15 de abril de 2016

Um guia eleitoral das políticas de Hilarry Clinton na América Latina

Apoio a golpes, militarização e privatização, acordos comerciais que causam estragos econômicos - revelam o fracasso do clintonismo.

por Greg Grandin


Emiliano Torres / Reuters

Houve muito pouca discussão sobre a América Latina nas primárias Democratas, including at last night’s debate, which didn’t touch on it. One candidate, Bernie Sanders, doesn’t have much of a track record to examine, although his broad rejection of neoliberalism and interventionism bode well for turning a page on US policy in the region. A outra, Hillary Clinton acumulou um histórico profundo, tanto antes quanto durante seu tempo como secretária de Estado, o que é válido examinar com profundidade. So, in the interest of helping New Yorkers decide as they head to the polls on Tuesday, here’s a brief guide:

Honduras: Até agora, o envolvimento de Clinton em ajudar a institucionalizar o golpe de 2009 contra um presidente reformista que teve o apoio de todo o povo corajoso do país – agricultores, ativistas gays, sindicalistas, feministas, ambientalistas, etc – é conhecido. “Direitos das mulheres são direitos das mulheres”, ela declarou. Mas em Honduras, ela trabalhou para legitimar a deposição de um governo que estava tentando tornar a pílula do dia seguinte disponível e avançar os direitos dos membros da comunidade LGBT. Clinton ajudou a instalar um regime que tem matado mulheres e homens de maneira impressionante. Os esquadrões da morte voltaram ao país.

Em uma entrevista no New York Daily News, Clinton revisou sua história sobre suas ações em Honduras novamente (depois de ter cortado de seu livro Hard Choices as partes mais condenatórias). Então ela disse, “temos que fazer tipo um Plano Colômbia para a América Central”.

Colômbia: A ideia de que Hillary Clinton quer fazer com a América Central o que seu marido fez com a Colômbia é assustadora.

Aqui está o que o Plano Colômbia fez com o país: Em 2000, logo após ter saído da Casa Branca, Bill Clinton aumentou o auxílio militar. O Plano Colômbia, como o programa de assistência foi chamado, forneceu bilhões de dólares para o que foi o governo mais repressivo no hemisfério. A ação foi para acelerar a paramilitarização da sociedade, com governo – e exército – aliados à esquadrões da morte penetrando os serviços de inteligência, judiciário, governo municipal, legislativo e executivo. O dinheiro de Washington efetivamente subsidiou o direito dos narcotraficantes em se apropriarem de terras. De acordo com dados do próprio governo dos EUA, “nas áreas rurais, menos de 1% da população é dona de mais da metade das melhores terras da Colômbia”. “Torturas, massacres, desaparecimentos, e morte de não combatentes, se tornaram rotineiros, sendo sindicalistas, civis, e afro-colombianos as vítimas principais. O próprio livro de fatos mundiais da CIA diz que 6.3 milhões de colombianos foram deslocados internamente desde 1985, com “cerca de 300.000 novos deslocamentos todo ano desde 2000” - isso é, o ano que Bill Clinton ativou o Plano Colômbia. Somadas, foram 2.4 milhões de pessoas durante o mandato de 8 anos de Bill.

Depois do Plano Colômbia, veio o Acordo de Livre Comércio Colombiano. Hillary Clinton se opôs ao tratado quando estava concorrendo à presidência contra Barack Obama em 2008, mas depois apoiou como secretária de Estado. Ainda assim, mesmo quando fez campanha contra, Bill Clinton recebeu $800.000 da Gold Service International com base na Colômbia para dar quatro discursos na América Latina, onde ele defendeu o acordo. Mark Penn, o conselheiro chefe de Hillary na sua campanha de 2008, também estava se encontrando com representantes colombianos lhes dizendo para não se preocuparem, que, se Clinton se tornasse presidente, ela iria reverter sua oposição. Quando perguntada sobre tais conflitos, Clinton riu e riu. “Ai, ai”, ela disse, e perguntou ao repórter “quantos anjos dançam na cabeça de um crachá?” Portanto, preocupações com corrupção são tão pitorescas quanto a tradição escolástica medieval católica. Se esses anjos fossem feitos de sindicalistas colombianos executados entre o período em que o acordo entrou em efeito em 2015, a resposta seria 105 – junto com centenas de afro-colombianos, civis e ativistas ambientais.

In the Brooklyn debate, Bernie Sanders didn’t give a specific answer when asked for an example of when Clinton changed her policy as a result of financial contributions. Vamos a David Sirota, Andrew Perez e Matthew Cunningham-Cook, escrevendo sobre os interesses de combustível fóssil por trás de Clinton e o livre comércio colombiano:

"Ao mesmo tempo em que o Departamento de Estado de Clinton estava louvando o histórico colombiano de direitos humanos, sua família estava forjando uma relação financeira com a Pacific Rubiales, uma companhia de petróleo canadense que está no centro do conflito trabalhista colombiano. Os Clinton também estavam desenvolvendo laços comerciais com os fundadores da gigante do petróleo, o financista canadense Frank Giustra, que agora ocupa uma cadeira no conselho da Fundação Clinton, o império filantrópico global da família. 
Os detalhes desses acordos financeiros permanecem obscuros, mas isso é claro: depois que milhões de dólares foram prometidos à Fundação Clinton pela petroleira – complementados por mais milhões do próprio Giustra – a secretária Clinton mudou sua posição sobre o controverso pacto comercial Colômbia-EUA."

Também podemos ver Ken Silverstein relatando sobre Colômbia e os Clintons. De verdade, quem poderia culpar Wolf Blitzer por não perguntar nada sobre esses conflitos de interesse. Por onde ele começaria?

Haiti: O Haiti talvez seja a nação mais vulnerável às patologias psíquicas da economia e filantropia clintonianas. Há muito o que dizer sobre a tomada do Haiti pelos Clintons, então eu só vou apontar algumas reportagens. Aqui temos Ted Hamm, “Como Hillary ajudou a destruir o Haiti”; “A bagunça dos Clintons no Haiti” de Jonathan Katz e “O rei e rainha do Haiti”; O New York Times sobre o tema; e Isabel Macdonald e Isabeau Doucet no The Nation sobre as casas-trailer mal feitas que a Fundação Clinton enviou ao Haiti depois do terremoto. E aqui temos o próprio Bill Clinton se desculpando por ter forçado Jean-Bertrand Aristide a implementar políticas econômicas neoliberais que destruíram a habilidade do Haiti de produzir o próprio arroz: “Pode ter sido bom para alguns dos meus fazendeiros em Arkansas, mas não funcionou. Foi um erro. Foi um erro que eu cometi. Não estou apontando o dedo para ninguém. Eu fiz isso. Eu tenho que viver todos os dias com as consequências da capacidade perdida de produção de plantações de arroz no Haiti para alimentar aquelas pessoas, por causa do que eu fiz. Mais ninguém.”

Panamá: Enquanto estava prestes a concorrer à presidência em 2008, Clinton se opôs ao acordo de livre comércio com o Panamá – um acordo que, como apontou Bernie Sanders, faria da lavagem de dinheiro que aprendemos no Panamá Papers, ainda mais disseminada. Mas assim que se tornou secretária de Estado, Clinton insistiu no acordo com êxito, mesmo tendo sido alertada que tornaria mais fácil para os ricos conseguirem esconder seu dinheiro, como Clark Mindock e David Sirota escreveram.

México: Como secretária de Estado, Clinton continuou a administrar as políticas punitivas de segurança e economia iniciadas por seu marido e seu sucessor, George W. Bush, políticas que transformaram o México em um país de muitas valas clandestinas. A própria contribuição de Clinton à miséria mexicana foi insistir pela privatização da indústria nacional de petróleo. Como Steve Hom escreveu em detalhes no DeSmog blog, o Departamento de Estado de Clinton não somente ajudou a abrir o setor petroleiro mexicano ao capital estrangeiro, como também um grande número de ajudantes de Clinton foi para o setor privado para lucrar com essa abertura. Foi Franklin Roosevelt que forçou os interesses petroleiros dos EUA a aceitarem a nacionalização do México em 1930, então aqui temos um caso em que Clinton praticamente regrediu o New Deal.

El Salvador: Em 2012, o Departamento de Estado de Hillary Clinton, agindo através de sua embaixadora, Mari Carmen Aponte, ameaçou reter auxílio crítico de desenvolvimento a não ser que o país aprovasse uma lei de privatização. Não seria a única vez que a embaixadora Aponte, uma aliada política dos Clintons, ameaçaria o governo de esquerda FMLN do país. Recentemente, ela alertou os salvadorenhos sobre a necessidade de comprar sementes corporativas geneticamente modificadas, insistindo que o programa de cooperativas de sementes do FMLN viola os termos do Acordo de Livre Comércio da América Central (CAFTA).

Paraguai: Honduras não foi o único país da América Latina a sofrer um “golpe constitucional” (a deposição de um líder eleito por meio de mecanismos formalmente legais) no turno do Departamento de Estado de Clinton. No Paraguai, um ex-padre católico de esquerda, Fernando Lugo, foi removido do cargo a pedido de seus oponentes da agro-indústria. Quase todas as outras nações da América Latina chamaram de golpe. Mas não o Departamento de Estado de Clinton, que rapidamente reconheceu o novo governo.

Acima de qualquer país ou política, essas políticas se alimentavam umas das outras. O programa de auxílio multi-bilionário de Bill Clinton a um dos maiores violadores dos direitos humanos no mundo, o Plano Colômbia – o qual Hillary agora recomenda para a América Central – teve o efeito de diversificar a violência e corrupção endêmicas ao comércio de cocaína, com os cartéis da América Central e do México e facções militares tomando conta da exportação da droga nos EUA. Isso, junto com o colapso do setor de agricultura do México e da América Central causado pelo NAFTA e pelo CAFTA, iniciou o ciclo de violência criminal e de gangues que hoje toma conta da região. Essa violência foi acelerada pela privatização mais profunda da economia (do tipo que a embaixadora de Clinton fez em El Salvador) e pela disseminação rápida de operações de mineração, hidroelétricas, de bio combustíveis e petróleo (do tipo que tomou conta de Honduras depois do golpe de 2009 e que faz doações à Fundação Clinton), o que iniciou caos nos ecossistemas locais, envenenando terra e água. A violência também foi acelerada pela abertura dos mercados nacionais à agro-indústria dos EUA, que destrói economias locais. O deslocamento subsequente ou cria ameaças criminosas que justificam medidas mais pesadas de contra insurgência ou provoca protestos, que são estabilizados pelos esquadrões da morte – do tipo que matou Berta Cáceres e centenas de outros em Honduras (e Colômbia, Guatemala e El Salvador).

A militarização da fronteira – que começou com Clinton – trabalhou simbolicamente com o NAFTA de Clinton e depois com o CAFTA, para criar um mercado de três níveis: livre e comum para o capital; protegido pela agricultura dos EUA; dividido em guarnições por trabalho. O México pode continuar competitivo com os EUA somente se mantiver seu pagamento por hora incrivelmente baixo. Os salários são piores na América Central. Nos EUA, o sistema de salários colapsou; pense naquela taxa de suicídio crescendo entre a classe trabalhadora branca que foi manchete alguns meses atrás com o impacto do NAFTA.

E Clinton recomenda mais do mesmo como solução a essas problemas. “Precisamos fazer tipo um Plano Colômbia na América Central”. Não há violência causada por exagero de militarização que mais militarização não possa curar. Não há pobreza causada pelo “livre comércio” que mais “livre comércio” não possa resolver.

O histórico de Clinton na América Latina revela o fracasso do clintonismo não apenas como aplicado em uma região específica. É algo que revela o fracasso do próprio clintonismo.

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