31 de março de 2015

Plano para recuperar o poder de criação monetária

Islândia deixa bancos estupefatos

por Raúl Ilargi Meijer

The Automatic Earth

Tradução / Quem diria que a revolução começaria com aqueles islandeses radicais. Mas assim é. Frosti Sigurjonsson, um legislador do governante Partido do Progresso emitiu hoje um relatório que sugere retirar dos bancos comerciais o poder de criar moeda e passá-lo ao banco central e, em última análise, ao Parlamento.

Os bancos comerciais no mundo ocidental não ficarão muito felizes com isso. Eles devem estar a pensar em varrer esta nação-ilha do mapa. Se aceite no parlamento islandês, o plano mudaria o jogo de um modo muito radical. Ele teria êxito também, porque não há maior maldição para as nossas economias do que bancos comerciais a criarem moeda e a seguir titularizarem e liquidarem os empréstimos com o dinheiro que acabaram de criar (o crédito).

Toda a gente, com a possível excepção de Paul Krugman, entende porque isto é uma ideia saudável. A Agência France-Presse informa:

A Islândia que acabar com os ciclos de alta e baixa (boom and bust) com plano monetário radical 
O governo islandês está a considerar uma proposta monetária revolucionária – remover dos bancos comerciais o poder para criar moeda e passá-lo ao banco central. A proposta, a qual seria uma reviravolta na história da finança moderna, faz parte de um relatório escrito por um legislador do partido centrista governante Partido do Progresso, Frosti Sigurjonsson, intitulado "Um sistema monetário melhor para a Islândia" ("A better monetary system for Iceland").

"Os resultados serão uma importante contribuição para a discussão vindoura, aqui e alhures, sobre criação de moeda e política monetária", disse o primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson. O relatório, encomendado pelo primeiro-ministro, destina-se a por um ponto final a um sistema monetário em vigor que provocou uma grande quantidade de crises financeiras, incluindo a mais recente em 2008.

De acordo com um estudo de quatro banqueiros centrais, o país teve "mais de 20 exemplos de crises financeiras de diferentes tipos" desde 1875, com "seis graves episódios de crise financeira múltipla a verificarem-se a cada 15 anos em média". O Sr. Sigurjonsson afirmou que o problema levanta-se a cada vez devido ao inchaço de crédito durante um ciclo econômico forte. 
Ele argumentou que o banco central era incapaz de conter a expansão do crédito (credit boom), permitindo que a inflação ascenda e estimule a assunção de riscos exagerados e a especulação, a ameaça de colapso bancário e intervenções estatais custosas. Na Islândia, tal como em outras modernas economias de mercado, o banco central controla a criação de notas e moeda mas não a criação de toda a moeda, a qual ocorre sempre que um banco comercial oferece uma linha de crédito. O banco central pode apenas tentar influenciar a oferta de moeda com as suas ferramentas de política monetária.

De acordo com a proposta chamada Soberania Monetária, o banco central do país tornar-se-ia o único criador de moeda. "Crucialmente, o poder para criar moeda é mantido separado do poder para decidir como a nova moeda é utilizada", escreveu o Sr. Sigurjonsson na proposta. "Tal como com o Orçamento do Estado, o Parlamento debaterá a proposta do governo para a distribuição de nova moeda", escreveu.

Os bancos continuariam a gerir contas e pagamentos e serviriam como intermediários entre poupadores e prestamistas. O sr. Sigurjonsson, homem de negócios e economista, foi um dos planeadores por trás do programa de alívio da dívida familiar da Islândia lançado em Maio de 2014 e destinado a ajudar muitos islandeses cujas finanças foram estranguladas pelas hipotecas indexadas à inflação assinadas antes da crise financeira de 2008.

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