1 de fevereiro de 2016

"A democracia de caserna – Após os atentados, Hollande vai à guerra". O último livro de Jean Salem

Jean Salem


O último livro de Jean Salem acaba de ser publicado pelas edições Delga: "A democracia de caserna – Após os atentados, Hollande vai à guerra". É com prazer que comunicamos sobre este evento que vai contra a corrente da ideologia fascista que é agora a atmosfera. Pela vontade de Valls/Hollanda de prolongar o estado de emergência perpetuamente, o capitalismo mostra que ele agora está com medo da reação popular à superexploração que o sistema nos impõe. O terrorismo é apenas um pretexto: que vê o alvorecer das restrições da liberdade... para aqueles que tentam colocar o capitalismo em questão? Il faut dire qu’avec la mise sous tutelle de la Grèce, nous avons en "spectacle" permanent ce qui a de fortes chances d’advenir en France. Nous n’avons pas encore touché le fond... si le peuple ne se réveille pas !

Agradecemos o autor e o editor por nos permitir publicar um preview da introdução e conclusão do livro e da tabela de conteúdos.

Pascal Brula

Tabela de conteúdos

Agradecimentos

Introdução

Sobre os resultados das eleições de dezembro de 2015

1. Paris, 13 novembro de 2015. Um breve resumo dos fatos

2. Primeira função da grande mídia: fornecer uma versão in-dis-cu-tí-vel dos acontecimentos

3. A mídia, ainda e sempre: a indecente apoteose do psicobláblá

4. Isso é guerra! Estamos em guerra!


A guerra? — Mas somos nós que a declaramos!

5. Estado de urgência e liberdade(s) bebê(s)

O auge do ódio anti-imigrante

Restrição das liberdades, uma e outra vez!

6. As causas fundamentais?
 Imperialismo e a crise geral do sistema capitalista

A gestão do pós Guerra-Fria

Na gênese do "terrorismo jihadista"

7. A política internacional da França: 35 anos de deriva e reversões

8. Servilismo da União Europeia

9. França: um simulacro de reconciliação com a Rússia

10. Onde está o Partido Comunista Francês?

Contradições em abundância

O novo mantra = coalizão, sob a égide da ONU

Conclusão

Agradecimentos

Miguel Urbano, imenso e formidável amigo, tinha, a princípio, me pedido para escrever um artigo sobre os eventos que ocorreram em Paris, a 13 novembro 2015, para publicá-lo no site Odiario.info. Ce fut comme un bienfaisant signal de "retour au monde", ou plutôt à la vie active de l’esprit. Puis, Marie-Pierre, non contente de m’entourer et de me choyer, alors que, depuis près de trois mois, je me débattais contre la maladie, a bien voulu relire et amender ces pages qui ont vite constitué la matière d’un petit ouvrage.

Merci à l’immense ami et à ma si douce compagne. Merci à Anne Durand, à Rémy Herrera et à Aymeric Monville, ainsi qu’à tous ceux et à toutes celles – famille, collègues, étudiant(e)s, camarades ou frères et sœurs de combat – qui, de tout près ou du bout du monde, m’ont accueilli ou soutenu, durant cette période, avec tant d’amour, de générosité et de fidèle dévouement. À l’heure de ce qui, je voudrais le croire, ressemble à ma propre "résurrection" ou, du moins, à une rémission, je me prends à rêver, de façon à peine mégalomaniaque, à une résurrection... des peuples ! Qui sait si elle ne va pas, elle aussi, enfin advenir, et avoir le bon goût de nous rendre bonheur et espoir ?

Jean Salem, le 1er janvier 2016

Introdução

Sobre os resultados eleitorais de dezembro de 2015

Um dos atos desta farsa sinistra está quase terminando! Um dos atos, e não a peça completa, pois o pior ainda não aconteceu. Mas parece encaminhar-se bem, a passos cada vez mais rápidos, para um desenlace muito plausível. Guerras cada vez mais numerosas e cada vez mais incontroláveis; guerras cada vez menos "periféricas" em relação às potências "centrais"; assim como a anarquia nas relações internacionais, no seio das quais todo o Estado ou semelhança de Estado, a começar pela hiper-potência norte-americana, adota assim a postura de um naipe evoluindo numa série de status naturalis, do "estado de natureza" (ou seja independência à revelia de qualquer lei externa — antes ao abrigo da lei do mais forte, como de costume) [1]. E, como na véspera das duas guerras mundiais, uma crise financeira maior, estrutural, o aumento dos nacionalismos, o desejo daí avançar, a ausência de uma resistência coerente e organizada, e centenas de outros sintomas análogos: as eleições regionais francesas, de 6 a 13 de dezembro passado, consagraram a vitória ideológica, "moral" e organizacional da Frente Nacional, o partido da extrema-direita francês. Esse partido, que foi fundado em 1972 por um pequeno grupo de neofascistas e de nostálgicos do regime de Vichy (um certo Leon Gaultier, ex-subtenente das Waffen-SS), reagrupados em volta de um velho torcionário da guerra da Argélia, reuniu mais de 6,8 milhões de sufrágios na noite de uma segunda volta que mesmo assim, não lhe assegurou a vitória de uma única presidência de região [2]. — Uma aliança bizarra da direita dita "clássica" mas não menos virulenta, e de um melting pot em que o Partido Socialista tem o papel forte pouco interessante; restos de listas de "esquerda" em benefício das atuais, sob pretexto de erguer uma "frente republicana"; e "fusões técnicas", aliás muito espantosas, operadas aqui e ali entre as listas que dizem representar a "esquerda da esquerda", (comunistas, ecologistas, vários) com as listas do Partido Socialista; tais foram os vários processos que, sem o menor debate de ideias, permitiram chegar aqui. Assim, na noite do segundo turno de toda esta eleição, a 13 de dezembro, não levando em conta quase 19 milhões de abstenções e 5,7 milhões de não inscritos, são duas "forças" que reuniram uma (os Republicanos e seus aliados) cerca de 10 milhões de sufrágios, e o outra (o PS e seus satélites) apenas 7,3 milhões, que tiraram a parte de leão dos lugares de concelheiros regionais (1.259 dos 1.758 que estavam em disputa, ou seja cerca de 72% dos lugares) ainda que essas duas forças não tivessem sido escolhidas por mais de 34% dos 54 milhões de pessoas em idade de votar...

Resta um "derrotado" perante o qual tudo deveria ajustar-se: a Frente nacional de Marine Le Pen. Pois este escrutínio tem toda a aparência de um simples adiamento. Devemos pensar, que num país em que dois milhões de jovens na idade de votar com pelo menos 25 anos estão no desemprego e sem formação, 76% dos eleitores entre 18 e 24 anos (contra 49,4% de abstenções no conjunto dos inscritos) não foram às urnas, a 6 de dezembro último, dia da primeira volta destas eleições regionais. E, entre aqueles (bem raros) que nesse dia se votaram, 34% dos entre 18-30 anos deram o seu sufrágio à Frente Nacional [3].

Tal fenômeno está presente há muito tempo em quase todos os Estados europeus. Traduz-se pelo crescimento na Suíça da UDC, cujo líder Oskar Freysinger quer defender «a bandeira nacional, que ostenta uma cruz», e o hino nacional (que) tem, lembra ele, a forma de um cântico». Este vento mau inflama, na Polônia, o eleitorado do PiS (O partido Direito e justiça», Prawo i Sprawiedliwose) cujo deputado Marek Jurek diz recusar a «islamização» do país. Na Itália, é preciso votar na Liga, que não é apenas do Norte: o senador Volpi, membro da Liga, afirma claramente opor-se à «explosão migratória» e defender «os valores ancestrais». Os países nórdicos, como Francis Arzalier, observa, vêem em cada momento eleitoral aumentar os mesmos intratáveis defensores de uma identidade pretensamente ameaçada, «Verdadeiros Finlandeses» em Helsínquia, «Democratas» da Suécia ou da Noruega, «Partido do povo dinamarquês» em Copenhagen, que se definem todos como «identitários», fascistas de toda a espécie proclamam alto e bom som que os antigos colaboradores dos nazistas foram na verdade os verdadeiros patriotas, na Eslováquia, na Letônia, na Ucrânia, etc. Ou ainda partidários do universitário britânico John Laughland, próximo do partido UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) ou os inquietantes manifestantes de «Pegida» [4], em Dresden, na Alemanha, para os quais a fórmula «Nós somos o povo» exprime a vontade de defender o "sangue germânico" como há setenta anos [5]...

1. Paris, 13 de novembro 2015. Um breve apanhado dos fatos

Paris terá conhecido, na sexta-feira 13 de novembro de 2015, uma noite marcada pelos piores atentados jamais cometidos em França, 150 mortos, 351 feridos. Tratou-se, na ocorrência, de um terrível cocktail, constituído por vários massacres coordenados, que lembravam simultaneamente: 1º os massacres de Mumbai, na Índia (em novembro de 2008, uma dezena de ataques coordenados e que levaram à morte de 170 pessoas ao acaso e feriram outras 330); 2º a tomada de reféns no teatro de Doubrovka em Moscou (170 mortos, em outubro de 2002, depois da tomada como reféns de quase 1.000 espectadores por um comando checheno, composto de uns cinquenta homens armados; 3º o recente atentado kamikase de Beirute (a 12 de novembro, dois kamikazes accionam os seus cinturões explosivos diante de um centro comercial, causando a morte de mais de 40 pessoas e ferindo outros 200) ...

Os franceses e todos os que residem em França acordaram na manhã seguinte a 13 de novembro, «ensonados», groggy, mergulhados em tristeza. Tinham acabado de saber que o país estava a partir daí «em guerra». Na verdade, foi essa fórmula entoada em uníssono pela maioria dos membros da «classe política»: o presidente François Hollande (Partido socialista), o seu primeiro-ministro, Manuel Valls (que igual a si próprio evocou uma «guerra que nos foi declarada», o seu predecessor Nicolas Sarkozy (direita), etc. "Desta vez é a guerra" podia ler-se no sábado 14, de manhã, na primeira página do jornal Le Parisien Aujourd’hui en France. Numa página totalmente negra Le Fígaro, titulava, também ele, a "França em Guerra", etc.

2. Primeira função da grande mídia: fornecer uma versão in-dis-cu-tí-vel dos acontecimentos

Como é normal, durante vários dias e a toda a hora, a grande mídia papagueou uma versão única e inteiramente in-dis-cu-tí-vel sobre a identidade dos assassinos, o seu modus operandi, os fatos e gestos mínimos. Esses senhores e senhoras quase sempre tão agressivamente irônicos, tão obsessivamente inclinados à «decrepitude» e à pôr em causa a mais simples declaração de um «malvado» (quer se trate de um chefe de Estado a abater, ou se um simples sindicalista), limitaram-se, como sempre, a repetir esta versão, sem nunca sublinhar qualquer bizarrice ou inverdade. A martelar, por assim dizer, informações, vindas dos serviços da polícia nacional e dos departamentos governamentais.

No início deste mesmo ano de 2015, por ocasião do assassínio dos caricaturistas do jornal Charlie Hebdo, já se sabia que os membros de um comando de assassinos de aspecto muito «profissional», tinham sido encontrados, depois abatidos (como de costume), no espaço de 24 horas, apesar de um deles, Said Kopuachi, ter deixado o seu cartão de identidade num veículo utilizado, e depois abandonado pelos assassinos algures nos limites de Paris. Estranho cenário. Desta vez, no mês de Novembro, os media às ordens desdobraram-se a difundir micro-pormenores que ninguém poderá alguma vez verificar, mas que constituem a versão oficial sobre como procederam e foram executados os criminosos, que não tiveram nem processo nem silhueta bem delineada. Para nos limitarmos a um único exemplo, é dificilmente compreensível que vários destes três «kamikazes», que segundo informações, tinham «preparado minuciosamente as suas operações» se tenham feito explodir longe das multidões. Três deles, segundo nos informaram, foram até ao estádio de França, em Saint Denis, numa noite de desafio de futebol. Havia multidões… Depois teriam, cada um deles, feito accionar o detonador do seu cinturão de explosivos, um numa rua adjacente, outro diante de um bar, e o terceiro diante de uma porta do estádio, então deserta. Tudo isso para afinal matar só uma pessoa, alguém que passava, por acaso. Mas o atentado suicida mais terrível sucedeu no bar «Comptoir Voltaire», perto da praça da Nação. Segundo o Expresso, um jornal sério, «o terrorista» instalou-se tranquilamente no café. Foi quando fez o pedido que se explodiu [6], o que provocou a sua morte assim como ferimentos num empregado particularmente infeliz que se encontrava a menos de um metro dele [7]

Tudo isto se junta às já clássicas cenas alucinantes que foram lançando ao longo do dia as cadeias ditas de "informação", principais vectores da difusão do terror em França, que tudo teria acontecido de repente, como se alguém tivesse tentado a toda a força uma submissão perfeita dos eleitos e dos simples cidadãos à opacidade militar.

3. A mídia, ainda e sempre: a indecente apoteose do psicobláblá

Durante mais de dez dias, foram proferidas as mais frívolas reflexões num tom douto, e conseguiram saturar o espaço midiático, alternando com informações» repetidas até à náusea e análises fornecidas por muitos especialistas», mais ou menos autoproclamados. É importante lembrar que todos que procuravam informações, na rádio, televisão ou Internet, quase sempre caíam nas mesmas vozes idiotas de sempre: «comprem isto! Comprem aquilo! Durante a carnificina e o luto, por assim dizer, os negócios continuaram...

A França, dizia um, seria odiada pelos jiadistas porque é o país do prazer, do pensamento e da doçura de viver [8] Nada mais que isso! É certo que um tal «especialista» em hedonismo-turismo-e-ressentimentos-culturais-e-sociais teria podido utilizar essa frase, que serviria muito bem e que é retirada do comunicado delirante atribuído a essa nebulosa chamada «Daesh» (EIIL – abreviatura árabe do «Estado Islâmico no Iraque e no Levante»). "Tomamos como alvo a capital das abominação e da perversão" [9].

Outros cujo nome não importa, revelando até que ponto um empolamento egocêntrico e megalômano se propagou na sua profissão, garantem que alguns bairros (o 10º e o 11º de Paris) foram escolhidos pelos autores desses crimes, porque lá vivem muitos jornalistas (!), e que isso garantia aos assassinos um grande efeito midiático; etc. Uma boa parte do espaço público (como se chama por piada) foi igualmente oferecido aos autores de comentários mais ou menos insípidos, perfeitamente despolitizados e revelando frequentemente confissões amedrontadas ou até do gênero "psico-bláblá", gênero que nos nossos dias faz furor. O escritor Camille Laurens avisa assim os leitores do Libération que "cada um de nós está visado simplesmente pela razão de existir" [10].

Outros debitaram sobre uma geração (18-35 anos) que tomaram como alvo: a que frequenta os bares e concertos rock; é possível, mas ao fazerem essa afirmação, ignoram soberanamente a idade dos jovens assassinos, todos ou quase todos longe de serem atores externos da sociedade francesa, tendo crescido, segundo parece, na Europa, em Estrasburgo, ou nos arredores de Bruxelas... Foi o que martelaram da maneira mais frenética «não nos atacam tanto pelo que fazemos mas pelo que somos. Marcela Iacub, diretora de pesquisa no CNRS (Centro Nacional da Pesquisa Científica) especialista na propagação dos paradoxos bobo-libero-libertários, e que foi recentemente notícia, no microcosmo parisiense, ao fazer a apologia de um «direito à prostituição [11], decide agora explicar o momento atual, pretendendo interrogar-se sobre uma questão crucial, ou seja: «Porque não dar a todos esses jovens a possibilidade de uma sexualidade livre, para evitar transformar os seus desejos recalcados em atos violentos? [12]

Malek Chebel, antropólogo, anuncia que a «cidadania» (mais uma palavra que seria bom explicar inteligivelmente ao autor destas linhas!) constituiria «o laço visceral que nos une a todos» [13]. Quanto a Dounia Bouzar, também apresentada como «antropóloga», diz-nos que «os jovens terroristas estão desumanizados» [14]. Um verdadeiro achado! Graças, Dounia!

Miséria da politologia, quando já não há nem «imperialismo», nem países dominados, nem complexo militar-industrial, nem classes sociais, nem conflitos sociais, mas apenas grupos de pressão, «comunidades», confissões, indivíduos, «orientações», ou outras «identidades» religiosas, étnicas, sexuais, etc. Miséria da crítica de pretensão analítica, quando a reduzem a um psico-blá-blá sem fundamento, sem efeito e destituída da menor importância, quando a guerra que fazemos no país dos outros se transforma num jogo de vídeo — um jogo em que o mau nunca deixa de ser uma espécie de punching-ball virtual e ectoplásmico a 200%.

[...]

Conclusão

Em suma, após os ataques em Paris, Beirute, Ankara, Bamako e em outros lugares, a melhor homenagem que podemos prestar às vítimas é lutar contra a guerra, contra o sistema capitalista que a fomenta e se espalhou em quase todo o mundo; contra a sua confiança que leva as pessoas à ruína e desastre globalizado; contra o racismo que divide e mata; contra as leis draconianas que alguns gostariam, nesta ocasião, de impor sem restrição de duração aos vivos.

En France même, pays où, depuis la chute de Napoléon Bonaparte, en 1815, les dictatures n’ont jamais su durablement s’imposer, des signes d’espoir apparaissent, malgré l’apathie générale et la capitulation de la gauche officielle : dès le dimanche 22 novembre, à Paris, une manifestation de 500 personnes venues exprimer leur solidarité avec les réfugiés qui affluent massivement en Europe, s’est transformée en défilé contre l’état d’urgence, et les slogans sont vite devenus : « état d’urgence, État policier ! », « On ne nous enlèvera pas le droit de manifester ! ». Le cas s’est souvent reproduit. À Nantes, à Saint-Denis. La veille, à Toulouse, ce sont au bas mot 15.000 manifestants qui avaient arpenté les rues du centre ville, « pour les libertés et la paix, contre la barbarie et les amalgames ». Certains étant munis d’un brassard : « Vos guerres, nos morts ». Voilà qui en dit long sur l’impact plus que relatif qu’aura pu avoir, dans de larges secteurs de la population française, la posture martiale soudainement adoptée par le président Hollande.

Et, dans un appel unitaire, judicieusement intitulé : « Nous ne céderons pas », publié par 90 associations (dont la Ligue des Droits de l’homme), ainsi que par 15 syndicats (dont la CGT), cela est clairement spécifié : l’état d’urgence « ne peut pas devenir un état permanent et les conditions de sa mise en œuvre ne sauraient entraver la démocratie sociale, l’exercice de la citoyenneté et le débat public ». « Nous ferons prévaloir en toutes circonstances, ajoutent les associations signataires, notre liberté d’information, d’expression, de manifestation et de réunion ». Quant à l’enjeu le plus immédiat, il consistera très précisément à tout faire pour barrer la route au funeste projet du gouvernement "socialiste", lequel aspire, envers et contre tout à doter cet "état d’urgence" d’un fondement juridique incontestable, pérenne, presque éternel, en le sanctuarisant dans un paragraphe de la Constitution française ! Pour le reste, il est aisé de pressentir que bientôt, très bientôt, "ceux d’en bas" ne voudront plus et que "ceux d’en haut" ne pourront plus continuer de vivre à l’ancienne manière. Chacun comprendra alors avec évidence qu’un autre monde est possible, et que celui qui connaît tant de convulsions ces temps-ci aura tôt fait, si l’on n’y prend garde, de conduire l’humanité à sa perte. Ainsi le "cru" de 2016 ne sera pas seulement celui de la montée des eaux, un peu partout sur notre planète : il sera aussi, souhaitons-le vivement, celui du développement des luttes, de la coordination des révoltes, de l’organisation de toutes ces résistances qui se font jour ici et là contre ce système insensé, immoral, qui porte en lui la destruction, l’exploitation, la misère et la mort.

Jean Salem

Versailles, le 1er janvier 2016

Notas

[1] Cf. A este respeito: KANT, Emmanuel. Para a paz perpétua (1795), "Segundo artigo definitivo para a paz perpétua"; trad. Francesa, Paris, Hatier, 2001, p. 25

[2] Sete regiões da direita dita "clássica" e cinco à "esquerda", que se quer assim chamar, — uma decima terceira região (a Córsega) que ficou nos autonomistas locais.

[3] Miséria cívica, massividade da abstenção: um modelo made in USA é o título que dei, no meio do meu Ensaio Eleições, armadilha? Que resta da democracia? (Paris, Flammarion/Antidote, 2011, p. 30-34), em cujas páginas onde evoquei essas taxas de abstenção "à americana" que agora são normais na Europa.

Lembro ainda que pode ler-se o que se segue "num relatório de 1975, da Comissão Trilateral (cenáculo de homens de negócios, de altos responsáveis políticos, de "gente que decide", foi criado em 1973 por iniciativa de David Rockfeller, Henry Kissinger e Zbigniew Brzezinski, e procurava orientar a política dos Estados Unidos, da Europa e do Japão): "O funcionamento eficaz de um sistema democrático requer em geral um certo nível de apatia e de não participação da parte de alguns indivíduos e grupos". Como se a existência de um exército eleitoral de reserva, de uma massa sempre mais imensa de cidadãos indiferentes, desabusados ou amorfos, tenha constituído uma das condições da colocação do Estado reduzido aos adquiridos, do Estado neoliberal, do Estado velador da noite que vai chegar" (cit. p. 33).

[4] Abreviação de Europeus Patriotas contra a islamização da Pátria.

[5] Esta avaliação, a que se poderia juntar a situação que existe atualmente na Hungria, na Áustria, etc. reporta-se à ARZALIER, Francis. "Alerta. Das aldeias corsas às da Picardia, de Dresden a Copenhague, o ballet das identidades agressivas". Ver em: http://www.collectif-communiste-polex.org/mouvement%20communiste/alerte.htm (cf. igualmente, do mesmo autor, As nações necessárias e as suas patologias nacionalistas. Da revolução francesa à FN, Paris, Delga, 2015).

[6] Cf. "Na Nation, o kamikaze fez-se saltar ao fazer o pedido", o comando, por A. Sulzer - em http://lexpress.fr/actuelle/societe/fait-divers/a-nation-le-kamikaze-s-est-fit-sauter-en-passant-la-commande-1735885.html

[7] Veja-se: http://www.wikistrike.com/2015/11/breaking-news-la-preuve-que-les-attentats-de-paris-sont-un-false-flag.html

No site Wikistrike, e sob o título "A prova que os atentados de Paris são um false flag (um atentado cometido sob uma bandeira falsa)", David J. Feldmann escreve depois o que chama: "O mistério dos 3 kamikazes do estádio de França". Entre outras coisas afirma:

"Porque se fizeram explodir naqueles locais? Todos se interrogam. Ninguém entende. Pesquisadores e especialistas tentam saber porquê, já que poderiam ter causado uma carnificina e um pânico mortal, os três kamikazes do estádio de França explodiram-se na sexta feira 13 de Novembro em locais isolados, matando apenas uma pessoa, e até essa provavelmente por acidente, onde poderiam ter feito muito mais vitimas." Segundo o autor desse artigo, "os serviços secretos accionaram por controle remoto micro-explosivos que dissimularam no blusão ou no cinturão de Brahim Abdeslam (o indivíduo que se fez explodir, sozinho, às 21 e 41 no terraço do bar "Comptoir Voltaire" com poder suficiente para o matar e ferir pessoas à volta, mas sem grande gravidade. Tudo isso para fazer crer num atentado suicida". Versão totalmente "complotista" como diriam os amadores de evidências e de interpretações. Ou hipótese possível, entre muitas outras?

[8] CLERC, Thomas. "Nas margens do canal Saint-Martin, o terror surge ali, onde Paris vivia em paz", Le Monde, 16 de novembro 2015: O terrorismo odeia a união do prazer com o pensamento", etc.

[9] http://www.medias-presse.info/let-islamique-revendique-au-nom-dallah-le-misericordieux-l-abominable-carnage-de-paris-du-13-au-14-novembre-2015-texte-integral/43370

[10] Libération, 20 de novembro de 2015.

[11] Ver o seu artigo intitulado "Para um serviço publico do sexo", publicado no Libération, a 28 de setembro de 2012.

[12] JACUB, Marcela. "Da miséria sexual dos islamitas", Libération, 14-15 novembro 2015: "Eis uma pista que o Ministério do Interior deveria considerar na sua luta contra a radicalização dos jovens franceses: dar todos os meios possíveis para que todos tenham uma sexualidade senão livre pelo menos possível e agradável, a fim de que [...] pensem que não é necessário o paraíso, depois de ter assassinado algumas dezenas de pessoas, que poderão gozar as delícias do erotismo." Obrigado mil vezes, cara Marcela, por esta análise tão cheia de penetração, tão sexy e tão endiabrada!

[13] L’Humanité, 20-22 de novembro de 2015

[14] Ibid.

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