25 de novembro de 2016

Fidel aos 90: uma vida revolucionária

Este texto foi publicado originalmente em agosto de 2016.

por Gloria la Riva

counterpunch: Tells the Facts and Names the Names

Neste dia 13 de agosto, Fidel Castro Ruz, dirigente da Revolução cubana e inspiração internacional da luta dos povos por um mundo melhor, fez 90 anos. Só por si, a sua idade é um acontecimento notável, considerando as mais de 630 tentativas de assassinato de que há registo, perpetradas pela CIA e outras agências maldosas.

Apesar do enorme impacto histórico que Fidel Castro tem tido em Cuba e na América Latina durante mais de 55 anos, é espantoso como a sua voz ou as suas palavras nunca foram ouvidas nem conhecidas pela maioria do povo dos Estados Unidos.

Mas a vida lendária de revolucionário de Fidel é bem conhecida em muitos outros lados. Durante todo este ano, em Cuba e um pouco por todo o mundo, à medida que se aproxima o seu aniversário, há numerosas iniciativas para o celebrar.

É uma pena que a vida de Fidel Castro e a sua audácia em derrotar uma ditadura sangrenta para depois construir o socialismo seja muito pouco conhecida do povo americano. Conheceria um homem de enorme coragem e humanismo que libertou o seu país de um estatuto neocolonial e o tornou um país soberano com uma importância enorme em todo o mundo.

Aprenderiam que Fidel Castro expressou admiração pelo povo americano, apesar da política do seu governo, que tentou derrubar a revolução e lhe fez tanto mal.

Pensem nisto. Em março deste ano, em Havana, o Presidente Barack Obama falou na televisão nacional cubana, no horário nobre da noite, sem qualquer censura, quando inegavelmente milhões de pessoas o viam, curiosos por saber se e como a política dos Estados Unidos em relação a Cuba mudaria. Sem censura.

Mas, quantas pessoas nos Estados Unidos, alguma vez, ouviram Fidel Castro – ou Raul Castro – nos meios televisivos ou radiofônicos ou num jornal diário? Perguntar é responder.

Uma parte do bloqueio consistiu na proibição de viajar para Cuba, impedindo-nos de a ver com os nossos próprios olhos. A sua intenção era isolar Cuba e manter na ignorância o povo dos Estados Unidos, impedindo-o de compreender o processo revolucionário cubano ou quem eram realmente os cubanos e os seus líderes.

Fidel Castro foi um dos líderes mais demonizados por Washigton para justificar que os Estados Unidos esmagassem a sua população e para obter a sua rendição aos velhos tempos da dominação.

O embargo foi extremamente cruel, calculado em mais de um bilião de dólares em danos à economia cubana, não incluindo as taxas alfandegárias. E, contudo, a taxa de mortalidade infantil em Cuba alcançou um índice espantoso de menos de 4,2/1000 no último ano, em resultado do seu sistema de saúde.

As propostas de Fidel Castro de solidariedade internacional também se estenderam aos Estados Unidos.

Quantas pessoas sabem que, logo após o desastre do furacão Katrina, Fidel Castro, serenamente – sem alarde – ofereceu a George W. Bush mais de 1000 médicos, que estavam preparados para desembarcar em Nova Orleãs em cinco horas após a aprovação de Bush e tratar as vítimas isoladas ao longo da Costa do Golfo sem qualquer custo para os Estados Unidos?

Bush ignorou completamente a oferta. Depois de vários dias, Castro, desta vez, repetiu a oferta publicamente, esperando que ela pudesse realizar-se. Em consequência, muitas pessoas morreram sem necessidade.

Quantas pessoas sabem que jovens americanos estão a estudar em Cuba sem pagar, para se tornarem médicos nos Estados Unidos, graças à Escola Latino-americana de Medicina?

Os médicos e demais trabalhadores da saúde foram decisivos para o combate contra o vírus Ebola na África Ocidental. Quando essa catástrofe sanitária parecia vir a espalhar-se por todo o mundo, muita gente suspirou de alívio ao ver o papel de Cuba.

Dando apoio ao povo da África do Sul nos anos 70 e 80, Fidel Castro sabia seguramente que poderia agudizar ainda mais a inimizade de Washington, um aliado do regime de apartheid.

Mas, apesar desse perigo, apelou aos voluntários cubanos que ajudassem a derrotar a invasão do exército da África do Sul em Angola. Esses 300 000 homens e mulheres ajudaram a quebrar as cadeias do apartheid e levaram à independência da Namíbia.

O 90º aniversário de Fidel Castro, no último sábado, deveria merecer alguma reflexão nos Estados Unidos sobre quem é ele realmente, para além da imagem rigidamente negativa que as administrações dos EUA e os média transmitem ao povo americano.

Muitas vezes, nos últimos 25 anos, tive a honra e o privilégio de me encontrar com Fidel Castro. Estou certa de que nunca encontrarei pessoalmente maior humanista ou revolucionário.

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