1 de maio de 2016

Dia Internacional dos Trabalhadores: Direitos dos trabalhadores sob ameaça sem precedentes

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda

Começo com as palavras de Rosa Luxemburgo pela sua visão e qualidade eterna: "E quando melhores dias raiarem, quando a classe trabalhadora do mundo tiver ganho sua liberdade, então a humanidade provavelmente irá celebrar o Dia dos Trabalhadores em honra às mais amargas lutas e aos muitos sofrimentos do passado." Primeiro de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores é a celebração dos esforços abnegados de inúmeros homens e mulheres de todo o mundo que lutaram pelos direitos dos outros, para que a humanidade pudesse desfrutar preceitos básicos universais e valores desde o nascimento. Muitos deles deram suas vidas para a causa, outros seus meios de subsistência. É nosso dever respeitar o seu esforço.

It is our duty to respect their work by ensuring that the rights they fought for are not chipped away by the natural tendency of reactionary forces in our societies to pander to the caprices of what they would consider the "crème de la crème" which floats to the top. Em uma palavra, os lobbies que agora controlam nossos sistemas políticos.

And here we have, in a nutshell, the reason why today a worker's rights are to a greater and greater degree, non-existent and the fine print on the work contract, meaningless. The buzz word is "crisis" which seems to provoke a knee-jerk reaction through which the notion arises that a job is a luxury and a favor and therefore the word "timetable" is meaningless, the job description flies out of the window and salaries actually decrease while around us, prices rise.

Nobody can call that good management - indeed, if a hired manager had performance ratings like these, (s)he would be fired. But when is a bad manager never fired? Answer: When (s)he is called a politician.

And together with workers' rights we must discuss the central issue of the right to work. How can we use the adjective "successful" to describe an economic model which produces, endemically, between ten and twenty per cent of unemployed members of the workforce? Worryingly, this figure is even greater the further down the age-scale one goes and in some European countries, youth employment is sixty per cent.

This in turn means that the crisis is not only economic and financial, but rather, it is a crisis of workers' rights, becoming a social crisis downstream as growing numbers of youths feel marginalized or excluded and give up, as they realize they will never get on the housing ladder, they will never be considered for credit to buy a car, get married/find a partner and start a family. Some of them feel that it is their right to take because society has not given.

Surely, when we discuss respect for the work of those who gave their lives and livelihoods for future generations to enjoy the fruits of their selfless efforts, we must ensure that we move towards full workers' rights. This starts with the education system walking in tandem with the needs of the workforce, and this means an inclusive education system, providing free and excellent tuition for all and not the business model we see today, in which if you want a diploma you have to pay for it or come out of University tens of thousands of dollars in debt.

Here comes the "Yes but how do we pay for it?" question. Answer: NATO countries spend two thousand billion USD each and every single year on their military budgets and right now the NATO Secretary-General is touring Europe cap-in-hand asking countries to respect the two per cent of GDP military spending threshold.

Full workers' rights also involve women's rights to work and this starts with the interview where the question is asked, worded or implied: "You aren't thinking of starting a family, ARE you?" This means that if the girl dares to get pregnant, she will be fired. Sorry, her position will be extinguished. This also means equal pay for equal work and in the year 2015 the idea that women can earn up to a third less than men for the same job is risible.

A história do Dia Internacional dos Trabalhadores

Traçamos um breve resumo da história do Dia Internacional dos Trabalhadores do festival da fertilidade Pagan - Beltane - para o festival romano Floralia, para a luta pelo dia de trabalho de 8 horas nos Estados Unidos da América no final do século 19 - onde o Dia Internacional do Trabalho tem as suas raízes, para a internacionalização do movimento. Curiosamente, os EUA são um dos poucos países que não têm um feriado público no dia 1º de Maio.

Beltane, Festival de Luz

Beltane (ou Bealtaine ou Cetsamhain) é o nome do Festival da Luz dos Celtas britânicos, indicando a morte do Inverno e o início da Primavera, celebrado neste dia. É uma festividade de fertilidade, simbolizando a união das forças masculinas e femininas e foi celebrado pelo acto de acender uma fogueira nova – nova vida. O gado atravessava a fogueira ou o seu fumo e os jovens saltavam por cima das chamas para serem protegidos com nova vida.

Floraria

O início de Maio também foi uma altura importante para os romanos. Eles celebravam o festival da Flora, Deusa das Flores (em português, deriva a palavra "folar", pão de Páscoa, desta origem). A celebração da Flora foi o Festival da Florália, que durava 5 dias desde 28 de Abril até 2 de Maio. Durante a Idade Média em toda a Europa, esta altura era celebrada com cantares e danças. As populações iam às florestas trazer uma árvore para o centro da aldeia/vila, tiravam os ramos e as folhas e o tronco era o centro das atenções – as pessoas dançavam à volta dele.

Celebrações de Maio no Novo Mundo

Estas formas europeias de celebrar o início do ano de plantações/fertilidade atravessaram o Oceano Atlântico e embora fossem reprimidas pelos Puritanos, sobreviveram entre os povos do Novo Mundo.

Como nasceu o Dia Internacional do Trabalhador?

Rosa Luxemburg tells us in her article "What are the origins of 1st May?" written in 1894, that it was in Australia where the workers' cause was joined to the old Spring celebration on this day, more precisely in 1856, when the workers of this British colony began a campaign for an eight-hour working day, making a stoppage. This was a total stoppage of work - a strike - and the action was repeated the following year. The cause of the international workers had been launched.

Nos Estados Unidos da América, o movimento laboral que iria escolher este dia para celebrar as suas reivindicações. As associações e sindicatos de trabalhadores organizavam-se durante o século XIX e começaram a lutar contra deploráveis condições de trabalho – entre 10 a 18 horas por dia e em alguns casos, sem qualquer segurança. Em algumas indústrias, a esperança de vida entre os trabalhadores nem chegava aos 25 anos!

Os sindicatos/associações formavam a Federação de Ofícios e Sindicatos Laborais Organizados (FOTLU), mais tarde a Federação Americana de Labor, que na sua Convenção Nacional em Chicago em 1884, proclamou que a partir do dia 1 de Maio de 1886, a jornada seria de oito horas. FOTLU anunciou que iria iniciar uma série de manifestações e greves para aplicar pressão nas autoridades no sentido de forçá-las a implementar o novo regime de trabalho.

Entretanto o movimento laboral foi brutalmente reprimido pelos agentes de segurança Pinkerton e as forças policiais. Quando chegou o dia, 1 de Maio de 1886, cerca de 300.000 trabalhadores em 13.000 firmas entraram em greve. Chicago foi o epicentro do movimento laboral e nomes como Louis Lingg, Johann Most, Albert Parsons e August Spies estarão para sempre ligados a este dia. As greves e o ambiente revolucionário criado pelas várias facções ligadas ao movimento laboral continuaram durante os dias 2 e 3 de Maio, mas em clima de paz. Tudo iria mudar, porém, no dia seguinte.

Massacre de Haymarket

Devido à crescente brutalidade das autoridades contra o movimento pacífico laboral, os operários decidiram organizar uma conferência pública na Praça de Haymarket (Harmarket Square) em Chicago no dia 4. O orador principal, August Spies, falava à multidão de operários e suas famílias, incluindo muitas crianças, nos direitos de trabalho. Testemunhas oculares, incluindo o Prefeito de Chicago, declararam que nunca usou qualquer palavra inflamatória e nunca fez qualquer apelo à violência. No entanto, as forças policiais começaram a carregar de forma violenta contra a multidão; alguém (não se sabe se foi um operário ou um agent provocateur próximo das autoridades) arremessou uma bomba artesanal contra os policiais e estes, por sua vez, abriram fogo contra os operários e suas famílias.

Oito líderes anarquistas foram presos e acusados de instigarem a violência e os jurados (escolhidos entre o tecido corporativo de Chicago) acharam-nos culpados. Quatro foram enforcados e um (Lingg) suicidou-se na sua cela na noite antes do seu enforcamento em Novembro de 1887. Os outros três foram perdoados seis anos depois devido à grande injustiça do processo extra-judicial.

Nunca foi adoptado nos Estados Unidos da América como feriado nacional, mas o movimento operário e suas reivindicações ecoaram pelo mundo fora, onde o dia 1 de Maio começou a ser foco de manifestações a favor dos direitos dos operários. A Internacional Socialista proclamou-o o Dia Internacional do Trabalhador em 1889.

Na Europa, 400 delegados participaram na Conferência Internacional dos Trabalhadores em 1889, em que a demanda principal era a jornada de oito horas e o 1º de maio de 1890 foi declarado um dia internacional de paralisação. Em 1890, as manifestações do Primeiro de Maio foram generalizados e no mundo todo, dos EUA e do Canadá, ao Brasil, Cuba, Peru, Chile, e em toda a Europa, de Portugal à Rússia, onde mais tarde a URSS iria institucionalizar o dia como um dos feriados nacionais e celebrar a causa dos trabalhadores em todo o mundo.

Termino com as palavras de Rosa Luxemburgo pela sua visão e qualidade eterna: "E quando melhores dias raiarem, quando a classe trabalhadora do mundo tiver ganho sua liberdade, então a humanidade provavelmente irá celebrar o Dia dos Trabalhadores em honra às mais amargas lutas e aos muitos sofrimentos do passado."

Nenhum comentário:

Postar um comentário