24 de novembro de 2016

Um por cento dos adultos possui 51% da riqueza mundial; 10% possuem 89% e os 50% de baixo possuem apenas 1%

por Michael Roberts

Tradução / Um por cento dos adultos do mundo possui 51% de toda a riqueza mundial, ao passo que a metade dos adultos da base possui apenas 1%. Na verdade, os 10% dos adultos do topo possuem 89% de toda a riqueza mundial! Este é o novo número obtido para 2016 pelo relatório anual sobre a riqueza global do Credit Suisse. A cada ano o Credit Suisse apresenta este relatório, assinado pelos professores Tony Shorrocks, James Davies e Rodrigo Lluberas, os quais costumavam fazê-lo para a ONU. Informo sobre os resultados todos os anos e habitualmente este é um dos artigos mais populares que escrevo.

Da última vez que discuti os resultados do Credit Suisse, os 1% do topo tinham 48% da riqueza mundial. Assim, no último ano e meio, a desigualdade mundial aumentou outra vez. As fatias dos 1% e 10% do topo quanto à riqueza mundial caíram entre 2000 e 2007. Exemplo: a fatia do percentual do topo declinou de 50% para 46%. Contudo, esta tendência foi revertida após a crise financeira e as fatias do topo retornaram aos níveis observados no princípio do século.

Os investigadores do Credit Suisse consideram que estas mudanças refletem principalmente a importância relativa dos ativos financeiros na carteira familiar, os quais subiram de valor desde 2008 e elevaram a riqueza de muitos dos países mais ricos, e das pessoas mais ricas, por todo o mundo. Embora a fatia dos ativos financeiros caísse este ano, as fatias dos grupos de riqueza do topo continuaram a subir. No outro extremo da pirâmide global da riqueza, a metade debaixo dos adultos possuía coletivamente menos de 1% da riqueza total.

A razão principal para esta enorme desigualdade é que há muita gente pobre (em riqueza) no mundo. Percebe-se: não é preciso muito para ficar entre os 1% de topo dos possuidores de riqueza. Uma vez subtraídas as dívidas, uma pessoa precisa apenas de US$3.650 para ficar na metade mais rica dos cidadãos do mundo. Contudo, são precisos cerca de US$77.000 para ser membro dos 10% do topo da riqueza global e US$798.000 para pertencer aos 1% do topo. Assim, se possui uma casa em qualquer grande cidade no Norte rico e sem hipoteca, já faz parte dos 1% do topo. Sente-se rico assim? Isto apenas mostra quão pobre é a vasta maioria das pessoas do mundo: sem propriedade, sem dinheiro e certamente sem ações e títulos!

A investigação mostra que 3,5 bilhões de indivíduos – 73% de todos os adultos do mundo – têm uma riqueza inferior a US$10.000 em 2016. Além disso, 900 milhões de adultos (19% da população global) está no intervalo dos US$10.000 – US$100.000. Os pobres em riqueza estão concentrados na Índia, na África e nos países asiáticos mais pobres, com 73% destes na base dos possuidores de riqueza. Mas também há número significativo de pessoas que são ricas pobres pelos padrões globais na América do Norte e na Europa, com 9% de norte-americanos, a maior parte com valor líquido negativo, no quintil de base global e 34% de europeus na metade de base global. Estas pessoas não só não têm riqueza como estão em dívida.

E quem se safa melhor? Bem, não são os indianos. A Índia tem apenas 3,1% das pessoas da "classe média" global (riqueza de US$10k-US$100k) e esta fatia pouco mudou. Em contraste, a China representa um enorme 33% das pessoas de riqueza média, dez vezes o da Índia – e esta proporção duplicou desde 2000. Isto mostra que a expansão econômica sem precedentes da China retirou centenas de milhões à pobreza, ainda que a desigualdade de riqueza tenha ascendido.

Na verdade, o número de milionários, o qual caíra em 2008, manifestou uma rápida recuperação após a crise financeira e é agora mais do que o dobro do seu número de 2000. Há agora 32,9 milhões de milionários globalmente, isto é, adultos com mais de US$1 milhão em propriedade ou poupanças líquidas de dívida. Na verdade, há apenas 140.000 pessoas no mundo todo que têm mais do que US$50 milhões em riqueza. E há agora mais de 2000 bilionários – estas são as pessoas que realmente possuem o mundo.

Assumindo que não haja mudança na desigualdade de riqueza global, espera-se que surjam outros 945 bilionários nos próximos cinco anos, elevando o número total dos que possuem mais de bilhões para aproximadamente 3.000. Mais de 300 dos novos bilionários serão da América do Norte. Prevê-se que a China acrescente mais bilionários do que toda a Europa em conjunto, elevando o total da China acima dos 420.

O Credit Suisse estima que a riqueza total global seja agora de US$334 trilhões, ou cerca de quatro vezes o PIB anual do mundo. Após a viragem do século, houve a princípio uma ascensão rápida na riqueza global, com o crescimento mais rápido na China, Índia e outras economias emergentes, a qual representou 25% do aumento em riqueza, embora eles possuíssem apenas 12% da riqueza mundial no ano 2000. A riqueza mundial declinou em 2008, tem tendido vagarosamente a subir desde então, a uma taxa significativamente mais baixa do que antes da crise financeira. De fato, desde 2010 a riqueza caiu em termos de dólar em todas as regiões além da América do Norte, Ásia-Pacífico e China. Numa base por adulto, a riqueza quase não cresceu de todo e a riqueza mediana caiu a cada ano desde 2010. O adulto médio está a ficar mais pobre.

Nos últimos 12 meses, a riqueza mundial subiu 1,4% e mal acompanhou o ritmo do crescimento populacional. Em consequência, em 2016, a riqueza média por adulto ficou inalterada pela primeira vez desde 2008, em aproximadamente 52.800 dólares. Assim, a população mundial como um todo não ficou mais rica no último ano e meio, ao passo que a desigualdade cresceu.

Mais sobre desigualdade de riqueza e rendimento e o seu significado no meu Essays on Inequality

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