10 de abril de 2015

Ucrânia bloqueia milhares de sites e confisca jornal

Eric Zuesse


Tradução / Como informei ontem, o SBU [polícia política ucraniana] no dia 7 de abril capturou e desapareceu dois blogueiros de Odessa, os quais tentavam conseguir uma investigação independente e o processo judicial dos indivíduos que participaram no massacre de 2 de maio de 2014 de oponentes do regime – mais de 200 dos quais foram incinerados, alvejados e agredidos até à morte no Edifício dos Sindicatos de Odessa. Este foi o evento que precipitou a ruptura do Donbass do resto da antiga Ucrânia, a guerra civil no país.

E também informei que em 7 de abril verificou-se o anúncio oficial de que "O serviço de segurança da Ucrânia... descontinuou a operação de um certo número de sites que eram utilizados para perpetrar campanhas informativas de agressão por parte da Federação Russa tendo como objetivo a mudança violenta ou a derrubada da ordem constitucional, a integridade territorial e a inviolabilidade da Ucrânia".

A sequência daquela matéria é a notícia de 9 de abril, a qual foi dada no corajoso jornal independente de Kiev, o Vesti, de que "o SBU bloqueou mais de 10 mil sites" . Ali se diz que "aplicadores da lei (law enforcers) apreenderam os servidores" e que um responsável do SBU declarou ao jornal: "Tomamos a decisão do tribunal e confiscamos o equipamento". Ele prometeu devolver os servidores em dois meses".

Outra notícia no Vesti de 9 de abril relata as apreensões da edição daquele dia de jornais por rufiões da extrema-direita nas bancas de jornais de toda a cidade e a notícia mostra mesmo um vídeo dos bandidos do Right Sector a assaltarem e esvaziarem um furgão de entrega do Vesti que ia fazer a distribuição . A notícia também diz:

"Na quinta-feira, 9 de abril, foram atacadas máquinas de distribuição operadas com moedas que transportavam parte da tiragem da edição de Kiev do jornal Vesti. Os ataques verificaram-se em torno das estações do metro "Heróis do Dniepr" e "Vasylkivska". Em ambos os casos o cenário foi o mesmo: a máquina de distribuição foi bloqueada por dois carros que surgiram com homens não identificados usando símbolos do "Right Sector" e que ilegalmente apreenderam os jornais. No caso verificado junto à estação Vasylkivska, um condutor foi espancado e os aagressores ameaçaram queimar o seu carro".

Voltando a 5 de julho, o Vesti tinha a manchete: "Homens mascarados irromperam e dispararam dentro do Vesti: partiram janela e lançaram gás lacrimogêneo". Um vídeo acompanhava aquela reportagem. O vídeo mostrava um homem fora do escritório do jornal, a abrir a porta, sendo subitamente atacado por aproximadamente uma centena de homens que correram para ele de um esconderijo e espancaram-no.

A notícia que o acompanhava informa o que disse uma testemunha: 

"Primeiro ouvi vários tiros. A seguir pedras e cocktails Molotov foram atirados a janelas do primeiro e segundo andar. Depois disso, a sala encheu-se com gás lacrimogêneo, o qual rapidamente propagou-se através do escritório e ali ainda é muito difícil respirar. Um dos guardas que tentou conter os bandidos foi espancado".

O vídeo mostra tudo isto a partir do lado de fora do edifício.

Há fotos do escritório saqueado.

Aquela notícia, ligada a uma anterior de 27 de junho de 2014, informa que: "Subitamente, vieram quatro dúzias de estranhos mascarados, encabeçados pelo controverso vice-presidente da cidade de Kiev, Igor Lutsenko". Estes homens "começaram a gritar slogans anti-Putin e a seguir subiram para a plataforma improvisada" onde estava a apresentação do prêmio Dia da Constituição. "Finalmente, radicais tentaram lançar tijolos sobre os nossos editores, mas voluntários do Maidan impediram isso".

Foi noticiado que o responsável do Security Bureau of Ukraine (SBU), Valentyn Nalyvaychenko, o homem que encerrou 10 mil sites online no dia 7 de abril, uma semana antes, em 1 de abril, terá dito (tradução aqui):

"O SBU não precisa inventar nada de novo. É necessário apenas construir na base das tradições e abordagens que foram estabelecidas pelo Serviço de Segurança do OUN-UPA nos anos 1930-1950. Eles batalharam contra o agressor [a Rússia] durante a ocupação temporária do território [a Ucrânia, cujo período 'temporário' já era de 350 anos], tinham uma educação patriótica, contra-inteligência militar e confiavam na população pacífica ucraniana, utilizando seu apoio sem precedentes".

Este vídeo conta e mostra a história do "OUN-UPA nos anos 1930-1950" e documenta que esta executou a maior parte do programa de extermínio de Adolf Hitler na Ucrânia durante a II Guerra Mundial — incluindo 80% do massacre de judeus em Babi Yar, o qual foi recordado pelo poeta russo Yevtushenko. Para as pessoas que a administração Obama guindou ao poder na Ucrânia, isto foi um feito heroico. E ainda assim, judeus de extrema-direita fazem parte dele – irmãos ideológicos – de modo oculto e isto também tem o apoio de mais de 98% do Congresso dos EUA .

O chefe do SBU mentiu acerca da inclusão "temporária" da Ucrânia como parte da Rússia e também acerca de quão "pacífico" foi o domínio dos nazistas alemães sobre a Ucrânia durante os anos 1940-1944. Mas pelo menos ele foi honesto ao dizer que estava a retornar àquelas "tradições e abordagens".

A administração de Barack Obama dominou todo o processo e levou estas pessoas ao poder na Ucrânia. Ele tem quase 100% de apoio do Congresso para isso, tanto no Partido Republicano como no Democra, muito embora mais de dois terços dos americanos que têm uma opinião sobre o assunto se tenham oposto à sua política. O establishment da América quer que ele prossiga esta política mais agressivamente. E o noticiário dos meios de comunicação do Ocidente culpa Vladimir Putin da Rússia.

Aqui está um vídeo de tropas da Ucrânia a bombardearem a aldeia de Slavyansk, no Donbass, e a gracejarem dizendo que irão transformá-la num "crematório".

Como informei anteriormente, o fundador do Right Sector, Dmitriy Yarosh, foi o líder dos bandidos que perpetraram o massacre de 2 de maio e foi também quem executou o golpe de fevereiro de 2014 que levou estas pessoas ao poder na Ucrânia. A partir de 20 de abril próximo (nascimento de Hitler), seus homens estarão a receber treinamento militar e armamento das tropas dos EUA, pois Obama está a enviá-las para ajudá-las e a outros executantes do seu programa de extermínio dos residentes no Donbass – a região que rejeita o governo imposto pelo golpe. Assim, Yarosh ajuda Obama não só aterrorizando os poucos meios de comunicação independentes que restam na Ucrânia como também instalando ali o regime de Obama e agora, cada vez mais, travando ali a sua guerra. Yarosh já é a pessoa mais poderosa na Ucrânia e o seu poder está a crescer. É um homem a observar. Enquanto isso, Obama observa a "agressão de Putin" .

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