4 de maio de 2015

A ofensiva da OTAN global

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / A aliança atlântica continua estendendo suas operações pelo mundo. Já está presente praticamente em todas as partes.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte já não possui fronteiras. Na Europa, depois de se estender sobre 7 países do antigo Pacto de Varsóvia, 3 repúblicas ex-soviéticas e 2 da ex-Iugoslávia – destruída mediante a guerra –, a OTAN está absorvendo a Ucrânia. As forças armadas do regime de Kiev, que participam há anos das operações da OTAN em diversas regiões – como os Bálcãs, Afeganistão, Iraque, o Mediterrâneo e o Oceano Índico –, se integram cada vez mais nas ações empreendidas por essa aliança militar sob as ordens dos Estados Unidos. Em 24 de abril de 2015 foi assinado um acordo que, de fato, insere a Ucrânia na rede de comando, controle e comunicação da OTAN.

Isso acontece no mesmo momento em que o parlamento de Kiev adota por unanimidade uma lei que elogia como "heroico" o passado nazista da Ucrânia e que, enquanto torna ilegal o Partido Comunista e classifica como ato "criminoso" toda referência ao comunismo, qualifica como "combatentes pela independência da Ucrânia" os nazistas que massacraram ali dezenas de milhares de judeus.

Na Lituânia e na Polônia, a OTAN implantou caça-bombardeiros que "patrulham" os céus das repúblicas bálticas, à beira do espaço russo. Depois de ter encabeçado a "missão" durante os 4 primeiros meses de 2015, a Itália se manterá implicada ali ao menos até agosto com 4 caça-bombardeiros Eurofighter Typhoon.

Na Ásia Central, «região estrategicamente importante», a OTAN está absorvendo a Georgia, que – já integrada a suas operações – «aspira converter-se em membro da aliança». Por outro lado, continua «aprofundando a cooperação» com o Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão para combater a União Econômica Euroasiática (que por sua vez abarca a Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e, desde maio, Quirguistão).

A aliança atlântica se mantém também «profundamente envolvida no Afeganistão», país que a geografia imperial inclui no «Atlântico norte», com grande importância geoestratégica ante a Rússia e a China, e onde prossegue a guerra da OTAN mediante o uso de forças especiais, de drones e de caça-bombardeiros – 52 incursões aéreas apenas no passado mês de março.

Na parte ocidental da Ásia, a OTAN continua a operação militar secreta contra a Síria e prepara outras – o Irã continua na mira – o que se demonstra com o deslocamento do LandCom, o comando que dirige todas as forças terrestres da aliança. E, ao mesmo tempo, a OTAN reforça sua associação – já posta à prova durante a «campanha da Líbia» – com 4 monarquias do Golfo (Bahrein, os Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar), assim como a cooperação com a Arábia Saudita, o reino que – como denuncia a Human Rights Watch– continua massacrando a população iemenita a partir do ar, com bombas de fragmentação proporcionadas pelos Estados Unidos.

No Extremo Oriente, a OTAN concluiu com o Japão um acordo estratégico que «amplia e aprofunda a longa associação», a qual se soma um acordo análogo com a Austrália, acordos que apontam contra a China e a Rússia.

Apontando para esses mesmos alvos, os principais países da OTAN (como a Itália) participam a cada 2 anos, no Oceano… Pacífico, do que o comando da frota dos Estados Unidos define como «a maior manobra naval do mundo».

Na África, depois de ter destruído o Estado líbio, a OTAN está tentando reforçar sua presença militar nos países membros da União Africana, a qual também proporciona «planificação e transporte aeronaval» no marco estratégico do AfriCom.

Na América Latina, a OTAN sustenta um «Acordo de Segurança» com a Colômbia, país já comprometido com vários programas militares da aliança – como a formação de forças especiais – e que pode converter-se rapidamente em um novo sócio.

E não será surpresa para ninguém se por esses dias, talvez não muito distante, a Itália enviar seus caça-bombardeiros para «patrulhar» os céus da Colômbia no marco de uma «missão» da OTAN contra a Venezuela.

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