30 de setembro de 2016

Rússia pode aprender com o destino do Brasil

Paul Craig Roberts e Michael Hudson

counterpunch: Tells the Facts, Names the Names

Tradução / William Engdahl explicou recentemente como Washington usou a elite brasileira corrupta, que responde a Washington, para remover a presidente legal e legitimamente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, para representar o povo brasileiro e não os interesses de Washington. Incapazes de ver a propaganda de acusações não provadas, os brasileiros aceitaram a derrubada do governo que os protegia. Assim deram ao mundo mais um exemplo da impotência da democracia.

Todos devem ler o artigo de Engdahl. Ali se explica que parte do ataque contra a presidente Rousseff cresceu sob as imposições de problemas econômicos deliberadamente criados por agências norte-americanas de avaliação de crédito, como parte do ataque para degradar a dívida do Brasil, que desencadeou um ataque contra a moeda brasileira, o real.

A abertura financeira do Brasil fez do país um alvo fácil para o ataque. Deve-se esperar que Vladimir Putin se aperceba e tome nota do alto custo da "abertura econômica". Putin é líder atento e cuidadoso da Rússia, mas não é economista; confia na neoliberal Elvira Nabiulina, escolhida de Washington para presidir o banco central da Rússia. Nabiulina não é especialista em Teoria Monetária Moderna, e o compromisso dela com a "abertura econômica" deixa a economia russa tão exposta quanto a economia brasileira, sem defesas contra a desestabilização do Brasil, promovida por Washington. Nabiuina acredita que o assalto contra o rublo se explicaria por "forças globais de mercado", que são impessoais, não pela ação financeira violenta, de Washington.

Nabiulina, uma doutrinadora e propagandeadora neoliberal, é essencialmente uma serva de Washington, e não está consciente do seu papel como "idiota útil". Ela se delicia com os aplausos que recebe do Consenso de Washington para deixar a economia russa aberta à manipulação de Washington. Sendo uma neoliberal, ela não entende que o banco central da Rússia pode criar a custo zero o dinheiro para financiar projetos produtivos na Rússia. Em vez disso, ela acha que o dinheiro que entra na economia do banco central é inflacionário, mas o dinheiro entra na economia de fontes estrangeiras não é.

O dinheiro é dinheiro, independentemente de saber se é disponibilizado pelo banco central ou por credores estrangeiros. Enquanto o dinheiro, independentemente da sua origem, foi usado de forma produtiva, o dinheiro não é inflacionário.

Há uma enorme diferença entre o dinheiro criado pelo banco central e o dinheiro criado por credores estrangeiros. Dinheiro emprestado por bancos estrangeiros sob a forma de dólares americanos ou euros tem de ser pago com juros na moeda estrangeira na qual o empréstimo for denominado (na mesma moeda na qual o dinheiro foi emprestado). Dinheiro criado pelo banco central para financiar projetos de infra-estruturas públicos não tem de ser reembolsado em tudo, muito menos com interesse e em divisas geradas pelas exportações.

Fundos adquiridos de empréstimos no exterior trazem muitos riscos. O dinheiro pode ser tirado, determinando o colapso do rublo livremente negociado. O juro que tem de ser pago é drenado das reservas russas de moeda estrangeira. Empréstimos externos também traz um risco cambial, que aumenta com sanções econômicas. Se o valor do rublo cair em valor, ou degradado em ataque orquestrado, o custo em rublos do empréstimo tomado no exterior pode crescer dramaticamente.

Nenhum desses riscos e custos estão presentes quando o banco central é a fonte de dinheiro. Usar apropriadamente o banco central russo é criar o dinheiro com o qual financiar projetos públicos e servir como emprestador de último recurso a empresas privadas russas incapazes de obter por elas mesmas o próprio financiamento. Este uso do banco central isola a economia russa de desestabilização orquestrada.

É lamentável para a Rússia que Nabiulina e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev acreditam que a dívida da Rússia financiada por estrangeiros hostis é preferível ao dinheiro criado pelo próprio banco central da Rússia. Glazyev é o único dentre os conselheiros de Putin que compreende essa realidade. Suspeitamos que os atlanticistas integracionistas dentro do governo russo riscaram um alvo nas costas de Glazyev, porque o único projeto deles é integrar a Rússia ao Ocidente, independentemente dos custos para a Rússia. Estes russos "Adoradores da América" são o maior problema da Rússia..

Para Washington, a austeridade neoliberal é "apenas um produto de exportação" para países que Washington tem a intenção de transformar em colônias financeiras dependentes. Ao acomodar objetivos de Washington, Nabiulina está envolvida em uma farsa. Os dólares e euros emprestados do exterior não são o dinheiro que vai para os mutuários russos. A moeda emprestada fica guardada no banco central. Nabiulina, em seguida, cria os rublos que financiam os projetos. Não faz sentido algum tomar empréstimo em moeda estrangeira para que sirva como 'lastro' para rublos criados domesticamente. Independentemente de saber se a Rússia toma emprestado no exterior, o banco central deve criar rublos com os quais a financiar os projetos. Portanto, não há nenhum ponto para o endividamento externo.

O governo russo que não compreender isto está em apuros.

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