18 de junho de 2015

A injustiça infligida a Julian Assange deve terminar

John Pilger


Tradução / Julian Assange, fundador e editor do WikiLeaks, está agora refugiado na embaixada equatoriana em Londres por três anos. A questão chave neste extraordinário encarceramento é justiça. Ele foi não foi acusado de qualquer crime. O primeiro promotor sueco afastou as alegações de má conduta para com duas mulheres em Estocolmo, em 2010. As ações do segundo promotor sueco foram e são comprovadamente políticas. Até recentemente, ela recusava-se a vir a Londres para entrevistar Assange – a seguir disse que estava para vir e depois cancelou o seu compromisso. É uma farsa, mas uma farsa com sinistras consequências para Assange caso ousasse por os pés fora da embaixada equatoriana.

A investigação criminal dos EUA contra ele e conta a WikiLeaks – pelo "crime" de exercer um direito consagrado na Constituição dos EUA, contar verdades desagradáveis – é "sem precedentes quanto à escala e à natureza", de acordo com documentos estadunidenses. Por causa disto, ele pode enfrentar grande parte da sua vida no buraco infernal de um presídio de máxima segurança dos EUA caso deixe a proteção do Equador em Londres. As alegações suecas não são mais do que um espetáculo secundário em tudo isto – as mensagens de SMS entre as mulheres envolvidas, lidas por juristas, só por si o ilibariam. Elas referem-se às acusações como "compostas" pela polícia. No relatório da polícia uma das mulheres diz que foi "atropelada"("railroaded") pela polícia sueca. O que é uma desgraça para o sistema judicial da Suécia. 

Julian Assange é um refugiado sob o direito internacional e o governo britânico deveria dar-lhe o direito de passagem para fora do Reino Unido, para o Equador. O absurdo acerca dele "escapar sob fiança" é simplesmente isso – um absurdo. Se o seu caso de extradição tramitasse nos tribunais britânicos de hoje, o Mandato Europeu de Prisão (European Arrest Warrant) seria jogado fora e ele seria um homem livre. Então o que tenta o governo britânico provar com o seu absurdo cordão policial em torno de uma embaixada cujo refugiado Assange não tem intenção de abandonar? Por que não o deixam ir? Por que um homem não acusado de qualquer crime tem de passar três anos numa sala, sem luz, no coração de Londres? O caso Assange amplia muitas verdades e uma delas é o crescente totalitarismo global de Washington, pouco importando quem seja eleito presidente. 

Muitas vezes perguntam-me se penso que Assange tenha sido "esquecido". Na minha experiência, incontáveis pessoas de todo o mundo, especialmente na Austrália, sua pátria, entendem perfeitamente bem a injustiça que está a ser cometida contra Julian Assange. Eles reconhecem a ele e à WikiLeaks ter desempenhado um serviço público grandioso ao informar milhões acerca do que os poderosos lhes planejam por trás das suas costas, as mentiras dos governos e seus interesses escusos, a violência que eles iniciam. Os poderosos e os corruptos abominam isto, porque é a verdadeira democracia em ação.

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