27 de julho de 2015

O pacto militar Grécia-Israel

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / Quando Tsipras chegou ao poder na Grécia tocaram em Israel as sinetas de alarme: o Syriza apoiava a causa palestina e podia por fim à cooperação militar da Grécia com Israel. Face à brutal repressão israelense contra os palestinos, advertia Tsipras, "não podemos permanecer passivos, pois o que sucede na outra margem do Mediterrâneo pode suceder amanhã na nossa costa". Sete meses passados calaram-se os alarmes: Panos Kammenos, ministro de Defesa do governo Tsipras fez uma visita oficial a Tel Aviv onde, a 19 de julho, assinou com o homólogo israelense, Moshe Ya'alon, um importante acordo militar. Para esta decisão, Kammenos, fundador do novo partido da direita grega ANEL, escolheu precisamente o momento em que a Grécia se encontrava atenazada com o problema da dívida. O "acordo sobre o status das forças", comunica o ministério da Defesa grego, estabelece um quadro jurídico que permite ao pessoal militar de cada um dos países deslocar-se e permanecer no outro país, com o objetivo de participar em exercícios e atividades de cooperação".

Um acordo idêntico a este, Israel só assinou um com os Estados Unidos.

Em cima da mesa das negociações também esteve "a questão da segurança do Oriente Médio e do Norte de África". Dando eco às declarações de Moshe Ya'alon que denuncia o Irã como "gerador de terrorismo, cuja ambição hegemônica mina a estabilidade dos outros Estados", Kamenos declarou que "também a Grécia se encontra ao alcance dos mísseis iranianos; e ainda que um só chegasse ao Mediterrâneo poderia acabar com os Estados da região". A decisão de contactar a chefia das forças armadas israelenses tem como objetivo estabelecer uma coordenação mais estreita com as forças armadas da Grécia. Ao mesmo tempo, o chefe da marinha militar helênica, o vice-almirante Evangelos Apostolakis, assinou também com o seu homólogo israelense um acordo de cooperação, não muito explícito, sobre "serviços hidrográficos".

O pacto militar com Israel em nome do governo de Tsipras não é apenas uma vitória pessoal de Kammenos. Ele insere-se na estratégia dos EUA/OTAN e na sua ofensiva para Leste e para Sul com o objetivo de integrar mais estreitamente a Grécia na aliança Atlântica, e também de forma mais ampla numa coligação de países onde se inserem Israel, Arábia Saudita, Ucrânia e outros.

O secretário-geral da OTAN, Stotenberg, declarou que o "pacote de resgate" da UE à Grécia é "importante para toda a OTAN" já que a Grécia é um "sólido aliado que investe mais de 2% em Defesa (nível só semelhante na Europa ao alcançado pela Grã-Bretanha e a Estônia).

Para a OTAN é especialmente importante a base aeronaval da baía de Suda, em Creta, permanentemente usada nos últimos anos pelos EUA e outros aliados na guerra contra a Líbia e nas operações militares na Síria. Graças ao pacto da Grécia com Israel é agora utilizável, também na sua função anti-Irã.

Neste quadro estratégico, aprofundam-se as contradições entre a Grécia e Israel por um lado e a Turquia no outro.

Na Turquia, a OTAN mantém outras 20 bases e o comando das forças terrestres que em nome da "luta contra o EI" bombardeia os curdos do PKK (os verdadeiros combatentes anti-EI), e juntamente com os EUA prepara-se para ocupar a faixa setentrional do território sírio. Escudando-se no art.º 4º do Pacto Atlântico, que refere as ameaças à segurança e à integridade territoriais.

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