6 de setembro de 2015

Partido Comunista Português em curso para o sucesso eleitoral

Apoiadores celebram no festival anual do partido as pesquisas que sugerem que a postura anti-austeridade irá impulsionar o PCP ao seu melhor resultado desde 1987 nas eleições de outubro.

João de Almeida Dias

The Guardian

Foto: Pedro Nunes.

Sentado em uma cadeira de plástico, José Branco apoia suas mãos em seu estômago, colocando-as debaixo do símbolo amarelo da foice e do martelo que se destaca de sua camiseta vermelha. "Isto é o que vou usar no meu funeral", diz o 84 anos de idade, que é membro do Partido Comunista Português (PCP) por quase a metade da sua vida. "Eu sou um comunista e orgulhoso disso!"

Todos os anos, no primeiro fim de semana de setembro, mais de 200.000 pessoas chegam no Seixal, nos subúrbios de Lisboa para o Festival do Avante!, o festival anual do PCP. Nem todos vão por razões políticas - mas mesmo quando bandas de pop e rock nacional famosos estão atuando no palco do festival tipo Glastonbury, o horizonte é dominado por bandeiras vermelhas e símbolos soviéticos.

A política está sempre presente na Festival, e este ano ainda mais, com as eleições legislativas previstas para 04 de outubro - a primeira depois de um mandato de quatro anos por uma coligação de centro-direita que, em virtude de um programa de resgate, reduziu salários e pensões. A taxa de desemprego é de 12,1% e o número de pessoas à beira da pobreza (19,5%) é o mais alto desde 2004.

O PCP, um fervoroso crítico del governo, tem esperança de tirar proveito de sua força com um discurso intransigente. As últimas pesquisas de opinião sugerem que o partido (que, junto com os Verdes, conformam a coalizão CDU) receberá 10,4% dos votos nas eleições, o que seria seu melhor resultado desde 1987. Este resultado também confirmaria o PCP como o mais exitoso das organizações marxistas leninistas na Europa.

Rita Rato, uma deputada comunista de 32 anos de idade, acredita que a ascensão do partido em popularidade é o resultado de sua cultura de sua cultura de "proximidade com as vidas de pessoas reais em nosso país". Toda segunda-feira, Rita Rato faz uma visita aos lugares de trabalho, com possível e eminentes demissões ou atende as pessoas que temem o encerramento de serviços públicos.

"Às vezes vou a esses lugares mais de una vez na semana. E se não posso ir, meus companheiros vão. Então, as pessoas estão acostumadas ver-nos. Sabem que não somos como os outros, que só aparecem quando há eleições".

O PCP está ainda longe de converter-se em um fenômeno eleitoral como o fez o partido Syriza na Grécia ou o Podemos espanhol. "Não é justo fazer essas comparações", afirma Rita Rato. "Mas é verdade que neste contexto de crescente pobreza, de emigração e trabalho inseguro, podemos crescer muito mais."

No topo das pesquisas está o Partido Socialista, com 36% dos votos, seguido de perto pelo PAF, a coalizão do governo, com 35% de votos previstos.

No festival, cada uma das 20 regiões de Portugal está representada em seu próprio pavilhão de madeira compensada, onde são vendidas comida e bebidas típicas. "O país inteiro se encaixa aqui... Até mesmo o mundo", diz Rita Rato.

Há também uma seção internacional com, entre outros, representantes do Partido Comunista de Cuba, onde dezenas de pessoas esperam na fila para mojitos, e seus homólogos italianos, cujas atividades se concentram na venda de camisetas com fotos de Che Guevara, Lênin, e Hugo Chávez.

"O Festival é, em certo sentido, o que queremos que o país se converta: três dias de justiça, paz, progresso e fraternidade", diz Rita Rato. "Um lugar onde a energia e criatividade individual de cada um se junta para construir algo bonito e coletivo."

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