17 de janeiro de 2017

A mudança de regime chega em casa: As ameaças manifestas da CIA contra Trump

James Petras


Tradução / As eleições competitivas disputadas entre candidatos, sem qualquer tipo de restrição pela força ou violência de instituições estatais permanentes tem sido a norma dos Estados Unidos capitalistas. Há evidência de que houve manipulação de votos durante eleições recentes, como aconteceu na vitória de John F. Kennedy em 1960 e na vitória de George W. Bush contra “Al” Gore em 2000. Apesar desses resultados duvidosos, o candidato “derrotado” aceitou a derrota momentaneamente e procurou registrar sua oposição usando a legislação, luta judicial, pressão de grupos de influência e protestos pacíficos.

Parece que essas normas não funcionam mais. Durante o processo eleitoral, e durante o transcorrer das cerimônias de posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, instituições federais fundamentais foram desafiadas e aquelas de caráter coercivo foram ativadas para desqualificar o presidente eleito e pronunciamentos públicos desesperados ameaçam abertamente toda a ordem eleitoral vigente.

Vamos tentar delinear aqui o processo usado para minar a ordem constitucional, o processo eleitoral e a transição para a inauguração do presidente eleito.

Mudança de regime na América

As autoridades eleitas nos Estados Unidos, em tempos recentes sempre utilizaram suas organizações estatais de segurança para intervenções contra governos estrangeiros, que ousaram desafiar a busca americana por dominação global. Isso foi especialmente verdade nos oito anos da administração do presidente Barak Obama, quando derrubadas de presidentes e primeiros ministros foram efetuadas de forma violenta, através de golpes arquitetados pelos Estados Unidos que se tornaram rotina, sob a doutrina não oficial de “mudança de regime”.

A violação da ordem constitucional e das normas eleitorais de outros países se tornou prática consagrada na política externa dos EUA. Todas as estruturas políticas, administrativas e de segurança do país estão envolvidas nesse processo. Os formuladores das políticas do Estado americano sempre defenderam que existe uma distinção muito clara entre a salvaguarda das normas constitucionais em casa e a busca de mudanças de regime violentas e ilegais no estrangeiro.

Hoje, a distinção entre as normas domésticas e estrangeiras está obliterada pelo aparato estatal e pela imprensa de massa quase totalmente chapa branca. A estrutura de segurança dos Estados Unidos agora está ativa na manipulação do processo democrático doméstico da eleição de líderes e nas transições administrativas.

A passagem decisiva e definitiva para a “mudança de regime” em casa é um processo que foi continuamente organizado, orquestrado e implementado por autoridades eleitas ou nomeadas dentro do regime Obama e por uma multiplicidade de organizações de ação política, que cruzaram limites ideológicos nunca antes transpostos.

A mudança de regime tem vários componentes que levam a uma solução final: antes de qualquer coisa, os partidos políticos buscam deslegitimar o processo eleitoral e o enfraquecimento do presidente eleito. A imprensa de massa joga um papel crucial ao demonizar o presidente eleito Donald Trump, espalhando boatos e calúnias pessoais, escândalos sexuais velhos de décadas e entrevistas e incidentes propositalmente elaborados.

Ao lado do ataque da mídia, políticos de esquerda e de direita se juntaram para questionar a legitimidade dos resultados das eleições de novembro de 2016. Mesmo depois que recontagem de votos confirmou a vitória de Trump, uma campanha massiva de propaganda foi lançada pelo impeachment do presidente eleito, ainda antes da posse – ao afirmar que Trump é um “agente do inimigo”.

O Partido Democrata e uma coleção variada de militantes anti Trump da direita/esquerda quiseram chantagear membros do Colégio Eleitoral Especial para mudar seu voto em flagrante violação do próprio mandato como eleitores estatais. Não houve sucesso, mas a tentativa nunca fora presenciada antes.

O ataque explícito contra as normas eleitorais dos Estados Unidos se transformou em uma virulenta campanha anti Rússia destinada a prejudicar o presidente eleito (um bilionário da indústria civil e ícone entre as celebridades dos EUA) tachando-o de “ferramenta de Moscou”. A mídia empresa e poderosos elementos dentro da CIA, do Congresso e da administração Obama insistem que as aberturas de Trump na direção de relações diplomáticas pacíficas com a Rússia são atos de traição.

O presidente Obama tinha mobilizado toda a liderança de seu aparato estatal de segurança para elaborar “dossiês maliciosos” ligando Trump ao presidente russo Vladimir Putin, insistindo que Trump não passa de um joguete, ou pelo menos “é vulnerável a chantagem do KGB”. Os documentos falsos da CIA (conseguidos através de um antigo funcionário da inteligência britânica que agora opera como promotor de segurança free lance) já havia circulado entre a imprensa de grande porte, que se recusou a publicar as fofocas reveladas. Meses de tentativas frustradas de fazer a imprensa americana “morder a isca” do dossiê que efetivamente não cheirava nada bem não tiveram sucesso. O senador americano meio senil John McCain (“herói de guerra” e histericamente contrário a Trump) então se desesperou e manejou voluntariamente para fazer o relatório voltar ao colo do diretor da CIA, Brennan, e exigiu que o governo “fizesse alguma coisa com as revelações vitais”!

Sob o escrutínio de pesquisadores sérios, o “dossiê da CIA” se revelou uma falsidade totalmente fabricada sob a batuta do tal antigo funcionário da inteligência britânica que-agora-está-escondido...! Intrépida, apesar do descrédito total, o líder da CIA continuou a atacar o presidente eleito. Trump aparentemente compreendeu de que maneira a liderança da CIA se envolveu na tentativa de um golpe de estado usando o que chamou de “quadro nojento de trabalho sujo”, insinuando que o trabalho da CIA pode ser comparado ao modus operandi criminoso dos nazistas.

O diretor da CIA, John Brennan, arquiteto de numerosas "mudanças de regime" no exterior, trouxe suas habilidades para casa - contra o presidente eleito. Pela primeira vez na história dos EUA, um diretor da CIA acusou abertamente um presidente ou presidente eleito de trair o país e ameaçou o futuro Chefe do Executivo. Ele advertiu friamente Trump para "apenas certificar-se que compreende que as implicações e os impactos (das políticas de Trump) nos Estados Unidos poderiam ser profundos... "

O diretor da CIA John Brennan não só fez a CIA se tornar um poder sinistro e irresponsável que pretende ditar a política para um presidente eleito dos Estados Unidos, mas também assume claramente um tom de “Capo” da Máfia, ameaçando a segurança física do próximo líder.

Do arranhão à gangrena

Nada pode ser catastroficamente pior para os Estados Unidos que uma conspiração de políticos da direita e da esquerda, da imprensa corporativa de massa, de websites “progressistas” e de analistas providenciando cobertura ideológica para uma “mudança de regime” orquestrada pela CIA.

Se não bastassem as limitações – que são muitas – de nossas normas eleitorais, elas estão sendo agora degradadas e descartadas através de uma marcha que envolve um golpe da elite, com elementos do império militarista e da hierarquia da “inteligência”.

Propaganda massiva, uma aliança de vários matizes, fofocas sem sentido e acusações de traição ("Trump, o fantoche de Moscou") se assemelham à atmosfera que levou à ascensão do Estado nazista na Alemanha. Uma enorme “coalizão” se juntou com a mais violenta das organizações (a CIA) e a liderança política imperial, que vê qualquer abertura em direção à paz como alta traição porque limita sua caminhada na direção do poder mundial e uma ordem política planetária totalmente sob dominação dos Estados Unidos.

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