7 de dezembro de 2015

Investigação do Haaretz: Doadores dos Estados Unidos deram aos assentamentos mais de 220 milhões de dólares em fundos isentos de impostos ao longo de cinco anos

Registered non-profit groups are lavishly funding with tax-deductible U.S. dollars the same West Bank settlements the Obama administration considers obstacles to peace.

Uri Blau

Ilustração: Netalie Ron-Raz

Doadores privados  dos Estados Unidos financiam massivamente os assentamentos israelenses através de uma rede de organizações sem fins lucrativos e isentas de impostos, que canalizaram para as comunidades judias da Cisjordânia mais de 220 milhões de dólares durante o período de 2009-2013, descobriu uma investigação do Haaretz.

O financiamento está sendo usado para qualquer coisa, desde a aquisição de aparelhos de ar condicionado ou a ajuda financeira às famílias de judeus condenados por atos de terrorismo, e procedem de doações dedutíveis de impostos feitas por mais de 50 grupos radicados nos Estado Unidos.

Graças a sua condição de organizações “sem fins lucrativos”, as receitas dessas organizações estão isentas de impostos e as doações que recebem são dedutíveis do imposto de renda dos doadores - o que significa que o governo dos Estados Unidos alenta estas doações e apoia, indiretamente, o movimento de assentamentos israelenses, ainda que no transcurso dos últimos 48 anos as sucessivas administrações dos Estados Unidos tenham afirmado opor-se a ele.

Os resultados também mostram que, embora a direita israelense critique violentamente as organizações de esquerda porque recebem fundos do exterior  -e multiplicam suas tentativas de impedir esse tipo de financiamento - os grupos que apoiam os assentamentos também recebem amplo financiamento do exterior, embora a partir de diferentes fontes.

Enquanto as ONGs de esquerda e as organizações de defesa dos direitos humanos são financiadas por instituições e governos, os grupos que militam pela colonização israelense são especialmente beneficiados pela generosidade de doações privadas através de organizações sem fins lucrativos.

Low transparency requirements in both the United States and Israel make it difficult to gather comprehensive information on all of the donors, but some of the benefactors are known and include major donors to Prime Minister Benjamin Netanyahu. Some also donate to the U.S. Republican Party.

These and other issues will be detailed as part of Haaretz’s in-depth coverage of U.S. funding of settlements, which will be published over the next few weeks.

Assistência jurídica para terroristas judeus

Realizada ao logo de um ano, a investigação se baseou, sobretudo, em uma exaustiva análise de milhares de documentos oficiais fornecidos por dúzias de organizações sem fins lucrativos estadunidenses e israelenses.

Isso permitiu colocar em evidência que pelo menos 50 organizações distribuídas por todos os EUA estão envolvidas na captação de fundos para os assentamentos e suas atividades nos territórios ocupados.

Suas receitas entre os anos 2009 e 2013 - último ano para o qual existem dados mais ou menos completos - alcançaram os 281 milhões de dólares procedentes em sua maioria de doações e, em menor medida, de recursos devidos a investimentos de capital.

Cerca de 80% das receitas (em torno de 224 milhões de dólares) foi transferida aos territórios ocupados, em sua maioria sob a forma subvenções e através de associações israelenses sem fins lucrativos.

Apenas no ano de 2013, essas organizações receberam 73 milhões de dólares e distribuíram 54 milhões de dólares por subvenções.

Os dados disponíveis para 2014 fazem pensar que nesse ano o montante seria, todavia, maior.

A investigação do Haaretz mostra que uma parte dos fundos foi utilizada para fornecer apoio jurídico a judeus acusados ou condenados por atos de terrorismo e para auxiliar suas famílias através de uma associação israelense chamada Honenu. Informe anual da dita associação às autoridades israelenses demonstra que, no ano passado, a Honenu recebeu 155.000 dólares (20% do total de seus recursos) dos Estados Unidos.

Entre os beneficiários do apoio financeiro da Honenu figura a família Ami Popper, que assassinou sete trabalhadores palestinos em 1990, e alguns membros do grupo Bat Avin Underground, que tentou explodir uma bomba em uma escola de meninas em Jerusalém Oriental, em 2002.

A Honenu também reuniu fundos no passado para ajudar Ygal Amir, condenado à prisão perpétua pelo assassinato do Primeiro-ministro (israelense) Yitzhak Rabin.

“Honenu, uma organização de ajuda legal, sempre operou dentro da lei e somente em conformidade com os seus objetivos”, disse o grupo em um comunicado à Haaretz.

Ela acrescentou que, devido a regras de confidencialidade, não poderia discutir casos específicos, mas disse que tem prestado auxílio a milhares de suspeitos, incluindo oficiais da polícia israelense, soldados e civis.

De yeshivas para a compra de edifícios

Uma das organizações americanas mais importantes implicada no financiamento das comunidades judias da Cisjordânia é a “Hebron Fund” com sede no Brooklyn. Entre 2009 e 2014, transferiu aos assentamentos judeus de Hebron a soma de 5,7 milhões de dólares. Grande parte desses fundos se destinou à criação de parques, áreas de jogos, bibliotecas de acordo com os objetivos sociais de seus fundos, que são “melhorar a vida cotidiana dos residentes judeus de Hebron”.

Porém, os fundos do “Hebron Fund” também serviram para pagar um salário mensal para Menachem Livni, que foi dirigente da organização “Renewal of the Jewish Community in Hebron” entre 2010 e 2012, que por sua vez foi financiado pela organização americana.

Livni, ex-líder do grupo “Jewish Underground” que atuava nos territórios ocupados nos anos 80, é um assassino condenado pela justiça israelense pela morte de três estudantes palestinos e que também feriu gravemente dois prefeitos palestinos e um membro da Polícia de Fronteiras. Livni foi condenado à prisão perpétua, mas foi libertado após seis anos.

Dan Rosenstein, diretor-executivo do Fundo de Hebron, se recusou a responder perguntas sobre as atividades do Fundo ou a discutir seus doadores e beneficiários.

Outro doador importante é o “Center Fund of Israel”, cujas atividades são, a princípio, dirigidas pelos escritórios de uma empresa do setor têxtil instalada na zona de Manhattan, onde se encontram muitas empresas do setor de vestuário e cujos proprietários são os irmãos Marcus. As rendas deste fundo chegaram aos 13 milhões de dólares em 2013 – um aumento de 3 milhões com relação ao ano anterior. While many of the groups cited in this investigation have yet to file reports for 2014, the CFI has done so: last year it showed a sharp increase in its revenues, which jumped to $25 million – with almost $23 million forwarded to Israel.

Entre as instituições que mais se beneficiaram com a generosidade do “Center Fund of Israel” se encontra a “Od Joset Chai yeshiva”, localizada no assentamento da Cisjordânia de Yitzhar. Os dirigentes dessa yeshiva, os rabinos Yitzhak Shapira e Yosef Elitzur são os autores da “Torat Hamelech”, um livro que descreve as circunstâncias em que é permissível matar os não-judeus. Os dois rabinos foram interrogados pela polícia israelense e acusados de incitação ao racismo, porém não foram processados. No ano passado,na sequência dos violentos ataques contra o exército israelense, a Polícia de Fronteira tomou o controle da yeshiva durante vários meses.

In a meeting with a Haaretz reporter, CFI director Jay Marcus said the organization makes donations to a number of Israeli nonprofits operating on both sides of the Green Line (i.e., in Israel proper and the occupied territories). Ele se recusou a revelar o percentual de doações que vão para os assentamentos, dizendo que não era um problema e insistiu que o dinheiro não serve a propósitos políticos.

Despite this massive influx of U.S. dollars, Israel and its taxpayers are the settlement’s main bankrollers. Security, infrastructure construction and educational, religious and cultural activities are all financed by the citizens of Israel, either directly or through municipalities, regional councils and other channels.

O dinheiro procedente dos EUA se destina mais a financiar “o luxo adicional”: as instituições de educação ao judaísmo, a melhoria do nível de vida (como, por exemplo, unidades ar condicionado para o refeitório da escola Ohr Menachem, em Kiryat Arba), as atividades para recreação (a adequação de um passeio entre diferentes partes da colônia Etzion) e também para a aquisição de imóveis situados em Jerusalém Oriental, com o objetivo de continuar cada dia mais com a colonização da parte oriental da cidade ou fortalecer a presença judia nos lugares simbólicos (como, por exemplo, a aquisição de imóveis na proximidade da Tumba de Raquel, próximo de Belém).

A Casa Branca responde

Asked whether the granting of tax-exempt status to these organizations did not contradict the U.S. position on settlements, a senior White House official told Haaretz that “the policy of every administration since 1967, Democrat and Republican alike, has been to object to Israeli settlement beyond the 1967 borders.

“The present administration is no different,” the official continued. “Concordant with permanent U.S. policies, this administration never defended or supported any activity associated with the settlements. It doesn’t support or advance any activity that will legitimize them.”

There are many groups in the United States that support all manner of causes and are registered with authorities as 501c3 charities – the designation that grants them tax-exempt status and makes donations to them tax deductible. The running of these charities and the regulations governing them have stirred controversy before: from questions raised earlier this year over donations received by the Clinton Foundation to a recent campaign by John Oliver’s “Last Week Tonight” show to curb the tax privileges granted to televangelists.

A investigação doHaaretz acrescenta a este debate, pois mostra que os Estados Unidos estão a apoiar tacitamente, por meio de contribuições isentas de impostos, o crescimento dos assentamentos - um processo que seu governo condena veementemente.

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