7 de agosto de 2015

EUA está destruindo a Europa

Eric Zuesse

Strategic Culture Foundation

Tradução / Na Líbia, Síria, Ucrânia e outros países da periferia ou bordas europeias, o presidente dos EUA, Barack Obama, continua com sua política de desestabilização, bombardeios e outros tipos de assistência militar que faz com que milhões de refugiados sejam violentamente expulsos desses países periféricos da Europa, adicionando combustível ao incêndio já deflagrado pela rejeição ferrenha oposta pela extrema direita europeia para com a imigração. Isso traz a desestabilização como resultado dessa política para o seio da própria Europa e não apenas em sua periferia, como até ao seu interior profundo, atingindo mesmo o norte da Europa.

Shamus Cooke em matéria do Off-Guardian divulgada em 03 de agosto de 2015: “A ‘zona livre’ de Obama pretende transformar a Síria em uma nova Líbia” e conta que Obama aprovou apoio aéreo para o plano improvável e impraticável da Turquia de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Síria. Dessa forma, os EUA querem destruir os planos do Presidente Sírio Bashar Al Assad, que mira principalmente os grupos extremistas islâmicos, incluindo o ISIS, que tomaram o controle sobre grande parte do território Sírio:

Relata Cooke:

“Desde o início da Guerra da Síria que a Turquia quer impor a Obama uma zona de exclusão aérea. Durante todo o transcorrer do conflito isso foi discutido e mesmo em meses recentes, embora o que se pretenda mesmo seja atingir o governo sírio. De repente, a zona de exclusão aérea torna-se possível – e exatamente da forma que a Turquia sempre quis – apenas terá o nome de ‘zona de exclusão aérea anti ISIL’ em vez de tomar o nome que deveria: ‘Zona de Exclusão Aérea anti Curdos e anti Governo Sírio’”.

No ultimo dia 27 de julho o jornal The New York Times publicou relato que afirmava: “os planos são de que os relativamente moderados insurgentes conquistem território com a ajuda americana e talvez com apoio aéreo turco.” No entanto, o The New York Times, comunicando, como sempre, de maneira estenográfica, e usando fontes de e para o governo dos Estados Unidos (no seu eterno papel de propagandista para o governo dos EUA), falha miseravelmente em definir o que seria afinal, “relativamente moderados”. Ocorre que todos os “grupos insurgentes relativamente moderados” na Síria cooperam com o ISIL, ajudando-o a encontrar, decapitar e esconder sequestrados, todos não muçulmanos. Sob o regime de Assad, a Síria sempre foi um estado não clerical, com liberdade religiosa, mas toda a oposição síria contra Assad é alheia a tais conceitos. Atualmente os EUA são, cada vez mais claramente, anti Assad e pró Islamistas.

Seymour Hersh relata no The London Review of Books em 17 de abril de 2014 que o verdadeiro motivo por trás do ataque da administração Obama, na campanha de bombardeio contra a Líbia em 2011 era se apossar de gás sarin que seria depois transportado e oferecido à frente Al Nusra na Síria, na intenção de produzir um ataque de armas químicas contra civis, que posteriormente seria lançado às costas de Assad. Isto, por sua vez, seria a desculpa que permitiria a Obama lançar-se ao ataque contra a Síria como já havia feito na Líbia. Ambos os ditadores, Gaddafi e Assad, eram aliados da Rússia, e Assad, em particular, é muito importante para a Rússia, com o país servindo como rota de trânsito dos suprimentos de gás russo, e não do gás do Qatar – o Qatar tem o potencial de ameaçar a Rússia como o maior fornecedor de gás para a Europa.

O principal objetivo de Obama nas suas relações internacionais e políticas militares sempre foi derrotar a Rússia através de uma mudança de regime que leve a Rússia para a zona de influência do império americano, apenas uma lembrança distante daquele país que hoje resiste ao controle de Washington.

A Líbia estava em paz e próspera antes dos bombardeios promovidos pelos americanos. O PIB per capita, de acordo com FMI, era de US $ 12.357,80, o qual desabou para apenas US $ 5.839,70 em 2011 – justamente o ano em que os Estados Unidos bombardearam e destruíram o país. (Na ocasião, Hillary Clinton disse a frase já tristemente famosa pela arrogância e insensibilidade, ao jactar-se: “nós viemos, nós vimos, ele [Gaddafi] morreu!”) (E, ao contrário da Arábia Saudita, aliada dos EUA, na Líbia a riqueza gerada pelo petróleo era bem distribuída, para a educação, para a saúde e até mesmo em ajuda aos mais pobres.) Atualmente, em 15 de fevereiro de 2015, a repórter Leila Fadel, da NPR fornecia a manchete “Com seus Campos de Petróleo sob Ataque, o Futuro da Líbia Parece Sombrio”. Relatou ela: os encarregados pela produção de petróleo na Líbia olham para a produção atual e reconhecem que o futuro é desastroso. “Nós não estamos produzindo, já perdemos cerca de 80% de nossa produção”, disse Mustapha Sanallah, executivo da Libya’s National Oil Corporation. Por instruções dos EUA o FMI deixou de disponibilizar de forma confiável os índices do PIB líbio depois de 2011, e em vez disso tenta demonstrar que os coisas voltaram imediatamente ao normal (ou até mesmo melhor, com um PIB per capita de US $ 13.580,55) em 2012, que todo mundo sabe que é falso; mesmo a NPR relata a falsidade desses números. A CIA, por sua vez, estima que o PIB per capita líbio foi de US $ 23.900,00 em 2012, o que é ridículo (afirmam que não há números para anos anteriores a 2012) e dizem mais: que o PIB per capita da Líbia teria diminuído de maneira imperceptível até 2015. Nenhuma dessas estimativas é minimamente confiável, mesmo levando em consideração o esforço do Conselho do Atlântico, que se esforçou em parecer honesto em seu relatório sobre a economia da Líbia em 2014: “Libya: Facing Economic Collapse in 2014”.

Contudo, a Líbia veio a se tornar um pesadelo para a Europa. Milhões de seus cidadãos, em desespero, estão abandonando o país em caos. Alguns deles estão fugindo através do Mediterrâneo e acabam em campos de refugiados no sul da Itália; e alguns estão fugindo para outro lugar na Europa.

Hoje, a Síria é mais uma nação que está sendo destruída em sacrifício no altar da conquista da Rússia. Até mesmo o jornal The New York Times, do qual sempre se pode confiar que será inevitavelmente panfletário está reconhecendo em seus relatórios noticiosos que “tantos os turcos como os insurgentes sírios tem como prioridade a derrota e a derrubada do presidente sírio Bashar al Assad”. Dessa forma, os bombardeios dos Estados Unidos na Síria para supostamente criar uma zona de exclusão aérea têm como objetivo mais uma vez derrubar Assad, aliado da Rússia, colocando no lugar de seu governo secular um governo islâmico. Para tanto, o Estado Islâmico serve apenas como fachada e desculpa, visto que as agências de Relações Públicas se preocupam em mostrar todo santo dia que o inimigo “da hora” é o ISIS e não Bashar ou a Rússia, mas a situação não é vista dessa forma pela aristocracia dos Estados Unidos, cujo objetivo primordial é ampliar o império americano, ampliando o seu próprio império.

O governo neutralista de Victor Yanukovich na Ucrânia foi também derrubado por Obama em fevereiro de 2014, mas daquela vez, a desculpa foi a promoção da “democracia” e as manifestações “democráticas” tão falsas como a “oposição ao terrorismo islâmico” ou seja lá que frases feitas entre as utilizadas pelo governo dos EUA para enganar otários quanto à instalação pelos EUA, de governos racistas, fascistas ou nazistas furiosamente anti Rússia, no lugar do governo pró Rússia que governava a Ucrânia. Da mesma forma que a Líbia estava em paz antes da invasão e destruição promovidas pelos EUA, assim como a Síria estava também em paz antes que os turcos e americanos a invadissem e destruíssem, também a Ucrânia estava em paz antes do golpe pensado, financiado e levado a efeito pelos EUA, que instalaram nazistas no poder, os quais tentam agora uma campanha de limpeza étnica que está destruindo a Ucrânia.

Da mesma forma que a Líbia antes da derrota de Gaddafi, ou a Síria, onde se encontra em curso uma tentativa de derrubar Assad, ou mais recentemente os acontecimentos que se desenrolam na Ucrânia com a queda do governo democraticamente eleito de Yanukovich, tudo é dirigido ao objetivo de derrotar a Rússia.

O fato é que Obama e outros conservadores americanos (claramente imperialistas) instalados em Washington DC pouco se importam com o fato de que a Europa está sendo afetada com a devastação imposta pelos Estados Unidos. Mas, caso se importem com alguma coisa, talvez essa outra coisa seja um subproduto bem atraente dessa operação toda: ao enfraquecer as nações europeias e não apenas aquelas do Oriente Médio as guerras de Obama contra a Rússia contribui fortemente para que os EUA sejam o “último homem em pé” no final do caos e da destruição causados pelos EUA.

Por consequência, o fato de que as sanções econômicas contra a Rússia estão afetando negativamente a economia das nações europeias, por exemplo, para a estratégia internacional dos EUA é bom, não é ruim.

Há duas maneiras de vencer qualquer jogo: uma delas é melhorando a própria performance. A outra é enfraquecer deliberadamente todos os demais concorrentes. Atualmente, os EUA parecem apostar quase todas as suas fichas no segundo tipo de estratégia.

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