11 de março de 2015

Extremismo "mainstream" ocidental: Distorção, fabricação e falsificação na imprensa financeira

James Petras

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Tradução / Com o colapso dos países comunistas em meados dos anos 1990 e sua conversão ao capitalismo, ao que se seguiu o advento dos regimes neoliberais através principalmente da América Latina, Ásia, Europa e América do Norte, os regimes imperialistas nos Estados Unidos e União Europeia estabeleceram um novo espectro político, no qual os padrões de aceitabilidade foram reduzidos e expandidas as definições para inimigos/adversários.

Os Estados Unidos e a União Europeia, durante o último quarto de século passaram a prestar atenção ao que julgavam ser seus inimigos sistêmicos (Estados e Movimentos anticapitalistas e anti-imperialistas), e atacaram países capitalistas que 1) passassem a adotar políticas ou Keynesianas ou nacionalistas ou distributivas; 2) tomassem posições contra intervenções militares, golpes ou instalação de bases (norte)americanas; 3) Se alinhassem a potências capitalistas não ocidentais; 4) firmassem posição contrária à colonização da Palestina por Israel ou ao financiamento pelos países do golfo, de terroristas islâmicos; 5) se recusassem, a qualquer tempo, seguir as políticas das casas financeiras de investimentos de Wall Street ou da City de Londres, bem como fossem contra a ação de especuladores ou de fundos abutres.

Os regimes imperiais do ocidente (falamos especificamente sobre Canadá, Estados Unidos e União Europeia), exercem e exerceram seus poderes de propaganda enganosa, político, militar e econômico para: 1) Ou eliminar ou limitar as opções de variedades de opções para países capitalistas; 2) controlar as formas de relações Mercado/Estado e 3) assegurar o cumprimento de seus desejos através de invasões militares, ocupações de territórios e sanções econômicas contra adversários específicos.

A “troika midiática”: Imprensa financeira e guerra política

Os maiores jornais considerados profissionais e de grande circulação nos Estados Unidos desempenharam um papel decisivo na disseminação de uma linha política considerada aceitável para as políticas capitalistas depois da queda do comunismo e são: The Wall Street Journal (WSJ), The New York Times (NYT) e o Financial Times (FT) – a “Troika” – engajaram-se de forma sistemática em uma guerra política agindo como uma verdadeira arma de propaganda enganosa virtual dos governos imperialistas dos Estados Unidos e União Europeia, em suas tentativas de impor e/ou manter no status de vassalos aqueles países e economias “regulares”, desde que esse conceito esteja acordo com as necessidades das instituições financeiras Ocidentais.

A propaganda enganosa da Troika não só reflete os interesses e políticas determinadas pelas elites governantes, mas seus editores, jornalistas e comentaristas moldam a política através de suas reportagens, análises e editoriais.

Os métodos da Troika para essas operações políticas e a própria substância de suas políticas eliminam a possibilidade de qualquer tipo de reportagens equilibradas.

Dia sim, dia não, a Troika ou (1) fabrica “crises” direcionadas a adversários ou inventa promessas ilusórias de “recuperação” para os países vassalos; ou (2) distorce e/ou omite informações favoráveis daqueles considerados adversários, rejeitando-os como “autoritários” ou “corruptos”. Em contraste, os vassalos administrados de forma submissiva ao ocidente são descritos como “pragmáticos” e “realistas”. A Troika, em relação aos adversários, chama de “ameaças militares” e “comportamento agressivo” mesmo as suas políticas voltadas apenas para a defesa. Já em relação aos estados vassalos que estejam promovendo invasões ou agressões, toda ação é justificada como retaliatória ou defensiva.

Uma leitura cuidadosa das reportagens pelos escribas regulares da Troika por um período de dois anos revela o uso de termos pesados e corrosivos na descrição dos líderes dos países considerados adversários. Assim o leitor é preparado para uma avaliação parcial e negativa do passado, presente e futuro das políticas adotadas pelo regime visado

Desde que determinado governo de um país qualquer e seus líderes estejam na alça de mira da Troika e dos Estados Imperiais, todas as notícias subsequentes desses países e líderes são direcionadas no fito de apresentar seus motivos como “pérfidos” e os impactos sociais e econômicos de suas políticas como “catastróficos”.

Não importa o quanto esteja errada, enganada ou deliberadamente falsa a Troika em suas análises, predições ou prognósticos incorrendo em erros grotescos – nunca há qualquer tipo de correção.

Assim que um determinado governo seja designado como “inimigo” e esteja no ponto para uma mudança de regime, a Troika passa a reciclar notícias, tornando-as mensagens hostis contra aquele governo numa base quase diária. Só dando uma olhada nas manchetes da Troika seus leitores já sabem pelo menos três quartos dos “comentários”, “reportagens” ou “artigos”. Talvez uma pequena porção da reportagem possa se referir de forma tangencial a algum eventual aspecto ou decisão política pelo qual a diatribe foi lançada.

Trabalhando lado a lado com os regimes imperiais Ocidentais, a Troika coloca em seu radar os mesmos regimes visados pelo Império, usando exatamente os mesmos termos que os porta vozes da política imperial.

Nós discutiremos nesta análise os principais regimes e políticas que a Troika, junto com seus parceiros do império Ocidental quer enfraquecer ou destruir. A partir disso, vamos avaliar os procedimentos da Troika, suas interpretações e seu histórico desde o começo da investida contra eventual alvo até o presente. Com isso, chegaremos à conclusão de que uma antes poderosa e “séria” imprensa financeira se transformou em um triunvirato de belicistas obsessivos.

Os regimes visados pela Troika: alardeando seus fracassos e escondendo seus sucessos.

A propaganda de Guerra promovida pela Troika não apenas converge com as políticas de desestabilização (mudança de regime) dos estados imperiais, mas também pode ser e é dirigida para incremento de políticas específicas e acordos entre supostos aliados, parceiros e mesmo estados vassalos.

A intensidade da corrosão e a frequência de artigos hostis variam de acordo com o nível do conflito entre o regime imperial e os seus alvos para “mudança de regime”. Quanto maior o conflito, mais violenta se torna a linguagem.

Encontramos hostilidade intense da Troika na forma de ataques frequentes e histéricos dirigidos diretamente contra Rússia, China, Argentina e Palestina. Mesmo qualquer suspeita de suposto “desvio” por vassalos, como Chile ou Brasil, na forma de legislação social doméstica, são objetos de duras críticas e alertas de graves consequências.

As calúnias da Troika contra a Rússia

Conforme o nível de cada alvo, variam os ataques da Troika. No caso da Rússia, aTroika rotineiramente denuncia o Presidente Vladimir Putin como um governante autoritário que está minando a democracia russa. Afirmam acusatoriamente que a economia russa estaria em crise e à beira de um colapso iminente. Vilificam a assistência militar prestada pela Rússia ao Presidente da Síria, Bashar al-Assad. Questionam a viabilidade dos tratados e acordos militares e econômicos da Rússia com a China. Em suma, a Troika apresenta a Rússia como um país que um dia foi pacífico, democrático e atento ao cumprimento da legislação internacional (durante os anos cleptocráticos do governo de Yeltsin nos anos 1990s), que teria sido tomado por agentes secretos a extinta KGB, os quais teriam embarcado em enormes aventuras militares imprudentes no exterior, que estariam reprimindo suas populações muçulmanas (na Chechênia e no Daguestão) e que estaria caminhando em direção ao abismo econômico por má administração e sanções econômicas ocidentais. Só esquecem sempre de reportar e nem tentam explicar porque o “autoritário” Vladimir Putin mantém sua popularidade no máximo (quase 90% de aprovação - NT) entre os cidadãos de seu país, apesar da litania maléfica da Troika.

Os fantoches ucranianos com aprovação de apenas de 1%, apoiados pela Troika:

Em dezembro de 2013, a secretária assistente de Estado para assuntos da Europa e Eurásia, Victoria Nuland, a diplomata de boca suja, dominatrix de fantoches e fanática por políticas de austeridade, gabava-se de que Washington havia esbanjado 5 (cinco) bilhões de dólares na Ucrânia com o objetivo de aplicar uma “mudança de regime” e instalar no país em regime fantoche liderado pelo Presidente Petro Poroshenko e Arseniy Yatsenyuk (Yats, nosso garoto) como primeiro ministro. Obediente e submisso aos seus patrocinadores ocidentais e à Troika, Yatsenyuk determinou a assinatura de um tratado com o FMI e a aplicação de programas de austeridade, podando salários e pensões do cidadãos ucranianos pela metade, reduzindo o PIB em 25%, acabando com subsídios para combustível e comida e triplicando o desemprego. Essas políticas econômicas acarretaram lucros extraordinários para seus comparsas bilionários capitalistas e intensificaram a corrupção no país. O golpe de Nuland foi classificado pela Troika como uma “revolução democrática” aplaudindo Yatsenyuk pela aplicação vigorosa dos ditames dos programas do FMI e predizendo um brilhante futuro para a Ucrânia...

Apesar do descontentamento. Da disseminação da raiva que cresce entre os cidadãos da Ucrânia, Yatsenyuk continua a alimentar seu ego doentio, lendo os editoriais daTroika que louvam incessantemente sua coragem de permanecer no curso da austeridade, ignorando a opinião pública de seus compatriotas, até o evento das eleições de 25 de outubro de 2015.

Com a aproximação das eleições, e com as pesquisas de opinião revelando que 99% do eleitorado (pesquisas estas que excluíram a opinião dos cidadãos da região do Donbass), rejeitavam completamente Arseniy e suas políticas (agora, Arseniy é conhecido como “o imbecil dominado pela Nuland”), e face a face com a rejeição universal de miséria e capitalismo de compadrio, ele retirou seu partido (a Frente Popular [sic]) das eleições, mas não do “governo democrático”...

Por dois anos a fio a Troika elogiou prazerosamente a junta em Kiev, inventando reportagens sobre as supostas “reformas” econômicas positivas de Kiev... que beneficiaram os 15 de corruptos oligarcas enquanto empobrecia as massas. As fábricas de propaganda enganosa da imprensa ocidental distorciam sistematicamente as reações que ocorriam entre o povo ucraniano, citando “experts anônimos” e “homens nas ruas” que nunca existiram para louvar as políticas que levaram à derrocada do país. Jamais a Troika mencionou, nestes dois anos de mentiras e“jornalismo” escrachado, as pilhagens de a miséria crescente sob o governo do Primeiro ministro Arseniy Yatseniuk. Quando “Yats” foi confrontado com o total repúdio de que goza em seu próprio país, ele ironicamente desprezou a opinião pública ucraniana, afirmando que “não está preocupado com classificações temporárias (sic) sobre partidos políticos”. Sua indiferença para com um repúdio eleitoral de 99% está embasada na ilusão de que continuará indefinidamente primeiro ministro, afinal de contas é louvado todos os dias pelos Estados Unidos, União Europeia, o FMI e... aTroika midiática.

A Troika e a China: agora quebra...?

Em seu “pivoteamento jornalístico para a Ásia”, a Troika se emprenha em depreciar o alto crescimento econômico chinês questionando repetidamente seus dados, predizendo mês sim mês não crises iminentes, desagregação e descontentamento massivo.

As políticas de defesa da China são classificadas pela Troika como “ameaça militar contra seus vizinhos” e cola em sua políticas de investimento e comércio no estrangeiro a pecha de “exploração neocolonial”.

A campanha nacional da China contra a corrupção e o castigo duro aplicado a funcionários corruptos é mencionado pela Troika como sendo “um expurgo político de um presidente sedento de poder”.

A Troika é capaz mesmo de atribuir a um mero “roubo cibernético de inovações ocidentais” os avanços chineses em ciência e tecnologia.

A movimentação de trabalhadores chineses (migração interna) para áreas com melhores condições de trabalho, investimento e salários mais vantajosos é chamado de “colonização”.

As respostas de governos chineses ao terrorismo praticado por separatistas armados no Tibete e em Xinjiang ocidental (uigures – NT) são denunciadas pela Troika como “sistemática violação por Pequim dos direitos humanos das minorias”.

Por causa de uma década de crescimento, a Troika castiga a Argentina capitalista

Há uma década a Argentina está no radar negativo da Troika apesar do fato de ter um governo de centro/esquerda, que recuperou a Argentina capitalista de um colapso total (a Crise de 1998-2002) recuperando o crescimento dos lucros. Multinacionais como a Monsanto e a Chevron obtiveram grandes retornos em seus investimentos na Argentina.

A Troika denuncia o governo argentino por propor orçamentos deficitários, ignorando o impacto do julgamento de uma corte de Manhattan beneficiando um grupo de especuladores de “fundos abutres” de Wall Street que queria o “pagamento de juros” de 1.000% (um mil por cento) de dívidas pré-crise.

A Troika reclama que o governo argentino embarca em excessos populistas, que impedem o fluxo de capital para os especuladores.

A Troika descreve o atual baixo crescimento da economia como sendo uma “crise profunda”, a qual requereria “grandes reformas estruturais” (principalmente a eliminação de qualquer tipo de ajuda social estatal para os empregados de baixa renda, para aposentados e pensionistas e para crianças em idade escolar).

A Troika pinta a Argentina como à beira de um desastre total. Uma economia em queda acelerada governada por uma líder demagógica preocupada apenas em falsificar dados... para mascarar uma iminente catástrofe...

A Troika e a campanha: “Odeie a Venezuela”

Os jornalistas da Troika e seus escritores de editoriais apresentam a Venezuela como um desastre total: uma economia estagnada e em ruínas, destruída por um regime populista e autoritário que reprimiria violentamente seus opositores pacíficos.

De acordo com a Troika a Venezuela é incapaz de prover seus consumidores mesmo com os bens mais básicos. Em vez disso, recorreria a confiscos draconianos de empresários honestos, acusados injustamente de cartelização e especulação. A realidade diária da escassez de manufaturados é solenemente ignorada.

Quando o governo venezuelano tentou impedir a violência em suas fronteiras, assolada por constantes assaltos de paramilitares colombianos e traficantes, foi denunciado como reprimindo arbitrariamente imigrantes colombianos.

Quando Caracas teve que prender líderes da oposição porque eles, documentadamente, se envolveram em manifestações violentas, promovendo até a sabotagem de centrais de energia e clínicas, planejando golpes, os governantes foram retratados como violadores dos “direitos humanos de dissidentes legítimos”.

A Troika jamais menciona as dezenas de milhões de dólares que os Estados Unidos providenciaram para ONGs de oposição, que nada mais faziam a não ser tentar implementar uma campanha contra a Venezuela. Essas ONGs traidoras foram chamadas de “organizações sociais civis independentes”(exatamente como na Ucrânia antes do golpe).

Por quase duas décadas a Troika apresentou os grupos oposicionistas venezuelanos como críticos formidáveis de Chavez/Maduro. Só nunca explicou porque esses “formidáveis grupos oposicionistas” perderam 15 das 14 eleições que ocorreram durante o período.

Defendendo o Terror Israelense: A Troika e a Palestina.

Na sua cobertura do Oriente Médio,a Troika insistentemente descreve os palestinos como sendo terroristas violentos e agressores, enquanto descreve os judeus como vítimas inocentes. De acordo com a Troika o exército israelense, quando se dedica a bombardear e massacrar palestinos encurralados em Gaza estaria apenas agindo em justa represália. A desapropriação das terras, casas e direitos dos palestinos, que parece não ter fim, bem como a violenta ocupação colonizadora pelos judeus israelenses é apresentada como se fosse apenas um assentamento de judeus que fogem da perseguição.

Não existe menção, ou não se dá a devida importância a:

(1) a contínua profanação de lugares sagrados para o cristianismo ou islamismo;

(2) O terrorismo sistemático e o aprisionamento em massa de manifestantes pacíficos.

Os palestinos continuam a ser descritos como sendo “incendiários, irracionais de extrema violência”

Os “jornalistas” da Troika produzem “artigos” que são virtualmente indistinguíveis da propaganda oficial distribuída pela Configuração do Poder Sionista nos Estados Unidos. A Troika sempre adverte os regimes parceiros EUA/EU por qualquer resquício de criticismo ou expressão de choque frente aos mais flagrantes crimes cometidos por Israel.

A Troika ecoa os ataques sionistas ou israelenses contra os tribunais internacionais que acusam funcionários israelenses por crimes contra a humanidade. A Troika afirma que essa atitude traz o “desequilíbrio”.

A Troika e a Síria: generais de poltrona.

A Troika tem demonizado o governo sírio de Bashar al-Assad enquanto apoia terroristas aos quais denomina “rebeldes” ou “moderados”. Por muito tempo tem pedido por uma maior intervenção militar pelos exércitos da OTAN para derrubar o governo em Damasco.

A Troika, botando uma máscara de “imprensa financeira independente” publica punhados de artigos, por dúzias de “generais de poltrona”, que ficam bolando estratégias militares contra Damasco e ao mesmo tempo ignorando os altos custos econômicos envolvidos, a catástrofe social de 4 milhões de refugiados sírios internos e externos e as consequências funestas de dividir um país que já foi uma nação/estado secular e unificada.

A Troika e os neoliberais voluntariosos

A Troika sempre adverte os Estados cujos governos, embora tenham adotado “políticas de mercado livre”, mantenham paliativos sociais, mesmo que moderados. Por exemplo, o governo chileno de Michelle Bachelet foi vítima de forte criticismo por promover um pequeno aumento nas taxas contra as corporações e implementar uma legislação sindical que permite maiores direitos aos trabalhadores. De acordo com a Troika essas reformas mínimas levam a uma estagnação econômica. Um declínio no investimento e a grande polarização social.

Avaliação: desmascarando as distorções, invenções e falsificações da Troika

O “jornalismo e editorialização” da Troika sobre a Rússia distorceu completamente sua história política e econômica recente. Como todos os homens de confiança, sejam eles editores, articulistas e jornalistas da Troika encaixaram mentiras flagrantes com os fatos reais narrados, conseguiram maximizar defeitos e minimizar conquistas, não levaram em consideração tendências positivas no longo prazo e puseram em destaque fatos negativos episódicos.

Os relatos da Troika sobre a recente assistência militar e diplomática da Rússia para o governo da Síria, em seus esforços contra terroristas islâmicos, ignoram as recentes conquistas que tiveram, revertendo os avanços do Estados Islâmico e estabilizando o governo central do país.

A Troika pinta um abantesma de uma suposta expansão geopolítica da Grande Rússia, mas faz questão de ignorar as parcerias políticas de longa data entre a Rússia e os maiores países da região, como Iraque, Irã, Síria, Líbano e Jordânia.

No campo econômico, a Troika descreve como “catastrófico” o impacto sobre a Rússia das sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia por causa da Ucrânia, enquanto deixa de lado os resultados positivos que advirão no longo prazo para a economia russa – investimentos na indústria de transformação e na agricultura, maior autossuficiência, estímulo a produtores locais e a emergência no estrangeiro de mercados/fornecedores alternativos, especialmente China e Irã.

A Troika dá grande destaque aos dois anos de recessão na Rússia, ignorando toda uma década anterior de crescimento substancial, depois dos – estes sim catastróficos – “anos Yeltsin”.

A Troika falsifica tanto o passado quanto o presente desenvolvimentos políticos. Louvam discretamente os violentos gangsters oligarcas que governaram o país apoiados por Washington durante a pilhagem levada a efeito nos anos 1990s como tendo sido “uma democracia” enquanto denunciam as relativamente pacíficas e competitivas eleições sob Putin como sendo “autoritárias”.

A Troika recorre a armadilhas de propaganda similares contra a China. Qualquer pequena queda no crescimento de dois dígitos por três décadas consecutivas da China ganha cores de um iminente colapso, ignorando o fato de que a comunidade de negócios dos Estados Unidos/Europa só pode mesmo é sonhar com um robusto crescimento de 7% que a China exibe ano após ano.

As alegações berradas pela Troika de que a China rouba ciência e tecnologia do ocidente ignora o fato óbvio do imenso investimento chinês em tecnologia e ciência básica e aplicada e a criação pelo governo chinês de dúzias de centros de excelência que têm produzido impressionantes conquistas em níveis de escolaridade. Uma passada de olhos nas publicações internacionais de literatura científica e jornais especializados mostra um quadro inteiramente diferente daquele pintado pela Troika em relação aos avanços chineses nesses campos.

As exportações chinesas por via marítima que não param de crescer, requerem um grande investimento e comprometimento com segurança e com suas rotas marítimas. Para conter o enorme crescimento chinês e assegurar a supremacia (norte)americana, Washington assinou novos e provocativos pactos com o Japão, Austrália e Filipinas e procedeu a uma escalada nas intrusões de aviões e navios através de águas e espaço aéreo chinês. A Troika faz questão de rotular a defesa da China de suas águas territoriais e espaço aéreo como sendo uma ameaça militar “agressiva” contra seus vizinhos regionais, enquanto os investimentos dos Estados Unidos em novas bases através da Ásia e coleta de dados de inteligência excede o que é feito por Pequim na proporção de cinco vezes por uma. Os navios de guerra de Washington violam descaradamente o limite de 12 milhas das águas territoriais nas fronteiras chinesas.

Os escribas da Troika solenemente ignoram a recente história dos impérios dos Estados Unidos e do Japão, que invadiram dúzias de países, matando dezenas de milhões de pessoas no processo. Contrastando com o enorme círculo de bases militares e de centros de comunicação dos Estados Unidos na região do Pacífico asiático, a China não tem bases ou tropas no exterior – um fato que você jamais saberá apenas lendo os jornais que fazem parte da Troika.

Impregnada em suas páginas, a campanha da Troika contra a Argentina não dá o devido papel de destaque da diminuição de curto prazo na demanda internacional por commodities, preferindo atribuir os problemas da Argentina aos seus programas de bem estar social, controles de capital e regulação pelo Estado. A Troika não quer nem saber da última década de crescimento, prosperidade e aumento dos padrões de vida dos argentinos.

A fonte da estagnação argentina não está em alguma eventual “falha nas políticas de livre mercado” mas no regime de Fernandez, que procurou acomodar e promover o interesse de banqueiros internacionais, praticamente todos eles detentores de títulos da dívida externa da Argentina (exceto um dos mais notórios “abutres”) e com as empresas capitalistas extrativistas (agronegócio, Monsanto, Barrak Gold, etc.).

A “década da infâmia” – anos 1990s - é totalmente ignorada pela Troika. Nestes anos fatídicos, a Argentina serviu como um bazar de pechinchas para a privatização de empresas públicas lucrativas, tendo finalmente desmoronado em 2001, com bancos fechando em massa, 100.000 falências e cinco milhões de desempregados (30% da força de trabalho) – tornou-se então uma economia totalmente saqueada. Em vez disso, a Troika quer fazer lembrar estes tempos negros como um passado ideal de prosperidade e livre mercado, a fim de condenar a Argentina contemporânea à miséria, desprezando o registro histórico real de duas coisas: um desastre liberal e uma recuperação keynesiana.

Hoje, a Venezuela enfrenta uma crise severa, como gostam imensamente de lembrar os escribas daTroika em reportagens estridentes – culpando pela crise um governo “populista” (ou seja, que gasta com programas sociais de bem estar público), e políticas “nacionalistas”.

A Troika faz questão de desconhecer a já bem documentada sabotagem feita pelos distribuidores e importadores da comunidade privada de negócios, retenção de divisas, excesso de exploração e especulação monetária. Esses problemas foram exacerbados pelo forte declínio dos preços do petróleo, resultado de forças do mercado internacional e não meramente de má gestão governamental.

A Troika gosta de afirmar repetidamente aos seus leitores que os governos de Chavez e Maduro são autoritários, deixando porém de informar que uma dezena e meia de eleições muito competitivas foram realizadas desde que Chavez ascendeu ao poder. Além disso, a Troika mantém bem escondido debaixo do tapete os seus violentos editoriais de apoio para a oposição liderada pelos empresários e financistas, e o golpe militar apoiado pela embaixada dos Estados Unidos em 2001, e ainda outro, que também não deu certo, em 2014.

Conclusão

A Troika: o Wall Street Journal, New York Times e o Financial Times fazem de forma repetitiva falsos prognósticos relacionados ao desempenho econômicos dos governos apontados pelo Império como “inimigos”, sempre visando uma “mudança de regime”. Tais previsões econômicas erram, erram e erram e caso seus leitores entre o público de investidores tivessem apostado nestes prognósticos teriam perdido até a camisa, por apostar baseados nas sugestões dos editoriais da Troika contra a China e o resto...

Suas denúncias mal intencionadas em relação às atividades meramente de defesa dos exércitos russos e chineses estão elevando o nível de tensão no mundo a um nível perigoso. Seu apoio a separatistas étnicos no Oeste chinês e no Cáucaso russo incentivam atos de terrorismo que levaram à morte centenas de trabalhadores chineses pela ação de terroristas uigures e tibetanos e ainda centenas de russos nas mãos de terroristas chechenos, além de milhares de pessoas de linguagem russa na região do Donbass na Ucrânia.

Que fuja da Troika aquele que desejar informação confiável, especialmente as relacionadas às decisões econômicas, e políticas de governos estrangeiros considerados adversários dos Estados Unidos e da União Europeia (aqueles que são alvo de tentativas de “mudança de regime”).

Os leitores mais exigentes e inteligentes da Troika terão, no máximo, uma visão bem abrangente sobre a linha propagandística adotada pelas potências ocidentais.

Além disso, na atualidade, a Troika se tornou aos poucos ainda mais irracional e militarista que as próprias elites dominantes. Os generais de poltrona da Troika zombaram de Obama porque ele não quis enviar tropas para a Síria; os acordos nucleares com o Irã foram alvos de críticas direcionadas aos Estados Unidos e União Europeia; a Troika encampou com entusiasmo o sistemático assassinato de palestinos por Israel.

Irracional, desonesta e mais dada a agir de forma ruidosamente estabanada do que a relatar os fatos de maneira equilibrada, Troika perdeu credibilidade, pelo menos para leitores mais inteligentes e sérios, que tem que se esforçar para “ler nas entrelinhas” quando a Trika escreve, por exemplo, que determinado governo é “impopular” no correr das eleições. Mais provável é que não sejam, pois estes governos acabam por vencer de forma categórica as eleições, mantendo maiorias absolutas, como é o caso, pelo menso atpe agora, na Rússia, na Argentina, na Venezuela pelo mundo afora.

Nos casos em que a Troika tem sucesso em promover mais e mais guerras, como fez e faz no Iraque, na Líbia, Síria, Iêmen e Somália, todas estas e cada uma destas aventuras militares levaram e levarão a desastres econômicos e sociais, espalhando pelo mundo milhões de refugiados.

Quando governos soberanos, como o da Inglaterra, resolvem adotar políticas conciliatórias em relação à China, deixando de lado confrontações de ganho zero para uma política cooperativa de ganha-ganha, os generais de poltrona não perdem tempo em zombar e acusar os governos conservadores que agem dessa forma acusando-os de “submissão” a regimes autoritários – rejeitando um acordo de 30 bilhões de dólares.

Já vão longe os tempos em que a Troika apenas seguia fielmente a linha determinada pelos regimes imperiais. Agora, marcham com independência, rufando os tambores para guerreiros nucleares imaginários e terroristas. Sejam benvindos à “imprensa livre” e desfrutem das “mentiras de nossos tempos!”.

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