1 de outubro de 2015

A ascensão do Syriza: Por que Alexis Tsipras venceu as eleições parlamentares

As recentes eleições parlamentares reafirmaram a hegemonia política do Syriza e Alexis Tsipras pessoalmente no sistema político grego. O partido de esquerda teve 35 por cento dos votos e formou um governo de coalizão com um pequeno partido de direita.

Emmanuel Karagiannis


Tlaxcala / À primeira vista, o resultado pode parecer estranho: o capital que tudo controla na Grécia feriu ainda mais profundamente a economia grega já arruinada; o desemprego só cresce; e muitos altos quadros do partido Syriza desertaram, para criar partido próprio, "Unidade Popular", pregando a reintrodução da dracma. Nesse quadro, seria de esperar que os eleitores gregos tivessem votado no partido conservador "Nova Democracia", o qual, enquanto governou, conseguiu repor a economia de volta sobre os próprios pés. Apesar disso, e apesar das pesquisas que indicavam corrida muito apertada entre os dois partidos, o Syriza venceu com diferença de 8 pontos percentuais.

Como explicar essa vitória espetacular? Primeiro, Tsipras convenceu muitos gregos de que realmente se esforçara para conseguir melhor acordo com os credores estrangeiros. Só desistiu, quando se deu conta de que "nenhum acordo" significaria Grexit – que era o que a maioria dos gregos não queria. Assim provou, não só que lutou como bravo patriota contra "os alemães", mas, também, que sabe raciocinar e agir como político pragmático. Segundo, muitos eleitores estão, simplesmente, fartos dos partidos tradicionais que governaram o país durante muitos anos, sem nunca atacar nenhum dos grandes problemas – corrupção e sonegação/evasão de impostos. O Syriza é visto por muitos como grupo inexperiente de idealistas, que merecem uma segunda chance. A autocrítica de Tsipras com certeza deu excelente resultado, porque os eleitores gregos até hoje só ouviram políticos que sempre acertam e sempre têm razão, que não têm falhas, nunca erram e jamais, em tempo algum, reconhecem os próprios erros. Terceiro, Tsipras fez promessas e serviu-se de retórica inspiradora, em tudo diferente dos demais candidatos, que só ofereceram "sangue, cansaço, lágrimas e suor". Por mais que seja óbvio que o acordo de julho de 2015 trará mais impostos e cortes no orçamento, os apoiadores do Syriza esperam que, sejam quais forem as circunstâncias objetivas, um governo de esquerda saberá ser mais sensível às demandas por justiça social e justa representação de interesses.

A vitória de Tsipras e do seu partido é boa notícia para a Eurozona. O primeiro-ministro grego comprometeu-se com a implantação de uma série de reformas dolorosas, para que a economia se torne mais competitiva. Depois da derrota humilhante que sofreram os seus ex-camaradas que criaram o Partido da Unidade Popular – que não conseguiu eleger sequer um deputado ao Parlamento, é perfeitamente claro que a maioria dos gregos está disposta a apoiar, ainda que relutantemente, aquelas reformas que podem manter o país dentro da Eurozona. Além disso, a crescente pragmatização do Syriza mostrou que governos de esquerda não podem alterar as realidades políticas e econômicas na Europa. Apesar da dura retórica contra a União Europeia, Tsipras está a poucos dias de lançar o maior programa de privatizações de todos os tempos. Ainda mais importante: a orientação geopolítica da Grécia não mudará tão cedo. Atenas não pode pagar o preço de distanciar-se de Bruxelas, Paris e Berlim. O futuro da Grécia está ligado ao resto da Europa, para o bem ou para o mal, e Tsipras reconheceu essa evidência.

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