3 de junho de 2015

Documento confidencial: Plano de Soros para a Ucrânia

Eric Zuesse

Washington’s Blog

Tradução / Um documento hackeado do governo da Ucrânia, no qual George Soros, em 12 de março de 2015 (um mês depois de o acordo de cessar-fogo de Minsk-2 de Hollande-Merkel ter sido firmado) aconselhou o presidente da Ucrânia a rearmar-se e retomar a guerra contra a região do Donbass no extremo leste da Ucrânia. (Segundo matéria divulgada pela TV russa em 14 de abril de 2011, desde pelo menos 2008 Soros vinha financiando as carreiras políticas dos personagens que agora se tornaram governantes na Ucrânia).

O documento recém revelado (hackeado por "Cyber Berkut", fonte confiável) – assinado por "George Soros - Autodesignado advogado da Nova Ucrânia" - começa por reconhecer que os militares ucranianos foram derrotados duas vezes em suas tentativas para devolver aquela região ao controle da Ucrânia. Reconhece também que duas vezes, quando um cessar-fogo foi acertado, o acordo "reconheceu fatos em campo" em vez de exigir que as forças do Donbass retrocedessem de volta para as linhas que demarcavam o front inicial. (O resultado final é o que se vê aqui).

Em outras palavras: depois de reconhecer que as duas invasões tentadas contra o Donbass foram derrotadas, Soros apresenta nesse documento seu plano para uma terceira invasão, ainda por vir, depois que o Ocidente tiver restaurado a capacidade militar da Ucrânia e assumido mais firme controle sobre o país e os seus militares.

Esse “Draft Non-Paper/v14,” que presumivelmente foi a 14ª de uma série de instruções que estavam sendo passadas ao governo da Ucrânia - o governo que foi posto no poder pelo golpe orquestrado pelos EUA em Kiev, em fevereiro 2014 (Soros vangloriou-se em sua página de Internet, de ter contribuído para aquele golpe) - leva o título de “Estratégia ampla de curto e de médio prazo para a nova Ucrânia”. “Curto prazo” aparece definido como “Os próximos 3-5 meses”; e “Médio prazo”, como “Os próximos 3-5 anos” (o documento não trata de “Longo prazo”).

O documento começa por reconhecer que “duas vezes converte-se vitória militar em cessar-fogo que reconheceu os fatos em campo”, e o autor escreve sob o pressuposto central de que os combatentes que defendem o Donbass eram todos soldados russos, que não eram locais que viviam ali e defendiam as próprias famílias contra o ataque dos militares ucranianos. O documento assume que as pessoas que viviam naquela região e que estavam derrubando bombardeiros ucranianos que bombardeavam suas cidades; pessoas contra as quais forças do governo da Ucrânia estavam lançando foguetes (atacaram escolas e hospitais e prédios residenciais); não eram locais que viveram ali a vida toda: eram soldados russos invasores. Soros afirma em tom de seriedade absoluta, como se fosse verdade demonstrada, que foi o Presidente Vladimir Putin da Rússia em pessoa quem “duas vezes converteu uma vitória militar em um cessar-fogo que reconheceu os fatos em campo, sem se privar da vantagem de ter sido o primeiro a atacar”. Por “vantagem de ter sido o primeiro a atacar” Soros fala de Putin como se fosse comprovado invasor; assume que as forças ucranianas estariam meramente respondendo à invasão russa. Soros, nesse documento, parte do pressuposto que a população que realmente vive naquela região que antes foi parte da Ucrânia simplesmente não conta; que não é fator a considerar naquela guerra — que não estão lutando; é como se, para ele, nem existissem. (Existiam e existem. Aqui eles contam suas histórias, denunciam os assassinatos e as casas destruídas e explicam por que pegaram em armas contra as forças armadas ucranianas invasoras.)

Soros diz: "É do interesse coletivo dos aliados da Ucrânia fazer com que a nova Ucrânia não apenas sobreviva, mas que prospere: e, desde que entrem em acordo sobre um modo para garantir adequado suporte, sem envolver-se diretamente no conflito armado, devem conseguir impor-se contra a Rússia de Putin." Em outras palavras, Soros dizia: “Vocês mesmos têm de combater contra Putin”. “Aliados da Ucrânia” não aparecerão por lá. As forças do presidente da Ucrânia é que “devem conseguir impor-se contra a Rússia de Putin”. Os EUA enviarão exclusivamente armas e instrutores, para dar assistência no massacre e na vitória “contra a Rússia de Putin” (não diz que terão a missão de também ajudar no massacre da população que vive no Donbass, a qual absolutamente, para Soros, não existe).

Antes do golpe dos EUA na Ucrânia, o país vivia em paz, e a Crimeia era pacificamente parte da Ucrânia, como também o Donbass. (Era mais ou menos o que seria o Iraque sob governo de Saddam Hussein, até que George W. Bush invadiu aquele país, exceto que a Ucrânia era país democrático antes de Obama derrubar o governo eleito que lá havia e instalar lá um regime racista fascista anti-Rússia.) Mas agora, depois que os EUA derrubaram o governo democrático da Ucrânia e lá instalaram fantoche seu (basicamente, escolheram o “novo líder” em 4 de fevereiro de 2014, 18 dias antes do golpe), George Soros diz a eles que têm de ir a guerra pela terceira vez contra a Rússia (apesar de a Ucrânia jamais, na verdade, ter estado em guerra contra a Rússia); usando como palco para a guerra por procuração dos EUA contra a Rússia, o Donbass, bem na fronteira com a Rússia; e talvez também a Crimeia (a qual na verdade dificilmente será invadida pela Ucrânia, porque a Crimeia foi imediatamente salva por tropas russas, com o objetivo de impedir que o novo regime dos EUA em Kiev metesse a mão na principal base naval russa, a qual, desde 1783, sempre esteve localizada na Crimeia. Imediatamente depois do golpe, Putin percebeu que a base russa estava sendo ameaçada; e que a Ucrânia invadir a Crimeia equivaleria a entrar em guerra diretamente contra a Rússia, que é o que Soros parece querer.)

O documento de Soros entra então na 2ª seção, que leva o título de “II. A Estratégia”. Nessa seção lê-se claramente que o objetivo da guerra na Ucrânia é “mudança de regime” na Rússia. Diz Soros: "Embora seja mais desejável ter a Rússia como parceira, do que como inimiga, é impossível enquanto Putin insistir nas atuais políticas." Em outras palavras: a Rússia deveria ser “parceira”, mas para isso é preciso substituir Vladimir Putin por alguém que Washington aprove, assim como foi feito na Ucrânia, com o presidente Viktor Yanukovych, que Obama derrubou. (Yanukovych foi apenas um degrau onde apoiar o pé para continuar tentando derrubar Putin.) Assim como os EUA invadiram o Iraque para verem-se livres de Saddam Hussein, Soros agora quer que os ucranianos deem cabo de Vladimir Putin; para conseguir isso, é preciso armar pesadamente a Ucrânia. No documento, Soros dá instruções àquele governo que ele, vaidosamente, confessa que ajudou a levar ao poder. Mas ele fingiu que fazer isso iria beneficiar economicamente Ucrânia.

Soros declara que "[sua meta] é uma democracia funcional na Ucrânia que consiga reformar a economia, mesmo sob agressão russa - e tudo isso é necessário, porque esse é o meio para expor a narrativa de Putin como mentira que nenhuma massa de propaganda, por maior que seja, conseguirá ocultar. Mais e mais russos quererão seguir o exemplo da Ucrânia." Em outras palavras: Soros está dizendo que tantos russos invejarão a nova Ucrânia, que todos se levantarão para derrubar Putin. (Na verdade, no momento em que Soros escrevia isso a economia da Ucrânia estava em queda livre, sem luz visível ao final de qualquer túnel realista, mas só e total colapso econômico. Soros ignora completamente essa realidade, da qual com certeza tinha conhecimento).

Sob a categoria “O que a Ucrânia deve cumprir” no período “dos próximos três meses” (quer dizer: o prazo está-se esgotando por agora, hoje ou amanhã, enquanto escrevo) incluem-se as seguintes “tarefas”:"1. Restaurar a capacidade de luta da Ucrânia sem violar o Acordo de Minsk."...

"7. Apresentar planos convincentes à conferência de doadores e investidores no prazo de três meses, com dois meses de carência." (Como se houvesse nisso uma gota, que fosse, de realismo, agora que a Ucrânia, para sobreviver, tem de se afundar cada vez mais fundo e mais rapidamente em dívidas com o FMI, a UE e os EUA, e com planos prontos para a falência da Ucrânia).

Sob a categoria “O que os aliados devem fornecer” (no mesmo prazo de três meses, com dois de carência), lê-se: "1. Ajudar a restaurar a capacidade do exército ucraniano, sem violar o Acordo de Minsk."

O restante desse capítulo pede toneladas de dinheiro à União Europeia, para pagar fornecedores militares e mercadores de armas. E Soros destaca o seguinte: "Para isso é indispensável uma decisão política a ser tomada pela chanceler Merkel e o presidente Hollande, signatários do Acordo de Minsk, e muito capital político que será indispensável para superar as discordâncias e alcançar a unanimidade." Soros conta com Merkel e Hollande para financiar as armas para uma terceira invasão do Donbass pela Ucrânia, a qual realmente violará o Acordo de Minsk para o qual Merkel e Hollande tanto se empenharam (e sem a participação dos EUA). Soros dá por favas contadas que Merkel e Hollande seguirão a “orientação” dos EUA.

A seção seguinte, “O Estado da Obra”, começa assim: "1. O general Wesley Clark, o general polonês Skrzypczak e uns poucos especialistas sob os auspícios do Conselho Atlântico, aconselharão o presidente Poroshenko sobre como restaurar a capacidade de luta da Ucrânia sem violar o Acordo de Minsk." Em seguida, Soros discute o “National Reform Council (NRC) [Conselho Nacional de Reforma], recentemente formado em Kiev: "A Fundação Renascença Internacional, que é o ramo ucraniano das Fundações Soros, foi até agora a única fonte de apoio financeiro para o Conselho Nacional de Reforma e será um dos principais apoiadores do Gabinete de Gerenciamento de Projetos [PMO], encarregado de financiar o Conselho Nacional de Reforma e, de agora em diante, de implementar os vários projetos de reforma."

Então, Soros está dizendo ao Governo ucraniano que su fundação isenta da obrigação de pagar impostos, continuará a fornecer-lhes dinheiro. Mais que isso, diz ao governo da Ucrânia quem deve ocupar os três mais altos cargos do Gabinete de Gerenciamento de Projetos. E na sequência, Soros mais uma vez sublinha a seguinte passagem: "Há agudo contraste entre a realidade externa que se deteriora, e o progresso continuado de reformas internas."

Conclui a subseção sobre “Reformas Institucionais” observando que: "O processo já foi tornado mais lento e retardado pela insistência do Parlamento [Rada] recém eleito, que quer procedimentos predefinidos e total transparência." Soros reivindica menos “transparência” no processo rumo a “reformas internas” e “reformas institucionais”. Recomenda “reformas” que caminhem na direção de menos “transparência”, não de mais. O termo “reformas” é sempre pensado na trilha que leva para cada vez mais longe de qualquer “transparência”.

Então, ele discute o papel do "A União Europeia", e abre com: "1. Dado que estados membros não têm recursos financeiros adequados, foi preciso encontrar um meio de usar a própria avaliação AAA de crédito da própria União Europeia. O meio encontrado é um instrumento bem conhecido, o instrumento conhecido como Macro-Financial Assistance (MFA) [Assistência Macrofinanceira]. A MFA tem um traço diferente e específico: só 9% dos fundos alocados saem do orçamento da União Europeia; a União Europeia toma o restante como empréstimo do mercado, usando o próprio crédito avaliado como AAA. Isto o torna muito popular."

Em outras palavras, assim como Wall Street fez com os seguros garantidos por hipotecas, quando George W. Bush era presidente dos EUA, os investidores que confiem na avaliação AAA de crédito só saberão das respectivas perdas em papeis ucranianos quando já for tarde demais para qualquer providência. O dinheiro deles já terá sido gasto, principalmente para comprar armas.

O programa de Soros para a Ucrânia encerra-se com um item intitulado “Cenário vencedor”, que será baseado em um compromisso que a União Europeia assumirá “custe o que custar” para financiar o governo da Ucrânia até sua última vitória (cujo limite máximo é “não se envolver em confronto militar direto com a Rússia, nem violar o acordo de Minsk”). Em outras palavras: a União Europeia, os contribuintes europeus e os investidores em todo o mundo que confiem em avaliações AAA de crédito pagarão pela vitória da Ucrânia.

Esse “Cenário vencedor” começa com: "1. Putin muito provavelmente ficará impressionado por declaração do tipo 'custe o que custar'." E termina com: "4. Ao mesmo tempo, os aliados oferecerão medidas que garantirão [à Rússia] alguma saída honrosa em troca de desistir da anexação ilegal da Crimeia e de partes do leste da Ucrânia.

5. Dado que a re-escalada militar pode levar a resistência militar na Ucrânia e a forte oposição doméstica na Rússia, Putin muito provavelmente aceitará as medidas [de alguma saída honrosa]. As mesas estarão viradas, e a Ucrânia tornar-se-á destino atraente para investimentos. (Soros parece crer que tudo isso acontecerá em virtude de a Ucrânia passar a receber avaliação AAA de crédito)."

Este é o fim do documento de Soros. Ele não diz nada — nem uma palavra — sobre o que ele referiu como “Médio prazo: os próximos 3-5 anos”. Nem uma palavra sobre o período de dois anos e meio entre aquilo e o que lá se chama de “Curto prazo: os próximos 3-5 meses”. É plano apenas para 3-5 meses. Se é para ser o plano de negócios para o atual governo da Ucrânia, cobre apenas os próximos 3-5 meses: o curto prazo. Implica que esse prazo está acabando. Se investidores tiverem de engolir os papéis podres ucranianos, e as “reformas institucionais” são menos transparentes do que deseja o parlamento ucraniano, os investidores que engulam as perdas. Devem ser os “Papai Warbucks” da situação.

Porque Soros, como seu funcionário Barack Obama, insistem que a Crimeia russa jamais será reconhecida, mesmo a Crimeia tendo sido parte da Rússia de 1783 a 1954 e apesar dos habiantes da Crimeia sempre terem se oposto a os soviéticos passarem sua região para a Ucrânia em 1954. O ponto n. 4 de Soros (acima), quando fala de “desistir da anexação ilegal da Crimeia e de partes do leste da Ucrânia”, afirma, de fato, que os EUA continuarão a insistir na manutenção das sanções de Obama contra a Rússia, como condição essencialmente permanente. Soros está dizendo que uma das razões pelas quais a Ucrânia está recebendo armamento de guerra dos EUA é para que possa vir a invadir a Crimeia para retomá-la. Nunca acontecerá. Mas só a ameaça de que talvez algum dia acontecesse já é importante para Soros.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, sentiu-se assim livre para dizer, em 30 de abril de 2015, que “A guerra terminará quando a Ucrânia retomar o Donbass e a Crimeia”, e repetiu a promessa em 11 de maio de 2015 (na segunda vez sem “a Crimeia”. Disse então que “Não tenho dúvidas, vamos libertar o Aeroporto [de Donetsk], porque é terra nossa”. Nisso, seguia estritamente instruções de George Soros. Mas em 12 de maio de 2015, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, advertiu Poroshenko publicamente, para que não voltasse a repetir aquela ameaça. Mas três dias depois a subalterna Victoria Nuland desmentiu publicamente Kerry, chefe dela, e, sim, repetiu a ameaça. Kerry nada disse; aparentemente o presidente Obama acompanha as opiniões de Nuland e Soros sobre esse assunto. Tudo faz crer que o plano de jogo exija sanções econômicas permanentes contra a Rússia, até que Putin caia ou até que, de algum modo, seja substituído por alguém que Washington (ou Soros) aceite – o que jamais acontecerá, nunca, ou, pelo menos, não acontecerá a menos que a Rússia volte a ser satélite dos EUA como foi nos idos de Gorbachev-Yeltsin.

Os acordos de Minsk-2 não dizem nada sobre a Crimeia, só sobre Donetsk e Lugansk, as duas metades do Donbass; assim sendo, a promessa de Poroshenko, se for cumprida contra a Crimeia, lhe custará o apoio de Hollande e Merkel e, provavelmente, de toda a União Europeia; o que deixaria a Ucrânia com um único patrão, os EUA, que então decidiriam se haverá ou não guerra direta contra a Rússia. A OTAN pode não ser parte dessa guerra, porque a Carta da OTAN exige aprovação unânime de todas as nações membros para ações de guerra. Assim sendo, a Ucrânia jamais fará o que Poroshenko ameaçou fazer. A Ucrânia não invadirá a Crimeia. O verdadeiro objetivo dos EUA é manter e intensificar as sanções contra a Rússia. Se a Ucrânia invadir a Crimeia, a União Europeia retirará as sanções. Assim sendo, Obama-Soros de fato não querem que Poroshenko siga adiante com aquela ameaça. Nuland contradisse Kerry provavelmente porque Obama zangou-se por Kerry ter-se metido a fazer política. A fala da Nuland serviu para “avisar” Kerry que quem faz política é Obama e só Obama. Obama usou Nuland como instrumento para punir Kerry por ter invadido o assunto exclusivo do presidente.

Em 2 de junho de 2015, George Soros, acumulava fortuna, líquida, de US$ 24,2 bilhões, segundo a revista Forbes. É nome citado às vezes o equivalente, no Partido Democrata, a o que são Charles & David Koch no Partido Republicano, mas há diferenças nas vias pelas quais os respectivos bilionários encaminham seu dinheiro dentro das campanhas eleitorais. E, onde os irmãos Kochs consomem a maior parte do próprio capital político para levar a população norte-americana a não acreditar em 97% do que dizem os especialistas em climatologia sobre aquecimento global, Soros empenha grande parte de seu dinheiro político para promover Democratas pró-corporações de todos os tipos. Onde os irmãos Kochs querem jogar sobre as costas dos cidadãos os custos da poluição, etc., Soros quer descarregar sobre os cidadãos e os cofres públicos todos os custos da corrupção governamental per se. Mas nos dois casos, quem mais se beneficia são os bilionários; todos os custos desabam sobre os cidadãos e os cofres públicos. Pode-se dizer portanto que esses três bilionários são, de fato, muito semelhantes, irmãos xifópagos, pode-se dizer.

São raros os bilionários que se apresentem em campo diferente desses três: praticamente todos querem que a sociedade engula as perdas geradas pelos negócios dos bilionários. Among the few exceptions, who game neither the environment nor finance, are Tom Steyer, who has around a billion dollars, and Jeremy Grantham, who isn't even included in any list of billionaires but who has perhaps had a bigger impact than anyone else to fund scientists who research global warming. None of the major billionaires opposes in any concerted way exploitation both of the environment and of the government — it's one or the other, but most of them favor any type of exploitation. Perhaps that's essential in order for them to be (or stay) among the world's hundred or thousand wealthiest people. In other words: to be both anti-corruption and anti-pollution is to be not among the world's wealthiest people, not a “serious player” on the world-stage. A regra geral parece indicar que se opor à corrupção e à poluição do meio ambiente não ajuda ninguém a entrar para a lista dos mais ricos do mundo; e mesmo que haja bilionários desse tipo, não são considerados “atores sérios” no palco mundial.

Seja como for, esse documento de Soros (e o contexto em que surge) ajuda a explicar como realmente funciona o poder internacional, e como populações inteiras (como a população ucraniana) é usada como bucha de canhão ou no ponto de emissão ou no ponto de recepção dos canhonaços. Esse é simplesmente o modo como se fazem negócios entre esses grandes bilionários sediados nos EUA, que sempre fazem as perdas recaírem sobre populações distantes. Assim funciona o “livre mercado”: sempre armado e com muito dinheiro. É a via para maximizar a liberdade dos extremamente ricos, contra a vida, a segurança, o bem-estar do resto das pessoas que vivem no mundo. Os muito ricos sabem disso e vivem de fazer isso. Esse documento confidencial redigido por George Soros que acaba de vazar é bom exemplo disso, ao vivo, na prática.

Poroshenko tem sua tarefa designada: cabe a ele arrancar sangue e dinheiro da população e transferir os lucros para oligarcas como Soros, o próprio Poroshenko e outros membros da coalizão anti-Rússia. É como uma competição: as aristocracias ocidentais versus as aristocracias russas. A resposta da Rússia foi unir forças com a aristocracia chinesa e outras aristocracias nos países BRICS.

Como Obama disse aos formandos da Academia Militar de West Point, em 28 de junho de 2014: “A agressão russa contra antigos estados soviéticos enerva muitos europeus, e o crescimento econômico e militar da China enerva seus vizinhos. Do Brasil à Índia, classes médias em ascensão competem conosco, e governos buscam ter voz mais ativa em fóruns globais.” Obama ali contava a futuros líderes militares norte-americanos que os EUA são “a única nação indispensável” (o que é o mesmo que dizer que todas as demais são “dispensáveis”) e que os militares norte-americanos estão em serviço para impedir que aristocracias estrangeiras consigam “ter voz mais ativa em fóruns globais”. Só a “única nação indispensável” tem a aristocracia indispensável. E os egressos de West Point trabalham para essa gente. Embora sejam pagos com dinheiro do povo norte-americano, só trabalham para os aristocratas norte-americanos. São pistoleiros de aluguel pagos pelos mais pobres, para obedecer aos mais ricos. Esta é a “democracia” na “única nação indispensável”.

Soros, e Poroshenko, sabem tudo sobre isso.

It’s the way things work. As one of the great investigative journalists noted: “We’ve known for centuries that powerful people — unless held to account — will get together and steal from everyone else.” If the only ideological polarity that effectively exists is between “liberals” such as Soros and conservatives such as Koch, nothing opposes tyranny. All “democracy” is then merely a sham.

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