11 de julho de 2016

O pacto de aço OTAN-UE

Manlio Dinucci

Il Manifesto

Tradução / “Em face dos desafios sem precedentes provenientes do Leste e do Sul, chegou a hora de dar um novo alento e uma nova substância à parceria estratégica OTAN-UE”: começa assim a Declaração conjunta assinada na última sexta-feira (8) na Cúpula da OTAN de Varsóvia, pelo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker.

Um cheque em branco para a guerra, que os representantes da União Europeia deram aos Estados Unidos. Efetivamente, são os Estados Unidos que detêm o comando da OTAN – da qual fazem parte 22 dos 28 países da União Europeia (21 entre 27 quando o Reino Unido sair da UE) – e imprimem sua estratégia. 

Enunciado plenamente no comunicado aprovado em 9 de julho pela Cúpula: um documento de 139 pontos – elaborado por Washington quase exclusivamente com Berlim, Paris e Londres – que os demais chefes de Estado e de governo, inclusive o primeiro-ministro italiano Renzi, subscreveram de olhos fechados.

Após estender-se agressivamente para o Leste no interior da ex-URSS e ter organizado o golpe neonazista da Praça Maïdan para reabrir a frente oriental contra a Rússia, a OTAN acusa a Rússia de “ações agressivas, desestabilização da Ucrânia, violação dos direitos humanos na Crimeia, atividades militares provocadoras nas fronteiras da OTAN no Báltico e no Mar Negro e no Mediterrâneo oriental em apoio ao regime sírio, vontade demonstrada de obter objetivos políticos pela ameaça e pela utilização da força, e uma retórica nuclear agressiva”.

Em face de tudo isso, a OTAN “responde” reforçando a “dissuasão” (ou seja, suas forças nucleares na Europa) e sua “presença avançada na parte oriental da Aliança” (ou seja, o deslocamento militar para a fronteira com a Rússia). 

Trata-se de uma verdadeira declaração de guerra (mesmo se a OTAN assegura que “não busca a confrontação com a Rússia”), o que pode explodir a qualquer momento qualquer acordo econômico dos países da Europa com a Rússia. Na frente meridional, depois de ter demolido a Líbia por uma ação combinada do interior e do exterior e de ter testado a mesma operação na Síria, (fracassada graças à intervenção russa); após ter armado e treinado grupos terroristas e ter favorecido a formação do chamado Estado Islâmico e sua ofensiva na Síria e Iraque, empurrando ondas de refugiados para a Europa, a OTAN se declara “preocupada” pela crise que ameaça a estabilidade regional e a segurança de suas fronteiras meridionais, pela tragédia humanitária dos refugiados; ela “condena” as violências do chamado Estado Islâmico contra os civis e, em termos mais fortes, “o regime sírio e seus apoiadores pela violação do cessar-fogo”. Para “responder a essas ameaças, inclusive as que vêm do sul”, a OTAN potencializa suas forças com alta capacidade e poder de deslocamento. 

Isto requer “investimentos apropriados”, ou seja, uma despesa militar adaptada que os aliados se comprometeram a aumentar. Dados oficiais publicados pela OTAN durante a Cúpula mostram que a despesa militar da Itália em 2015 foi de 17 bilhões e 642 milhões de euros e que a de 2016 está estimada em 19 bilhões e 980 milhões de euros, ou seja, um aumento de 2,3 bilhões de euros. Se temos em conta as despesas militares fora do orçamento da Defesa (missões internacionais, navios de guerra e outros), a despesa é na realidade muito mais elevada.

Se nos atemos apenas aos dados da OTAN, a Itália em 2016 dispendeu para o setor militar em média 55 milhões de euros por dia. Enquanto o primeiro-ministro italiano Renzi se pavoneava entre os “grandes” na Cúpula de Varsóvia, e o parlamento (inclusive a oposição) se volta para o outro lado, a OTAN e a UE decidem nossas vidas.

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