1 de setembro de 2016

Como derrotar o imperialismo coletivo da Tríade

Samir Amin


Tradução / Posso resumir meu ponto de vista sobre a situação da economia moderna nos seguintes termos.

Temos vivido numa longa crise sistêmica do capitalismo, que começou em 1975, com o fim da convertibilidade do dólar em ouro. Não se trata do que aconteceu na famosa crise financeira em 2008. Não. Trata-se de uma longa crise sistemática do capitalismo monopolista que começou há 40 anos e prossegue. Os capitalistas reagiram à crise com várias medidas. O primeiro conjunto de medidas foi reforçar a centralização do controle que os monopólios exercem sobre a economia. Há uma oligarquia que controla todos os países capitalistas – EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e também a Rússia. A segunda medida foi converter toda a produção da atividade econômica em subempreitadas do capital monopolístico. Quero dizer: esses subempreiteiros não têm nem vestígio de liberdade. A concorrência é só retórica, não há nenhum tipo de concorrência. O que há é uma oligarquia que está no controle de todo o sistema econômico. Agora, estamos diante de uma frente unida de potências imperialistas, que estão formando um imperialismo coletivo da Tríade.

"A Tríade é Estados Unidos, Europa Ocidental e Central, e o Japão. Este grupo de países tornou-se uma única potência imperialista, o líder que é os EUA. Isto levou ao aprofundamento da profundidade da crise. A crise está na forma de um "L". A crise normal é na forma de um "U", a economia sobe após o declínio. Mas esta crise é diferente. Não há nenhuma maneira de sair da crise; a única maneira de sair é sair do capitalismo. Não há outra solução possível. Capitalismo deve ser considerada como um sistema moribundo. A fim de sobreviver a ela está se movendo à destruição e às guerras."

Nós temos uma alternativa que é o socialismo. Eu sei que não é muito popular para dizer, mas a única solução é o socialismo. É um longo caminho que começa com a redução do poder da oligarquia, reforçando o controle do Estado e estabelecendo um capitalismo de Estado, que deve substituir o capitalismo privado. Não significa que o capitalismo privado não sobreviverá, mas será subordinado ao controle pelo Estado. E o controle pelo estado deve servir também de apoio a uma política socialmente progressista. Deve visar a garantir pleno emprego, serviços públicos, educação, transporte, infraestrutura, segurança, etc.

"O papel da China é enorme, porque a China é, talvez, o único país de todo o mundo que tem um projeto soberano. Significa que a China está tentando estabelecer um padrão da indústria moderna, no qual, claro, o capital privado tem grande papel, mas está sob estrito controle pelo Estado. Simultaneamente, oferece à cultura uma visão do presente. O outro padrão da cultura econômica chinesa tem por base os produtores familiares. A China caminha sobre duas pernas: segue suas tradições e participa do mundo multipolar. Os chineses aceitam investimentos externos, mas mantêm a independência do próprio sistema financeiro. O sistema bancário chinês é controlado exclusivamente pelo Estado. O yuan só é conversível até certo ponto, e sempre sob controle do Banco da China. Esse é o melhor modelo com que contamos hoje para enfrentar o imperialismo dos globalistas."

É possível que a Rússia esteja andando nessa direção, mas não tanto quanto a China, porque a Rússia pagou um preço alto pela destruição de que foi alvo na terapia de choque de Gorbachev e Yeltsin. Esses governos entregaram a Rússia a uma oligarquia privada, muito intimamente relacionada com o capitalismo financeiro internacional dos EUA, Alemanha e outros. Isso reduziu a capacidade da Rússia para controlar a própria vida. Mas agora a Rússia caminha gradualmente na direção de restabelecer o controle pelo Estado sobre a economia do país.

O mundo agora está em grave perigo. O imperialismo coletivo dos EUA, Europa Ocidental e Japão é gerido pela liderança dos Estados Unidos. A fim de manter o seu controle exclusivo sobre todo o planeta, eles não aceitam a independência de outros países. Eles não respeitam a independência da China e da Rússia. É por isso que estamos prestes a enfrentar guerras contínuas em todo o mundo. Os radicais islâmicos são aliados do imperialismo, porque eles são apoiados pelos EUA, a fim de realizar a desestabilização. Esta é uma guerra permanente. Eu acredito que a melhor resposta a ela é o projeto eurasiano. A Rússia deveria se unir à China, países da Ásia Central, Irã e Síria. Essa aliança poderia ser também muito atraente para a África e boa parte da América Latina. Em tal caso, o imperialismo seria isolado.

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