10 de novembro de 2015

André Glucksmann, do anticomunismo "de esquerda" (sic) ao exterminismo reaganiano

Georges Gastaud


"Nem rir, nem chorar, nem detestar nem maldizer, mas compreender". Na ocasião do falecimento de André Glucksmann (A.G.), compreender-se-á que o melhor para um filósofo marxista e comunista seja aplicar a célebre máxima racionalista de Spinoza...

1. Do "colarinho à mao" ao atlantismo flamejante: ruptura e/ou continuidades!

Tradução / Dizer que A. G. foi um "grande defensor da humanidade escarnecida", como faz em uníssono a lacrimosa imprensa “pluralista”, seria exagerar muito. De início assistente do muito direitista Raymond Aron, a "caneta" filosófica do Figaro, A. G. tornou-se depois de Maio de 1968 um dos chefes da Gauche Prolétarienne, a muito violenta GP que se especializava em injuriar, e até em molestar os militantes do PCF, da CGT e da Union des Etudiants Communistes (UEC). No início dos anos 1970, os estudantes comunistas, tal como os sindicalizados não comunistas da UNEF (como era o meu caso na altura) eram invariavelmente tratados de "revisas-colaboracionistas" pela "G.P."; no entanto, à época, e apesar de alguns primeiros desvios, o PCF militava pelo socialismo, combatia a Europa capitalista... e pronunciava-se a favor da ditadura do proletariado! É verdade que – crime imperdoável aos olhos dos dirigentes da "G.P."! –, os comunistas franceses não consideravam a URSS como incuravelmente "social-imperialista" e estavam longe de erigir Moscou em inimigo principal dos povos, como não tardou a fazer a maioria dos grupos "maoistas" ao apelo da direção chinesa (que não demorou a aproximar-se espetacularmente de... Nixon!). Verdade igualmente que os comunistas franceses nunca incensaram a "Grande Revolução Cultural Proletária" que se abatia então sobre o PCC e sobre a intelectualidade chinesa... sem entretanto desenraizar a corrente "pragmática" que veio depois a triunfar em Pequim. Reconheçamos todavia que as imprecações "anti-revisionistas" da A.G. não carecem de algum picante retrospectivo se constatarmos a vibrante evolução anticomunista do nosso futuro "novo filósofo" apaparicado pelos meios de comunicação giscardo-mitterrandistas: não construiu este senhor a sua fortuna politico-literária (para não falar senão nela...) sobre o anátema anti-leninista (La Cuisinière et le mangeur d’homme), sobre o antimarxismo primário e a condenação do racionalismo (Les maîtres-penseurs), sobre uma guerreira execração da URSS (La Force du vertige), sem falar do lógico alinhamento final a Sarkozy, à OTAN e aos belicistas do campo neoconservador e seus satélites anti-palestinos e russófobos... No fim de contas, os Bernard Henry-Levy (BHL), A.G. e outros "novos filósofos" não terão falhado uma única cruzada ocidental contra o socialismo existente (especificamente o apoio à Polônia "operária" de Walesa e de João Paulo II...), contra os movimentes de libertação popular (A. G. colocou nos píncaros os "Combatentes da Liberdade" afegãos, ou seja os talibãs...), contra o direito dos povos a dispor de si mesmos (apelos recorrentes à intervenção imperialista na Líbia ou na Síria, com os resultados devastadores hoje à vista...).

Concedamos entretanto que A. G. terá sabido empreender a sua grande virada da autoproclamada extrema-esquerda ao atlantismo exacerbado aparentando constantemente uma sinceridade fulminante (que é sem dúvida preferível, para conservar a auto-estima, à postura choramingas do arrependido...). Na verdade, A.G. não terá tido ao longo da vida – tal como outras vedetas soixante-huitardes "que passaram do colarinho à mao para o Rotary Club" [2] – senão uma única continuidade real: o seu fervoroso ódio contra o PCF de Duclos e Marchais, contra a CGT de classe de Krazucki, contra a União das Republicas Socialistas Soviéticas, numa palavra, a sua guerra de morte contra a classe operária organizada, esse "proletariado" que os nossos ex-"maos spontex" mitificavam tanto que ele assumia a postura (nobre mas inofensiva) do revoltado, mas a quem interditavam que se organizasse solidamente em partido, que estabelecesse o seu poder de classe e o consolidasse tomando certas medidas potencialmente desagradáveis aos frequentadores do Fouquet’s...

2. A virada hegemônica da "nova filosofia": do "bloco histórico antifascista de Stalingrado ao bloco histórico anti-antifascista de Bitburg.

No fundo, esta gente – que acabou por comprometer o velho Sartre no seu empreendimento "antitotalitário" [3], na realidade vulgarmente anticomunista – terão sido muito úteis à grande burguesia francesa e à oligarquia capitalista mundial. À saída de um período muito ameaçador para a ordem capitalista mundial [4]. Ao invés de tantos jovens maoistas, operários e estudantes, que procuravam sinceramente os caminhos da revolução no momento em que o PCF começava subterraneamente a derivar [5], os chefes de fila do maoísmo francês terão sabido de forma notável tirar partido dos tremendos equívocos do Maio de 68: porque esse movimento altamente contraditório viu ao mesmo tempo a maior greve operária da historia [6] e o emergir de uma corrente dita liberal-libertária (os antepassados lilis dos bobos) que dissimulava o seu anticomunismo, mesclado de antipatriotismo e anti-republicanismo primários, por detrás da retorica ultra-revolucionária do esquerdismo, de forma a atacar sempre "pela esquerda" os "crápulas estalinistas" do PCF (Cohn-Bendit dixit): o sociólogo Michel Clouscard analisou admiravelmente a emergência do liberal-libertarismo anticomunista e euro-atlântico no seu já clássico estudo do Capitalisme de la séduction. Substituindo ao antifascismo oriundo de 36 e do CNR um "anti totalitarismo" confusionista que fazia tábua rasa de qualquer análise de classe dos fenômenos políticos, BHL, A. G. e seus epígonos tipo Bernard Kouchner terão desempenhado um papel nacional e mundialmente reacionário: com as suas engenhocas intelectuais fulminantes (amálgamas, condensados históricos ineptos, caricatura furiosa da história soviética, tom profético destinado a intimidar os eventuais objetores), A. G. e seus pares terão facilitado que tomasse forma, no terreno ideológico, o novo bloco histórico mundial contra-revolucionário no qual vivemos, ou melhor, no qual ainda sufocamos: um bloco no qual o socialismo fazia figura de Império do mal (e o sanguinário imperialismo atlântico de baluarte do Bem), no qual o direito dos povos a dispor de si mesmos cedia lugar ao "direito" do imperialismo de se ingerir nos assuntos dos Estados pequenos e médios (o humanitarismo atlântico à moda "ONG" tomando o lugar da "missão civilizadora da França") e onde, para acabar, a ultradireita reaganiana e sarkozysta, esse primeiro escalão "liberal-autoritário" do foguetão neofascista, dispunha de um lugar estratégico: BHL convencendo Sarkozy a invadir a Líbia, BHL e A. G. santificando o desmantelamento imperialista da Iugoslávia por Kohl e Clinton, e todo esse pequeno mundo acolhendo com um silêncio de chumbo o totalitarismo Anticomunista que, depois 1989/91, se traduziu num euro-macarthismo devastador (Hungria, Países bálticos, etc.), sem falar do apoio da UE/OTAN à equipe pró-nazi e belicosamente russófoba entretanto no poder em Kiev. Em resumo, por detrás desse "anti-totalitarismo" de fachada que se acomodava sem problemas ao bombardeamento ieltsiniano do Parlamento russo (Outubro 93) e ao totalitarismo patronal rampante da euro-mundialização "liberal" (liberal-fascizante seria mais exato!), estes ideólogos do anti Iluminismo que foram os "novos filósofos" terão desempenhado um papel ideológico destacado: terão efetivamente contribuído para a virada contra-revolucionária do bloco histórico de Stalingrado [7] no sentido daquilo que em 1984 eu tinha designado como o bloco histórico de Bitburg: Bitburg é com efeito o nome de um cemitério militar alemão onde repousam corpos de membros das Waffen-SS e onde Reagan, Thatcher, Kohl et Mitterrand, fotografados de mãos dadas, vieram manifestar o seu apoio à implantação dos euromísseis EUA na RFA, na Holanda e na Sicília, com o objetivo declarado de colocar Leningrado a 5 minutos de tiro dos polígonos da OTAN. Assim nasceu, num clima de ajuste de contas contra a derrota dos EUA no Vietnã, de reabilitação de imperialismo alemão, de nova cruzada anti-soviética e de encarniçada intervenção EUA contra as insurreições centro-americanas de Salvador e Nicarágua (na base do l’Irangate), este novo bloco "anti-antifascista" ocidental que de fato criminalizava o comunismo ao mesmo tempo que, a pouco e pouco, reciclava... a extrema-direita fascizante, esse aluno distinto da turma anticomunista hoje na ofensiva por toda a Europa.

3. A.G., ou o exterminismo capitalista tornado filosofia

É extraordinário constatar que a nota biográfica que a Wikipédia consagra a A.G. omite inteiramente o aspecto mais central e no fim de contas, o mais interessante, da sua "obra": sobretudo para o pior mas também um pouco para o melhor (assim caminha a dialética histórica!), A.G. terá sido um dos teóricos mais consequentes – como sucede frequentemente com os fanáticos – daquilo que desde 1984 apelidamos de exterminismo capitalista. Efetivamente desenvolvemos então a ideia, por vezes caricaturada e mais frequentemente contornada, que o exterminismo é o estádio supremo da sociedade capitalista, entendendo por tal que, tendo-se o capitalismo tornado desde há muito « reaccionário em toda a linha » (economicamente, socialmente, culturalmente, politicamente e, acrescentamos desde então, «ambientalmente» …), a sua manutenção tornou-se tendencialmente incompatível com a sobrevivência e o desenvolvimento da espécie humana enquanto tal. Na nossa época pós-soviética, este exterminismo capitalista assumiu provisoriamente formas mais sutis e "apresentáveis" do que as que manifestava em 1984: com efeito, a contra-revolução capitalista – fonte profunda da atual mundialização yankee e da "construção" germano-europeia - tendo conseguido provisoriamente eliminar o campo socialista mundial, as formas do exterminismo foram de algum modo flexibilizadas, diversificadas e disseminadas: hoje, é de algum modo em fogo brando que o capitalismo imperialista submete a humanidade e o planeta azul à tortura mortal do lucro a todo o custo e das suas sequelas monstruosas, caos politico desde a África até ao Oriente Médio, fascização rampante da Europa, desastres ambientais sucessivos, etc. Nos anos 80, no momento em que a "nova filosofia" glucksmanniana conheceu o seu apogeu midiático, Reagan dominava os EUA e os seus partidários apostavam na ambiguidade do slogan E.R.A. (Elect Reagan again era interpretado também, na direita "republicana", Eliminate Russians Atomically); a reação alemã enfim descomplexada clamava "lieber tot, als rot" (antes mortos que vermelhos!). Reagan e Bush Sênior lançavam o seu projeto de "guerra das estrelas" (IDS) destinado a interceptar os mísseis soviéticos em caso de primeiro ataque nuclear "debilitante" dos EUA contra a URSS. Pouco tempo antes, o estratega estado-unidense Brzezinski – que se gabou depois da sua astúcia – atraía o Exército vermelho a uma armadilha no Afeganistão. Quanto a Glucksmann, teorizou o indizível empreendimento exterminista como apenas um filósofo o pode fazer. Em La Force du vertige (Grasset, 1984), A.G. explicava com efeito que o Ocidente devia assumir em nome dos seus "valores" a "segunda morte de humanidade", ou seja a perda de sentido absoluta que resultaria para cada um da ideia, não apenas da sua morte pessoal, mas do "desaparecimento da humanidade no seu conjunto". E tudo isto não se passava no Céu das Ideias mas em 1984, em plena "crise dos euromísseis", num momento em que o risco de guerra nuclear mundial crescia a toda a velocidade. Para A.G., que chamava a isso "dissuasão", a "segunda morte de humanidade" era preferível ao "risco" da "Sibéria planetária"[8], ou seja da extensão do comunismo a toda a humanidade (entenda-se: da propagação das revoluções populares africanas, centro-americanas, afegã, etc. ao conjunto dos países do Sul). Quando os EUA se referiam oficialmente à doutrina do first use (utilização em primeiro lugar pelos EUA da arma atômica contra a URSS) e mesmo à do first strike (desencadeamento da terceira guerra mundial anti-soviética por um ataque nuclear massivo e "desarmante" contra a URSS) e do "linkage" (ameaçar Moscou com uma guerra nuclear para o impedir de apoiar as revoluções populares), Glucksmann desempenhou um papel de primeiro plano na resposta atlântico-exterminista aos pacifistas oeste-europeus e americanos; porque, sem de nenhum modo apoiar Moscou, os referidos pacifistas observavam que a utilização de 15% dos stocks fuséo-nucleares mundiais no decurso de uma guerra Este-Oeste teria necessariamente de conduzir ao "inverno nuclear" (estamos longe do aquecimento climático atual!), quer dizer à intercepção da radiação solar pela massa disseminada das poeiras radioativas; portanto à interrupção da fotossíntese, logo à possível extinção das formas superiores de vida sobre o planeta Terra. Traduzindo em linguagem de leigo os vaticínios guerreiros dos belicosos profetas "evangelistas" yankees que, incitados por Reagan, anunciavam o "Harmaghedon" (a batalha final em que Deus derrota os infiéis – decodificado, os comunistas – e onde os "bons" se juntam ao "Reino"), Glucksmann executou o "trabalho sujo" filosófico de que a justificação do exterminismo imperialista necessitava. Escreveu nomeadamente esta atrocidade filosófica sem qualquer precedente: "prefiro sucumbir com o filho que amo (subentendido, numa guerra nuclear, G.G.) a imaginá-lo encaminhado para uma qualquer Sibéria planetária".

4. Duas respostas ao exterminismo reagano-glucksmanniano: Gorbatchev ou Castro.

Se este fanatismo anticomunista maximalista – que obtinha um sucesso de massas entre os pequeno-burgueses de “esquerda” : A.G. tinha efectivamente centenas de milhares de leitores e fazia mesmo escola no PS[9] – não culminou na guerra mundial nuclear, não foi porque o imperialismo dos EUA fizesse “bluff” [10], mas porque a direcção gorbatchéviana da URSS, intimidada e sobretudo contemporizadora e desleal, optou pela capitulação ideológica e diplomática em toda a linha. Em lugar de responder com firmeza, como fazia então Fidel Castro «socialismo o muerte, patria o morir !» e de como ele apelar, não a esperar o apocalipse nuclear mas ao desenvolvimento da luta de classe revolucionária, em lugar de prosseguir a via brevemente explorada por Yuri Andropov para construir uma ampla frente anti-exterminista mundial (a « frente mundial da razão »), Gorbatchev aceitou a problemática exterminista contentando-se com inverter o exterminismo EUA em social-pacifismo de tipo muniquense: o «antes morto que vermelho» exterminista dos Ocidentais tornou-se «antes não vermelhos do que mortos!», o que, traduzido no «novo pensamento» gorbatchéviano se tornava em : « preferir os valores universais da humanidade aos interesses de classe do proletariado ». Descodificado, tratava-se de renunciar ao socialismo para salvaguardar a paz, tal como Nixon convidava na mesma altura no seu livro sinistramente intitulado O mito da paz. No final, a Rússia pós-soviética actual, que os USA « perseguem » militarmente desde a Asia central à Síria passando pela Ucrânia e os países bálticos, terá repudiado o socialismo e as suas conquistas sociais sem de nenhuma forma ter ganho a paz. Como os « Muniquenses » Chamberlain e Daladier que, nas palavras de Churchill, escolheram a desonra para obter a paz e não tiveram senão a guerra como recompensa da sua fraqueza, Gorbatchev simplesmente substituiu a «guerra fria» por uma paz… cada vez mais quente. Uma « paz » que, hoje, poderia rapidamente transformar-se em confronto directo nos campos de batalha da Síria ou do Donbass uma vez que, se o Tratado de Varsóvia e a Federação soviética desapareceram, a NATO alargou-se até às fronteires da Rússia e a «União transatlântica», duplicada pela « União transpacifico » em gestação, visam claramente isolar e cercar economicamente os «BRICS», na primeira linha dos quais a China largamente descolorida e a Rússia totalmente descomunisada… E se para acabar, o exterminismo reagano-glucksmanniano, esta continuação da guerra de classe por outros meios (e acrescentaria eu, esta preparação da contra-revolução pela chantagem do extermínio), tivesse apenas mudado de forma encarnando na mortífera mundialização neoliberal, nas suas guerras imperialistas incessantes, na sua fascização politica rampante, na sua corrida ao lucro máximo, na sua mercantilização galopante do humano e da natureza, que, como dizia Marx, « esgota a Terra e o trabalhador » No fim de contas, não é mais do que uma forma de destruir a humanidade e de destruir a humanidade do homem...

5. Em que sentido, contrariamente a BHL, Glucksmann foi um "filósofo"

É neste sentido entretanto, repitamo-lo, que o triste A.G. é, muito mais do que BHL, esse histrião do conceito que ninguém tomou nunca a sério nos meios filosóficos, um filósofo à la triste figure. Sem valer moralmente e politicamente mais do que o seu comparsa, Glucksmann foi um filósofo no sentido em que o é toda a pessoa que procura pensar até às últimas consequências, de forma radical e coerente, uma hipótese teórica, e mais ainda, uma concepção do mundo e da existência. Impelindo até às suas mais negras consequências o falso humanismo, o falso universalismo e as pseudo-simetrias « antitotalitárias » da burguesia imperialista, A.G. foi e continua a ser um atractor negativo do sentido. Podemos mesmo apoiar-nos no seu pensamento, verdadeiro repelente trágico de qualquer progressismo, para conceber na sua coerência o alcance anti-exterminista radical de um comunismo de terceira geração [11] que assumiria ao mesmo tempo – porque os dois compromissos se condicionam mutuamente – a transformação da humanidade e a sua conservação (defesa anti-imperialista da paz mundial, defesa anticapitalista do ambiente, etc.); com efeito a defesa da sobrevivência humana passa pela sua transformação revolucionária e, simetricamente, a revolução socialista e anti-imperialista deve preocupar-se, mais do que nunca, não apenas em mudar a vida, mas em salvá-la. E esta dimensão tão universalista do comunismo não convida seguramente a menos combate de classe, masa mais compromisso revolucionário; porque, ainda que desagrade a Gorbatchev… e a Glucksmann, ambos de acordo em opor metafisicamente estas noções, seria mais do que nunca uma ilusão «exaustivamente» mortal opor « os interesses de classe do proletariado» aos « valores universais da humanidade » na primeira fila dos quais figura o direito à vida e ao desenvolvimento solidário de cada um. Mais do que nunca, à cubana, « patria ou morte, socialismo ou morte, venceremos !"...

Notas:

[1] Filosofo, última obra publicada Marxisme et universalisme, Delga, 2015.
[2] Pensamos em Cohn-Bendit, em S. July, o patrão de Libération; cf. também, um escalão acima A. Finkielkraut, ex-mao tornado pensador titular dos "nouveaux réacs", ou D. Kessler, que apela doravante em nome do patronato ao "desmantelamento do programa do CNR".
[3] Recordemos que os grandes defensores franceses dos direitos dos ricos burgueses de Saigão apoiaram depois durante dez anos os Khmers Vermelhos: invariavelmente, a França de Giscard e depois a de Mitterrand votavam a favor de que estes carrascos – inimigos jurados do vizinho Vietnam! – conservassem o lugar usurpado (o do Reino khmer) na ONU sob a tutela do palhaço Norodom Sihanouk.
[4] Vitória do povo vietnamita, Revolução portuguesa dos Cravos, vitórias populares em Africa e na América central, colapso de diversas ditaduras fascistas, extensão das forças anticapitalistas em Portugal, em França, em Espanha, na Grécia… não esqueçamos nunca que os anos 70 ainda tão próximos foram muito delicados para o bloco euro-atlântico…
[5] Seria injusto assimilar à GP os marxistas-leninistas oriundos do PCF que, no final dos anos 60, julgaram necessário romper com o seu partido para preservar uma linha revolucionária que segundo eles Mao encarnava face aos herdeiros soviéticos de Khrouchtchev. Mas combater-se-ão as tendências revisionistas direitistas de uns exaltando o sectarismo esquerdista de outros… sobretudo quando, para concluir, a direcção chinesa acaba por se aliar aos EUA para combater Moscovo ou por apoiar Pol Pot para pôr em dificuldade o Vietnam considerado demasiado pró-soviético ?
[6] …que teria sido impossível sem a implantação da grande CGT de classe de Benoît Frachon e sem as intensas lutas anticoloniais dos anos 50 e 60, conduzidas, no essencial, pelos militantes do PCF, da CGT e do sindicato UNEF.
[7] Geopoliticamente falando, a derrota histórica d’Hitler perante o odioso Exército vermelho de Staline tinha marginalizado os fascistas, pelo menos na Europa, e tinha desencarcerado politicamente os comunistas. Em resumo, o antifascismo dominava então o anticomunismo do qual Hitler era a ponta de lança antes de 1945.
[8] Supondo que a extensão do comunismo constitua um risco para o mundo do trabalha, a história ulterior – a contra-revolução na URSS ! – provou que a conversa de Reagan sobre a «ameaça comunista» consistia, de facto, tanto em engano como em auto-intoxicação !
[9] À época, os planos de programação militar gigantes programados por Mitterrand e pelo seu ministro da defesa de então, que era já Le Drian, pesavam como nunca no orçamento da França «socialista»…
[10] A revista Actualidades soviéticas demonstrava então que as « manobras » da NATO assumiam uma tal amplitude que cada vez menos se conseguia distingui-las de uma preparação directa do desencadeamento de hostilidades.
[11] Se a primeira geração é a que vai de Babeuf à Comuna e a segunda a que cobre todo o movimente histórico decorrente da Revolução de Outubro.

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