26 de março de 2015

A guerra no Iêmen: Como interpretá-la?

As'ad Abu Khalil

The Angry Arab News Service

Tradução / Já se pode dizer que será muito mais divertido assistir à segunda geração da Casa de Saud, enquanto procura o próprio caminho na política regional e internacional.

O rei Faysal acreditava que a estabilidade do regime e sua preservação exigiam que se recorresse ao máximo sigilo e a muita cautela na promoção dos interesses do regime saudita pelo mundo. Por isso, a família real aperfeiçoou a arte da dissimulação, sobretudo nas questões árabes-israelenses (apoiaram Sadat por trás das cortinas, ao mesmo tempo em que, em alguns momentos, financiavam também a coalizão anti-Sadat).

A nova guerra do Iêmen é também guerra dos EUA: é um presente que os EUA dão aos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que não gostam das políticas dos EUA no Egito, Síria e Iêmen. O regime saudita agora se aliou à opção israelense: estará mais alinhado com os interesses israelenses na região e será também mais agressivo e violento na busca dos interesses do regime.

Qatar e UAE foram os primeiros países a aberta e oficialmente participar na guerra total da Líbia, e a família real saudita não gostou de assistir o Primeiro-Ministro do Qatar comandando a Liga Árabe de 2010 a 2012. O regime saudita tomou as coisas em suas mãos e decidiu embarcar numa política alternativa no Egito.

Em todas as questões da política árabe, o regime saudita está alinhado ao lado de Israel. Que ninguém se engane quanto a isso: Israel é o membro secreto da coalizão de países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que está bombardeando o Iêmen.

Nos anos 1960, o regime saudita pôs fogo na guerra do Iêmen, para arrasar uma alternativa republicana e progressista ao regime reacionário insano (e naquela guerra Israel forneceu armas ao lado saudita). Na guerra de hoje, o CCG apoia um regime fantoche corrupto e reacionário criado por Arábia Saudita e EUA.

A Arábia Saudita jamais permitiu que o Iêmen tivesse alguma independência. A Arábia Saudita sempre viu nela mesma a legítima herdeira do poder imperial britânico na península.

Os huthis (com os quais nada tenho, absolutamente nada, em comum) são um bando de reacionários , mas que foram criados como resultado das próprias políticas sauditas e da guerra que o regime saudita moveu contra o Iêmen e seu então fantoche, ‘Ali’ Abdullah Salih.

O sul do Iêmen conheceu o único estado marxista que jamais houve no mundo árabe, e o experimento foi sabotado pela muito reacionária Casa de Saud.

Essa nova guerra tem um valor de entretenimento, com o regime saudita fazendo guerra, aberta e ativamente, contra outro país árabe. Quem não adorará ver, outra e outra vez, os huthis humilharem o exército saudita no campo de batalha (procurem em Youtube a derradeira batalha dos huthis contra os sauditas, com soldados sauditas correndo feito coelhos para salvar a própria vida). E quem não quer ver mais um rebento malcriado da família real saudita liderando seu exército para mais uma humilhação no campo de batalha?

Em toda a guerra no Iêmen, o regime saudita sempre patrocinou a opção que assegurasse máxima longevidade para a guerra e a destruição. A nova guerra não é exceção.

Jamais pensei que o fim do regime saudita seria acelerado pela segunda geração de príncipes sauditas. Jamais pensei que pudesse haver príncipe mais incompetente e mais corrupto que Khalid bin Sultan: pois parece que há.

Oh, EUA e Israel, vosso homem é Muhammad bin Sultan (visto no post original liderando a batalha de seu escritório). Aproveite-o.

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