27 de junho de 2016

OTAN/Exit, objetivo vital

Manlio Dinucci


Tradução / Enquanto a atenção político-mediática se concentra no Brexit e na possibilidade de outros países prepararem a saída da União Europeia, a OTAN continua a reforçar a sua presença e a sua influência na Europa. Ao aperceber-se que "o povo britânico decidiu abandonar a União Europeia", o secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg, assegura que "o Reino Unido continuará a desempenhar o seu papel dirigente na OTAN". Afirma ainda que, face à crescente instabilidade e incerteza, "OTAN é mais importante que nunca como base de cooperação entre aliados europeus e entre a Europa e a América do Norte".

No momento em que a União Europeia se estilhaça e perde pedaços, devido à rebelião de largos setores populares afetados pelas políticas "comunitárias", e ainda sob o efeito das suas próprias rivalidades internas, a OTAN proclama, mais explicitamente que nunca, ser a base da União entre os estados europeus. E estes vêem-se assim cada vez mais subordinados e submetidos à canga dos EUA, país que reforça a sua posição de líder deste bloco militar. A cimeira de chefes de Estado e de governo da OTAN a realizar-se em Varsóvia dias 8 e 9 de julho foi preparada num encontro de ministros da Defesa – dias 13 e 14 de junho – encontro que foi alargado à participação da Ucrânia, apesar deste último país não ser membro da OTAN. Os ministros da Defesa decidiram reforçar a "presença avançada" no leste da Europa, às portas da Rússia, com o deslocamento de 4 batalhões multinacionais bálticos na Polônia.

Este deslocamento de tropas pode ser rapidamente reforçado, como o demonstrou um exercício da "Força Avançada" que incluiu o deslocamento de milhares de soldados e 400 veículos militares da Espanha para a Polônia em 4 dias. Com o mesmo objetivo foi decidido aumentar a presença naval da OTAN no Mar Báltico e no Mar Negro, até aos limites das águas territoriais russas. Ao mesmo tempo, a OTAN enviará mais forças militares, e aviões-radar AWACS para o Mediterrâneo, o Oriente Médio e África. Nessa mesma reunião, os ministros de Defesa comprometeram-se a incrementar em mais de 3.000 milhões de dólares os gastos militares da OTAN em 2016 – gastos que, unicamente em orçamentos militares, são mais da metade dos gastos militares registados a nível mundial. É este o prelúdio da iminente cimeira de Varsóvia, que tem 3 objetivos fundamentais: "Fortalecer a dissuasão", ou seja, as forças nucleares da OTAN na Europa; "Projetar a estabilidade para além das fronteiras da Aliança", ou seja enviar forças militares para o Médio Oriente, África e Ásia e, inclusive, para lá do Afeganistão; "Ampliar a cooperação com a União Europeia", o que significa aprofundar a integração das forças europeias na OTAN dirigida e comandada pelos EUA.

A crise da União Europeia abertamente declarada com o Brexit facilita o projeto de Washington: com o TTIP, elevar a OTAN até um nível superior criando assim um bloco militar, político e econômico EUA-UE, contra a área euro-asiática em ascensão, baseada na aliança entre a Rússia e a China. Neste quadro, a afirmação do Primeiro-ministro italiano Matteo Renzi no fórum de S. Petersburgo que "a expressão 'guerra-fria' está fora da história e da realidade, que a UE e a Rússia voltam a ser excelentes vizinhos" é tragicamente grotesca. A morte e funeral do gasoduto South Stream Rússia-Itália e as sanções à Rússia, tudo por ordem de Washington, já custaram à Itália bilhões de euros. E os novos contratos assinados em S. Petersburgo, a qualquer momento, podem voar em pedaços de papel no meio do campo da escalada da OTAN contra a Rússia. Escalada em que participa o governo Matteo Renzi que, entretanto, já disse que a Guerra-Fria está fora da realidade, mas colabora na colocação em solo italiano das novas bombas atômicas estado-unidenses para atacar a Rússia.

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