5 de dezembro de 2016

Vence o Não e a esquerda alça a bandeira

por Norma Rangeri


Tradução / Segundo Berlusconi, Matteo Renzi agora estaria pronto para o programa Ilha dos Famosos. A realidade passou batida pelo premiê italiano e o reality show é a sua dimensão enganosa.

É o que diz o resultado do referendo deste domingo (04/12), um terremoto político e não apenas pelo significado que assume no contexto italiano. Depois da esplêndida votação austríaca, é um forte sinal para toda a Europa, que de Viena e Roma recebe uma mensagem de confiança nas instituições e nas Constituições parlamentares.

A vitória plena e devastadora do “não” à reforma constitucional proposta por Renzi é fruto de uma grande participação popular, de uma afluência que ultrapassa os confins de uma consulta popular para assumir os contornos de uma eleição política. Os quase 70% de participação aproximam o teste eleitoral de ontem às eleições de 2013 (quando foram às urnas 75% do eleitorado) e dão a medida da oposição à reforma, certamente, mas também ao governo e à liderança que o guia. Renzi se deu conta disso ontem à noite, anunciando sua renúncia.

Teremos tempo e modo de analisar a fundo a geografia desta votação, mas já é evidente que a estremecer não será só o Palazzo Chigi, sede do governo, porque também o largo do Nazareno, em Roma, deverá reconhecer a derrota do Partido Democrático conduzido por seu secretário – Renzi – na batalha de um contra todos. Berlusconi e a direita, que nunca foram paladinos da Constituição, colhem um resultado político necessário a mantê-los vivos. Veremos se isto será suficiente para reuni-los.

Por sua vez, mais clara se torna a trajetória do Movimento Cinco Estrelas, que no fim se uniu à campanha mobilizando as praças e as redes sociais com suas figuras mais representativas, de Beppe Grillo às jovens prefeitas e parlamentares que se posicionaram diante das câmeras de TV.

E, entre todos os vencedores, a esquerda leva para casa a bandeira da vitória moral. Uma bandeira importante, porque foi a esquerda, com todas as suas organizações, da Anpi (Associação Nacional dos Partigianos da Itália) à CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho), que defendeu incondicionalmente a Constituição.

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