8 de maio de 2015

O papel da URSS na Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Neste 8 de maio, a nossa camarada, a historiadora Annie Lacroix-Riz, retoma para Initiative Communiste a questão do papel da URSS na Segunda Guerra Mundial.

Annie Lacroix-Riz

Initiative Communiste

Créditos: Max Alpert/ RIA Novosti.

Tradução / Dois anos depois da sua vitória sobre a Wehrmacht e o nazismo, com a "Guerra fria" oficialmente instalada, o Exército Vermelho, amado por todos os povos europeus a partir de junho de 1941, enfrentou uma ameaça[1] do "Ocidente". Hoje, a historiografia francesa, com a sua mutação pró-americana de trinta anos terminada, arrasta a URSS pelas ruas da amargura, tanto no que se refere ao pacto de não-agressão germano-soviético como, a partir de agora, à "Grande guerra patriótica. Os nossos manuais, assimilando o nazismo e o comunismo, vão mais longe do que os historiadores da Europa oriental reciclados no Ocidente. A grande mídia, que incensam "os historiadores do consenso"[2] com um "espírito despido de qualquer sectarismo"[3] transformaram o desembarque "americano" (anglo-americano e Commonwealth incluídos) de 6 de junho de 1944 num acontecimento militar decisivo. Um martelar eficaz. As sondagens do IFOP sobre a contribuição respetiva da URSS e dos Estados Unidos para a condução militar da Segunda Guerra mundial ou "a vitória sobre os nazistas" estão, entre maio de 1945 e maio de 2015 exatamente invertidos: 57% para a URSS na primeira data (20% para os Estados Unidos); 54% para os Estados Unidos hoje, e até 59% entre os de menos de 35 anos[4], vítimas prioritárias da ruptura do ensino da disciplina de história.

Esta inversão política consagra o duplo triunfo, em França, da hegemonia americana e de uma russofobia obcecada desde 1917, limitada durante vários decênios pela existência de um partido comunista forte e presente no terreno da história, mas consideravelmente acentuado pela queda da URSS. Esta inversão não tem qualquer relação com o quadro que desenham as fontes originais quanto ao papel desempenhado pela URSS na Segunda Guerra mundial.

Sabotagem do pacto germano-soviético pela aliança franco-anglo-polaca

O que fez a URSS quando a Blitzgrieg esmagou a Europa (Setembro 1939 – maio de 1941) suscitou durante décadas numerosos trabalhos científicos, anglófonos sobretudo[5]. Esses trabalhos retomam em geral a tese solidamente estabelecida entre a guerra e os anos de 1960, pelos prestigiados Lewis B. Namier, A.J.P. Taylor (historiadores) e o jornalista Alexander Werth[6], pai de Nicolas, que simbolizou tanto a russofilia de guerra e de pós-guerra quanto o seu filho incarna a russofobia contemporânea.

A tese em questão é simples e factual. A liderança franco-inglesa, apoiada pelos Estados Unidos[7], na sua política de capitulação perante as potências fascistas, batizada "Apaziguamento", arruinou o projeto soviético, claramente enunciado desde 1933-1934, de "segurança coletiva" dos países europeus, do leste e do ocidente, igualmente ameaçados pela política de expansão do Reich alemão. Matando no ovo os pactos franco-soviético e checo-soviético (2 e 16 de maio de 1935), a rejeição ocidental obstinada da «aliança inversa», cuja eficácia tinha sido demonstrada na I Guerra mundial, terminou, contra a URSS, nos acordos de Munique, pelos quais, na noite de 29 para 30 de Setembro de 1938, Paris, Londres, Berlim e Roma retalharam a Checoslováquia (pela entrega dos Sudetos à Alemanha a partir de 1 de outubro de 1938). Depois do ataque final, nos dias 14-15 de março de 1939 (satelização da Eslováquia e anexação da Boêmia-Morávia), levada a cabo pela Wehrmacht contra o que sobrou da amputação do ex-principal aliado oficial da França, a URSS, isolada, foi confrontada com a sua estrita autodefesa, apesar da historieta de um "volte de face" franco-inglês de política externa, com uma orientação que deixava ao Reich "as mãos livres a leste": esta expressão familiar a todos os "Apaziguadores", franceses, ingleses e outros (entre os quais o ministro da Guerra e depois presidente do Conselho radical Édouard Daladier) foi correntemente utilizada nas negociações de 1938-1939 entre os ministros das relações exteriores francês e alemão, Georges Bonnet e Ribbentrop. A URSS resignou-se a assinar o pacto germano-soviético de 23 de agosto de 1939, que a poupava provisoriamente[8].

Assim acabava a missão franco-britânica enviada a Moscou de 11 a 24 de agosto de 1939 para acalmar as opiniões que reclamavam, desde 15 de março, a frente comum com a URSS que esta propunha. Moscou, iniciadora das negociações tripartidas desde o golpe que acabou com a Checoslováquia, exigia a reconstituição da aliança defensiva automática e recíproca de 1914. O acordo militar deveria associar a Polônia e a Romênia, feudos do «cordão sanitário» antibolchevique de 1919, cujas fronteiras Paris e Londres tinham «garantido» unilateralmente, em abril-março de 1939 (sem a mínima intenção de as defender, nem através de envios logísticos nem de tropas), e os Países Bálticos, vitais para a defesa «da Rússia da Europa» (Augustin-Antoine Palasse, adido militar francês)[9].

Depois de meses de tergiversações insultuosas para os russos e mortais para as fronteiras dos países da Europa, Londres e Paris delegaram junto dos chefes militares soviéticos o almirante britânico Reginald Drax e o general francês Joseph Doumenc. Estes dois oficiais obscuros, «procuradores» que partiram de "mãos vazias" (Doumenc) num navio mercante muito lento (cinco dias de viagem), receberam por missão levar apenas aos Sovietes o chapéu da «farsa de Moscou»: o objetivo era, vangloriava-se Londres, no momento em que o Reich agrupasse as suas tropas nas fronteiras da Polônia para o assalto iminente, «deixar a Alemanha sob a ameaça de um pacto militar anglo-franco-soviético e ganhar assim o outono ou o inverno retardando a guerra». Quando o Comissário da Guerra e o comandante em chefe do Exército vermelho Clement Vorochilov, «preciso, direto», propôs a estes dois emissários impotentes, em 12 de agosto, "'o exame concreto' dos planos de operações contra o bloco dos Estados agressores" e lhes apresentou os seus poderes plenipotenciários, eles afirmaram não estar habilitados para assinar um acordo militar.

Paris e Londres estavam resolvidos a não fornecer qualquer ajuda econômica ou militar aos seus «aliados» de Leste. Tinham delegado a tarefa na URSS, tornando-a estritamente impossível: Varsóvia (sobretudo) e Bucareste (que, desde os anos 1920, tinham concluído acordos político-militares mútuos exclusivamente voltados contra a URSS) tinham sempre recusado o direito de passagem (com os seus tutores ocidentais) ao Exército Vermelho. Ora, esta cláusula constituía a condição geográfica sine qua non da sua intervenção, uma vez que a URSS não tinha fronteira comum com a Alemanha do tratado de Versalhes. Tendo dado «garantias», sem consultar a Polônia (que não queria a sua «garantia»), a França e o Reino Unido fingiram-se manietados pelo veto, que encorajavam à vista de toda a gente, soviéticos incluídos, a camarilha germanófila que reinava em Varsóvia. Digno émulo do seu «aliado» alemão em matéria de antissemitismo, o chefe do «regime dos coronéis polacos», o coronel Jozef Beck, um simples telegrafista de Hitler e Ribbentrop a quem servia, entre outras coisas, de delegado e de informador sobre a Sociedade das Nações, oficialmente abandonada pelo Reich em outubro de 1933, tinha sido a «hiena» ou o «abutre» (termo utilizado por todas as chancelarias estrangeiras, entre as quais l’Auswärtiges Amt, Ministério das Relçaões Exteriores), cúmplice do desmembramento alemão da Checoslováquia de 1938.

A sua incansável vingança contra Praga – a mesma que a do seu chefe e antecessor Pilsudski – tinha valido à Polônia a migalha, fugaz, da concessão do território silésio de Teschen arrancado à Checoslováquia depois de Munique: a recompensa da sua colaboração durou menos de um ano, até à invasão alemã. Com a Wehrmacht à porta, Beck invocava, lírico, «o testamento» de Pilsudski: «Com os alemães arriscamo-nos a perder a nossa liberdade, com os russos, perderemos a nossa alma»[10].

O dossiê tinha outras motivações, menos espirituais. A Polônia tinha apanhado aos soviéticos, em 1920-1921, com a ajuda militar francesa (Maxime Weygand, ajudado designadamente por De Gaulle) a Galícia oriental do antigo império russo, povoada por ucranianos e por bielorrussos (atual Ucrânia ocidental). Cega, desde 1933 mais do que nunca, aos apetites territoriais alemães, perseguindo alegremente as populações, maioritárias, não polacas, a Polônia temia que o Exército Vermelho não tomasse depressa o controle destes territórios situados 150 Km a leste da «linha Curzon»: este limite étnico entre a Polônia e a Rússia tinha sido fixado em dezembro de 1919 pelo Foreign Office, certo de retirar o poder aos bolcheviques e disposto a entregar esta zona aos «Brancos», que por sua vez estavam dispostos a ceder as riquezas do Cáucaso (Baku e Grozny) à Royal Dutch Shell de Sir Henry Deterding: esse arauto do anticomunismo petroleiro, provedor de fundos de todos os complôs «tchechenos» do período entre as duas guerras até à sua morte (4 de fevereiro de 1939) e grande fornecedor de petróleo ao III Reich, apreciava tanto este regime e os seus chefes que passou a residir em Berlim depois da sua aposentação oficial, em 1936.

Varsóvia tinha assinado com Berlim, em 26 de janeiro de 1934, uma «declaração de não-agressão e de amizade», alegado «tratado germano-polaco», assinado por dez anos. Redigido pelo Auswärtiges Amt [Ministério das relações Exteriores (NT)], esse papel imundo interditava-lhe formalmente, entre outras obrigações, qualquer acordo com a URSS e com os seus vizinhos eslavos: a Polônia aplicou escrupulosamente pelo seu lado todas as cláusulas, principalmente russófobas e antissemitas, de um texto que se inseria no dispositivo geral que preparava, à vista dos seus «aliados» ocidentais, a sua liquidação territorial. A Romênia receava perder a Bessarábia que não tinha tomado aos russos em 1918 e só tinha conservado (oficialmente em 1924) graças ao apoio da França, chefe de fila oficial, com Londres, do antibolchevismo mundial. Temos, contudo, de admitir que tinha ainda mais receio do Reich do que a camarilha dos coronéis e dos grandes aristocratas polacos, historicamente ligados à tutela austríaca e prussiana. A URSS também não obteve dos Apaziguadores francês e inglês a «garantia» das fronteiras dos Países bálticos, cuja «independência» tudo devia, depois de 1919-1920, ao estabelecimento do «cordão sanitário». Paris e Londres zombavam alegremente destas exigências, desde março-abril de 1939: juntamente com os embaixadores americanos, acusavam Moscou de não se preocupar senão em «bolchevizar» estes satélites de fato (e de longa data) do Reich[11].

A URSS era cortejada desde março e, sobretudo, desde maio de 1939 por Berlim que preferia logicamente uma guerra com uma única frente, porque a de duas frentes lhe tinha valido a derrota anterior. A Alemanha prometeu-lhe, pouco antes de se fundir com a PolÔnia, respeitar a sua «esfera de influência na Galícia oriental, no Mar Báltico e na Bessarábia [região situada entre a Moldávia e a Ucrânia (NT)]. Moscou cedeu às suas pressões insistentes no último momento, (Geoffrey Roberts mostrou-o desde os seus primeiros trabalhos) e não com os fantasmas imaginários da «revolução mundial», mito da «Drang nach Westen » (marcha para o oeste) forjada para fazer esquecer a única marcha que se realizou, a alemã, para o leste[12]. Londres e Paris continuavam a acariciar Berlim[13], a União Soviética recusava «ficar implicada sozinha num conflito com a Alemanha»: era a sua única preocupação, como o demonstra, em maio de 1939, Lord Halifax, secretário do Foreign Office [Ministério das Relações Exteriores do Reino-Unido (NT)] e um paladino do Apaziguamento britânico[14]. Em 23 de agosto de 1939, na assinatura do pacto de não-agressão germano-soviético, o «ocidente» fingiu estupefação, como Curchill, diante da «sinistra notícia que estourou no mundo como uma bomba»[15]: foi assim que este chefe da coligação antissoviética desde 1918, que não tinha abdicado do "Apaziguamento" senão recentemente, denunciou o volte-face, a traição, a grande mentira do antifascismo do novo «aliado» de Berlim.

A indignação, fingida, denunciava a mentira. Diplomatas e adidos militares franceses e ingleses colocados em Moscou representavam o papel de Cassandras depois da chegada dos hitlerianos ao poder, no início de 1933. Na falta de uma Triple Entente e, portanto, de uma aliança inversa defensiva e formal, repetiriam eles depois regularmente, a URSS seria obrigada a entender-se momentaneamente com Berlim: era para ela a única forma de ganhar o «fôlego» (Roberts) indispensável para a preparação da guerra, o menos imperfeita possível, da sua economia e do seu exército, face a um adversário alemão nesta altura ainda muito superior. Muitas vezes antibolcheviques mas factuais, estes informadores pertinentes reiteraram os seus alertas até ao último dia[16], e anunciaram de seguida que o pacto não mudava em nada a questão. Em 29 de agosto de 1939, o tenente-coronel Charles-Antoine Luguet, adido para a força aérea em Moscou e futuro herói gaullista da esquadrilha Normandia-Niémen, atestou (tal como Doumenc) a boa-fé de Vorochilov e apresentou Stalin como "glorioso sucessor [...] de Alexandre Nevski e de Pedro I": "o tratado publicado é", escreveu ele, "completado por uma convenção secreta que define, à distância das fronteiras soviéticas, uma linha que as tropas alemãs não deverão passar e que seria considerada pela URSS em qualquer circunstância como sua posição de defesa." [17] Um «protocolo secreto» incluiu de fato a Polônia oriental e os Estados bálticos na «esfera de influência» da URSS[18], com o objetivo imediato de melhorar as condições e a duração da sua mobilização, e de ocupar um território que seria, durante os últimos preparativos do assalto alemão, subtraído à Wehrmacht.

Franceses e ingleses não deixariam de observar, já depois, que o Exército Vermelho não entrou na Polônia (em 17 de setembro de 1939) senão depois da derrota oficial  daquela, e, de seguida, na Bessarábia e nos Países bálticos, em junho de 1940, depois do desmoronamento da França[19].

A URSS em paz na guerra

A Alemanha abriu o conflito geral em 1 de setembro de 1939 na falta da Entente que, em setembro de 1914, salvou a França da invasão total. Michael Carley acusa o "Apaziguamento" de ter nascido do "medo da vitória contra o fascismo" dos privilegiados ingleses e franceses, com medo de que o papel dirigente prometido à URSS numa guerra contra a Alemanha pudesse estender o seu sistema a todos os beligerantes: ele considera, pois, «o anticomunismo» decisivo para cada fase-chave desde 1934-1935, como «uma causa importante da II Guerra mundial»[20].

Em 17 de setembro, a URSS, preocupada pelo avanço alemão na Polônia, que tinha sido vencida em menos de 24 horas – para a França seriam menos de 48 – proclamou a sua «neutralidade» no conflito e ocupou a Galícia oriental. Exigiu a Berlim, em setembro-outubro, garantias dos Países bálticos: esta «ocupação “dissimulada” [foi] acolhida com resignação» pela Inglaterra. Esta tinha secundado o Reich no seu plano de assalto marítimo contra a URSS, ao assinar com ele «o tratado naval» de 18 de junho de 1935: autorizando a construção de uma marinha de guerra alemã igual a 35% da britânica, este acordo bilateral tinha deixado à Alemanha «as mãos livres» no Báltico (Finkel e Leibovitz). Mas Londres passou a inquietar-se tanto com a expansão alemã quanto com o «empurrão russo na Europa»[21].

Depois de ter requerido à Finlândia, aliada de longa data da Berlim, que ameaçava a segurança de Leninegrado, uma retificação da fronteira (em troca de uma substancial compensação territorial) que lhe foi recusada, a URSS entrou, no fim de novembro de 1939, na «guerra de inverno». Os tambores da propaganda começaram a rufar: a França soluçava tanto quanto o Vaticano e o resto do mundo (capitalista) sobre a pobre vítima e exaltava a sua valentia contra um Exército Vermelho incompetente. Weygand e Daladier, seguidos de Reynaud, planificaram o «sonho», depois o «delírio», de uma guerra contra a URSS no Grande Norte, depois no Cáucaso[22], ao mesmo tempo que continuavam a sabotar, como os chefes do exército, a «frente do nordeste»: designação pomposa da fronteira francesa com a Alemanha, onde, precisamente, não havia nenhuma «frente». A Inglaterra ergueu altares à ideologia anticomunista, tão útil em todas as circunstâncias, mas aplaudiu o compromisso fino-soviético de 12 de março de 1940. Depois, felicitou-se com a nova avançada do Exército Vermelho que se seguiu e enviou para Moscou, como delegado, Stafford Crips, único filosoviético de um establishment britânico de um antissovietismo pelo menos tão delirante como o das elites francesas[23].

Em crise aberta desde junho de 1940, as relações dos ditos "Aliados" alemães e soviéticos roçaram a ruptura em novembro, como confirmam todas as capitais "ocidentais". "Entre 1939 e 1941" a URSS tinha desenvolvido consideravelmente os seus armamentos terrestres e aéreos e dotado o Exército Vermelho "de 100 a 300 divisões" ("de 2 a 5 milhões de homens"), aglomerados "ao longo ou perto das suas fronteiras ocidentais."[24].

A vitória militar de um país enfraquecido

Em 22 de junho de 1941, o Reich lançou o ataque que andava a anunciar desde setembro de 1940, o agrupamento das suas tropas na Romênia «satélite», conhecido de todas as capitais estrangeiras – e da URSS, Stálin incluído: a última obra de Roberts arruma completamente a lenda de um Stálin siderado e paralisado pelo assalto do seu caro Hitler. Nicolas Werth postula que «a derrocada militar de 1941» à qual se teria seguido (em 1942-1943) «um [misterioso] sobressalto do regime e da sociedade»[25], mas, em Vichy, o general Paul Doyan, chefe da delegação francesa à Comissão alemã do armistício, anunciou, em 16 de julho de 1941, a morte da Blitzkrieg e, portanto, a derrota alemã muito provável se a incrível resistência soviética durasse, o que tudo levava a crer: «Se o III Reich alcança na Rússia alguns sucessos estratégicos, o rumo tomado pelas operações também não corresponde à ideia que os seus dirigentes tinham elaborado. Estes não tinham previsto uma resistência tão feroz do soldado russo, um fanatismo tão apaixonado da população, uma guerrilha tão esgotante na retaguarda, perdas tão sérias, um vazio tão completo à frente do invasor, dificuldades tão consideráveis de abastecimento e de comunicações [...]. Sem se preocupar com a alimentação do dia seguinte, a Rússia incendeia com lança-chamas as suas colheitas, faz explodir as suas aldeias, destrói o seu material circulante, sabota as suas explorações»[26]. O Vaticano, a maior rede de informações mundial, manifestou o seu alarme, no início de setembro, perante o embaixador de França, em relação às dificuldades «dos alemães» e a uma saída em que «Stálin seria chamado a organizar a paz em concertação com Churchill e Roosevelt»[27]: portanto, ele situava «a inflexão da guerra» antes da chegada da Wehrmacht a Moscou (fim de outubro) e bem antes de Estalingrado. O conjunto dos meios «bem informados», militares e civis, partilhava esta avaliação, e na mesma altura.[28]

Foi, assim, confirmada desde a invasão a avaliação que Palasse fazia a partir da sua chegada (fim de 1937) e, sobretudo, desde 1938, sobre «a situação moral» e a potência militar soviéticas. O Exército Vermelho, depurado depois da liquidação, em junho de 1937, do «complô Tukhatchevski», urdido pelo marechal soviético com o alto comando da Wehrmacht, testemunhado e não forjado por Stálin32, progredia constantemente. As suas ligações com o povo geravam um «patriotismo» inaudito: o estatuto do exército, a formação militar dos soldados e da população, com a juventude à cabeça, e a propaganda eficaz «mantêm sob tensão as energias do país, e dão-lhe o orgulho dos feitos alcançados pelos seus [...] e a confiança inabalável da sua força defensiva.»33. Como todos os outros observadores militares, ele tinha compreendido a importância das derrotas nipônicas nos confrontos na fronteira URSS-China-Coreia34. A qualidade, assim confirmada, do Exército Vermelho, dirigido por Jukov, serviu de lição para Tóquio: com a fúria de Hitler, o Japão assinou em Moscou, em 13 de abril de 1941, um «pacto de neutralidade» que respeitou até ao final da guerra. Esta prudente retirada japonesa libertou a URSS da sua obsessão, depois do ataque contra a Manchúria (1931), depois alargado a toda a China (1937), duma guerra em duas frentes[32].

Depois de um 60.º aniversário tão cheio de aventuras do desembarque anglo-americano na Normandia e de um 70.º ainda pior, recordemos que o esforço militar, desde junho de 1941, quase foi unicamente soviético. O Reich imperial tinha sido derrotado no oeste em 1917-1918, sobretudo pela França que, mesmo assim, deveu a sua sobrevivência ou a sua não-invasão à aliança inversa ou ao «rolo compressor» russo e de nenhum modo «à batalha do Marne», como faz crer essa operação de «comunicação» de inusitada longevidade. Como recordava, em março de 1939, Robert Vansittart, subsecretário de Estado permanente do Foreign Office [Ministério das Relações Exteriores ros britânico (NT)] – que tinha sido também «Apaziguador» e germanófilo durante tanto tempo quanto os seus pares: «A França não teria tido a menor hipótese de sobrevivência em 1914 se não tivesse existido a frente oriental»[33]. O Reich hitleriano, interrompido no verão de 1941 nos seus sucessos contínuos desde 1938-1939, foi vencido de 1943 a 1945 no leste, apenas pelo Exército Vermelho.

Desde agosto-setembro de 1941, que Stálin reclamava sem cessar, mas em vão, para aliviar a enorme pressão alemã, a abertura da «segunda frente» ocidental, reconstituindo de fato a aliança inversa da I Guerra mundial: o envio de divisões aliadas para a URSS e, sobretudo, um desembarque nas costas francesas. Teve de se contentar com os elogios de Churchill, de imediato seguidos pelos de Roosevelt, ao «heroísmo das forças combatentes soviéticas» e de um «Crédito» americano, reembolsável depois da guerra. Um historiador soviético avaliou o seu montante total em 5 bilhões de rublos (um historiador americano em 11), isto é, «4% do rendimento nacional» soviético nos anos de 1941-194537. Roberts relembrou que esta contribuição econômica americana para o esforça soviética foi, não apenas modesta, mas que não foi concedida na sua quase totalidade senão depois da extraordinária façanha de Estalingrado – dito de outra forma –, quando os Estados Unidos tiveram em definitivo a certeza de que o Exército Vermelho triunfaria, dentro de pouco tempo, sobre os invasores. A recusa obstinada da segunda frente e a exclusão da URSS das relações interaliados, apesar da presença cosmética em Teerã, em novembro de 1943[35], são confirmadas por todos os tipos de fontes e pela correspondência de guerra Stalin-Churchill-Roosevelt. Os objetivos e manobras dos anglo-americanos, guiados por Washington, reacenderam legitimamente o receio soviético do regresso «ao cordão sanitário» e às «mãos livres a leste».

A questão das forças na Europa agudizou-se quando a capitulação de von Paulus em Estalingrado (2 de fevereiro de 1943) pôs na ordem do dia as condições da futura paz. Washington contava com a sua hegemonia financeira para escapar às normas militares de regulação dos conflitos. Roosevelt recusava, pois, sistematicamente, negociar na base «dos objetivos de guerra» que Stálin tinha apresentado a Churchill em julho de 1941, isto é, o retorno às fronteiras europeias do antigo império, recuperadas em 1939-1940: a obtenção de uma «esfera de influência» soviética limitaria a americana, que não poderia sofrer nenhum limite39 (esta regra do imperialismo dominante foi estritamente aplicada contra Londres: Washington emitiu também um veto formal contra os seus rivais imperialistas ingleses). O milionário Harriman, herdeiro de um imenso império financeiro, embaixador em Moscou de 1943 a 1945 e futuro campeão do Plano Marshall e da União Europeia, anunciou ao Departamento de Estado, em fevereiro-março de 1944, que a URSS, devastada, não retiraria nenhum proveito, mesmo territorial, da sua vitória. «Empobrecida pela guerra e na expetativa da nossa assistência econômica [...] uma das nossas principais alavancas para orientar uma ação política compatível com os nossos princípios», a URSS não teria força para investir sobre o leste da Europa. Reduzida à miséria pelas suas destruições, seria obrigada a satisfazer-se com uma promessa de ajuda financeira americana para o pós-guerra, o que nos permitiria «evitar o desenvolvimento de uma esfera de influência da União Soviética sobre a Europa oriental e os Balcãs»[37].

Mas era necessário contar com as consequências de curto prazo de Estalingrado, onde se enfrentavam desde julho de 1942 «dois exércitos de mais de um milhão de homens». O exército soviético ganhou esta «batalha encarniçada», seguida com paixão por toda a Europa ocupada, que «ultrapassava em violência todas as da I Guerra Mundial [...] por cada casa, cada depósito de água, cada cave, cada pedaço de ruína». A sua vitória «colocou a URSS na via de potência mundial», como a «de Poltava em 1709 [contra a Suécia] tinha transformado a Rússia em potência europeia»[38].

A abertura da «segunda frente» arrastou-se até junho de 1944, momento em que o avanço do Exército Vermelho para além das fronteiras da União Soviética libertada exigiu a repartição de fato das «esferas de influência», que Roosevelt e os seus tinham recusado de direito. A conferência de Ialta que, em fevereiro de 1945, representou o ponto máximo das conquistas da URSS, beligerante decisivo, não resultou das artimanhas de Stálin para espoliar a Polônia mártir contra um Churchill impotente e um Roosevelt moribundo, mas da relação de forças militares no momento42. Ora, essa relação estava em vias de se desequilibrar na corrida-perseguição que eram as negociações para a rendição da Wehrmacht «aos exércitos anglo-americanos e da relação de forças a leste»: nos finais de março, «26 divisões alemãs estariam estacionadas na frente ocidental» (para evacuar pelos portos do norte as tropas para junto dos «bons» inimigos tão indulgentes) «contra 170 divisões na frente leste» onde os combates foram furiosos até ao fim. Os ganhos de Ialta granjeados no papel seriam, pois, prontamente postos em causa, a começar pelo princípio de 10 bilhões de dólares de «reparações», isto é, 50% do total (para as perdas estimadas em várias centenas de bilhões, entre 200 e 600).

O balanço da operação Sunrise, o exemplo mais mal conhecido de tentativas de inflexão das frentes que se sucediam sem cessar desde 1943, na aliança "Ocidente"-Reich contra os Sovietes, e com uma intensidade febril a partir de 1944, feriu Moscou. Roosevelt tinha-o confessado ao chefe para a Europa do Office of Strategic Services [Gabinete de Serviços Estratégicos (NT)] (antepassado da CIA) – instalado desde novembro de 1942 em Berna, para preparar o futuro da Europa em geral e o da Alemanha em particular –, o financeiro Allan Dulles, sócio, como o seu irmão mais velho, John Foster, da «Dulles, Sullivan e Cromwell» um dos principais gabinetes americanos de negócios internacionais, intimamente ligado ao capital financeiro alemão. Dulles, futuro chefe da CIA, de Eisenhower e Kennedy (e herói do fiasco cubano da «baía dos Porcos»), negociou, em março-abril de 1945, com o general SS Karl Wolff, «chefe do estado-maior pessoal de Himmler», responsável pelo "assassinato de 300.000 judeus", a capitulação do exército Kesselring em Itália. Esta teve lugar, com a ausência dos Soviéticos, em 2 de maio de 1945[40].

Estava, entretanto, politicamente excluído que Berlim caísse de imediato na bolsa dos ocidentais: de 25 de abril a 31 de maio, a penúltima «batalha sangrenta» (Praga, o local da última, não caiu senão em 9 de maio)[44] matou ainda 300.000 soldados soviéticos. Isto é, o equivalente das perdas americanas totais, «unicamente militares», das frentes europeia e japonesa, de dezembro de 1941 a agosto de 1945[45].

A guerra de extermínio alemã

Segundo Jean-Jacques Becker, "pondo (sic) de parte que ela se desenrolou em espaços bem mais vastos, pondo de parte o custo extravagante dos métodos de combate obsoletos do Exército Vermelho, num plano estritamente militar, a Segunda Guerra foi muito menos violenta do que a Primeira"[43]. Esta comparação das duas guerras mundiais, altamente fantasiosa, imputa também à URSS, acusação tornada corrente na historiografia dominante francesa, a enormidade das suas perdas (mais de metade dos 50 milhões do total geral de 1939-1945) na guerra de extermínio que o III Reich tinha planejado, para liquidar, além dos judeus, trinta e cinco milhões de eslavos[44]. A Wehrmacht, feudo pangermanista que tinha sido facilmente nazificado e que tomava "os russos [por] 'asiáticos' dignos do desprezo mais absoluto"[45], foi o artífice essencial: a sua selvajaria antieslava, antissemita e antibolchevique, descrita no processo de Nuremberg (1945-1946), brevemente recordada na Alemanha por exposições itinerantes, mesmo quase no fim do século XX[46] e daí em diante, França incluída, enterrada no silêncio, retirou à URSS as "leis da guerra" (convenções de Haia de 1907). Na hora em que tudo se permite, a propaganda midiática considera a coisa lógica, não tendo a URSS assinado a dita convenção: também não foram signatárias a Grécia, a Iugoslávia, a Polônia, a Europa ocidental, vítima, no verão de 1944, das palavras de ordem do comandante em chefe do "Ocidente" da Wehrmacht, von Rundstedt, que estendeu a esta zona os métodos de guerra do leste, e origem das atrocidades cometidas em Itália e em França, dos Ouradour-sur-Glane que tinham sido sistematicamente praticadas, desde o princípio, às dezenas de milhares de exemplos, na frente leste[47].

Testemunham a barbárie pangermanista, de que o nazismo tinha recebido a herança, as ordens assinadas pelos chefes da Wehrmacht, Keitel e consortes: o decreto dito «do comissário», de 8 de junho de 1941 ordenava a execução dos «comissários políticos» comunistas integrados no Exército Vermelho; a ordem para «não fazer prisioneiros» causou a execução nos campos de batalha, terminados os combates, de 600.000 prisioneiros de guerra e foi estendida, em julho, aos «civis inimigos»; von Reichenau assinou a ordem de «extermínio definitivo do sistema judaico-bolchevista», etc.[48]. 3,3 milhões de prisioneiros de guerra, isto é, mais de 2/3 do total, sofreram, em 1941-1942, a «morte programada» pela fome e a sede (80%), o tifo, o trabalho escravo. Os prisioneiros qualificados como «comunistas fanáticos», entregues pela Wehrmacht às SS, foram as cobaias do primeiro gaseamento com Zyclon B em Auschwitz, em dezembro de 1941[49].

O exército alemão foi, com as SS e a polícia alemã «comum», um agente particularmente ativo da matança dos civis, judeus e não-judeus. Ajudou os Einsatzgruppen [executores de sentenças – tradução aproximada, (NT)] SS encarregados das «operações móveis de matanças» (Hilberg), como a do grupo C, na ravina de Babi Yar, no final de setembro de 1941, dez dias depois da entrada das suas tropas em Kiev (cerca de 34 000 mortos): este foi um dos inumeráveis massacres perpetrados, com os «auxiliares» polacos, bálticos (letões e lituanos) e ucranianos[50], descritos pelo impressionante Livro negro sobre o extermínio celerado dos judeus pelos invasores fascistas alemães, nas regiões provisoriamente ocupadas da URSS e nos campos de exterminação na Polônia, durante a guerra de 1941-194555. Eslavos e judeus (1,1 milhões em 3,3) morreram nas dezenas de milhares de Oradour-sur-Glane e nos campos de extermínio e de trabalho. Os 900 dias do cerco de Leninegrado (julho de 1941-janeiro de 1943), símbolo supremo, juntamente com Estaligrado, dos sofrimentos e do heroísmo soviéticos, mataram um milhão de habitantes em 2,5, dos quais «mais de 600.000» durante a fome de inverno de 1941-1942. «1.700 cidades, 70.000 aldeias e 32.000 empresas industriais foram arrasadas». Um milhão de Ostarbeiter («trabalhadores do leste», soviéticos) deportados para o ocidente foram exauridos ou esmagados pelo trabalho e as sevícias das SS e dos «kapos» [chefes, capatazes (NT)] dos «komandos» dos campos de concentração, minas e fábricas das Konzerne [sociedades, empresas, corporações (NT)] e das filiais de grupos estrangeiros, tais como a Ford, fabricante (como a Opel-General Motors) dos caminhões (alemães) de três toneladas da frente leste[52].

Em 8 de maio de 1945, a URSS, exangue, já tinha perdido o benefício da «Grande Aliança», a qual tinha imposto aos anglo-americanos a enorme contribuição do seu povo, em armas ou não, assim como a vitória esmagadora dos Estados Unidos, prevista por Doyen no seu texto de 16 de julho de 1941, que prognosticava a derrota alemã. A alegada "contenção" (Containment) da "Guerra fria" foi, na realidade e de imediato, um "retrocesso" (roll-back), hoje clarificado por trabalhos científicos. A partir de então, colocada sob a égide de Washington, com a rápida associação ao empreendedorismo das zonas ocidentais da Alemanha, esta linha tinha retomado, mesmo antes do fim da guerra na Europa, com a "Primeira Guerra Fria", a política de liquidação dos Sovietes, de "cordão sanitário" ou de «Santa Aliança» que Londres e Paris tinham dirigido, em companhia de Berlim, de 1918 a 1939[53].

Notas:

1. Annie Lacroix-Riz, «1947-1948. Du Kominform au “coup de Prague”, l’Occident eut-il peur des Soviets et du communisme?», Historiens et géographes (HG) n° 324, agosto setembro de 1989, p. 219-243.

2. Diana Pinto, «L’Amérique dans les livres d’histoire et de géographie des classes terminales françaises», HG n° 303, março de 1985, p. 611-620; citação, Robert Soucy, historiador americano do fascismo francês, e Lacroix-Riz, L’histoire contemporaine toujours sous influence, Paris, Delga - Le temps des cerises, 2012.

3. Le Figaro, 11 de janeiro de 2007, recensão de Olivier Wieviorka, Histoire du débarquement en Normandie: Des origines à la libération de Paris 1941-1944, Paris, Seuil, 2007, obra incensada pelos média e as instituições oficiais, como aquela que nega o interesse militar da Resistência e que omite a sua componente comunista, Histoire de la Résistance : 1940-1945, Paris, Perrin, 2013.

4. Sondagens 1944-1945 e 2004, Lacroix-Riz, «Le débarquement du 6 juin 1944 du mythe d’aujourd’hui à la réalité historique», http://www.lafauteadiderot.net/Le-debarquement-du-6-juin-1944-du, junho de 2014; 7 de maio de 2015, http://www.metronews.fr/info/sondage-exclusif-8-mai-1945-a-qui-lesfrancais-disent-ils-merci-pour-lavictoire-sur-les-nazis/moef!FRK7nFX0GWZds/

5. Geoffrey Roberts, The Unholy Alliance : Stalin’s pact with Hitler, Londres, Tauris, 1989; The Soviet Union and the origins of the Second World War. Russo-German Relations and the Road to War, 1933-1941, New York, Saint Martin’s Press, 1995; e, sobretudo, Stalin’s Wars: From World War to Cold War, 1939-1953. New Haven & London: Yale University Press, 2006, finalmente traduzido, Les guerres de Staline, Paris, Delga, 2014; Gabriel Gorodetsky, Soviet Foreign Policy, 1917-1991: a retrospective, Londres, Frank Cass, 1993 (dos quais Teddy J. Uldricks, «Soviet Security in the 1930s»); Michael J. Carley, 1939, the alliance that never was and the coming of World War 2, Chicago, Ivan R. Dee, 1999 (traduzido em francês, PU de Montréal, 2001); Hugh Ragsdale, The Soviets, the Munich Crisis, and the Coming of World War II, Cambridge, Cambridge UP, 2004; Jonathan Haslam, The Soviet Union and the struggle for collective security in Europe, 1933-1939, Londres, Macmillan Press Ltd, 1984, mais tímido.

6. Lewis B. Namier, Diplomatic Prelude 1938-1939, Macmillan, Londres, 1948; A.J.P. Taylor, The origins of the Second World War, Middlesex, Penguin Books, 1961; Alexander Werth, La Russie en guerre, 2 vol., Paris, Stock, 1964 (re-edição, Paris, Tallandier, 2011).

7. Arnold Offner, American Appeasement: United States Foreign Policy and Germany 1933-1939, New York, W.W. Norton & C°, 1969; The origins of the Second World War: American Foreign Policy, 1914-1941, New York, Praeger, 1975.

8. Roberts, op. cit. e «From détente to partition: Soviet-Polish Relations and the origins of the Nazi-Soviet pact, 1938-1939» in Christoph Koch, éd., «Gab es einen Stalin-Hitler-Pakt? Charakter, Bedeutung und Deutung des deutsch-sowjetischen Nichtangriffsvertrags vom 23. August 1939» («Houve um pacto Staline-Hitler? Natureza, significado e interpretação do pacto de não-agressão germano-soviético»), Francfort, Peter Lang, 2015, p. 89-106; Lacroix-Riz, Le choix de la défaite: les élites françaises dans les années 1930, et De Munich à Vichy, l’assassinat de la 3e République, 1938-1940, Paris, Armand Colin, 2010 (2ª edição) e 2008; e «La France entre accord avec le Reich et alliance tripartite, de Munich au pacte de non-agression germanosoviétique (octobre 1938-23 août 1939)», in Koch, ed., Stalin-Hitler-Pakt?, p. 35-88; Ivan Maïski, Qui aidait Hitler? Souvenirs de l’ancien ambassadeur d’URSS en Grande-Bretagne, Paris, Delga, 2014, apoiado nos arquivos (soviéticos) concordantes.

9. Carta 585/S a Édouard Daladier (ministro da Guerra), Moscovo, 5 de junho de 1939, 7 N, 3123, arquivos da Armada de terra (SHAT), e referêcias da n. 7.

10. Relatórios Doumenc e Willaume (sublinhado no texto) sobre a sua missão, 7 N, 3185, SHAT. Sobre o papel da Polônia, ref. n. 7 et Lacroix-Riz, «Polen in der außenpolitischen Strategie Frankreichs (Oktober 1938-August 1939)», comunicação ao colóquio sobre a campanha da Polónia, Varsóvia, 15-17 outubro de 2009, Actas não publicadas, Polen und wir, n° 3, 2014, p. 11-17 (versão francesa, «La Pologne dans la stratégie politique et militaire de la France (outubro de 1938-agosto de 1939)», (www.historiographie.info).

11. Arquivos do MAE (e Documentos diplomáticos franceses), SHAT, e referências da n. 7.d

12. Plano de expansão soviética para o oeste, forjado pelo publicista de extrema-direita Ernst Nolte, caucionado por Yves Santamaria, Le pacte germano-soviétique, Bruxelles, Complexe, 1999, obra redigida sem a mínima consulta de arquivos, que serve de referência para a questão da historiografia dominante francesa.

13. N. 3, Robert A. Parker, Chamberlain and the Appeasement : British policy and the coming of the Second World War, Londres, Macmillan Press Ltd, 1993, e Alvin Finkel e Clement Leibovitz, The Chamberlain-Hitler Collusion, Rendlesham, Merlin Press, 1997.

14. Halifax, 6 de maio de 1939, Documents on British Foreign Policy (DBFP), 3nd Series, V, p. 411.

15. Churchill, memórias, vol. I, The gathering storm, Boston, Houghton Mifflin Company, 1948, p. 346.

16. 7 N, 3185-3186, SHAT. Depois de 1933: série URSS Quai d’Orsay (MAE); DDF; adidos militares na URSS do SHAT; DBFP, etc. e todas as op. cit.

17. Carta D. 463 a Guy de la Chambre, ministro do Ar, Moscovo, 29 de agosto de 1939, 7 N, 3186, SHAT.

18. Lituânia adquirida ao Reich até um segundo protocolo de 28 de setembro de 1939, Roberts, Soviet Union.

19. Tél. Palasse, Moscou, 14 de maio de 1940, 5 N, 581, SHAT, e Roberts, Soviet Union, p. 122-126.

20. Carley, 1939, p. 256-257; Finkel, Leibovitz e Lacroix-Riz, op. cit.

21. Carta 771 de Charles Corbin, embaixador em Londres, 28 de outubro de 1939, URSS 1930-1940, 962, arquivos do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

22. Jean-Baptiste Duroselle, L’Abîme 1939-1945, Paris, Imprensa Nacional, 1983, cap. IV. Lacroix-Riz, op. cit. e Le Vatican, l’Europe et le Reich 1914-1944, Paris, Armand Colin, 2010, cap. 10.

23. Gabriel Gorodetsky, Stafford Cripps’ mission to Moscow, 1940-42, Cambridge, Cambridge UP,1984, Maïski, Qui aidait Hitler?

24. G. Roberts, The Soviet Union, p. 122-134 et 139, e Les guerres de Staline.

25. Omer Bartov e al., Les sociétés en guerre 1911-1946, Paris, Armand Colin, 2003, p. 134-144 (manual de concurso).

26. Anexo ao relatório 556 de Doyen a Koeltz, Wiesbaden, 16 de julho, W 3, 210 (dossiê Laval de instrução do Supremo Tribunal de Justça), AN.

27. Tardini, terceira personagem da Cúria, carta de Léon Bérard, 4 de setembro de 1941, Vichy-Europe, 551, MRE.

28. Caso francês, Lacroix-Riz, Du Blitzkrieg à la Pax Americana: les élites françaises d’un tuteur étranger à l’autre, a publicar, Paris, Armand Colin, 2016, cap. 6.

29. Fontes diplomáticas e militares internacionais formais sobre este acordo de cessão da Ucrânia em troca da invasão alemã que liquidaria o poder soviético, Lacroix-Riz, Choix, p. 395-409.

30. Relatório 449 S, Moscovo, 22 de março de 1938, 7 N, 3123, e 1937-1940,7 N, 3123, 3143, 3184, 3186, SHAT (o Estado-maior que, a partir da questão Tukhatchevski, tinha posto de parte o Exército Vermelho, depois de ter recusado os seus avanços desde 1935, insurgiu-se contra o bolchevismo, Lacroix-Riz, Le choix).

31. Palasse, agosto de 1938, 7 N, 3123, correspondência da China, 1938, 7 N, 3143, SHAT; Documents on German Foreign Policy, D, II, p. 601, IV p. 609.

32. Haslam, The Soviet Union and the Threat from the East, 1933-1941: Moscow, Tokyo and the Prelude to the Pacific War, Londres, Macmillan, 1992; Roberts, Les guerres de Staline, e Stalin’s general: the life of Georgy Zhukov, Londres, Icon Books, 2012, cap. 4.

33. Carley, 1939, p. 4, sublinhado no texto.

34. M. L. Tamarchenko, 1967, e L. Martel, 1979, citados por Susan J. Linz, «Foreign aid and Soviet postwar recovery», The Journal of Economic History, v. XLV, n° 4, dezembro de 1985, p. 949.

35. Foreign Relations of the United States (FRUS), The Conferences at Cairo and Tehran, 1943, Washington, US Government Printing Office, 1943, p. 457-891.

36. Lynn E. Davis, The Cold War begins: Soviet-American conflict over Eastern Europe, 1941-1945, Princeton, Princeton UP, 1974; Lloyd Gardner, Spheres of influence. The great powers partition Europe, from Munich to Yalta, 1938-1945, Chicago, Ivan R. Dee, 1993; Lacroix-Riz, Vatican, cap. 10-11; «O desembarque de 6 de junho»; Aux origines du carcan européen, 1900-1960. La France sous influence allemande et américaine, Paris, Delga-Le temps des cerises, 2014.

37. Tél. Harriman, Moscovo, 13 de março de 1944, FRUS, 1944, IV, Europa, p. 951 (em linha).

38. Lloyd Gardner, Spheres of influence, p. 103, 148, 158-159 (cita o historiador militar americano John Erickson, referência de Roberts) ; general Doer, citado pelo coronel Costantini, Dictionnaire de la Seconde Guerre mondiale, t. 2, Paris, Larousse, 1980, p. 1728; e sobretudo Roberts, Les guerres de Staline.

39. FRUS. Conferences at Malta and Yalta, Washington, USGPO, 1945, p. 547-996, e Diana Clemens, Yalta, New York, Oxford UP, 1970.

40. Tom Bower, Blind eye to murder. Britain, America and the purging of Nazi Germany, a pledge betrayed, Londres, André Deutsch, 1981, p. 249, obra essencial, não traduzida até ao momento; Raul Hilberg, La destruction des juifs d’Europe, Paris, Gallimard, 1991, p. 958; fundos OSS citados por Richard Breitman, «Nazi Espionage: the Abwehr and SD Foreign Intelligence», p. 108 (93-118), in Breitman, Norman J. W. Goda, Timothy Naftali e Robert Wolfe, U.S. Intelligence and the Nazis, Cambridge University Press, 2005, fundamental; Lacroix-Riz, «États-Unis et Vatican dans les tractations de paix de la Deuxième Guerre mondiale», Encontros de história crítica de Gennevilliers, 28-30 de novembro de 2013, «Guerre et paix», Atas a publicar, Paris, L’Harmattan, 2015.

41. Gabriel Kolko, The Politics of War. The World and the United States Foreign Policy, 1943-1945, New York, Random House, 1969, reed. 1990, cap. 13-14 (designadamente 375-378); Century of war: politics conflict and society since 1914, New York, New Press, 1994; Alexander Werth, La Russie en guerre, v. 2, p. 255-256. society since 1914, New York, New Press, 1994; Alexander Werth, La Russie en guerre, v. 2, p. 255-256.

42. 42 292 000, Pieter Lagrou, in Stéphane Audoin-Rouzeau et al., dir., La violence de guerre 1914-1945, Bruxelas, Complexo, 2002, p. 322.

43. De que é especialista (não da II Guerra Mundial), «Retour sur la comparaison et réflexion sur les héritages», in Stéphane Audoin-Rouzeau et al., dir., La violence de guerre 1914-1945, Complexo, Bruxelas, 2002, p. 333 (resumo da preparação da questão da história contemporânea CAPES, agregação 2003-2005).

44. Götz Aly e Susanne Heim, Vordenker der Vernichtung, Auschwitz und die deutschen Pläne für eine neue europäische Ordnung, Francoforte, Fischer Taschenbuch Verlag, 1997 (a edição, Hambourg, 1991, mais audaciosa), resumida por Dominique Vidal, Les historiens allemands relisent la Shoah, Bruxelas, Complexo, 2002, p. 63-100.

45. Relatório 1103 do adido militar francês Henri-Antoine Didelet, Berlim, 12 de dezembro de 1938, 7 N, 3097, SHAT.

46. Édouard Husson, Comprendre Hitler et la Shoah. Les historiens de la RFA et l’identité allemande, Paris, PUF, 2000, p. 239-253.

47. «Report on German Reprisals for Partisan activity in Italy», Allied Force Headquarters (British Section), Parte I, sem data, posterior a 9 de julho de 1945, demonstração precisa formal da responsabilidade primeira da Wehrmacht (e não unicamente das Waffen SS), como no leste, nas atrocidades cometidas no ocidente, BB 30, 1730, depuração Arquivos nacionais.

48. Bower, Blind eye to murder; Bartov, The Eastern Front, 1941-45: German Troops and the Barbarisation of Warfare, Palgrave Macmillan, 2ª edição, 2001 (L’armée d’Hitler [...], Paris, Hachette, 2003); http://fr.wikipedia.org/wiki/Crimes_de_guerre_nazis_en_Union_sovi%C3%A9tique, que coloca as questões num plano honesto, o que, em história, não é geralmente o caso.

49. Bower, Blind eye; Christian Streit, Keine Kameraden. Die Wehrmacht und die sowjetischen Kriegsgefangenen 1941-1945, Bona, Dietz, 1992 (1ª ed., 1978); Christian Gerlach, Krieg, Ernährung, Völkermord. Forschungen zur deutschen Vernichtungspolitik im Zweiten Weltkrieg, Hambourg, Hamburger Edition, 1998; Peter Longerich, Politik der Vernichtung. Eine Gesamtdarstellung der nationalsozialistischen Judenverfolgung, Munique, Piper Verlag, 1998; Vidal, Les historiens.

50. Hilberg, La destruction, Dieter Pohl, National-sozialistische Judenverfolgung in Ostgalizien: 1941- 1944: Organisation und Durchführung eines staatlichen Massenverbrechens, Munich, Oldenbourg, 1997 (e diversos trabalhos, entre os quais Holocaust: die Ursachen, das Geschehen, die Folgen. Herder, Friburgo em Brisgau, 2000; Christopher Browning, Des hommes ordinaires. Le 101è bataillon de réserve de la police allemande et la Solution finale en Pologne, Paris, 10-18, 1994, e Nazi policy, Jewish Workers, German Killers, Cambridge, Cambridge UP, 2000.

51. Ilya Ehrenburg e Vassili Grossman, Textes et témoignages, Arles, Atas Sul, 1995.

52. Costantini, Dictionnaire de la Seconde Guerre mondiale, t. 2, p. 1081-1083; Arno Mayer, Les Furies, terreur, vengeance et violence, 1789, 1917, Paris, Fayard, 2002, p. 573; Reinhold Billstein et al., Working for the Enemy Ford, General Motors, and forced labor in Germany during the Second World War, New York, Berghahn Books, 2000.

53. Joyce e G. Kolko, The Limits of Power. The World and the United States Foreign Policy 1945-1954, New York, Harper and Row, 1972; Carolyn Eisenberg, Drawing the Line. The American decision to divide Germany, 1944-1949, Cambridge, 1996, William A. Williams, The Tragedy of American Diplomacy, New York, Dell Publishing C°, 1972 (1ª ed., 1959), etc. Lacroix-Riz, Carcan; «Débarquement du 6 juin »; « L’apport des “guerres de Staline” de Geoffrey Roberts à l’histoire de l’URSS: acquis et débats», prefácio a Roberts, Les guerres, e Jacques Pauwels, Le Mythe de la bonne guerre: les USA et la Seconde Guerre mondiale, Bruxelas, Edições Aden, 2ª edição, 2012, e a sua bibliografia recente.

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