4 de dezembro de 2015

Você fica incomodado com assassinatos em massa?

David Swanson

counterpunch: Tells the Facts and Names the Names

Tradução / Agora, sabemos exatamente do que se trata. Um rapaz que teve sucesso em matar muita gente foi até seu líder religioso para dissipar suas dúvidas e lhe foi dito que assassinato em massa fazia parte dos planos de Deus. Abençoado, o jovem continuou matando até que, não mais que de repente, havia chegado a homicídios que atingiram a gloriosa soma de 1.626 vidas – homens, mulheres e crianças.

Vou repetir: a soma das mortes cometidas pelo rapaz não foram 16, ou 9 ou 22 vidas que se transformam em notícias principais e manchetes garrafais, mas 1.626 corpos mortos e mutilados. Essas coisas incomodam você?

Que aconteceria se eu informasse a você que esse rapaz existe e tem nome, chama-se Brandon Bryant e que matou ao cumprir suas funções como piloto de drones assassinos da Força Aérea dos Estados Unidos da América, e que ainda por cima recebeu um certificado para provar que matou mesmo 1.626 pessoas e recebeu congratulações pelo seu trabalho pelos EUA? Que aconteceria com seus sentimentos se eu informasse a você que o líder religioso que acalmou o rapaz foi um Capelão Cristão?

Toda essa maldade continuaria a incomodar você?

Que aconteceria com seus pensamentos mais íntimos se eu informasse que a maioria dos pilotos de drones assassinos dos Estados Unidos são civis? Que são chamados de pilotos de “duplo impacto” porque quando disparam, por exemplo, um míssil para atingir uma festa de casamento ou uma casa onde as pessoas podem ter tentado se esconder para não serem atingidas, eles mandam sempre um segundo míssil contra eles? Que o resultado disso é que se pode ouvir então as pessoas gritando com o sofrimento até morrer, sem que ninguém venha ajudar? Que um piloto de drone mandou um míssil contra um grupo de crianças, das quais as três que sobreviveram conseguiram reconhecer seus irmãos mortos, mas não tinham como saber quais daqueles pedaços informes de carne humana tinham sido um dia as pessoas conhecidas como papai e mamãe? Que só puderam chorar por aqueles que nunca mais serão reconhecidos como indivíduos?

Por acaso isso te perturba?

E se eu dissesse que as afirmações do Presidente Obama de que a maioria das vítimas não são civis não passam de mentiras grosseiras documentadamente comprovadas? E que a maioria das vítimas foram alvejadas sem que ao menos se soubesse seus nomes?
E se os principais candidatos à presidência dos Estados Unidos declarassem ambos na semana passada que a melhor maneira de ganhar uma guerra é matar famílias inteiras e depois fazer um espetáculo “cristão” com orações públicas que certamente ganharia votos em certa parte da população do país?

Continua a incomodar você?

E se ficar claro que os policiais dos Estados Unidos matam pessoas numa taxa ainda mais alta que os pilotos de drones? Você gostaria de ver os vídeos dos policiais cometendo seus assassinatos? Você gostaria de ver os vídeos dos drones e das mortes horríveis que eles provocam? O problema é que temos acesso limitado a estes primeiros assassinatos e nenhum quanto aos últimos.

E se de repente se descobrisse que os assassinatos como os de San Bernardino se tornaram mera rotina? Continuariam a ser ainda trágicos?

O que quero dizer é que não podemos nem devemos deixar que as estações de TV nos digam com quais tragédias devemos nos preocupar. Desejo que nos preocupemos com todas as tragédias, mil vezes mais, e seria ainda melhor se pudéssemos deixar de lado essa cultura de armamento, ódio e violência, de injustiça econômica e de alienação.

O que quero dizer é que existem tragédias e tragédias, e que as maiores delas são sonegadas de nosso conhecimento. Digo mais: explorar uma tragédia, seja ela qual for, para direcionar o ódio para um dado segmento da população humana da Terra é loucura.

David Swanson quer que você se declare pela paz em http://WorldBeyondWar.org Seu novo livro é War No More: The Case for Abolition.

Nenhum comentário:

Postar um comentário