25 de abril de 2016

Bombas nucleares para a Itália

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / “Obrigado, presidente Obama. A Itália prosseguirá com grande determinação o empenho pela segurança nuclear”: escreve em seu twitter o premier Renzi, após participar na cúpula de Washington sobre este tema em abril. “A proliferação e o uso potencial de armas nucleares – escreve o presidente Obama na apresentação da cúpula – constituem a maior ameaça à segurança global. Por isso, há sete anos em Praga, assumi o compromisso de que os Estados Unidos deixem de difundir armas nucleares”.

Exatamente enquanto declara isto, a Federação dos Cientistas Americanos (FAS) fornece outras informações sobre o B61-12, a nova bomba nuclear estadunidense em fase de desenvolvimento, destinada a substituir a atual B61 instalada pelos EUA na Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia.

Estão em curso testes para dotar a B61-12 de capacidade anti-bunker, ou seja, de penetrar no subsolo, explodindo em profundidade para destruir os centros de comando e outras estruturas subterrâneas em um first strike nuclear.

Para o uso desta nova bomba nuclear guiada com precisão e com potência variável, a Itália fornece não só as bases de Aviano e Ghedi-Torre, mas também pilotos que são treinados para o ataque nuclear sob o comando dos EUA.

É o que demonstra, escreve a FAS, a presença em Ghedi do 704º Munitions Support Squadron, uma das quatro unidades da U.S. Air Force deslocada para as quatro bases europeias “onde as armas nucleares dos EUA são destinadas ao lançamento por parte de aeronaves dos países hóspedes”. É o que confirma, sempre dos EUA, o Bulletin of Atomic Scientists (uma das mais autorizadas fontes sobre armas nucleares) que, em 2 de março de 2016, escreve: “À força aérea italiana (com a aeronave Tornado PA-200) são destinadas missões de ataque nuclear com armas nucleares dos EUA, sob controle de pessoal da U.S. Air Force até que o presidente dos Estados Unidos autorize o uso”.

De tal modo, a Itália, oficialmente um país não nuclear, é transformada em primeira linha e portanto em potencial alvo, no confronto nuclear entre os EUA/OTAN e a Rússia. Confronto que se tornará ainda mais perigoso com a implantação na Europa das novas bombas nucleares dos EUA, que abaixam o limiar nuclear: “Armas nucleares deste tipo mais precisas – advertem diversos especialistas entrevistados pelo New York Times – aumentam a tentação de usá-las, inclusive de usá-las em primeiro lugar”.

Em face do crescente perigo que paira, não advertido pela esmagadora maioria devido ao blecaute político-midiático, não bastam apelos genéricos ao desarmamento nuclear, terreno fácil de demagogia. Basta pensar que o presidente Obama, depois dessa escalada nuclear de 1 trilhão de dólares, declara querer “realizar a visão de um mundo sem armas nucleares”.

Devemos denunciar – como faz o Comitê Não à Guerra, Não à Otan – o fato de que, hospedando e preparando-se para usar armas nucleares, a Itália viola o Tratado de Não-Proliferação das armas nucleares, ratificado em 1975, o qual estabelece: “Cada um dos Estados militarmente não nuclear se compromete a não receber de ninguém armas nucleares, nem o controle sobre tais armas, direta ou indiretamente” (Artigo 2).

O único modo concreto que temos na Itália de contribuir para desarmar a escalada nuclear e realizar a completa eliminação das armas nucleares, é exigir que a Itália deixe de violar o Tratado de Não-Proliferação e, com base nisso, impor aos Estados Unidos que removam quaisquer armas nucleares do nosso território nacional e não instalem as novas bombas B61-12.

Há alguém no Parlamento disposto a exigir isto sem meios termos?

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