8 de fevereiro de 2016

Bandeira dos Estados Unidos na Europa

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / Participando (como se tornou obrigatório) no encontro dos ministros da Defesa da União Europeia (UE) no dia cinco de fevereiro em Amsterdã, o secretário geral da OTAN Jens Stoltenberg elogiou o “plano dos Estados Unidos de aumentar substancialmente sua presença militar na Europa, quadruplicando os financiamentos para esse efeito”.

Os EUA podem assim “conservar mais tropas na parte oriental da Aliança, posicionar previamente ali armamentos pesados e efetuar mais exercícios, além de construir mais obras de infraestrutura”. Deste modo, segundo Stoltenberg, “fortalece-se a cooperação entre a UE e a OTAN”. É bem outro o objetivo. Imediatamente após o fim da guerra fria, em 1992 Washington sublinhava a “importância fundamental de preservar a OTAN como canal de influência e participação estadunidenses nos assuntos europeus, impedindo a criação de dispositivos unicamente europeus que minariam a estrutura de comando da Aliança”, a saber, o comando dos Estados Unidos. Missão cumprida: 22 dos 28 países da UE, com mais de 90% da população da União, fazem hoje parte da OTAN, sempre sob comando dos EUA, o que é reconhecido pela UE como “fundamento da defesa coletiva”. Fazendo pressão sobre os governos do Leste, mais ligados aos EUA que à UE, Washington reabriu a frente oriental com uma nova guerra fria, quebrando os crescentes laços econômicos entre a Rússia e a UE, perigosos para os interesses estadunidenses. Em toda a Europa Oriental está içada no mais alto mastro a bandeira estrelada ao lado da bandeira da OTAN. Na Polônia, a nova primeira-ministra Beata Szydlo nas suas coletivas de imprensa tem arriado a bandeira da UE, frequentemente queimada nas praças pelos “patriotas” que apoiam o governo na sua recusa a acolher os refugiados (fruto das guerras dos EUA e da OTAN, qualificados de “invasores não brancos”.

À espera da Cúpula da OTAN, que terá lugar no mês de julho em Varsóvia, a Polônia criou uma brigada conjunta de 4 mil homens com a Lituânia e a Ucrânia (de fato já na OTAN), treinada pelos EUA. Na Estônia o governo anuncia “uma área militar Schengen”, que permite às forças dos EUA/OTAN entrar livremente no país.

Na frente meridional, unida à oriental, os Estados Unidos estão a ponto de lançar desde a Europa uma nova guerra na Líbia para ocupar, sob o pretexto de libertar do chamado Estado Islâmico, as zonas costeiras econômica e estrategicamente mais importantes. Um golpe para reconquistar terreno, depois que na Síria a intervenção russa em apoio às forças governamentais bloqueou o plano da dupla EUA/OTAN de destruir este Estado, utilizando como na Líbia em 2011, grupos islamitas armados e treinados pela CIA, financiados pela Arábia Saudita, apoiados pela Turquia e outros.

A operação na Líbia “sob condução italiana” –que, como adverte o Pentágono, requer “boots on the ground”, ou seja forças terrestres – foi feita num acordo dos Estados Unidos não com a União Europeia, inexistente neste plano enquanto sujeito unitário, mas individualmente com as potências europeias dominantes, sobretudo a França, a Grã Bretanha e a Alemanha. Potências que, em concorrência entre elas e com os Estados Unidos, se unem quando entram em jogo interesses fundamentais.

É emblemático aquilo que veio à tona dos e-mails de Hilary Clinton, secretária de Estado em 2011: os EUA e a França atacaram a Líbia antes de tudo para bloquear “o plano de Kadafi de utilizar as enormes reservas líbias de ouro e de prata para criar uma moeda africana alternativa ao franco CFA”, divisa imposta pela França a suas 14 ex-colônias. O plano líbio (nós o demonstramos no jornal Il Manifesto em abril de 2011) visava mais além, libertar a África da dominação do FMI e do Banco Mundial. Por esta razão é que foi destruída a Líbia, onde as mesmas potências se preparam agora para desembarcar para “a paz”.

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