve, aparentemente saindo do nada, 19 mandatos, agora tem 11. Uma maioria dos seus votos vem da classe média alta de Tel Aviv, motivados pelo medo do povo pobre (incluindo os ultraortodoxos) e a ameaça ao caráter capitalista-liberal-ocidental do Estado de Israel. Se alguns dos eleitores de Yair Lapid voltaram aos Trabalhistas, uma maioria dos que deixaram de votar nele foram para o Likud, fortalecendo assim a afirmação de que o Yesh Atid é um partido de centro-direita e não de centro-esquerda.

5. Sucesso da Lista Conjunta: A Lista Conjunta [dos partidos árabes], com os seus 14 mandatos, tornou-se o terceiro maior partido em Israel e representa um salto de 11 mandatos anteriormente detidos pelos seus partidos componentes. Este aumento substancial acontece graças a uma redução do número de cidadãos palestinianos que escolheram não votar e que, pela primeira vez, puderam exprimir um desejo de unidade nacional e de identidade face aos partidos sionistas. Pode-se ter esperança de que esta unidade será preservada mesmo depois das eleições e que a voz árabe-palestiniana terá uma expressão apropriada no Knesset, e haverá assim uma luta reforçada no terreno pelos direitos nacionais e civis de mais de 20% dos cidadãos israelitas, que estão atualmente a ver atacados os seus direitos fundamentais.

Michel Warschawski (Mikado) é um ativista israelense antissionista. Dirigiu a Liga Comunista Marxista Revolucionária até esta desaparecer, nos anos 1990, e co-fundou o Centro de Informação Alternativa.

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