1 de maio de 2015

A corrida às armas high-tech

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / A parada militar nos Fóruns Imperiais com que em 2 de junho é celebrada a Festa da República que na sua Constituição repudia a guerra, esconde por trás da fachada retórica uma realidade cada vez mais dramática: a aceleração da corrida às armas high-tech, em que a Itália está engajada através da Otan.

Corrida guiada em todos os campos pelos Estados Unidos.

Há uma semana, o “Comando de ataque global” lançou desde a Califórnia um míssil intercontinental Minuteman III, atingindo com uma ogiva experimental um atol no Oceano Pacífico a oito mil quilômetros de distância. Com esses testes o Comando verifica a “confiabilidade” dos 450 Minuteman III, prontos para lançamento com suas ogivas nucleares. O Congresso alocou mais de 200 bilhões de dólares (parcela inicial de cerca de um trilhão em dez anos) para potenciar as forças nucleares, com 12 submarinos de ataque (sete bilhões cada um, estando o primeiro já em construção), cada um armado com 200 ogivas nucleares, e outros bombardeiros estratégicos (de 550 milhões a unidade), cada qual armado com 20 ogivas nucleares. O Exército está experimentando armas a laser com capacidade para abater aeronaves, apagar a visão e cegar os soldados inimigos; a Marinha já instalou um canhão a laser no navio Ponce, deixando claro que “deve ser usado em combate real”; a Aeronáutica anuncia que a partir de 2022 equipará com laser seus caças-bombardeiros.

Também se encontra em forte desenvolvimento o setor dos drones e robôs de guerra. Enquanto se modernizam os drones teleguiados (o Global Hawk ultrapassou as 150 mil horas de voo), experimentam-se aeronaves de ataque completamente robotizadas: o X-47B efetuou em voo o primeiro reabastecimento automático de combustível.

O caça F-35C para porta-aviões, anuncia o secretário da Marinha, “será provavelmente o último com piloto a bordo”.

Em 2016 será experimentado ainda um robô subaquático que, lançado por um submarino, identifica e segue automaticamente o navio inimigo.

Da guerra robotizada à guerra espacial, o passo é curto: em 20 de maio, partiu para a sua quarta missão secreta o X-37B, um mini-lançador robótico da Força Aérea estadunidense, já testado por quase quatro anos no espaço. O general Greaves, novo chefe do Comando espacial, declarou que os Estados Unidos “usarão todos os meios para manter a supremacia no espaço”.

Participam nessa corrida, nas pegadas dos Estados Unidos, os maiores países europeus da Otan: há dez dias, os ministros da Defesa da França, Alemanha e Itália assinaram o memorando de entendimento para o desenvolvimento de uma aeronave robótica para a guerra.

Israel participa na corrida com novos drones e armas nucleares, armas que pode continuar a desenvolver depois que a proposta árabe de convocar em 2016 uma conferência para criar no Oriente Médio uma zona livre de armas nucleares foi bloqueada na ONU pelos Estados Unidos, o Canadá e o Reino Unido.

A Rússia, a China e outros países, que estão no alvo estratégico dos Estados Unidos e da Otan, reagem em consequência. A Rússia está desenvolvendo o Sarmat, um novo míssil balístico intercontinental, cujas ogivas nucleares manobram ao retornar à atmosfera para evitar os mísseis interceptores do “escudo” estadunidense, e o submarino da categoria Borey, extremamente silencioso, armado de 200 ogivas nucleares.

Mísseis e submarinos análogos são construídos pela China que, segundo o comando dos Estados Unidos, está experimentando também armas espaciais anti-satélite para cegar os sistemas de ataque estadunidenses.

O blecaute midiático cala sobre tudo isto, enquanto os holofotes são apontados para as crianças que, na parada militar de 2 de junho festejam com guarda-sóis tricolores. Não a paz, como lhe disseram, mas a guerra que os espera.

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