2 de outubro de 2015

Guerra relâmpago de Putin na Síria

Mike Whitney

Counterpunch

Por mais de um ano, os EUA brincaram de bate-palma com um exército de homicidas maníacos, que se auto-denomina ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico. Na segunda-feira, o presidente da Rússia Vladimir Putin anunciou que cansou da música e da dança de Washington e planejava aplicar um pouco da justiça russa às milícias terroristas que mataram 225 mil sírios e reduziram o país a farrapos. Em fala que não poderia ser mais clara, Putin disse à Assembleia Geral da ONU: "Não podemos mais tolerar o atual estado de coisas no mundo". Menos de 48 horas adiante, os bombardeiros russos faziam chover bombas de precisão em redutos terroristas, por todo o oeste da Síria, forçando os vermes terroristas a se esconder.

Assim se combate contra terroristas (se você realmente quer acabar com eles). Bravo, Putin.

O ataque relâmpago de Putin foi total surpresa para todo o establishment político ocidental, que ficou embasbacado. Até agora, já no terceiro dia da campanha, nem o governo nem especialistas nos muitos think-tanks de extrema direita em Washington sequer atinaram com uma (qualquer) abordagem, muito menos têm alguma estratégica, para os desenvolvimentos em campo. O que é claro é que a ação de Putin surpreendeu todos, inclusive a imprensa, a qual, até hoje, ainda não conseguiu fixar nem a própria pauta (qualquer pauta).

Aí está feito extraordinário. Pergunte a seus botões, caro leitor: Como é possível que os seus próprios líderes militares e políticos aí fiquem, paralisados, assistindo, enquanto Moscou instala tropas, força aérea e equipamento militar pesado bem no centro de um teatro onde os EUA executam grandes operações, mas absolutamente não têm qualquer plano sobre como lidar com aquelas forças, no caso de receberem ordens de combate?

Se você, leitor, estiver convencido, como eu, de que os somos governados por imbecis cabeça-oca, você certamente verá sua avaliação confirmada aí, nesses eventos recentes.

Mas enquanto o governo Obama procura freneticamente alguma estratégia, os esquadrões aéreos russos estão fazendo chover fogo santo sobre os sociopatas degoladores e outros tipos variados de víboras que se reúnem no chamado Estado Islâmico. O presidente Putin está obtendo muita ajuda, especialmente das forças do Corpo de Guardas da República Islâmica do Irã e da valente milícia, o Hezbollah, "Exército de Deus", que já derrotou o exército de Israel em dois confrontos diferentes. Vejam o que diz a Agência Reuters:

"Centenas de tropas iranianas chegaram à Síria nos últimos dez dias e se unirão imediatamente às forças do estado sírio e a seus aliados libaneses, o Hezbollah, em grande ofensiva em solo, com apoio da força aérea russa, como duas fontes libanesas informaram à agência Reuters... 
'Os ataques aéreos [russos] devem, em breve, ser acompanhados por avanços, em solo, do exército sírio e seus aliados', informou uma das fontes atualizada sobre desenvolvimentos militares e políticos do conflito... 
A vanguarda das forças da infantaria iraniana já começa a desembarcar na Síria: soldados e oficiais, cuja específica missão é esse avanço por terra. Não são conselheiros ou instrutores: são centenas de soldados armados e equipados. São os primeiros. 'Depois virão mais soldados', acrescentou a segunda fonte. E também haverá soldados iraquianos, que participarão da operação, disse a fonte." ("Assad allies, including Iranians, prepare ground attack in Syria: sources", Reuters)

Estamos falando de uma aliança militar entre Moscou, Teerã e o Hezbollah?
Exatamente, precisamente isso. E você pode agradecer a Barack Obama e àquele seu plano lunático para mudança de regime, por esse desenvolvimento.

Críticos da ação de Putin disseram que "Ele não sabe o que está fazendo", "Vai acabar
atolado lá" ou "Será outro Vietnã".

Errado. A verdade é que Putin é seguidor da Doutrina Powell, mais empenhado que qualquer daqueles imbecis no Pentágono. Putin nunca perde de vista a regra nº. 5, que manda perguntar sempre: "Há saída plausível, para evitar engajamento sem fim?"

Será que Putin pensou sobre isso tudo, ou apenas se meteu lá, impulsivamente, como até aqui parece que só os governantes dos EUA são capazes de se meter em qualquer lugar? Eis o que Putin disse dia 30 de setembro:

"Claro que não temos qualquer intenção de nos deixar envolver profundamente nesse conflito. Atuaremos estritamente como determinado, em cada missão. Primeiro, apoiaremos o exército sírio só no combate legal contra grupos terroristas. Segundo, nosso apoio se limitará a ataques aéreos e não envolverá operações em solo. Terceiro, nosso apoio tem cronograma limitado e só continuará enquanto o exército sírio mantiver a sua ofensiva antiterroristas."

Bingo. Em outras palavras, Putin vai bombardear aqueles parasitas até só restar deles as pegadas na areia; em seguida, entram lá as brigadas do Corpo de Guardas da República Islâmica do Irã e do Hezbollah para a faxina final. Não haverá coturnos russos em solo. A força aérea russa receberá, de agentes sírios que trabalham no campo de combate, inteligência correta e útil sobre a localização do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico – e só a precisão das informações pode minimizar as baixas entre civis e os danos a peças da infraestrutura criticamente indispensáveis. Mas quem estiver no alvo, depois de definido por critérios corretos, será transformado em picadinho. Alguém acredita seriamente que ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico e aquela ralé dos mais variados degoladores "moderados" que a CIA paga conseguirão resistir contra esse massacre iminente?

Não. Não resistirão. Putin vai passar por aquela gente como um tornado num parque de estacionamento de trailers. Ah, sim, o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico teve algum sucesso contra os depauperados exércitos iraquiano e sírio. Agora o jogo é com equipe da Série A; essa não é liga que os terroristas conheçam ou estejam habituados a enfrentar. E varrer do mundo esses degoladores exigirá menos tempo do que muitos supõem.

A aviação russa já está destruindo depósitos de munição, de combustível, de equipamento militar pesado, postos de comando, tudo que constitui e/ou amplia a capacidade do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico para manter-se em guerra. A nova coalizão antiterror vai cortar as linhas de suprimento e os terroristas ficarão à míngua. E toda a operação estará concluída, antes até de os EUA acabarem de amarrar os coturnos. Eis o que noticia a Press TV iraniana:

"Alto membro do Parlamento russo diz que a campanha aérea em curso comandada por Moscou contra militantes que operam na Síria vai-se intensificar. Alexei Pushkov, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do Parlamento Russo, disse na sexta-feira que Moscou intensificará seus ataques contra militantes na Síria, enquanto avalia os riscos associados a operação extensiva. 
'Sempre há algum risco de se acabar envolvido, mas em Moscou estamos conversando sobre operação de 3-4 meses', disse Alexei Pushkov, segundo a Reuters. 
A Rússia começou na quarta-feira os seus ataques coordenados contra posições de militantes na Síria. O movimento veio imediatamente depois de a Câmara Alta do Parlamento russo, o Conselho da Federação, ter autorizado as operações na Síria." (Press TV).

Não vai ser de faz de conta. Putin vai atacar diretamente a jugular e, em seguida, vai se retirar.

Alguém acha que já entenderam alguma coisa disso tudo, na Casa Branca? Alguém acha que eles lá compreenderam que tropas iranianas e do Hezbollah não farão diferença entre degoladores "moderados" e degoladores "extremistas"? Será o clássico "mate todos, e Deus recolherá os Dele". Alguém acha que alguém na Casa Branca já se deu conta de que a política de Washington para o Oriente Médio entrou em colapso e que planos de financiar terroristas e sonhos de mudar regimes acabaram, felizmente? Alguém acha que eles já perceberam que o papel de Washington, como avalista da segurança global, acaba de ser transferido para Moscou, onde Vladimir Putin pôs-se ele próprio em risco, e o seu país, para defender princípios fundamentais da lei internacional, da soberania nacional e da autodeterminação dos povos? Aqui, novamente, Putin:

"Estamos apoiando o governo da Síria na luta contra uma agressão terrorista. Estamos oferecendo e continuaremos a oferecer-lhe a necessária assistência técnico-militar. Temos de continuar o diálogo em nome de alcançar consenso. Mas é impossível alcançar sucesso real, enquanto persistir o banho de sangue, e a população não se sentir segura. Nada conseguiremos até termos derrotado o terrorismo na Síria."

Putin está liderando uma coalizão na luta contra o terror. Todos nós devemos ser gratos por isso.

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