16 de novembro de 2016

Quem ganhará a guerra entre o Trump & os Neocons?

Eric Zuesse

Washington's Blog

A primeira grande batalha da transição de Trump para a Casa Branca está ocorrendo sobre a questão fundamental que levou o establishment a repudiar Donald Trump: Que guerra a América vai priorizar - a guerra contra os jihadistas, ou a guerra contra a Rússia (e também contra qualquer liderança nacional - incluindo os líderes do Irã - que é simpática à Rússia)?

Uma violenta guerra doméstica subterrânea tem ocorrido por muito tempo entre Trump e os neoconservadores (as pessoas que querem retomar a Guerra Fria agora como uma guerra quente contra a Rússia, derrubando todos os governos - por exemplo, Saddam Hussein, Muammar Kadafi, Viktor Yanukovych, Bashar al-Assad - favoráveis à Rússia). Ele têm estado furiosos desde que Trump deixou claro no começo deste ano que queria parar a guerra de Obama na Síria contra Assad e Putin, e começar uma verdadeira guerra contra todos os muitos grupos jihadistas que estão tentando derrubar o secular Assad e eliminar jihadistas em todos os países, com exceção daqueles que os apoiam, que então constituiriam Estados patrocinadores do jihadismo e, portanto, inimigos dos Estados Unidos. Esta é uma guerra sobre a guerra.

Esta guerra está chegando agora ao ponto crucial com a ruptura, na terça-feira, 15 de novembro, dos esforços conciliadores de Trump para ganhar a cooperação dos neocons, grupo que inclui praticamente todo o establishment de Relações Exteriores do Partido Republicano, militares e diplomáticos, mais a maior parte do establishment de Relações Exteriores do Partido Democrata. Esses dois "establishment" são na verdade duas equipes de um establishment, e são, agora, depois de quatro presidentes neoconservadores (Bush I e II, Clinton e Obama), quase exclusivamente neoconservadores, especialmente do lado republicano).

O neoconservadorismo começou a sério em 24 de fevereiro de 1990, quando o presidente dos Estados Unidos, George Herbert Walker Bush, disse a seus agentes que, embora a Guerra Fria estivesse terminando do lado russo, não iria realmente acabar do lado americano, embora todos tivessem prometido para o então soviético e futuro presidente russo Mikhail Gorbachev, que acabaria. O próximo presidente, Bill Clinton, acompanhou e expandiu a OTAN, e seus sucessores G.W. Bush e Barack Obama, a expandiu ainda mais e por isso agora cercamos a Rússia com nossos mísseis. Também derrubamos os amigos e aliados de Moscou - Saddam Hussein, Muammar Gaddafi e Viktor Yanukovych, e ainda estamos tentando fazer isso na Síria - para enfraquecer ainda mais a Rússia, para, então, entrar para matar.

Se Trump avançar sobre as linhas partidárias para incorporar o pequeno segmento do establishment de Relações Exteriores do Partido Democrata que não são neoconservadores, ele terá de enfrentar forte oposição pelos Republicanos no Senado e na Câmara de Representantes, que não se interessarão por aprovar partes essenciais das iniciativas dos Departamentos de Estado e de Defesa do governo Trump. Nesse caso, o governo Trump será praticamente imobilizado, sobretudo com a disposição do establishment (neoconservador) em Washington para não fornecer informação essencial e cooperação que levem a grandes sucessos trumpistas nos setores de Relações Exteriores. O establishment detém todas as informações essenciais sobre contatos nos governos estrangeiros (dentre muitas outras informações também essenciais), sem as quais é impossível operar as relações internacionais. A presidência de Trump seria então natimorta.

O homem que organizou a revolta neoconservadora contra a candidatura de Trump, e que recentemente, mas brevemente, ofereceu um ramo de oliveira para ajudar a equipe Trump a selecionar as pessoas para executar as relações internacionais dos EUA, Eliot A. Cohen, twittou em 15 de novembro, "Após reunião com a equipe de Trump, mudei a minha recomendação: fiquem longe. Eles estão irritados, arrogantes, gritando 'você perdeu!' Vai ser desagradável."

Isso é guerra total: os neocons farão todo o esforço para sabotar a Presidência de Trump.

Outro líder neocon, Daniel W. Drezner, twittou mais tarde no mesmo dia, "Anotem, a frase mais assustadora desse tweet é 'Flynn e Kushner estão agora controlando quem recebe postos básicos'".

Referia-se ao tenente-general aposentado Michael Flynn, que Obama demitiu do posto de diretor da Agência de Inteligência da Defesa, porque Flynn opôs-se ao plano de Obama de dar prioridade à guerra contra a Rússia, e não à guerra anti-jihadistas: Flynn defendeu que os EUA negociassem com Assad, para atacar quaisquer e todos os jihadistas, não só o ISIS (como Obama queria).

E há também Jared Kushner, genro anti-palestiniano e anti-iraniano do judeu sionista Trump, que agora está aprendendo que todo o terrorismo que foi perpetrado contra os Estados Unidos e a Europa vem quase 100% não deles, mas sim do declarado inimigo "existencial" do Irã, a família Saud, que possui a Arábia Saudita e que tem sido profundamente aliada com o establishment americano, ou aristocracia, especialmente os bilionários dos Estados Unidos, desde a Segunda Guerra Mundial, e que ainda permanecem determinados a, com a ajuda dos EUA, conquistar a Rússia, que (mesmo acima do Irã) é seu principal concorrente nos mercados de petróleo e gás. Aqui está o que a equipe de Trump não sabe. E, acima de tudo, eles não sabem que a família real que possui a Arábia Saudita foram os principais financiadores da Al Qaeda e do 11/9. O governo dos Estados Unidos está na "desconfortável" posição de ser aliado dos inimigos não só do público americano, mas de todas as nações que não são administradas pelos fundamentalistas sunitas e pela Sharia. Nós os armamos. Nós os defendemos. E, de vez em quando, somos explodidos por eles.

Trump e sua família devem ser capazes de aprender rapidamente com a realidade e descartar mitos, porque no curto período de tempo que eles têm para começar a administrar o governo dos EUA, há muita propaganda dos EUA que eles terão que desaprender e um monte de histórias ocultas que eles precisam abandonar.

Eles dizem que querem limpar o pântano em Washington, mas o pântano inclui milhares de pessoas que se recusam a ajudar a informar e treinar seus próprios substitutos. Os neoconservadores desde George W. Bush (e aqui estão 450 dos mais proeminentes deles apenas no lado republicano) tiveram um monopólio virtual sobre a política externa dos EUA, e não querem abandoná-la.

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