19 de outubro de 2015

Em Trapani, exercício de guerra da OTAN

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / Realizou-se na segunda-feira (19) a cerimônia de abertura, na base aérea de Trapani Birgi (Itália), da Livex, o estágio “ao vivo” (com 36 mil homens, 60 navios e 200 aviões) da manobra militar da OTAN Trident Juncture, em curso na Itália, na Espanha e em Portugal.

A finalidade é testar a capacidade da “Força de Resposta” (40 mil homens), em particular da “Força de ponta com alta rapidez operacional”, projetável em 48 horas para fora da OTAN rumo ao Leste e ao Sul, cujo comando operacional é exercido em 2015 pela Força de Comando Conjunto de Lago Patria (Nápoles), sob as ordens do almirante estadunidense Ferguson.

Estavam presentes na cerimônia de Trapani, alguns dos principais representantes da Aliança. O general estadunidense Breedlove, comandante supremo aliado na Europa (cargo que, informa a OTAN, é ocupado “tradicionalmente” por um almirante estadunidense, nomeado pelo presidente): Breedlove tem “dois capacetes de comando”, porque ele é ao mesmo tempo chefe do Comando europeu dos Estados Unidos, isto é, ele faz parte da cadeia de comando estadunidense que tem a primazia absoluta, subordinando a OTAN de fato às ordens do Pentágono. Ao seu lado estavam na cerimônia de Trapani o secretário adjunto da OTAN, o embaixador estadunidense Vershbow, que fez sua carreira promovendo as “relações militares entre os Estados Unidos e os aliados europeus” e, ao mesmo tempo, “a democracia e os direitos humanos na ex-União Soviética”: depois de ter sido embaixador estadunidense na OTAN quando da guerra contra a Iugoslávia, ele detém hoje o cargo de vice-presidente do Conselho do Atlântico Norte, principal órgão de decisão da Aliança no qual, segundo os estatutos, “não há votos nem decisões tomadas por maioria”, mas “as decisões são tomadas por unanimidade e de comum acordo”, ou seja, de acordo com as ordens de Washington.

Entretanto, os aliados com mérito são recompensados: na cerimônia de Trapani participou o general francês Mercier que, pelos méritos adquiridos nas guerras contra a Iugoslávia, no Afeganistão e na Líbia, foi levado à direção do Comando para a “transformação” da OTAN, cujo quartel general fica em Norfolk, na Virgínia (Estados Unidos).

Igualmente presente em Trapani o general Tcheco Pavel, nomeado presidente do Comitê militar da OTAN e, nesta condição, principal conselheiro do Conselho do Atlântico Norte, ao qual ele transmite a opinião “baseada no consenso” dos chefes do estado maior dos países da OTAN: Pavel, antigo oficial da inteligência, adquiriu grandes méritos aos olhos do Pentágono, em particular quando ele foi representante militar tcheco no quartel general do Comando Central estadunidense em Tampa na Flórida, e no comando avançado no Catar no momento da segunda guerra contra o Iraque. À sombra desses grandes, o subsecretário da Defesa da Itália, teve na cerimônia de Trapani, a honra de participar em uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário adjunto da OTAN, o estadunidense Vershbow.

E o que faz a União Europeia (UE) enquanto a Otan sob o comando estadunidense realiza na Europa uma dos maiores exercícios de guerra?

Ela apoia, seja porque 22 dos 28 países da UE são membros da Otan, seja porque a Otan oficialmente “permanece o fundamento da defesa coletiva» da União. Para reafirmar este princípio, o presidente do Consleho Europeu, o polonês Donald Tusk, foi no dia 13 de outubro à sede da Otan, onde foi recebido pelo secretário Stoltenberg.

E em 15 de outubro, uma representação do estado maior militar da UE se deslocou à sede da Task Force conjunta da Otan, em Saragoça (Espanha) para acompanhar o desenvolvimento da Trident Juncture.

O exercício, declarou Vershbow em Trapani, mostra que “nós podemos trabalhar com a União Europeia sob pressão”.

Exercícios militares de semelhante amplitude, sublinhou Vershbow, foram realizados no curso da guerra fria contra a ameaça soviética.

“Hoje, estamos confrontados com uma situação muito mais instável e potencialmente mais perigosa» porque “a Rússia anexou ilegalmente a Crimeia, apoiada por separatistas na Ucrânia e entrou na guerra na Síria ao lado de Assad”. 

É por isso que a OTAN testa com a Trident Juncture e outros exercícios militares (mais de 300 em 2015), “nossa capacidade de agir rapidamente e de maneira decisiva além de nossas fronteiras para proteger nossos parceiros e nossos interesses”. Uma verdadeira declaração de guerra que a Otan lança desde a Itália, um país que em sua Constituição rejeita a guerra.

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