29 de fevereiro de 2016

Drones da Itália para a Líbia

Manlio Dinucci


Desempenhando o papel de um Estado soberano, o governo Renzi “autorizou caso a caso” a partida de drones armados dos Estados Unidos desde a base italiana de Sigonella para a Líbia e outros países. Sabe-se que já em 2011 um drone Usa Predator Reaper decolou de Sigonella e foi telecomandado desde Las Vegas para atacar na Líbia o comboio em que se encontrava Kadafi, jogando-o nas mãos dos milicianos de Misurata.

A Itália entra assim no elenco oficial das bases de drones de ataque dos Estados Unidos, sob o controle exclusivo do Pentágono, junto a países como o Afeganistão, a Etiópia, o Níger, a Arábia Saudita, a Turquia.

O ministro das Relações Exteriores, Gentiloni, deixando claro que a utilização das bases não requer uma comunicação específica ao parlamento”, garante que isto “não é o prelúdio de uma intervenção militar” na Líbia.

Quando na realidade a intervenção já começou: forças especiais americanas, britânicas e francesas – como confirmam The Telegraph e Le Monde – estão operando secretamente na Líbia. Desde o hub aeroportuário de Pisa, limítrofe à base estadunidense de Camp Darby, decolam continuamente aviões de transporte C-130 (provavelmente também estadunidenses), levando materiais militares às bases meridionais e talvez ainda a alguma base no Norte da África.

Na base de Istres, na França, chegaram aviões USA KC-135 para o reabastecimento em voo dos caças-bombardeiros franceses. A operação é dirigida não só à Líbia. Istres é a base da “operação Barkhane”, que a França conduz com 3 mil militares na Mauritânia, no Mali, Níger, Chade e Burkina-Faso.

Na mesma área, na Nigéria, operam os Estados Unidos com forças especiais e uma base de drones em Camarões. Sempre com a motivação oficial de combater o chamado Estado Islâmico (EI) e seus aliados.

Simultaneamente, a OTAN deslocou para o Mar Egeu o Segundo Grupo Naval Permanente, sob comando alemão, e aviões radar Awacs (centros de comando voadores para a gestão do campo de batalha), com a motivação oficial de “apoiar a resposta à crise dos refugiados” (provocada pelas guerras dos EUA/Otan contra a Líbia e a Síria). Junta-se a tais operações a “Dynamic Manta 2016”, exercício militar da OTAN no Mar Jônico e no Canal da Sicília com forças aeronavais dos Estados Unidos, da França, Grã Bretanha, Espanha, Grécia, Turquia e Itália, que forneceu as bases de Catânia, Augusta e Sigonella. Prepara-se desse modo a “operação de peacekeeping (manutenção da paz) sob liderança italiana” que, com a motivação de libertar a Líbia do EI, visa a ocupar sua zona costeira, econômica e estrategicamente mais importante. Falta apenas o “convite”, que poderá ser feito por um fantasmagórico governo líbio.

Quem está pressionando para a intervenção na Líbia, desde Washington, é Hillary Clinton, candidata à presidência, que – escreve o New York Times em uma ampla reportagem – tem “a abordagem mais agressiva sobre as crises internacionais”. Foi ela quem em 2011 convenceu Obama a romper as hesitações. “O presidente assinou um documento secreto, que autorizava uma operação clandestina na Líbia e o fornecimento de armas aos rebeldes”, enquanto o Departamento de Estado dirigido pela [Hillary] Clinton os reconhecia como “legítimo governo da Líbia”.

As armas, inclusive os mísseis antitanques Tow e radares anti-bateria, foram enviados pelos Estados Unidos e outros países ocidentais a Bengasi e alguns outros aeroportos. Simultaneamente, a OTAN sob comando estadunidense, realizava ataques aéreos e navais, com dezenas de milhares de bombas e mísseis, desmantelando do exterior e do interior o Estado líbio.

Quando em outubro de 2011 Kadafi foi assassinado, a Clinton vibrou com um “Uau!”, exclamando: “Nós viemos, nós vimos, ele morreu”. Não sabemos que líder citaremos para a segunda guerra na Líbia. Sabemos, no entanto, que será por controle remoto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário