9 de outubro de 2015

COP21: O clima vai bem, obrigado!

Como o GIEC organizou uma gigantesca transferência do dinheiro de todos os cidadãos para alguns beneficiários...

István E. Markó

Contrepoints

Tradução / Na véspera da Conferência Internacional de Paris sobre o Clima (COP21), sucedem-se declarações alarmistas a um ritmo desenfreado, efetuadas pela colossal máquina de propaganda da ONU. Nada nos é poupado, nem a seca e os fogos florestais na Califórnia, nem o último furacão atravessando a Ásia. Qualquer acontecimento meteorológico que possa inquietar o público, ainda que pouco, é imediatamente ligado a uma [suposta] alteração climática de origem antropogênica.

Em uma entrevista recente no programa La Première (RTBF, Radio Télévision Belge Francophone), o vice-presidente do GIEC (Grupo Intergovernamental para o Estudo do Clima), o professor Jean-Pascal van Ypersele, não hesitou em nos prometer o apocalipse final: desde secas e chuvas extremamente intensas, colheitas de cereais em queda livre, uma ascensão catastrófica do nível dos oceanos... e a culpar o CO2 produzido pelo homem. E exigir que se chegue a uma descabornização total da nossa sociedade daqui até 2100! Do contrário, a temperatura da Terra aumentaria em mais de 2º C, nível para além do qual um fim atroz nos aguarda.

O vice-presidente do GIEC parece ignorar (?) que este limite de +2º C na elevação da temperatura média do nosso planeta não repousa sobre nenhuma prova científica. Este número foi lançado por climatologistas alemães dirigidos pelo Prof. Schellnhuber, diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research, sob pressão de Angela Merkel. Mais tarde, o Prof. Schellnhuber irá declarar: "Este limite de +2º não tem nada de mágico; é somente um objetivo político. O mundo não desaparecerá imediatamente, mesmo em caso de aquecimento mais poderoso".

Esta declaração não perturba nosso vice-presidente, que prossegue: "Se se continua no curso de desenvolvimento atual sem nada modificar, chegaremos provavelmente a +4 ou +5º a mais e isto será catastrófico para muitas populações". Mais uma vez, ele parece ignorar (?) que numerosas publicações científicas recentes reveem em baixa o impacto do aquecimento devido à duplicação da quantidade de CO2 atmosférico. O Prof. Jean Jouzel, igualmente vice-presidente do GIEC, afirmava recentemente que o aquecimento observado da Terra era da ordem de 0, 01ºC por ano! Daqui a 2100 a Terra veria sua temperatura aumentar em 0, 85º se nada mudasse. Estamos longe, muito longe, dos +2ºC políticos e dos extravagantes +4 a 5ºC emitidos pelas mais loucas modelizações. A não fiabilidade dos modelos climáticos foi claramente denunciada por Hans von Storch, um dos mais eminentes climatologistas alemães, que não hesita em declarar: "Os modelos climáticos são falsos em mais de 98%!" E, contudo, são os resultados errôneos destes modelos não fiáveis que servem de base de trabalho aos decisores políticos.

O culpável é, evidentemente, o CO2 emitido pelo homem – e unicamente este. Recordemos que não há nenhuma prova científica da influência do CO2 sobre a temperatura do globo. Ao contrário, todos os estudos indicam que, durante os últimos 400 mil anos, a variação da concentração em CO2 atmosférico sempre seguiu as flutuações da temperatura, nunca o inverso. Enquanto a quantidade de CO2 emitida pelo homem não cessa de crescer desde a era industrial, um arrefecimento climático importante foi observado de 1942 a 1975, levando alguns a preverem a iminência de uma nova Era Glaciar. Desde há quase 19 anos, a temperatura média da Terra não aumentou nem um mínimo. Se o CO2 tivesse um efeito qualquer sobre a temperatura nós já o teríamos observado, não?

Todas as previsões efetuadas pelos climatologistas modelizadores revelaram-se sempre errôneas. Todas, sem exceção! O número e a violência dos furacões diminuiu em vez de aumentar, os gelos na Antártica não cessam de aumentar desde há cerca de 30 anos, a banquisa árctica que devia desaparecer desde 2008 está sempre lá e recupera admiravelmente, a velocidade de subida dos oceanos diminuiu fortemente, os ursos polares que estavam em vias de desaparecimento viram sua população multiplicada por sete desde 1970 e o planeta enverdeceu em 21%, em parte graças ao crescimento da taxa de CO2 atmosférico. Ao contrário das afirmações do Prof. van Ypersele: "A partir de 1º a mais, a produção de cereais como o trigo ou o arroz está ameaçada", numerosos estudos de campo mostram que o trigo e o arroz prosperam quando a taxa de CO2 na atmosfera e a temperatura aumentam (até 600 ppmv e +3ºC)! Assinalemos que existem também múltiplas variedades de trigo e de arroz resistentes a este tipo de stress.

Quanto às energias renováveis, louvadas pelo vice-presidente do GIEC, elas não são competitivas com as energias fósseis e nucleares. Sem as gigantescas subvenções estatais pagas pelos contribuintes, estas energias intermitentes de custo exorbitante jamais teriam visto o dia. Contudo, ele obstina-se em recomendar estas soluções inoperantes que não só empobrecem a população (mais de um milhão de alemães são incapazes de pagar suas faturas energéticas) como arriscam remeter para a pobreza um número crescente dos nossos irmãos humanos. O escândalo da transferência dos pobres para os mais ricos, que podem pagar painéis solares e [veículos] Tesla S, das companhias elétricas que enriquecem graças aos certificados verdes e dos bancos que tomam de passagem a sua parte, durou demasiado. O GIEC organizou, com a cumplicidade de certos políticos, uma gigantesca transferência do dinheiro de todos os cidadãos para alguns felizes beneficiários. Isto é uma vergonha ética... O pior é que isso foi orquestrado por partidos de esquerda.

É triste que a climatologia, esta jovem e bela ciência, seja assim desviada para visões politiqueiras e para o dogmatismo ideológico.

István E. Markó é um professor de química orgânica pesquisador da Universidade Católica de Louvain (Bélgica).

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