3 de março de 2016

AREVA: Fagocitose e declínio econômico

por Liliane Held-Khawam


Tradução / "Too big to fail", são entidades bancárias que o Estado considera grandes demais para irem à falência.

São empresas privadas? São mal geridas? São manipuladas por terceiros estrangeiros? A sua substância é extorquida para o exterior? Os empregos foram deslocalizados? Não se sabe quem as controla e em especial para onde vai o dinheiro? Não tem importância.

O Estado temerariamente viola as regras mais elementares da economia liberal e injeta enormes somas de dinheiro público com o pretexto de que é uma entidade "grande demais para falir".

Mas vai mais longe. O Estado, cujo nível de endividamento atingiu o limite de saturação, recorre ao dinheiro público. É o confisco da propriedade privada. Atualmente, a questão é do confisco dos depósitos bancários. Amanhã, pode ir mais longe... Nenhum limite está previsto por estes dirigentes políticos de novo tipo. Assim é, e tanto mais que a opção é por um estado de emergência permanente.

Tudo pode ser requisitado. É ilegal? Ilegítimo? O que cada um pensa já não tem qualquer importância. Os candidatos oficiais da direita ou da "esquerda" defendem os mesmos "valores".

Eis a epidemia do século XXI: "grande demais para falir" e afeta outras empresas para além das do setor bancário. Trata-se de entidades que não são forçosamente um risco sistêmico para a economia. São antes entidades que são – ou foram – joias da indústria nacional em que o Estado é (ou era) acionista. Como o caso das empresas e serviços nacionalizados. 

A vulnerabilidade à extorsão é absoluta!

A Suíça teve o caso chocante da Swissair despedaçada e saqueada (perdão, mas não há outras palavras). Teve o caso da PTT, dividida em Swisscom, La Poste SA, Postfinance, um caso clássico do que o "mercado" é capaz de fazer quando domina... 

Em particular será importante que os eleitos não se surpreendam um dia com a pilhagem da Postfinance convertida em banco "grande demais para falir", tanto mais que possuía dezenas de bilhões de francos suíços! Agora é presidida por um líder alemão UBS...

A França tem também o seu lote de extorsão. O caso chocante da Alstom está exaustivamente documentado num vídeo intitulado: "A venda da Alstom , história de uma guerra econômica" Um relatório do CF2R apresenta o que os autores chamam o "racket" americano e a demissão do Estado. (Un rapport du CF2R présente ce que les auteurs appellent le "racket" américain et la démission de l'Etat). A trama da compra da Alstom pela General Electric está aí descrita. Edificante!

Atualmente, é a Areva que apresenta os seus números. Maus números sem dúvida. E é ainda o Estado francês que apesar de sobreendividado injeta enorme quantidade de dinheiro, aumentando ainda mais a dívida pública... Mas foi contagiado pela síndrome "grande demais para falir". E os limites de toda a espécie foram eliminados.

Mas estará de fato o Estado a salvar empresas moribundas ou a salvar os seus futuros compradores? Porque uma coisa é certa: Areva como todas joias da indústria nacional (Alsthom antes) será tomada por uma mais poderosa do que ela. É a lógica de mercado, concentrador de capitais, empregos e poderes.

Em suma, a economia francesa ainda não parou de declinar, sendo criteriosamente engolidas as riquezas passadas, presentes e futuras.

A economia francesa, como todas as economias nacionais, sofreu, continua e continuará a sofrer a fagocitose que descrevemos anteriormente em "A fagocitose pela finanças é uma guerra" enquanto o Estado ainda detiver qualquer patrimônio.

O casino gigante conduzido pela Wall Street e apoiado no terreno por um exército de embaixadores-patrões, quer tomar posse de toda a propriedade disponível no planeta. E quer se considere ético ou não, quer você se revolte no Facebook ou não, não tem importância alguma. O casino está em curso de finalizar a financeirização de tudo incluindo a sua pessoa. Mas isto é outro tema...

Os novos senhores têm já o poder absoluto. Eles estão aos comandos do "circuito" financeiro único que pode enviar qualquer país para os infernos por simples decisão supranacional não-estatal. Basta pôr um embargo no sistema interbancário e hop, nem mais uma gota de dinheiro (que é na verdade o vosso dinheiro) não chega ao país (caso da Grécia, Vaticano, mas não do Daëch que opera com toda a segurança).

Qual é o próximo passo já planejado pelos novos senhores? Os benefícios sociais, como se passa em França, e com eles todo o clausulado das leis laborais. Além disto podemos também temer que sejam questionados conceitos como os dias feriados e as férias. Basta para isso, por exemplo, fazer cair a contratação por tempo indeterminado.

Mas não é tudo. O "mercado" também quer reduzir ao mais baixo o nível de salários. Eles são já baixos? Mas podem cair mais, porque não são zero!

Fagocitose. Extorsão. Desapropriação. Estas são as palavras previstas para conduzir à mesma finalidade: a servidão.

O que fazem os eleitos representantes do povo? Continuam a assinar certificados de endividamento e aprovar condições de privatização ainda que indignas financeiramente, economicamente ou moralmente.

Os eleitos continuam a comprometer a garantia do Estado numa gestão altamente financeirizada – portanto arriscada e privada... O decreto de 24 de dezembro de 2015, concedendo ao Comissariado da energia atômica e energias alternativas da garantia o Estado em termos de responsabilidade civil no domínio da energia nuclear põe questões a todos nós...

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